domingo, setembro 13, 2020

 
Série – Vendo Jesus em Marcos – Jesus e seu estranho poder


Andando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores. E disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram.Indo um pouco mais adiante, viu num barco Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, preparando as suas redes. Logo os chamou, e eles o seguiram, deixando Zebedeu, seu pai, com os empregados no barco. (Marcos 1:16-20)

Criada no evangelho desde a infância, Janine, contava que pedia a Deus alegria, e a alegria chegou quando tinha 17 anos.

Resistente ao modelo de “crentes” que eu convivia, percebi que ela me apresentava um Jesus completamente diferente. Janine foi a primeira pessoa que me falou de Jesus de um jeito que eu quis ouvir. Creio que foi por causa da sua doce e terna educação que meu coração cativo se abriu para ouvi-la. A experiência da Janine me intrigou por algum tempo. Passei a perguntar, quem era mesmo Jesus?

John MacArthur, falando da cronologia do chamado dos apóstolos ao ministério, nos informa que os primeiros discípulos chamados eram seguidores de João Batista, portanto, ao ouvir que Jesus era o cordeiro de Deus, passaram a segui-lo1. Contudo, eles se tornaram discípulos de tempo integral quando Jesus vendo-os trabalhar na pesca os convidou para serem pescadores de homens.A história nos conta que eles quando chamados por Jesus, imediatamente, sem demora, prontamente, depressa, deixaram suas vidas construídas para segui-lo.

Pergunto-me o que eles viram no Jesus que eles já criam que os fizeram tomar uma atitude tão radical em suas vidas?

A teologia vai dizer que foi a graça irresistível, isto é, que Deus quando nos chama não temos como negar, porque Ele o faz de tal maneira que não podemos resisti-lo. Entendo. Contudo, confesso que para mim não explica o que eles viram. Arrisco pensar que o que viram transcende ao olhar humano. É uma daquelas experiências que só podemos compreender do lado de dentro, no lugar do vivido, a qual palavra nenhuma abarca.

O que sei é que o que viram em Jesus, deu-lhes coragem para deixar tudo;o que viram em Jesus se tornou mais importante do que todas as conquistas feitas até aquele momento; o que viram em Jesus era mais poderoso do que todos os sentimentos e laços afetivos forjados pelo sangue e o tempo; o que viram em Jesus os fez se arriscar numa aventura a qual não tinham nenhuma perspectiva de segurança. É mesmo impressionante o que viram.

Sou psicóloga e sei que eles experimentaram algo que os fez viver em um curto espaço de tempo, uma radicalidade vista raramente, levando-os a ressignificar toda a vida. Assombro-me com o que eles viram, pois me parece que ao ver foram tocados por um poder que não os permitiram continuar vivendo como viviam.

De verdade, acredito que a Janine foi visitada um dia por esse poder. Da tristeza insistente, num instante, ganhou uma alegria perene, a qual quem conviveu e convive com ela, pode ver.

Ela me falou de Jesus por dois anos, eu cri e passei a segui-lo, mas vendo os discípulos aprendo que há algo mais do que apenas conhecer e crer em Jesus, talvez como diz John MacArthur, este seja só o primeiro nível da vida cristã.

O segundo nível, só experimenta aqueles que viram em Jesus o que os discípulos viram. E quando isso acontece tudo é deixado para trás.

Novas pessoas eles se tornaram, e o vivido por eles, até aquele momento se tornou antigo, e tudo se fez novo2, diz o apóstolo Paulo que também viveu a experiência dos discípulos.

Tocados pelo que viram em Jesus entregaram-se completamente!

Fiquei perguntando-me, será que estou vendo o que os discípulos viram?

Roseli de Araújo

Escritora e Psicóloga clínica

 

Referência

1.    Livro: 12 homens extraordinariamente comuns, pg.23. Autor John MacArthur.

2.    IICoríntios 5:17