quarta-feira, dezembro 23, 2015

Roseli de Araújo - A Estreia Literária

Em 2016, estarei lançando meu primeiro livro. 
"Ser Crente, Ser Humano - O Transtorno Mental em Descompasso com a Fé" é minha tentativa de responder a algumas das muitas perguntas que os evangélicos me fazem sobre temas da minha profissão.
O livro tem 5 capítulos:
- O crente precisa de psicólogo?
- Depressão: Doença ou falta de fè?
- Transtorno mentais existem?
- A culpa sob a mira da Palavra
- Os sentimentos na Escola de Jesus
Sem nenhuma pretensão de esgotar o assunto, escrevo no desejo de que muitos encontrem descanso para seus sofrimentos.
A data do lançamento será anunciada assim que houver confirmação do local.

quarta-feira, março 04, 2015

Dependência Química, Doença Familiar?




          Certamente, sim! Quando alguém se torna usuário de drogas, os membros da família passam a viver em torno do dependente químico: a vida, os sonhos, a felicidade, os prazeres, as alegrias, o futuro e tudo mais que se relacione a cada familiar passa a depender do comportamento do dependente químico. Como se isso já não fosse um problema em si mesmo, esse tipo de comportamento pode gerar a FACILITAÇÃO.

            O QUE É A FACILITAÇÃO?
      É qualquer comportamento que, mesmo vindo com boa intenção, serve para proteger o dependente químico das consequências do uso das drogas, contribuindo para que a doença do dependente e a situação desse familiar piorem. Isso, obviamente, adoece toda a família.

            Sintomas de uma família doente
* Depressão;
* Insegurança;
* Baixa estima;
* Raiva;
* Impotência;
* Solidão;
* Doenças físicas;
* Transtornos emocionais etc.

             Quando o comportamento é um comportamento facilitador?
* Negar que o uso da droga pode ser um problema;
* Evitar problemas e conflitos que, possivelmente, causem o uso do dependente;
* Minimizar (diminuir) o problema;
* Racionalizar : encontrar razão para o uso.

        Seu comportamento é um comportamento facilitador? Se você tem na sua família um dependente químico, veja pelos itens abaixo se você, movido pelas melhores intenções, não está fazendo mais mal que bem ao seu ente querido. Tem comportamento facilitador quem:

* Protege o dependente das consequências do seu comportamento;
* Deseja e aguarda que a situação melhore – tendo “paciência”, quando o certo é agir;
* Pratica a regra do “não falar”.

               Quais as consequências do comportamento facilitador?
* Aumenta a resistência do dependente químico em procurar ajuda porque ele deixa de perceber toda a extensão do prejuízo que a droga causa.
* Atrapalha o dependente quando este quer o tratamento.

           O que a família pode fazer que irá ajudar o tratamento?
1º - Encarar que a dependência química é um problema grave que adoece o usuário e a sua família se esta tiver comportamento facilitador;
2º - Procurar ajuda especializada, mesmo quando os pacientes não queiram acompanhá-los;
3º- Frequentar grupos de autoajuda – NA;
4º- Estar preparado para ajudar o dependente químico, quando este demonstrar real interesse em ser ajudado. ( Para isso é necessário seguir os passos anteriores).

Roseli Araújo
Psicóloga Clínica

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Sou psicóloga e atuo na área de dependência química. Gostaria de informar que o Estado está disponibilizando por meio do Centro Estadual de Avaliação Terapêutica Álcool e Outras Drogas-CEAT-AD, o encaminhamento para comunidades terapêuticas contratadas. O objetivo é proporcionar acolhimento e avaliação psicossocial dos usuários de álcool e outras drogas e encaminhá-los, se necessário, para as comunidades terapêuticas conveniadas com o Estado e com o Governo Federal. Esse é um serviço oferecido sem nenhum custo para população. Por meio do teleatendimento 0800 649 0145 toda orientação necessária é prestada ao cidadão.

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Diante dos desafios dos relacionamentos modernos, quero deixar como dica de leitura este livro, que li e gostei muito. 

Laços e Nós - Amor e Intimidade nas Relações Humanas - Beatriz Helena Paranhos Cardella (8571830495)

  • Livros Laços e Nós - Amor e Intimidade nas Relações Humanas - Beatriz Helena Paranhos Cardella (8571830495)

    • Gênero: Ciências Humanas e Sociais,  Psicologia
    • Subgênero: Comportamento e Etiqueta
    • Autor: Beatriz Helena Paranhos Cardella
    • Editora: EDITORA AGORA

    segunda-feira, junho 23, 2014

    MIL VEZES O SILÊNCIO QUE ESSES SEIS CONSELHOS TERRÍVEIS!

