sexta-feira, julho 13, 2018

As crônicas da academia

Começo hoje a série " As crônicas da academia". E nas próximas sextas-feiras estarei compartilhando o meu dia a dia neste mundo do treino funcional de alta intensidade que me tirou da depressão e do sobrepeso.
Será uma alegria ter a sua companhia.



O mural do CT Skill Box


Na minha luta para ficar mais leve na alma e no corpo, me propus ir pelo menos três vezes por semana no treino funcional, reunindo minha coragem para vencer a gigante da preguiça, caminhei naquele dia em direção ao centro de treinamento com passos lentos.
Para minha surpresa, a frase do dia, sempre colocada pela Márcia, nossa querida coach, era a seguinte:
Márcia pulando corda na CT
- Chega de desculpas, o que você realmente quer?
Eu que sempre leio a frase quando chego, dei meu grito: ‘Emagreceeeeeeer...
Porém, quando cheguei na academia em janeiro, minha motivação era o meu marido. O pensamento que me dominava era, ‘ele não merece viver com uma pessoa tão deprimida’ sendo doce e bem-humorado como é. E naquela manhã fui mais por ele do que por mim.
Eu carecia de voltar ao bom humor, a sorrir das pequenas coisas, regressar ao mundo das cores. Sentia saudade de me entusiasmar com as flores que brotam em meus vasos, de celebrar o amarelo da fachada da minha casa e correr atrás dos pássaros e das borboletas que sempre me visitam, porém, a depressão me assolava desde novembro.
Tinha feito muitas coisas para vencê-la até aquele momento, entretanto, seus sintomas estavam insistentes. Sem nenhum acorde maior1 na alma, uma tristeza sem fim comprimia o meu peito, fazendo com que eu sentisse vontade de chorar por qualquer coisa. Uma insegurança que não se despedia me fazia sentir medo de não conseguir trabalhar, e nos dias mais difíceis, acordava muito cedo com pensamentos suicidas. A sensação de fome me acompanhava mesmo após uma refeição reforçada, entretanto, a pior experiência era não ter nenhum olhar de alegria diante da vida que estava boa.
A primeira semana no centro de treinamento foi terrível, eu não me equilibrava para nenhum exercício, concentração quase zero, o que me fazia ter dificuldade de atender aos comandos. O coach dizia direita, eu ia para esquerda, e os primeiros dez minutos do treino me deixaram com a sensação de que não iria conseguir fazer mais nada o resto do dia.
Em muitos momentos, nos primeiros dias tive vontade de desistir, entretanto eu estava decidida a viver minha vida com alegria e curtir mais o meu negão charmoso.
Para minha surpresa, apesar de todas minhas limitações, minha melhora foi rápida, e no final da semana estava sem nenhum sintoma da “bruxa” da depressão.
Sei que a depressão nos leva para o mundo do eu não sinto vontade, e é difícil comprar a passagem de volta para o universo da alegria, contudo, hoje olho para trás e sinto uma alegria imensa por não ter desistido. Eu realmente queria encontrar a alegria novamente.
Descobri que nem sempre o que sinto vontade de fazer me leva para o que realmente quero, e no treino funcional aprendi que todos os exercícios, (até aqueles que não gostei no início), foram importantes para me trazer de volta para o mundo da alegria.
O que eu quero hoje é diferente do que fui buscar, mas algo não mudou, preciso continuar dia após dia deixando as desculpas de lado, ainda que sejam boas como minha depressão, e responder a mim mesma, ‘o que realmente quero? ’
O treino funcional de alta intensidade não é moleza, mas aprendi a amar pelo bem que me fez.
E a você eu pergunto: ‘O que realmente quer? ’


Roseli de Araújo
Psicóloga clinica
982385297


Referência:

  1. A maioria das bibliografias define “acorde” como a união de três ou mais notas tocadas simultaneamente. Geralmente as músicas que tem conotação mais alegre são feitas em acorde maior.


quinta-feira, julho 12, 2018

Hoje eu estou em festa.







