quinta-feira, março 23, 2017

Reclamar é o que faço?


Eu conheço um garoto que desde muito pequeno ele aprendeu a reclamar. Ele reclama se tem que acordar cedo, reclama se tem que fazer tarefa da escola, reclama se tem que cumprir a tarefa que lhe cabe em casa, reclama se não gosta de ir a algum lugar, reclama se não o deixam fazer o que quer, reclama se em seu aniversário ganha roupa. E, assim segue a lista das suas reclamações. Sua mãe diz que ele murmura por quase tudo.
Fico imaginando o que esse garoto ainda tão jovem pode atrair para sua vida... E, confesso que temi se os problemas que passo já não são frutos das minhas reclamações. Afinal, Deus em sua palavra nos deixa a advertência de que reclamação é semente que faz brotar ainda mais problemas.
Na travessia do deserto o povo de Deus reclama pela falta de água, Deus então permitiu que os amalequitas os atacassem. E, muitos israelitas morreram (Êxodo 17:1-15). Em números 11 lemos que o povo começou a reclamar de suas dificuldades aos ouvidos do Senhor, quando Ele os ouviu, a sua ira acendeu, e Ele mandou fogo para extremidade do acampamento. No verso 4 deste mesmo capítulo, o povo reclamou do maná que recebia do Senhor. Disseram que era detestável, e Deus dá a carne que eles pediam. Mas, a carne nem havia caído no estômago, estava entre os dentes, eles foram feridos por uma praga terrível e morreramporque Deus se irou da sua reclamação. Miriã e Arão, irmãos de Moisés reclamam dele, e, Deus coloca Miriã leprosa, e angustia Arão com a  doença de Miriã. E, se não fosse pela intercessão de Moisés ela morreria de forma lenta e dolorosa, e Arão sofreria a culpa de um luto por toda sua vida (Números 12).
Quantas doenças, destruição e morte são atraídas para nossas vidas por causa das nossas reclamações? O que temos colhido em nossa vida pessoal, para nossa comunidade, nossa cidade, nosso país?
A verdade é que até a neurociência já provou que a gratidão nos faz mais felizes. E, se não estamos felizes... Devemos tomar cuidado. Pode ser que estejamos colhendo os frutos das nossas murmurações. 
 A psicologia aponta que reclamar demais pode ser doença, quem sabe depressão. Nessa situação precisamos de tratamento. Mas, se não estamos doentes e reclamar é a nossa postura diante da vida, então se prepare para uma colheita desnecessária de problemas.
Que Deus tenha misericórdia de nós.




segunda-feira, março 20, 2017

Roda do mesmo caminho

                       









 
É estranho essa vida da gente, 
Tão cheia de sonhos, dores, amores,
Tão cheia de leite e veneno, tão amarga, tão doce,
Tão vida essa vida da gente.

É estranho essa roda que roda sempre sobre o mesmo caminho,
Que não descobre o novo, não cria, não se faz enquanto se vai indo,
Que não responde a dor da alma que anseia por uma vida,
Ainda que já tenha desacreditado do caminho.

É estranho esse estranho tão pertinho...
Tão amigo e inimigo que se faz tão doce.
Que me embala ao mesmo tempo em que me rouba a alegria de ser eu.

Eu sigo com minhas dores e cores.
Eu sigo nessa vida tão gente,
Com os pés machucado pelo caminho
Com a alma cansada da mesma espada,
 e com o coração pedindo calma.

quarta-feira, março 15, 2017

CASA

Casa... lugar de intimidade!
Onde encenamos num palco sem máscaras... 
E o show segue sem ensaio... real.

O que é aparece,
O que esconde, se encontra,
O que se quer, se percebe,
O que despreza, emerge.

Lugar onde a vida acontece...
Onde as lágrimas a vontade podem molhar a face,
E a Gargalhada incontida pode ser dada.


Casa... lugar que abriga em um só espaço aconchego e batalha!
E a lição de todo dia é ensinada.
Nos fazendo ser etiqueta ou deselegância por toda uma vida.

Casa na infância, castelos de heróis.
Casa na adolescência, castelos de areia que a onda destrói.
Casa na velhice, mundo particular, 
Lembranças que são contadas na sala, na porta, na calçada.