                Dos conselhos dizem que, se fossem bons, não seriam de graça. Na verdade, a maioria das pessoas crê que aconselhar, se não fizer bem, mal também não fará. Não é necessariamente verdade isso. Há orientações gratuitas, dadas com a maior das boas intenções (aquelas que enchem o Inferno o chão ao teto, segundo a sabedoria popular), que têm um potencial destrutivo assombroso e ser uma grande furada, piorando a situação que já está ruim. E nem precisa colocar em prática, basta passar a acreditar em certos clichês e frases de impacto (repetidos geração após geração) ditas pelos amigos e conhecidos.



                O principal objetivo de um conselho, obviamente, é ajudar o aconselhado. Mas é mais desafiador dar uma orientação construtiva (que pode funcionar) do que receber um conselho, afirmam especialistas na área de Relações Humanas. O irônico é que, muitas vezes, a “culpa” é do futuro aconselhado, que chega de repente e diz “O que você faria se estivesse no meu lugar?”. Isso coloca a outra pessoa numa situação difícil em que não há tempo para pensar, e a vontade de ajudar supera o bom senso. Aí, entram em cena os clichês, que não são nem um pouco práticos. Ao lidar com uma grande perda, por exemplo, não é agradável ouvir que "o tempo tem poder para curar todos os males". Isso torna terrível o presente, dando a entender que não há nada que se possa fazer para melhorá-lo.
                Um bom conselho precisa ter toques de mediação, realidade, clareza e até possíveis soluções. Allessandra Ferreira, palestrante e coach da AlleaoLado, não acredita que o conselho é o melhor caminho para ajudar o próximo. Ela prefere o uso de uma opinião bem formada, que estimula o outro a chegar à própria resposta. “Antes de opinar faça perguntas e busque entender melhor a história. Muitas vezes as frustrações surgem por falhas na comunicação. A melhor ajuda é acolher e não tentar apontar o que você acha melhor para ela”, garante a profissional.
                “O maior perigo é aconselhar sem conhecer a realidade do outro. Cada um tem uma forma de viver, por isso, é proibido generalizar. Falar frases bonitas e de impacto tem apenas efeito imediato, mas nada construtivo”, diz o executive coach Robson Nasc.

                Segue uma pequena lista de alguns dos piores conselhos que se pode dar a um(a) amigo(a):


    1. Várias cabeças pensam melhor do que uma”

    Dois é mais do que um somente na matemática, garante o coach Nasc. No ambiente profissional, colocar duas pessoas que não rendem trabalhando juntas pode ser desastroso. O conselho pode ser ainda pior se aplicado na vida pessoal já que, em grupo, muitos depositam confiança no consenso e não consideram as opiniões individuais, que são as mais importantes.
    2. Nunca desista dos seus sonhos. Você vai chegar lá!”
    Muitos abandonam a racionalidade na hora de aconselhar alguém. Prometer ao outro que todos os sonhos serão realizados é uma armadilha. Se a amiga falhou ao tentar conquistar algo, ela precisa avaliar as reais chances de conseguir antes de tentar de novo. Às vezes, o caminho é investir em outras metas e buscar a felicidade por outros caminhos. “O aconselhado precisa saber qual é a realidade para ele chegar lá. Uma melhor ajuda é sugerir os passos que ela deve seguir para melhorar o futuro”, defende Nasc.
    3.Não se preocupe, tudo dá certo no final!”
    A frase tem um tom acolhedor, mas pode gerar uma possível decepção. Muitos usam esse conselho quando não sabem o que falar para o outro. Para Alessandra, antes de despertar esperanças no aconselhado, assuma que considera a situação delicada e que não sabe o que fazer.
    “Um caminho é pedir um tempo para refletir melhor sobre o problema. Isso irá mostrar que você terá algum cuidado ao colocar a sua opinião”. E por fim, não tenha vergonha de falar que não se sente confortável para aconselhar.
    4. "O tempo cura tudo."
    Usar esse conselho significa considerar que todas as pessoas lidam com o tempo da mesma forma. E pode ainda prejudicar uma ação mais rápida para resolver o problema ao promover a ideia de que um fator externo – o tempo – guarda todas as respostas e soluções. Muitas vezes, segundo especialistas, a saída está na transformação interna do indivíduo.
    5.Chore e coloque a raiva para fora.”
    Os sentimentos negativos não escorrem com as lágrimas. Ao extravasar a tristeza e a raiva, a pessoa ativa uma rede de emoções e ações agressivas e não conquista a calma. Gritar, chorar e explodir pode até trazer uma leveza momentânea, mas Nasc garante que a prática só fortalece seus impulsos agressivos. Um copo com água e um respiração profunda valem mais do que este conselho.
    6.Busque um novo amor para curar uma desilusão”
    Um clássico conselho que o pode levar a um novo desastre amoroso. Depositar as frustrações e esperanças no novo pretendente poderá sentenciar a relação ao fim. Para os especialistas, a melhor ajuda nos casos de desilusão amorosa é indicar ao amigo programas atraentes que não exijam um companheiro amoroso, mas apenas amizades e gente interessante (que pode vir OU NÃO a ser o próximo envolvimento. O importante é não criar expectativas nem colocar o(a)  amigo(a) num período aberto de “caça”).