Cheguei a 60 mil e 218 visualizações


São quatros anos que inicie este projeto, e confesso que muitas vezes quis desistir por causa da dificuldade de transitar no mundo on line, algumas vezes por estar deprimida e outras tantas vezes por causa das correrias da vida. 
Entretanto, os muitos comentários de pessoas que visitam o blog, (os quais recebo por mensagem no whatsapp), dizendo que os textos os ajudam a refletir sobre suas vidas, me faz prosseguir. Gostaria de expressar minha gratidão citando nome por nome, porém o medo de esquecer alguém me domina. Decidi então, destacar aqui o meu marido que me acompanha fielmente, me incentiva diariamente e tem paciência com meu entusiasmo infantil de ouvir minhas leituras dos textos. 
Também quero deixar meus sinceros agradecimentos para meu novo revisor de português, o Gislean. Seu entusiasmo com os textos apesar de todos os seus olhares técnicos, me faz acreditar que estou no caminho de ser a escritora que desejo. Obrigada por tornar meus textos melhores (e este vai sem revisão rsrsrs... me desculpe os leitores).

A todos que gentilmente me visitaram e aos que seguem me visitando em minha casa on line, muito, muito, muito obrigada.


quarta-feira, julho 11, 2018

Mais eu me mordo de ciúmes ou me deixo morder?(VI)


Sejam bem vindos. É quarta-feira e sigo falando sobre o ciúmes.



É consenso entre os psicólogos, que o humano traz em si a possibilidade de carregar na vida adulta, uma criança ferida em sua autoestima na infância, por esta razão, até aqui olhei para o passado para falar sobre o ciúme. Contudo, o ciúme adoecido é também um sentimento que pode nascer no aqui e agora das relações amorosas.
Sabe-se que as pessoas no decorrer da vida vão formando suas expectativas de como deve ser a relação a dois. E o que para alguns não pode faltar, para outros não deve existir, fazendo com que o ciúme que cuida, (o qual é necessário nas relações saudáveis), encontre nestas diferenças a possibilidade de adoecer.
Estas expectativas nada têm a ver com certo ou errado, mas com as particularidades pessoais que cada um de nós trazemos. Por exemplo: Existe quem acredita que não há amigos, enquanto pessoas creem na amizade e a cultiva. Tem quem gosta muito de sair e quem gosta de ficar em casa. Muita gente ama viajar e um grupo grande se angustia só de pensar em pegar a estrada. Estas diferenças e tantas outras, podem estar presentes na relação, e dependendo de como são tratadas pelo casal, podem se tornar um terreno fértil para que o ciúme adoecido nasça.
Muitas vezes no início do relacionamento amoroso, para não causar nenhum desconforto, acolhe-se o que não concorda, no entanto, com o passar do tempo, vai ficando difícil negociar os valores, objetivos e a visão de mundo trazida, deflagrando as dificuldades. Uma vez que o diálogo sincero é adiado, cria-se um ambiente inseguro na relação, tornando possível que um dos parceiros ou ambos adoeça de ciúme.
Entretanto, sabe-se que é difícil manter-se aberto e com coragem para ouvir o outro, com o objetivo de avaliar se é possível caminhar com as diferenças. Todavia, onde não há verdadeiro diálogo não existe relação fortalecida. Portanto, o ciúme que antes manifestava cuidado, pode se tornar controle, na medida em que o diálogo sobre as diferenças é adiado.
É certo que as relações amorosas carecem de que os envolvidos vejam as diferenças, digam o que querem e reconheçam até onde podem ir.
Jesus, em sua sabedoria nos esclareceu a necessidade de sermos verdadeiros, de sabermos qual é o nosso limite, quando nos alerta para respondermos as questões da vida com o nosso ‘sim, sim’ e o nosso ‘não, não’, afirmando que o que passar disso vem do Maligno¹.
Cuide então de sentar-se frente a frente com que deseja construir uma relação. Seja claro no que espera receber e no que deseja ofertar ao outro. Só faça acordos que não fira seus princípios. Não negocie o que não terá condição de cumprir. Não tenha medo da sua verdade e da verdade do outro.
Toda relação amorosa necessita de acordos, e sem eles a caminhada está fadada ao fracasso.
A vida é breve demais para viver tentando sustentar o insustentável. Pense nisto
            Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
Referência
1. Mateus 5:37