Casa... terra que dá o que se planta, ao mesmo tempo que nos dá frutos que nos espanta.
A indiferença, se presente, é onde se faz mais amarga.
Mas, se o amor reina, o milagre da alegria se faz a cada dia.

terça-feira, março 14, 2017

Tempos novos

O último que texto que postei já faz um tempão... Estive viajando em outros universos. Mas, gosto desta minha casa on line, e embora a abandonei por algum tempo, retorno hoje vasculhando dentro de mim, os móveis novos (textos) que anseio colocar nela. Espero de coração que esses novos textos enfeitem a vida daqueles que vão alegrar-me com suas visitas.  
Por dois anos trabalhei na Missão Vida. E, depois que me casei, eu e meu marido entendemos que Deus estava nos direcionando a voltar pra Goiânia. E como Abrão, saímos sem entender bem o que Ele espera de nós, mas certos de que era preciso partir.
Onde ir, o que fazer? Não me pareceu tão claro, e ainda agora continuo me fazendo essas perguntas.
Meu marido recebeu logo a direção quanto ao trabalho, e já está contratado. 
Eu sigo escrevendo o romance, afinal, escrever um romance é um sonho antigo, que decidi realizar. E, breve voltarei ao consultório. 
Nesse tempo de procurar entender quais os novos caminhos, me vejo mergulhada na esperança de continuar vendendo o livro que escrevi para abençoar meus irmãos que estão nos campos. A vinda para Goiânia já me deu algumas oportunidades, e, tenho recebido o privilégio de pregar em algumas igrejas que me permitem levar o meu livro. Sou grata a Deus!!!

Nesse meu retorno ao blog, além de textos novos, estarei compartilhando uma coletânea que escrevi em 1999 para um concurso de poesia. Também, estarei compartilhando meditações bíblicas que o Senhor tem me dado a oportunidade de pregar.
Espero por vocês meus amigos de sempre,
e também espero por novos amigos. 


sexta-feira, julho 29, 2016

Os fantasmas



Deveria os fantasmas habitar no mundo da ficção, contudo, na verdade, eles habitam nas entranhas do mundo que carregamos dentro de nós. E, por vezes eles aparecem aterrorizando os pensamentos, e nos perguntamos, de onde essas ideias vieram? É mesmo estranho esse mundo que carregamos dentro da gente. 

Quando os fantasmas aparecem, o coração que antes estivera tranquilo, se vê abalado com o que não consegue compreender, e por alguns instantes a sensação é de perder o norte. 



O olhar corre em todas as direções, e buscamos o chão, que antes firme, nos sustentávamos. E, ao sentir o chão abaixo dos nossos pés, percebemos que nada mudou fora, apenas dentro da gente. Porém, se algo muda dentro da gente, o mundo que está fora, nos parece completamente diferente. E o chão antes firme, nos dá a sensação de ser, agora, areia que se move. É que a realidade que antes nos parecia ser uma, apresenta-se de outra forma. 
E o mar bravio se faz diante do novo. Queremos porto. Controle. Segurança.


terça-feira, julho 26, 2016

Cansaço do que não conseguimos resolver

Depois de um dia inteiro no hospital, graças a Deus, para acompanhar meu pai em uma cirurgia simples e que foi um sucesso, ao sair fui visitada por uma dor de cabeça que nunca havia sentido antes. 
Como psicóloga que sou, fiquei buscando saber dentro dos limites que a mim é permitido, o que provocou tamanha dor de cabeça. E, após rasa investigação pude perceber que ela começou depois da conversa com meu irmão. Conversar com ele é sempre bom, mas o conteúdo do nosso diálogo foi sobre coisas que eu não consigo resolver, e que de verdade gostaria muito.
E me senti, o que sou, impotente diante das situações da vida. E minha alma cansada do que não consegue fazer, explodiu em uma dor de cabeça. 
Cheguei em casa exausta, e foi tão bom quanto tomar água quando se está com sede. Meu marido, com seu jeito doce e companheiro, logo preparou algo para que eu comesse. E deitar em minha cama e dormir foi o meu melhor remédio.
Hoje, ao acordar, fiquei pensando que viver é não resolver um monte de coisas. é aceitar que não controlamos nada. 
 Desculpe-me os humanistas que acreditam que o poder está dentro de nós, até creio na escolha humana, mas o humano depende de tantas coisas as quais nada tem haver com o seu poder de escolha. Tornando assim o poder de escolha utópico, nessa vida que nos trás e leva o que quer. 
E, quem sabe um dos segredos para viver bem seja aceitar os limites do que se pode ou não fazer.
Sei que minha dor de cabeça não retornou, e acredito que minhas reflexões me trouxeram de volta a leveza da alma. 
Nem sempre o pensar dói.