                Como se vê, muitas vezes vale mais assumir que não tem condições de ajudar com palavras (indicando alguém que possa ou se dispondo a procurar junto com a pessoa uma solução) do que dizer qualquer coisa, achando que foi útil ou simplesmente descarregando a consciência. Ninguém pode saber tudo, estar sempre preparado, nem ser o Oráculo de Delfos, com suas respostas incisivas (para quem soubesse decifrar o que se dizia ali, é claro). Tem horas que apenas estar ao lado, confortando com a presença, abraçando literal ou figuradamente a pessoa, vale mil vezes mais do que “aconselhar”. Afinal, o que é remédio para um pode ser veneno para os demais.

    sexta-feira, junho 13, 2014

    Só é feliz quem tem um namorado?



             
    Ser feliz é mais que encontrar um amor, ser feliz é encontrar a Vida que está na vida que vivemos todo dia. Mário Quintana diz que ‘Quantas vezes a gente, em busca da ventura, procede tal e qual o avozinho infeliz: Em vão, por toda parte, os óculos procura.Tendo-os na ponta do nariz!’. Ser feliz é antes de tudo reconhecer o que se tem. Por essa razão não se deve permitir ser roubado. Não se deve permitir não ter alegria no que por si só é alegria no mais puro sentido de ser. É preciso olhar para si mesmo e reconhecer o que se tem de bom. Parar de se lamentar. Ordenar a sua própria alma a olhar para o que se tem. Não se permitir viver como se alegria fosse um néctar mágico. Ela pode ser construída na medida em que é reconhecida a vida recebida com suas belezas, dores, cores e amores. Ser feliz é mais do que ter um relacionamento isolado, é a soma de relações que se formam no decorrer da vida. Ser feliz é ser capaz de estar satisfeito como que se tem. O corpo, mesmo imperfeito, ou morrendo, é o que permite transitar nesse imenso mundo. É o que aguenta a alma por vezes saturada de tanta cobrança. Ser feliz é difícil, sim, porque aprendemos que carecemos ter mais do que de fato precisamos. E neste mundo do espetáculo, dos ídolos, do show, aprendemos que o que é cotidiano é sem graça, é triste. Triste engano no qual caímos. Perdemos a vida que se faz todo dia. 

    quarta-feira, junho 04, 2014


     O mito do príncipe encantado ainda sobrevive?


      Certo dia, fui visitar uma senhora com uma amiga e seu avô. A visita coincidiu com o primeiro  aniversário da morte do marido da nossa anfitriã. Ela tinha sido casada por 65 anos. Iniciando os últimos 20 anos do casamento, seu marido adoeceu. Ela cuidou dele. E o que me impressionou é que sua fala era de saudade. Não de alívio por ficar livre de ter que cuidar de um doente. Havia em seus olhos azuis uma dor, que ela mesma definiu como infinita. A lembrança do seu amado era certamente a melhor que ela tinha. Então, resignada, agradecia a Deus por ter tido aquele homem em sua vida. Minha amiga, então, me disse: “É possível um relacionamento dar certo”.
    Sim, é possível.    

    Mas será que estamos dispostos a investir em uma relação amorosa?
     