segunda-feira, julho 09, 2018

Aniversário de casamento



Já se passaram dois anos... E a pausa que se fez no tempo e cessou todo o meu pensamento, se transformou no amor que a cada dia fortalece nossa jornada juntos.
Você vai me deixando mau acostumada com seus carinhos e olhares sempre tão ternos, e é muito bom viver perto de alguém como você. 




A Jesus toda glória por caminhar conosco, por sua eterna misericórdia a nos dá a oportunidade de sermos felizes um com o outro.

     

sexta-feira, julho 06, 2018

A inveja é meliante


A inveja é meliante

Aquela moça de corpo malhado e sem celulite, atraía os olhares por onde passava, provocando uma certa “raiva”...
Muitos não conseguiam esconder o que pensavam e diziam: “tem gente que nasce com sorte”, outras arrazoavam, “ela deve ter gasto com plástica, hoje em dia só é feio quem não tem dinheiro”.
Contudo, por onde a moça bonita passava não se ouvia suspiros de quem deseja pagar o preço da rotina dos exercícios físicos e da alimentação saudável que ela pagou.
A inveja é mesmo meliante... fica a roubar o olhar que admira a força de quem vence as dificuldades de todo dia, para chegar onde se quer. Ela também nos furta a energia para chegar onde desejamos. 
Aos invejosos só resta lamentar a falta de sorte e de dinheiro.
          

quarta-feira, julho 04, 2018

Mais eu me mordo de ciúmes ou me deixo morder?(V)


É Quarta feira. Eu sigo falando sobre o ciúme.


Se você é ciumento adoecido e reconhece ser o culpado por sua relação está tão desgastada, então deu o passo mais importante para encontrar o caminho de colocar na agenda da relação o que faz ambos felizes.
Porém, este não é um passo fácil, uma vez que o ciúme que adoece faz com que a pessoa amada seja vista como alguém que deva fazer tudo conforme a sua vontade, deixando assim, de respeitá-la em suas necessidades e vontades.
Alguns dominados por este sentimento dizem amar tanto que o coração dói, entretanto, o que prevalece na relação é o egoísmo - a capacidade de ver só a si mesmo.
O que faz com que a vida do parceiro se torne semelhante a uma caverna submersa, a qual tende a ter pouco oxigênio, suscitando assim, um sentimento de sufocamento, uma vontade de fugir ou de ir embora.
Por mais que goste da pessoa dominada pelo ciúme, quem convive com estas fica tão cansada do esforço gasto para se manter respirando na relação que busca o rompimento por não aguentar viver asfixiada. Outras, se submete a seu amor tirano – egoísta, entretanto, é só uma questão de tempo para adoecer.
Normalmente pessoas que aceitam tudo o que é imposto pelo parceiro ciumento tendem a se deprimir, e muitos desejam a morte para não ter que escolher pela separação.
Contudo, não basta gostar muito de uma pessoa, temos a necessidade de ser quem somos, de fazer escolhas e de conviver em outras relações. E, embora estejamos machucados pelo ciúme ou por pessoas adoecidas por ele, somos os responsáveis pela vida que escolhemos viver.
Talvez não ache justo depois de tudo que sofreu e me pergunte: Por que sou responsável? Afinal, não teve culpa da infância infeliz que viveu e que imprimiu em você a sensação de não ter valor e de não merecer ser feliz.
A resposta não é simples. O que sei com certeza é que agora, ciente da sua realidade, cabe somente a você reconhecer e aceitar as dores que traz, não para cultivá-las, mas para tratá-las.
Neste mundo de paradoxos, somos todos vítimas e culpados pelo que vivemos, cabendo a nós decidirmos qual identidade vamos sustentar.
Se escolher ser a vítima, o que resta então é lamentar, encontrar culpados, e se submeter a tragédia da vida. Se escolher ser o culpado, logo, é possível buscar o perdão, fazer algo para mudar sua história e aprender novas atitudes. Com as vítimas não há muito o que fazer, no máximo acolhê-la em sua dor e torcer para que sejam consoladas, mas aos que se declaram culpados, e desejam mudar de vida, é possível ajudá-los a encontrar novos caminhos.
Acredite.