quarta-feira, julho 20, 2016

Com amigos eu sigo

Nesta vida tecida de cores e amores, a amizade é uma cor que se destaca. Ela faz a gente sorri com leveza, e dar gargalhadas sem medo de repreensão. É capaz de tornar os momentos tão mágicos como aquela cena mais extraordinária vista na televisão.
A quem diga que amigos não existem. Eu penso que estes são os verdadeiros loucos. Em nada confiáveis, porque quem não acredita na amizade, certamente nunca conseguiu ser um amigo. Com estes, afirmo com veemência, tomem cuidado. E como deve ser triste passar pela vida sem a beleza da amizade.
Shakespeare diz que amigos é a família que a gente escolhe. Eu acredito. E a amizade nasce quando escolhemos e somos escolhidos na mesma fração do tempo, no colidir da nossa história com outra história. Nascendo ai a possibilidade de se construir momentos que serão eternos. 
Você reconhece um amigo quando a conversa nunca cessa, sendo necessário se despedir, para que ela chegue ao seu final. A verdade é que conversa entre amigos é tamanha, que a noite inteira não é suficiente para colocar o papo em dia. Como nunca ela acaba, sempre continua de onde parou quando os amigos se reencontram.
Para mim, os amigos são braços que nos permitem repousar em meio a um turbilhão de cansaços. Até a voz deles, de tão reconfortante, soam como canção de ninar. E, nossa alma encontra alívio da competição que parece não querer nos abandonar.
Com os amigos velhos e novos eu sigo, e como é bom tê-los!



segunda-feira, julho 11, 2016

Agora casados, que alegria.

Assim começamos nossa vida juntos,sorrindo, sorrindo e sorrindo. Sempre prontos para uma palavra leve e brincadeiras que enfeitam a relação.
Gosto do jeito que nosso amor nasceu. Sem máscara ou maquiagem, mas com o rosto limpo mostramos nossa face um ao outro, e assim, as nossas almas encontraram um no outro um lugar de repouso. Estar com você é estar em casa, agora é estar também na intimidade do quarto, onde o amor se faz tão concreto, nos beijos e carícias que trocamos.

 Que coisa boa é acreditar na vida. Ainda que um dia nós dois afirmamos que nossos barcos naufragaram, fomos salvos pelo Autor da vida, Aquele que joga tudo no mar do esquecimento, nos permitindo começar novo.

Meu querido amor apenas uma oração trago no peito, que o Senhor me capacite fazer você feliz, como você já me faz com esse seu amor tão doce.
E não se esqueça: Te amo.

segunda-feira, julho 04, 2016

Eliack, 53 anos. Quanta saudade.

Quatro de julho. Hoje o Eliack, meu primeiro marido, iria completar 53 anos de vida se estivesse entre nós, porém ele partiu em 1998, aos 35 anos. Sua passagem foi curta pela terra, mas ele, sendo tão amoroso, deixou saudade demais. O Arlen, nosso filho, hoje, com 20 anos, o perdeu quando tinha 2 anos e 8 meses, e nem imagina o quanto seu pai era um homem maravilhoso. Sempre que posso conto suas histórias, afinal sua memória é para ser mesmo cultivada. 
Ele, um homem de Deus cheio do Espírito Santo. Nossa casa era um lugar alegre, cheio de missionários e pastores que sempre hospedávamos. Ele era servo de todos.  Eu o admirava profundamente.
Os finais de semana eram maravilhosos porque ele estava em casa e fazíamos tudo juntos, e depois que ele morreu demorei recuperar minha alegria com a chegada do final de semana.
O justo jamais será abalado; para sempre se lembrarão dele. Salmo 112:6
Graças a Deus, o tempo tão rápido passou, e a dor amenizou. A vida continuou com Jesus trazendo a alegria que só Ele pode dar. E eu sigo feliz, reconstruindo minha vida, mas sempre agradecida pelo privilégio de ter tido na vida alguém como ele. A Deus toda glória, por tudo que nos permite viver.