    O mito do príncipe encantado não está mais na moda entre as mulheres, porém desconfio que elas continuem acreditando nele. Falando numa linguagem psicanalítica, trazem esse mito no inconsciente. 

    As mulheres, hoje em dia, querem homens “estudados” (com formação acadêmica), sarados (de preferência com a barriga “tanquinho”), que tenham dinheiro para pagar as contas (um grupo pequeno concorda em dividir, embora praticamente todo nosso discurso seja feminista), que sejam empreendedores, parceiros na cozinha, na arrumação da casa, que sexualmente tenham desempenho cem por cento, que sejam amigos, companheiros, cúmplices e, sobretudo, que sejam capazes que aguentar a TPM (Tendência Para Matar? ou Manipular?)

    Você, mulher moderna, espera esse homem. 
    Quem não espera?

    Mas a vida é feita de realidade.

    E, de acordo com Fernando Pessoa, “a realidade é sempre mais ou menos”. Aquela senhora que viveu 65 anos em um relacionamento se deu conta da realidade. E a realidade é que vamos envelhecendo, o mercado não tem espaço para todos, a política econômica afeta nossa vida, a barriga cresce, a celulite aparece, o pinto cai. 

    Dizem que depois dos quarenta a vida começa. Eu me pergunto: começa para o que e para quem? O corpo já demonstra sinais do tempo que se impõe tanto quanto a realidade. Dores que nunca sentíamos passamos a sentir, as rugas começam a aparecer. E as mulheres em nossa cultura que o digam, enquanto os homens são mais charmosos aos 50, a sensação que tenho é que as mulheres já estão com suas datas de validade vencidas (meu irmão mais novo sempre me lembra isso, será por quê? Faltam ainda 7 anos para eu chegar aos 50). Você também tem essa impressão?

    Mas a realidade é que se impõe. E o príncipe encantado daquela senhora tinha suas limitações. Durante vinte anos ele necessitou ser cuidado. 
    De verdade, quem hoje em sã consciência deseja viver uma história de amor assim?

    Achamos linda essa história e tantas outras, até suspiramos ao ouvi-las, mas o homem que queremos tem que ter tantas qualidades...e, como diz uma amiga, deveria ter como montar esse homem. O meu ficaria com a inteligência do Leandro Karnal (Historiador, Doutor formado na USP), com a estabilidade de um funcionário público com um salário acima de 10.000 reais, e o corpo do Henry Cavill. E o seu?


    Deixa eu voltar para a realidade. 


    As pessoas são pessoas. O que quer dizer que nada pode ser perfeito. As pessoas sofrem dores físicas e emocionais, envelhecem, ficam desempregadas.
     A realidade é que lidar com gente é sofrer de alguma maneira; mas, mais do que isso, con-viver com gente é sofrer, com certeza. Talvez por isso escutemos tanto que é melhor cuidar de cães, gatos etc. Com o que eu, enquanto psicóloga, discordo completamente.

    Por isso, eis a questão: Você quer mesmo um relacionamento?

     E mais: nesses dias em que o individualismo triunfa, quem quer e quem pode investir em um amor que dure a vida inteira?
    Acreditamos que a vida sem compromisso é boa. Por vezes, pessoas casadas suspiram ao ver os solteiros com sua possibilidade de ir e vir; por vezes, os solteiros suspiram por alguém a quem se prender. Eterna insatisfação.

    Entretanto, a verdade é que, para construir qualquer relacionamento, é necessário investimento. Significa ajustar agendas, gastar tempo em conhecer o outro, sua família, seus amigos, seu mundo, significa encontrar o caminho da flexibilidade, que não é fazer tudo o que o outro quer, mas é fazer também o que o outro quer; significa centrar-se no que a pessoa tem de valor, não desconsiderando suas dificuldades, sejam elas quais forem, mas olhando-a como pessoa, que como você e eu sofre as dores humanas. E pessoas são sempre problemáticas, em alguma área sempre vão precisar de reforma (Freud já dizia “todos são neuróticos”). Investimento significa abrir mão da idealização para a realidade. Significa ver o outro em sua necessidade. 

    Relacionar-se é desenvolver a capacidade de se dar ao outro.

    Então, esse papo de que não é necessário deixar de ser você por causa do outro guarda certos limites. Devemos guardar nossa essência e não negociá-la jamais, mas para construir uma história de amor é preciso sacrifício.
    Por essas e outras, afirmo: relacionamento dá trabalho. É isso mesmo que você quer?





    segunda-feira, junho 02, 2014



    PERFECCIONISMO E A ESCOLHA DO PARCEIRO


    Hoje quero compartilhar com você um um pouco sobre um dos vilões dos relacionamentos. 
    O perfeccionismo. 
    Vale considerar que não é apenas das relações amorosas. É vilão da vida, porque é capaz de roubar a tão gostosa alegria.

    O perfeccionismo é aquela expectativa de que tudo tem que ser perfeito. Nenhum detalhe, por mais insignificante que seja, pode dar errado. Quem o possui se cobra o tempo todo. Não relaxa nunca. A musculatura da região dos seus ombros e pescoço está sempre tensa; afinal de contas, tenta carregar o mundo em suas costas.



    O perfeccionismo é um desejo exacerbado por controle. A pessoa que o possui deseja controlar tudo e de forma tão precisa quanto os ponteiros de um relógio que trabalha bem.

    Quem é perfeccionista acredita que para ser aceito tem que fazer tudo certo. Por essa razão, sofre muita ansiedade e angústia, podendo até desenvolver depressão, uma vez que a vida não pode o tempo todo estar com os ponteiros certos.

    O perfeccionista não viverá no presente a possibilidade de ser feliz com o que tem, ele está no futuro, seu olhar é para sempre melhor, nada é suficiente, não é bom, nada será completo para ele. Sempre faltará alguma coisa.

    O perfeccionista, na verdade, tem um problema sério com a realidade; afinal, quem não consegue avaliar que a vida não pode ser controlada, é porque desenvolveu uma visão deturpada de si mesmo e, consequentemente, da vida. E a realidade ignora e atropela quem a recusa. Ela se impõe de qualquer jeito.

    Os teóricos da psicologia afirmam que perfeccionismo é baixa estima. Autoestima às avessas. Os dotados de baixa estima têm uma postura interna contra si mesmos. Isso é perfeitamente perceptível nos perfeccionistas, que não se permitem viver bem, ainda que a vida lhes tenha dado muitas coisas boas. Vive num inferno particular, onde se pune o tempo todo.

    Agora, você imagina o que esse infeliz perfeccionismo pode fazer com uma pessoa, em se tratando de relacionamento amoroso?

    Se o perfeccionista não tem clareza da realidade e ainda espera o melhor em tudo, quem o satisfará? Quem corresponderá a um padrão criado no mundo da fantasia, onde a realidade não é vista?

    O perfeccionista é realmente uma pessoa intragável. Ele tem uma falsa autoimagem. Sofre da síndrome do primeiro lugar, e vive a ilusão de que ocupa um lugar onde nunca esteve.  Acredita ser melhor do que os outros, acima da média, e olha com desprezo (ainda que com os olhos internos) aqueles que não cabem em sua fôrma. Fôrma que não é terrena, acho que é de Marte, e só não tenho certeza porque ainda não fui lá.

    Quando encontram um parceiro, logo desanimam. Diz do parceiro encontrado, ele é uma pessoa tão boa, mas (sempre o ''mas'') poderia ter a beleza de Brad Pitt, o dinheiro do sheik dos emirados árabes, a inteligência dos doutores da academia... e tantas outras coisas que só o perfeccionista fantasia.

    Desculpem-me o exagero, mas o perfeccionismo é real, quem o tem certamente perderá a vida. Não será capaz de reconhecer as oportunidades quando elas chegarem, e as estragará com a sua régua do impossível. Não poderá ver a beleza de quem está perto. Não saberá quem é, porque está envolvido em ser quem e o que não é.

    Sim, devemos ser exigentes na escolha do parceiro, é claro que devemos ter parâmetros para decidir sobre uma área tão importante. O primeiro texto desta série sobre relacionamento fala sobre questões para serem consideradas, mas, se a exigência for fruto do perfeccionismo, revista-se de muito cuidado, você poderá está assinando, no que compete aos relacionamentos, o atestado de óbito da sua felicidade.


    Por isso, mais uma vez eu insisto: busque ajuda, se não conseguir se desvencilhar desse mal sozinho. A psicoterapia poderá ser um caminho.

    sexta-feira, maio 30, 2014

    Qual é o segredo para encontrar um parceiro?

    Pergunta difícil. Tenho percebido muita gente reclamando do “atual mercado da paquera”.

    As pessoas dizem que existem muitas mulheres para poucos homens e, se viver numa cidade como Goiânia, minha terra natal, onde encontrar mulher bonita é coisa comum, a concorrência fica ainda mais “desleal”.

    Os homens não querem nada sério, dizem as mulheres; estranhamente, os homens dizem o mesmo delas. Paradoxo do nosso tempo?

    Outro comentário comum é que as mulheres estão “fáceis demais” e que os homens, por essa razão, estão ficando cada vez mais desinteressados do sexo feminino, e que muitos estão procurando outras formas de se relacionar. Será?

    Lembrei-me, enquanto escrevia, de uma colega que era sedutora (no bom sentido) e atrair os homens não era coisa complicada para ela. É claro, ela provocava certa inveja, as colegas diziam “mas como? Ela é gorda!” (na verdade, era mesmo, até obesa). Entretanto, ela tinha uma coisa que é mercadoria escassa nestes nossos dias: a tal autoestima.

    A autoestima é aquela postura interna, que temos em favor de nós mesmos, é aquela 'certeza' de que somos bonitos ou inteligentes, ou os dois juntos, ainda que não sejamos o modelo imposto pela cultura, é aquela alegria de saber quem somos, o que queremos. É a certeza de sabermos que somos pessoas de valor, não pelo que temos, mas porque trazemos um mundo interessante dentro nós: somos humanos, o que, por si só, já é extraordinário.

    E uma grande pergunta é feita em todos os cantos: Como adquirir?
    Adquirir? Não, não é mercadoria, ela não está à venda. Ela é uma construção, que ocorre lentamente enquanto vamos nos fazendo como gente. Ela não é responsabilidade apenas dos nossos pais, professores e amigos, antes de tudo ela é a lente em que escolhemos olhar para nós, na medida em que formos nos desenvolvendo; por isso, não há quem culpar. Somos responsáveis pela nossa vida.

    Contudo, se você não está satisfeito com você, se sua estima está com saldo negativo, eis alguns caminhos a percorrer:

    Procure conhecer você mesmo(a). É preciso saber quem você é, e o que quer da vida. Sem trilhar por essa jornada, não poderemos gostar de nós mesmos. É preciso recuperar a espontaneidade (como bem pontuou Moreno) da criança que somos, desta que trazemos dentro da gente.

    Procure compreender os paradigmas do seu tempo. É preciso saber o quanto estamos deixando a cultura nos massacrar com seus padrões de beleza e sucesso. O quanto o espelho nos rouba a alegria. Beleza é um conceito tão particular! Já percebeu que nem sempre as pessoas concordam com sua visão de beleza, por vezes achamos uma pessoa bela e alguém do nosso lado diz, “meu Deus do céu, onde viu beleza?”... Assim também ocorre com você, haverá gente que achará você bonito(a) ou feio(a). Essa é a maravilha do ser humano, somos diferentes, temos gostos completamente diferente, para pessoas, cores, comidas, lugares etc. A pergunta é: a quem você vai dar importância?

    Procure construir o SEU conceito de sucesso. Eis aí uma ideia que é capaz de nos fazer perder a vida. Sucesso é ter dinheiro? Carro? Bens? Títulos? Sucesso, para você, é o que, mesmo? Descubra o que você quer realizar. Qual o preço que deseja pagar? Não cobre de você o que você não pode fazer, mas também não aceite viver aquém das suas potencialidades.

    Como, então, encontrar parceiros? 

    Persiga a autoestima. Não aceite gostar “mais ou menos” de você. Leve-se a sério. Goste do que tem. Lute pelo que acredita. Desenvolva seus talentos. Não sabe quais são? Descubra-os. 

    Autoestima é algo que atrai pessoas. Não se lamente, não culpe seus pais, não olhe para trás. A vida é Hoje. Hoje é o tempo de construí-la. Então, pode ser que a vida conspire a favor de você e lhe traga um amor, ou melhor, amores que irão tornar sua vida mais rica do que certamente ela já é.

    E se não conseguir fazer isso sozinho, busque ajuda. Faça psicoterapia. Ela pode ser um caminho.


    quarta-feira, maio 28, 2014

    Conquista: A Psicologia Ajuda?

    O dia dos namorados se aproxima. E a psicologia é uma ciência que pode dar diretrizes a quem quiser encontrar um relacionamento. Como não sou especialista sobre o assunto, não me atrevi a escrever, mas pesquisei na internet textos que apontem soluções práticas para quem tem dificuldade de encontrar um parceiro. É claro que nem todo apontamento corresponde a toda realidade, pois, em se tratando de relacionamento a dois, são infinitas as situações que afetam os envolvidos. Porém, estarei postando uma série de textos até o dia dos namorados, e espero que algum(ns) possam ajudar. No primeiro, o pesquisador Ailton Amélio da Silva, professor de psicologia da Universidade de São Paulo (USP), revela a primeira dificuldade: metade da população brasileira se diz tímida. 

    Começo com este link do Globo Repórter.


    Diz o poeta que o amor está na essência da alma, mas por que unir as almas gêmeas é tão complicado? Na arte da sedução, gestos valem mais do que palavras. “A pessoa tem que orientar o corpo. Se eu ficar conversando de lado, não é sinal de paquera. Eu tenho que orientar o corpo. Eu tenho que inclinar na direção da pessoa. Ficar para trás é mau. Ficar reto é médio. E ficar pra frente é bom”, ensina o pesquisador. 

    Outra lição importante: o toque. 
    “Eu começo com um tipo de toque que é permitido na conversa. Mas eu começo a tocar muitas vezes, tocar mais demoradamente ou tocar mais carinhosamente, isso é poderoso para fazer um relacionamento”, explica Ailton. 

    Fundamental também é saber o que NÃO fazer para chegar lá. O especialista do amor listou os seis erros mais graves em um início de namoro. 

    1 – Mostrar desinteresse. 
    2 – Iniciar o romance com alguém que tenha objetivos diferentes do seu. Exemplo: ele quer morar na fazenda; ela, na cidade. 
    3 – Se envolver com parceiro comprometido. 
    4 – Deixar o romance de lado e se tornar apenas amigo. 
    5 – Não valorizar as qualidades do parceiro. 
    6 – Se apaixonar por alguém muito diferente. 

    Para o pesquisador, opostos não se atraem. “Pelo contrário, os opostos podem dar tremendas encrencas. Por exemplo, se eu caso com uma mulher que quer gastar todo meu dinheiro, eu quero economizar. Ela gosta de viajar, eu gosto de ficar em casa”. 
    É uma longa espera para chegar até o dia do “sim”, e as pesquisas comprovam: para casamento, o homem é tão exigente quanto a mulher. Os relacionamentos mais duradouros costumam juntar pessoas que já se conheciam. Do total de namoros, 37% começam no trabalho, estudo ou círculo de amigos. Por isso, preste atenção: o candidato ideal pode estar mais perto do que você imagina. 


    sábado, maio 24, 2014

    Eu e Você, o Outro


    Como ser humano, eu preciso ser amado. E no fundo, desejamos ter a família que está estampada nos potes de margarina Qualy.
    Quem não desejou um colo de mãe no dia em que tudo pareceu dar errado?
    Quem não desejou um olhar de carinho após um dia duro de trabalho?
    Quem não desejou o abraço afetuoso quando a dor se fez mais presente, como no dia em que perdemos alguém que amamos?
    Quem não desejou a companhia de alguém, o simples estar ao lado, em um dia em que sabemos que pisamos na bola?
    Quem não desejou comer algo feito exclusivamente em sua homenagem?
    Quem não desejou receber um sorriso amistoso, quando sentiu que a injustiça fere?
    Quem não desejou um ombro para chorar, quando as palavras não foram capazes de expressar o que vai na alma?
    Quem não espera encontrar um amor, ou fazer do amor que se tem um amor com ternura, o encontro?
    Quem não deseja deixar saudade, quando a partida é inevitável?
    Quem não espera palavras de incentivo após ter tido um fracasso?
    Quem não deseja sorrisos, danças e gritos de alegria com sua chegada?
    Quem não deseja um reconfortante  cafuné quando tudo parece não ter saída?
    Talvez você diga “eu não desejo”. Talvez você afirme “eu não preciso”. Talvez você não seja feito do mesmo material que eu.
    Então eu afirmo: Eu preciso de tudo isso. Preciso do outro, preciso do seu sorriso, do seu olhar, da sua saudade, do seu abraço, das suas palavras, da sua companhia.
    Eu confesso que meu coração dói quando não encontro o outro para partilhar comigo uma refeição.
    Mas compreendo: Eu sou eu, você é você.
    E a minha necessidade não pode ser uma imposição ao outro. O outro tem seu próprio movimento. Vive o seu tempo, tantas vezes diferente do meu. O outro espontaneamente supre quando vem com o coração aberto e alma desejosa de partilhar afetos.

    Por isso, não é bom que se imponha o que quer ao outro. Amor cobrado perde a sua força. O outro deve estar livre para ir e vir quando quiser. Amor é via que não se atropela. 

    segunda-feira, maio 19, 2014

    A alegoria da caverna e os Pitecos da nossa vida


                A alegoria da caverna é uma referência ao processo de Sócrates em relação à justiça popular de Atenas. Nesta, Sócrates aborda questões relevantes sobre a educação, que tem como objetivo libertar os homens do senso comum. Senso esse que muitas vezes os aprisionam em conceitos que são apenas sombras da reali
    dade, e não a realidade em si.
                Para se libertar destas sombras, Sócrates acredita que é necessário o sofrimento. Uma situação na qual a pessoa vai se deparar com algo novo, diferente, espantoso. Contudo, isso é necessário para que se alcance o “Bem”, de onde todas as virtudes derivam. Tal experiência levará o indivíduo a rever seus valores, sua visão da vida.
                Entretanto, vivemos numa sociedade que estimula a busca pela egocêntrica felicidade, e que tem slogans como: “O que importa é você”, “Tudo o que vale é ser feliz a qualquer custo”, “Vivam grandes emoções todo dia”, “Quem pensa muito não faz nada”... E isso tem gerado um horror ao sofrimento: qualquer incômodo interior ou exterior deve ser descartado. Vivemos então uma vida em que fugimos o tempo todo da reflexão, do questionamento (dizem que “pensar dói”).
                Somos cada vez mais levados ao entretenimento, às grandes emoções das propagandas. Passamos o tempo todo fugindo das reflexões e das realidades que nos cercam. E estas estão recheadas de sofrimento. Os conflitos existem em todas as fases da nossa vida. Do feto ao velho, todos experimentam o desagradável, o que incomoda, o que dói. Contudo, estamos mergulhados no sofisma que afirma ser possível ser feliz o tempo todo, e recusamos qualquer dor. E a consequência disso é uma geração alienada, entorpecida, emocionalmente doente. E o que não é tratado, emerge. Fobias, transtornos psíquicos os mais variados e tantas outras coisas vão ficando comuns. Ninguém percebe que o medo exagerado da dor nos tira a beleza de conhecermos a nós mesmos.
                Somos pessoas contraditórias, fazemos tantas projeções, há tanta sombra em nossa vida... porém, somos a imagem e a semelhança do Criador. Há muitos tesouros em nós para serem vistos. Somos como o diamante: ao ser encontrado é uma pedra bruta de grande valor, mas sem beleza, quando lapidado se transforma em uma brilhante e bela jóia.
                A vida sempre vai nos trazer oportunidade de sairmos da nossa caverna interior. Como na história em quadrinhos de Maurício de Sousa, quando Piteco questiona os três personagens, ao não ser compreendido se coloca sobre as sombras que eles veem e atrapalha a visão deles. Irados, os personagens correm atrás dele e se distraem de si mesmos, ao ponto de saírem da caverna e verem um mundo novo, com muita luz.
    Os Pitecos da nossa vida, que nos farão sair das nossas cavernas, poderão ser pessoas queridas que nos farão sofrer; pessoas queridas que irão morrer; decepções as mais variadas; dores físicas e emocionais; acidentes; uma aula de filosofia ou de qualquer outra disciplina; um filme; uma conversa sincera com amigos. São tantas as situações que nos farão sofrer, e o sofrimento sempre nos leva a pensar. Podemos brigar contra tudo e todos e nos fecharmos ainda mais ou, ao contrário, vamos nos tornar bisbilhoteiros desse novo mundo que nos apresenta. Vamos aplaudir os nossos Pitecos (o sofrimento), não porque foi bom senti-lo,  mas porque eles nos proporcionam outros caminhos, outra visão, coisas novas.
    E viver pode se transformar nessa busca do “Bem”, do “Criador”. Teremos apenas que cuidar para que nessa busca nada mais nos faça prisioneiros, como aconteceu com os três personagens, que saíram de uma caverna para outra.
    E que os “Pitecos” da nossa vida nos façam sempre rever nossos conceitos e caminharmos em busca de uma vida mais plena de significado onde, uma vez lapidados, como o diamante, vamos descobrindo a beleza que temos em nós mesmos e ao redor de nós.