segunda-feira, maio 16, 2016

Uma carta as mães dos dependentes químicos


Sou psicóloga. Sou mãe. Meu filho hoje tem 20 anos. Lembro bem do dia em que fiz a primeira ultrassonografia e soube que ele era um menino. Eu , seu pai ( hoje falecido), e as famílias celebraram. Era o primeiro neto da minha família e, o primeiro neto homem da família do seu pai.
Eu o criei com todo amor que as mães têm. Eu o embalei no colo, o amamentei ainda que meu peito rachado ficou nas primeiras semanas. Eu, como toda mãe passei a comprar para ele sempre que tinha que optar entre minha necessidade e a dele. Eu vi aquele bebê crescer, seu primeiro passo, quando falou mãe pela primeira vez e, como toda mãe o achava lindo demais.
Seu primeiro uniforme, sua primeira escola foi um dia histórico pra mim. Pensava, vou dar a ele a melhor escola que puder, vou comprar todos os livros para incentivá-lo a ler. E como mãe de primeira viagem e de filho único, como sonhei com seu futuro. Eu também o criei na fé que tenho, levando-o a igreja, me empenhando para que participasse de tudo que a comunidade disponibilizava.
Quando fez 14 anos, coloquei ele no projeto jovem aprendiz, ele teve então o seu primeiro trabalho, não queria muito no início, mas depois tomou gosto pelo salário.
Mas, ele cresceu... cedo decidiu romper com a fé em que foi criado, estudar logo parou e, quase enfartei quando me disse que queria ir para escola pública porque não queria estudar para se preparar para o vestibular. Os meus planos para seu futuro brilhante, um a um, foi sendo derrubado por suas escolhas.
A sociedade, essa que não está quando dela precisamos, me acusou de culpada, afinal, eu não fora um bom modelo. Eu, pensei, eles tem razão, sou culpada por suas escolhas... então comecei a morrer...
Em vão busquei compreender o que acontecia nos livros, mas a dor não arrefecia. Eu só não enlouqueci nessa fase por causa do tratamento psicológico que estava submetida. As mães bem sabem que os problemas nunca veem sozinhos, vem sempre de mãos dadas com outros e, como é difícil lidar com todos eles de uma só vez.
Eu fiquei sem compreender nada. Eu gritei ao sagrado: Por quê?
O luto se instalara em minha alma. Até que comecei aprender que a escolha da vida dele, é dele. Eu só posso escolher pra mim. O filho que criei não é meu, e minha mãe tem razão, criamos filhos para viverem a vida deles, e não a que eu idealizei para ele.
Aprender isso não foi um caminho fácil. A razão é sempre rápida, mas as emoções... andam a passos de tartaruga, são lentas... Contudo eu segui minha vida, aquela que eu recebi para cuidar. Coloquei os pés na estrada da verdade, de que a vida de alguém só pode ser vivida por ela mesma, e que ser mãe não é ser responsável pela escolha que os filhos fazem. Então levantei minha cabeça.