terça-feira, junho 28, 2016

Quando o vi


Ele chegou arrastando seu cansaço. Suas roupas maltrapilhas indicavam de onde não vinha. Sua casa a muito fora perdida. Ele não soube contar o exato momento, contudo se lembrava com saudade do tempo que suas paredes e tetos o aqueciam.
Em sua bagagem um cobertor puído, mas, andava encurvado com o peso de tudo que perdeu. Sentou-se a minha frente, e procurei ver os seus olhos, mas ele cabisbaixo se mantinha. O tempo passou rápido para mim. Considerei que para ele talvez fosse uma eternidade. Ao erguer finalmente os olhos, vi a tristeza que o seu coração carregava, e assustei. Não imaginava que alguém pudesse trazer no olhar tamanha ferida, e me perguntei, cicatrizaria algum dia?
Assim, tentando esconder-me na postura profissional, seguir fazendo as perguntas de sempre. Ele respondeu com voz fraca, quase inaudível, tentando ainda manter em seu peito a esperança que brigava para ir embora.
Naquele momento me vi em seu lugar, e o meu peito apertado ficou. Perguntei a mim mesma, ‘o que gostaria de ouvir de alguém que me atendesse se estivesse nessas condições’? 
Balancei a cabeça me chamando a atenção. Eu já havia aprendido que cada ser humano tem sua própria forma de lidar com suas dores. E fiquei travando uma luta invisível de tentar descobrir o que fazer para amenizar a dor daquele homem. Quando me dei conta que estava perdendo-o. Ele estava ali. Tudo que precisava era de ser visto por mim. Tudo que urgentemente necessitava era de ser ouvido após sua longa jornada cheia de monólogos sem platéia.
Ele falou por minutos. E na medida em que falava sua força retornava. Era como se o peso que o encurvou fosse lançado para fora daquela sala que nos abrigava.
O relógio me acenou que seu tempo havia terminado, contudo permaneci ouvindo-o. Sua necessidade era pungente de falar, falar e falar... Naquele momento era isso que ele precisava. Vi seus lábios acenarem um sorriso pálido enquanto chegava no final das suas palavras. Sorri largamente dentro de mim porque me parecia impossível no início daquela sessão ver qualquer esboço de alegria. Senti-me com o dever cumprido.

Ele me disse, ‘o que a senhora fez comigo? Aqui falei coisas que nunca disse a ninguém’. Continuei sorrindo. Fiz apenas o que devia ser feito. Abandonei a ideia de ser deus, para ver o humano que estava diante de mim.

segunda-feira, junho 27, 2016

Receita de Jesus



Observar a natureza que nos cerca faz parte da receita de Jesus para vencermos a tão presente e insistente ansiedade. Ele nos diz: Observem as aves dos céus: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celeste as alimenta. Não tem vocês muito mais valor do que elas? Quem de vocês por mais que preocupem podem acrescenta uma hora que seja à sua vida? ( Mateus 6:26,27 Tradução NVI). 
Este exercício proposto por Jesus para vencermos a dor que a ansiedade nos traz, por vezes é como aquele remédio que não está sendo mais fabricado. Em vão vamos de farmácia em farmácia na busca de encontrar uma que tenha em estoque. Quando encontrado, nos alegrarmos, porém ficamos ansiosos por saber que agora é preciso que o outro remédio seja receitado. Contudo, a receita de Jesus para ansiedade segue sendo a mesma. Jesus não muda seu remédio porque sendo quem Ele é, Ele sabe que é disso que precisamos. Cabe a nós nos desvencilharmos da cidade com seus prédios, carros, semáforos, lojas, pessoas e das propagandas que nos distrai do olhar que deveria se dirigir para cima e ver os pássaros.
É fato, a cidade nos roubou a beleza dos seus voos. E tantas vezes é preciso sair, ir para os campos, contemplar a vida além de nós mesmos para voltamos a perceber o que já sabemos, que Deus segue sendo o mantenedor da vida.

quarta-feira, junho 22, 2016

Meu vestido de noiva

Novamente me olhei no espelho. A costureira entrou na sala com aquele belo vestido nas mãos e, o pouco dourado em suas rosas, parecia brilhar com mais força. Ao despi minha roupa para experimentá-lo, minhas mãos o pegaram comovida. A seis meses atrás não parecia possível que eu fosse outra vez vestir um vestido de noiva. 

O vesti com todo cuidado possível,  como se fosse a primeira vez, custando conter o sorriso de quem recebe força para recomeçar. E mirando minha imagem refletida no espelho, meus pensamentos visitou os momentos antes vividos. E esse vilão mascarado que é o meu coração, por uma fração de segundo me cobriu de tristeza ao repetir para mim, 'mais uma vez'?
Então encontrei meus olhos no espelho e respondi, 'Sim! Porque não?  
E sussurrei sem palavras, 'coração, coração malvado você não irá roubar a alegria do meu presente, eu já aprendi que embora não se apague as histórias vividas, é possível aprender com elas'. Então, a tristeza sorrateira se despediu com a mesma pressa que chegou. Afinal, o que é o passado frente ao presente que posso abraçar?

E frente aquele espelho, vi o sorriso do noivo, senti seus braços e o carinho dos seus beijos, ouvi sua voz tão terna. Confesso, que perdida fiquei na beleza de contemplar as antigas talhas vazias, agora cheias do melhor vinho. Mas, a costureira me retirou do devaneio por ser hora de fazer os ajustes. Era preciso ver novamente o vestido.
Porém não resisti, olhei-me no espelho mais uma vez sorrindo da menina ainda tão viva dentro de mim, festejando com esperança a reconstrução de um sonho que parecia perdido pelas escolhas que um dia fiz.



terça-feira, junho 21, 2016

A dor do culpado

Quem pode medir a dor do culpado? Ouso afirmar que ninguém.
Ela estrangula a alma até ao ponto de fazer com que o corpo cheire a morte, ainda que seja aos poucos.
E, como assistir um filme que nos comove por inteiro, assim olhar para o passado que a gente mesmo não compreendeu o porque construiu, mas que gostaríamos tanto de apagar, nos faz chorar copiosamente. E o coração de tão dolorido, seco se transforma pelas tormentas que os sentimentos levantam, e quebrados vemos nossa alegria de viver derramada.
Ficamos atordoados. Se não construímos o que queremos, como podemos confiar em nós mesmos? Então, o chão antes tão firme, se torna  areia que nos traga. E seguimos não como antes. O sorriso se perdeu ou amarelo ficou frente o que antes trazia contentamento.
Sentimos como se nada que fizemos tivesse algum valor, e nossos frutos maduros e bonitos, agora são vistos como podres. 
Ai como machuca ver nossos passos nas estradas da nossa história  pelas ruas que não queríamos caminhar, tanto quanto nos feri as pessoas que se erguem frente as nossas quedas. Infelizmente, para muitos é a oportunidade que terão de se apresentarem como modelo, então, não nos poupam. Com crueldade tentam arrancar de nós tudo que foi bom de nossas mãos. E ficamos aterrizados com os holofotes que nos lançam, ampliando assim o que fizemos.
Fere também nosso coração quando contemplamos seus erros que não foram computados, mas que  socialmente são aceitos, nos deixando amargurados ao perceber que o principio da queda fora o mesmo. E a dor aumenta, agora somos culpados e também injustiçados, porque afinal, quem pode bater no peito que nenhum pecado carrega?
Ai como doí a hipocrisia dos santos que não guardam a língua. Sem nenhuma misericórdia seguem... se esqueceram de quem é o juiz.
Porém, o pior juiz que carregamos é aquele que habita em nós mesmos. Esse tantas vezes despreza o perdão que é dado a quem confessar o seu pecado, assinando contra si mesmo a sentença de morte.
E assim o culpado segue sem descanso, não porque não haja rede para seu coração cansado, mas porque se recusa deitar e aquietar seu peito na justiça daquele que sem pecado, "se fez pecado por nós para que nele fossemos feitos justiça de Deus"
(II Coríntios 5:21).