quinta-feira, janeiro 21, 2016

As conchas que as ondas levaram





Eu estava na praia observando o mar com suas ondas quebrando...se jogando...molhando a areia. Meus olhos passaram por todo o cenário inebriando minha alma com uma doce paz. Quando, de repente, as conchas próximas de mim despertaram meu interesse, levantei então daquele momento escasso – porém sublime – na minha vida, em que consegui olhar com tempo para o belo que estava ao redor de mim.
As conchas que me roubaram desse mágico momento me levaram para outro encantado mundo, o da infância, e me ajoelhei com olhar curioso frente às conchas pequenininhas com furinhos, que me permitiram ver um colar já pronto. Saí então atrás de conchas grandes que tivessem também o mesmo formato, e distraída a onda veio, levando minhas conchas já encontradas, molhando minha toalha, minha bolsa, minha sandália. Então ‘acordei’ e vi que o meu tempo gasto fora perdido, porque as ondas as levaram para um outro mundo, desconhecido.
E depois de gargalhar da minha própria distração, sentei-me confortavelmente em minha toalha molhada, a vigiar, novamente, a onda quebrando...se jogando...molhando.
E me ocorreu algo que pareceu brotar do fundo do meu raso coração – seria isso o que fazemos o tempo todo? Andamos atrás das coisas grandes, distraindo-nos das pequenas, tão belas, que já estão perto?
Ah, como é terrível essa mania que temos de achar que nas coisas grandes é que vamos esbarrar na felicidade!



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