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62 982385297





quarta-feira, junho 27, 2018

Mais eu me mordo de ciúmes ou me deixo morder? (IV)



Os seres humanos, desde do nascimento, carecem de múltiplas relações. Mãe, pai, filhos, irmãos, avós, tios, primos, sobrinhos, amigos de infância, de escola, professores, colegas de trabalho, irmãos de fé e a maioria das pessoas precisam de um parceiro para dividir a vida. Contudo, para quem deseja a relação amorosa, é imprescindível saber que deve apenas ocupar o lugar a ela destinado, e não o todo da vida, porquê nenhuma relação humana tem em si o poder de suprir de forma completa a necessidade que temos de nos relacionar.
Portanto, não duvide, um namorado (a), um marido, uma esposa, não pode atender todas demandas e expectativas que temos. Esperar que a pessoa que escolhemos para dividir a vida ocupe todos os espaços do nosso coração, tão sedento de afeto, é condenar a relação amorosa ao fracasso.
E como saber se estamos condenando a relação amorosa ao desmoronamento? Quais são as atitudes que revelam que uma pessoa fez do parceiro, o responsável para suprir suas carências afetivas? Talvez, a pergunta mais difícil de ser respondida seja: Eu posso saber se sou ou não um ciumento adoecido? Responder a estas perguntas com sinceridade é de suma importância para avaliar se o ciúme em nosso relacionamento é uma expressão saudável de cuidado ou doente de controle.
É comum a pessoa adoecida de ciúmes vasculhar o celular do parceiro sem autorização, proibi-lo de ter amigos e tentar o isolar do convívio social e até dos seus familiares mais próximos. Também costuma escolher suas roupas, decidir onde a pessoa amada pode ir, e, se julga não correspondido ao que espera do seu parceiro, o ameaça com palavras e gestos.Em casos mais graves, imagina que seus parceiros o trai e passa a ter certeza disto, ainda que não tenha nenhuma evidência, se ao dormir sonha que a pessoa amada está com outra, briga como se ela tivesse culpa.
Se você tem algumas destas atitudes citadas acima, saiba que necessita de forma urgente repensar o que espera da sua relação, suas expectativas sobre o seu parceiro e avaliar sua autoestima.
Como fazer isto? Converse com uma pessoa mais madura que confie e que conheça sobre o assunto. Caso tenha identificado com a maioria das atitudes, e percebe que não tem domínio sobre o ciúme que sente, é importante procurar ajuda de um profissional da psicologia.
Semana que vem sigo falando do ciúme e suas consequências na relação amorosa.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62 982385297



segunda-feira, junho 25, 2018

O Castelo do Eu Posso


O castelo do eu posso
Ela era boa menina, seu sorriso era fácil, sua energia invejada, e a todos que lhe faziam pedidos, a sua resposta era ‘eu posso’. Era com certeza um tipo de pessoa que qualquer um gostaria.
E o tempo, que desconfio ser corredor de maratona de 100 metros rasos, correu como Usaim Bolt em Berlim, e assim aquela menina se transformou.
Seus cabelos brancos começaram a surgir na meia idade, o sorriso ainda fácil marcava sua face. Ela estava com um pouco menos de energia, porém, seguia respondendo a todos que lhe pediam algo com a mesma frase “eu posso”.
E o tempo, como sempre corre sua olimpíada, e agora já na terceira idade, o sorriso fácil foi se apagando em cansaço, seus passos ficaram lentos como os daqueles que carregam grandes fardos.
Contudo, as pessoas a quem sempre disseram “eu posso” não se atentaram para as necessidades que tinham, e continuaram a pedir tudo como se ela ainda fosse a mesma menina que um dia produziu inveja pela disposição que tinha.
De tanto repetir “eu posso” para os outros, estava sempre cansada para o que tanto queria, e acostumou a abandonar-se. Não estudou o que queria, não se casou com quem desejou, não usou o enxoval que colecionou, não teve a casa que sonhou decorar, não fez aquele curso no exterior, não fez a viagem planejada, não atendeu ao chamado que tinha certeza que era do seu Senhor.
 Portanto, a menina que nasceu com tantos talentos para ganhar o mundo, trancafiada no castelo do “eu posso”, só para os outros, ficou.
Agora, que seu corpo cansado, seu sorriso apagado, seus passos lentos, a convença de dizer para si mesma ‘eu posso’ descansar, e quem sabe, depois de refeita, encontre força, e ainda tenha tempo para viver o que a vida lhe oferece hoje.
 Roseli de Araújo
 Psicóloga clínica
 62 982385297

sexta-feira, junho 22, 2018

Século 21



Era uma bela manhã de outono. O relógio já marcava 10h30min quando uma linda mulher, com mais ou menos 30 anos, entrou na loja onde eu estava, com passos rápidos e sorridente, disse:
- Boa tarde.
Eu não resisti e com ar de brincadeira respondi:
- Bom dia, ainda não estou no futuro, mas espero chegar lá.
Sem me entender, ela sorriu displicente e continuou com seus passos acelerados.
Eu ali fiquei , a observar sem pressa aquela mulher no futuro. E me dei conta que realmente não é fácil viver no aqui e agora, quando os afazeres não dá tempo nem sequer para respirar...
Tempo? Eis o desafio do século 21.

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
982385297

terça-feira, junho 19, 2018

Mais eu me mordo de ciúmes ou me deixo morder? III


É quarta. Sigo falando sobre o ciúmes.

Desde a primeira infância, para o humano sentir-se amado, carece da aprovação daqueles que receberam a missão de cuidar dele. Esta confirmação somente chega quando o amor é revelado nos cuidados do dia a dia, no olhar atento às suas necessidades físicas e emocionais.
Entretanto, por razões tão distintas quanto a própria diversidade da vida, se estas necessidades não são supridas, a criança pode crescer acreditando ser uma pessoa sem valor, má, difícil de ser querida, crendo ser um peso e não uma benção, o que pode ser devastador para a construção da autoestima, afinal, sentir-se amada é uma necessidade tão básica quanto se alimentar.
A sensação amarga do não gostar de si mesmo, de não se vê com bons olhos, de desconfiar que não é o que deveria ser, faz brotar a terrível ideia do não merecer o melhor da vida, de ter nascido para ser infeliz. Se conquista algo, pensa que é só uma questão de sorte, e certamente com o tempo vai perder.
Ao ter esta percepção de si, o humano desenvolve uma defesa emocional contra a angústia de não ser amado, a qual produz uma dor que muitas vezes é sufocada, reprimida, e que se manifesta nos mais diversos sintomas, e o ciúme adoecido, que nasce para controlar, sufocar, manipular, pode ser um deles.
Se o coração se esvaziou do amor por si mesmo por não sentir-se amado, então agora reina a famosa e cruel baixa estima, a qual tem o poder de fazer nascer o ciúme.  E sendo soberano sobre as emoções, dará ordem para que se mantenha sempre presente o medo de perder, a raiva de não ser amado como deveria, a ansiedade de tentar fazer com que o outro supra suas necessidades, a insegurança de não conseguir manter o que se quer e a sensação de ser muito menos do que é.
Neste cenário emocional, as relações amorosas correm o risco de se tornar palco para que as dores sejam revividas. O medo de perder o que se tem, a desconfiança de que é realmente amado pelo parceiro, o desejo de controlar o comportamento do outro para não perder, a ideia de que o passado está presente, fazendo com que a pessoa não suporte as lembranças dos ex-parceiros, estejam eles vivos ou mortos, sinalizam que a relação está fadada a cenas trágicas, onde perder se torna profecia a ser cumprida.
O problema é que nem sempre os sentimentos são assim tão claros.... Na maioria das vezes o ser humano nem se dá conta da bagagem que traz. Ainda que sinta-se o tempo todo frustrado com o que ver em seu relacionamento, não se dá conta que tudo existe apenas em sua imaginação e faz com que o parceiro se torne réu do que não aconteceu.
Brigas intermináveis passam a ocupar um tempo extenso e precioso da relação. Ao invés do abraço, o solavanco, a tomada do braço, as mãos a virar o rosto. No lugar do beijo, a fala sem piedade ao emitir julgamentos, gritos. O olhar de amor, fica sempre ofuscado pelo brilho da raiva de não ser amado como acredita que deveria ser.
É preciso se dar conta desta realidade, reconhecer que é urgente fazer as pazes com o passado, elaborar as dores vividas e seguir com a certeza do seu valor, para que o ciúme adoecido não mate a relação que tanto deseja preservar.
Se isto ocorre com você, tenha coragem para confrontar o que lhe rouba a vida que quer viver, aprenda sobre você e se dê o direito que todos os humanos têm, de ser felizes. Afinal, o Criador e Sustentador de todas as coisas lhe diz:
“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais”.
Creia.
Semana que vem seguimos falamos sobre as causas do ciúme adoecido. Espero por você.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
982385297