Aprendi que respeitar escolhas humanas passa pela difícil realidade de que as pessoas podem escolher caminhos que eu jamais escolheria para mim.
Atualmente trabalho com homens acima dos 18 anos que são portadores da SPA- Síndrome de substância psicoativas, em outras palavras dependentes químicos.
Em minha rotina do trabalho é comum perceber que muitas mães estão morrendo pelo sofrimento imposto pelas escolhas dos seus filhos.
E os filhos as vezes escolhem cada caminho...
Atendi um aluno que me dizia, ‘Dra. Estou com tanta saudade do crack, mas não quero mais aquela vida pra mim’. E mesmo com saudade do prazer da droga, não desistiu do programa de recuperação e, se tornou voluntário no projeto que o acolheu. Outros são levados por suas mães, raramente os pais estão presentes e, muitos deles olham com deboche as lágrimas dessas guerreiras que suplicam por um vaga para que se trate. Estes, normalmente desistem do tratamento. Outros vem de longas distâncias, chegam a pé e cansados da vida que estão levando e dizem,’ não quero viver me destruindo mais’. Estes suportam com valentia a crise de abstinência e mesmo diante dos sintomas como nervosismo, paranoia, depressão e outros, não desistem, vislumbraram o que estão fazendo com suas vidas e, desejam construir uma história diferente. Outros, chegam arrogantes, pensam ainda dominar as drogas, quando já estão dominados por elas, esses não ficam mesmo e, nenhum argumento, por mais que o usemos, não os fazem mudar de ideia. Outros chegam querendo muito um novo caminho, e, como profissional percebo sinceridade em seus discursos, porém estão tão afetados, não sei se pela desesperança, ou pela consequência do uso das drogas que alteram o funcionamento cerebral, que não conseguem ficar e, os vemos sair pelo portão da frente... Nada podemos fazer como profissional e, um nó fica na garganta da equipe que o atende.
O que nos falta para ajudar? Eu me pergunto.
E vejo que as mães também trazem essa pergunta e tantas outras, tais como: Onde foi que eu errei? Meu filho vai morrer Dra. se eu o deixar em sua escolha? O que fazer se ele não quer ajuda?
Por vezes meu coração sangra... não acredito que o bom profissional é aquele que não se compadece... acredito que o bom profissional é aquele que faz, o que necessita ser feito, independente do quanto ele é marcado pelas dores que trata. Então, confesso que sofro com as muitas mães que atendo.
Por isso escrevo hoje, não como mãe, porque como mãe, estou marcada pela incompreensão dos caminhos trilhados por tantos filhos. Escrevo como psicóloga, por perceber que a psicologia pode apontar caminhos para aplacar os corações feridos.
E a primeira coisa que considero importante que uma mãe reflita, é que ela errou sim, como erra qualquer outra mãe. Errar é a realidade de quem educa humanos, afinal, sendo cada um tão único, não temos manual pronto. O que importa é identificar, e se houver tempo, mudar a rota. Uma mãe me disse, ‘eu pensava que o ajudava dando-lhe dinheiro, mas vejo que o ajudei a usar drogas’, a mãe que buscava tratamento, era a mesma mãe que mantinha seu vício, esse é um erro que precisa ser corrigido, de outra sorte a mãe que quer salvar, torna-se cúmplice dessa estrada de morte que está sendo construída por seu filho.
Certa mãe me disse, ‘se eu não pagar suas dívidas de drogas, os traficantes vão matá-lo’. Isso é certo, mas se ele não mudar de rota, ele vai morrer, é só uma questão de tempo, afinal, o mundo do tráfico é cruel e as drogas não poupa o corpo dos seus danos. Eu pergunto quem irá salvar aquele que se colocou na mira do revolver para ser acertado? Terrível ilusão as mães têm quando ocupam o lugar dos super-heróis, porque esses personagens criados pela ficção tem poderes mágicos, mas nós, pobres mortais mães, o que temos? Diante de uma sociedade injusta, onde a desigualdade social impera, o que pode fazer as mães com as drogas que são vendidas a cada esquina? O que pode fazer um mãe de filho adulto, onde a idade civil já foi alcançada?
Ninguém pode ajudar alguém que faz uso de drogas, se essa pessoa não se decidir tratar. Todas as técnicas que aprendi nesses anos de trabalho ajudam muito e, tantas vezes trazem o despertamento, mas quando a pessoa insiste em permanecer nesse caminho, o que nos resta é respeitar.
Mas, as mães nem sempre conseguem. Elas acreditam que tem que fazer algo para filhos adultos, os quais elas já perderam todo o domínio sobre suas vidas. Muitas vezes, eles mesmos as lembram de que não são mais crianças, gritam sua independência, saem de casa, anda com más companhias, matam aula que custam muito tempo de suor. Filhos... quem pode de verdade ajudá-los?
E nessa tentativa de salvá-los as mães vão morrendo, vão se abandonando, deixam os filhos saudáveis e, vão vivendo em função daquele que adoeceu, mas não quer tratamento. Quem dará remédio a quem não quer tomar? E ainda que você tente, eles os escondem na boca, para depois jogar fora. