quarta-feira, janeiro 21, 2026

 




Você é como uma fotografia dentro de mim que nunca fica velha. E habitando dentro de mim, reconheço que jamais migrará.

Quem disse que quem parte se parte para sempre? A verdade é que quem parte se reparte. Agora vive em mim e num lugar onde ainda não tenho acesso. Mas, estás aqui. Eu aceito que é de um jeito que eu jamais escolheria. Eu não abraçaria a saudade, e com ela não andaria de mãos dadas, mas me alegro em saber que segue, aqui. Então decido viver. Eu que conheci sua alegria na vida e sua risada de tudo, sei que decidir viver feliz é o único jeito de honrar sua vida. 

Por vezes, os pensamentos sobre nossa estrada juntas povoam todo o meu ser. E, sempre penso que sua vida teve a duração certa. Sei que foi antes que os males te alcançassem, roubando de ti o sorriso. Isso me alegra mais do que me entristece, pois para ti eu sempre desejei o melhor.

Agora, olho o horizonte, com uma paz triste a visitar-me. No momento, sei que preciso acolher a tristeza, sem parar pelo caminho.

Embora seja um caminho não escolhido, sei que a Vida me convida a espalhar sementes na certeza de que é sempre no caminho que a alegria se torna possível. Sei que não como antes, mas como algo novo que me faz de novo, até aquele dia que, como ti, serei repartida por minha partida.

Saudade, mãe.

(texto escrito dia 21 de Janeiro de 2026)

 

 

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