segunda-feira, junho 18, 2018

Melhor idade?


           Comecei a usar salto alto quando eu estava chegando aos 40 anos, é que me dei conta que talvez teria pouquíssimo tempo para calçá-los, afinal, a idade avançava e eu não sabia até quando o meu corpo iria aguentar o salto 10, 12 e 15.
Já sei que o corpo não ganha com o passar do tempo, antes perde sua beleza e força, talvez por isso quando consigo fazer bem alguns exercícios em minhas aulas de crossfit, recebo elogios dos meus instrutores e colegas de treino. Mas, não me iludo, faço o que dou conta, me esforço, contudo, o peso do tempo já está sobre os meus ombros.
A cada ano que se passa tenho mais certeza de que a propaganda que anuncia a terceira como a melhor idade é só um jogo capitalista neste mercado de consumo, a produzir novas estratégias de vendas para um Brasil com o número cada vez maior de idosos¹. Os repetidos aniversários nos levam a perder massa muscular, cabelos, hormônios, flexibilidade, equilíbrio e para meu assombro, perdemos até altura. Podemos ganhar peso, fortes linhas de expressão, uma careca brilhante, ou cabelos cada vez mais ralos e finos. Convênios e remédios pesam no orçamento, agora é preciso check up todo ano, e mais exames são acrescentados a cada aniversário. Quem quiser terminar sua vida com mais independência e saúde, será necessário esforços e gastos. A terceira idade sai caro... E o corpo muda, ainda que a indústria da beleza tente nos convencer que é possível nos mantermos eternamente jovens e belos.
Contudo, a alma, tão desprezada pelos comerciais, pode aspirar a beleza e a juventude eterna e a ela é ofertado a plástica sem bisturi na medida em que a vida acontece...
Paulo, escritor de 13 cartas do novo testamento, parece ter passado por esta cirurgia. Certo dia, a caminho de Damasco, indo perseguir cristãos, foi derrubado do seu cavalo por uma forte luz, e ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que você me persegue? Conta a história que depois desta experiência, Saulo deixa de ser um perseguidor da igreja e seu nome passa a ser Paulo, que significa enviado, apontando para a nova realidade que se formou em sua vida, ao se tornar um mensageiro fiel e ativo da mensagem que perseguia. De perseguidor, tornou-se perseguido, e passou a sofrer por sua fé, mas escreveu sobre alegria e paz, mesmo preso em uma cadeia sem nenhum conforto.
 Aquele encontro no caminho de Damasco marcou o início da cirurgia plástica que sua alma passou, e toda sua forma de pensar, sentir e viver foi transformada.
Agora, com a alma modelada, Paulo nos ensina que ‘não devemos ficar com os olhos naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno’¹.Embora este corpo tenha prazo de validade, a alma abrigada por ele é capaz de sofrer as mais belas modelagens e transcender, embora, hoje, ela é tratada como mercadoria esquecida.
Mas, que a luz possa nos derrubar dos cavalos que nos levem a correr atrás do que é transitório, e a gente vendo o que não se ver, encontre novos significados para viver.

IICo. 4:18
Atos 9 - História de Paulo

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62 982385297



quarta-feira, junho 13, 2018

Mais eu me mordo de ciúmes ou me deixo morder? II


É quarta. Hoje vamos tentar compreender como nasce o ciúme que adoece.


Viver é se relacionar. Dentre as muitas relações que experimentamos na vida, a relação amorosa pode ser uma das mais fascinante. Nenhuma outra pode produzir uma intimidade tão profunda como a do casal que decidiu partilhar a vida.
              Mas, viver a dois é uma arte que não se aprende do dia para a noite. É preciso gastar tempo, pois o tempo é adubo, o qual sem ele, nenhuma relação floresce. Tal tempo deve ser recheado de risos, beijos, toques, olhares, abraços, passeios na intimidade, cuidados especiais que são dados apenas aquela pessoa amada. E para que as relações amorosas se fortaleçam elas necessitam de serem regadas com amor que se revela no zelo, na atenção dedicada, no cuidado, que é o melhor dos ciúmes.
Entretanto, o amor humano traz em si mesmo outros sentidos e possibilidades. Ora quer o bem do outro, ora busca o seu próprio bem, ora quer proteger o outro, ora quer proteger-se da dor que o outro pode lhe causar. E por ser de natureza ambígua o amor humano, tem risco de se tornar uma guerra ao invés de arte pintada com as mais belas cores.
Quando amar deixa de ser arte e se transforma em guerra, passamos a viver o ciúme que adoece. Portanto, o tempo agora não é dedicado apenas para cuidar da pessoa amada, mas para controlar os seus passos, a roupa que deve vestir, com quem deve conversar, onde deve olhar, o que deve fazer e onde deve ir.
E este ciúme, que deixa de cuidar para controlar, pode nascer da possibilidade real ou imaginária que uma terceira pessoa – a rival – tem para destruir sua relação com a pessoa amada, fazendo do amor antes tão pleno, vazio do olhar que se dá valor. Agora a (o) rival lhe parece mais bela (o), inteligente e agradável. E por não se ver no seu espelho com admiração, por não compreender o valor que possui, não se sente amada (o), então se esconde atrás do escudo do controle. Muitas vezes sem perceber que o escudo se transforma em arma que pode matar o relacionamento que tanto deseja preservar. É que agora tudo o que quer é se proteger-se para não perder o objeto amado.
Digo objeto, porque a pessoa amada, agora não é vista e nem respeitada como o outro que tem vontade própria, que escolhe o que quer, e é responsável por suas escolhas.  Ela é tratada como uma marionete, e tem que encenar a vontade do ciumento adoecido para que ele sinta-se protegido.
Esta necessidade de proteção nasce em um passado distante onde a estima foi construída, mas este é assunto para a próxima quarta-feira.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62 982385297



segunda-feira, junho 11, 2018

Na tela



O passarinho cansado pousou na janela. Por alguns segundos ficou estático a observar o humano sentado em frente ao computador, percebendo que ele não representava nenhum perigo, aconchegou-se no parapeito e descansou.
O tempo passou, o passarinho dormiu por horas e acordou refeito. Da janela, olhou para fora e viu o céu azul com tons alaranjados, anunciando o entardecer. Extasiado ficou ali a contemplar a beleza daquele momento e voou para desfrutar o que avistava.
E o humano lá continuava, na frente da tela do seu computador...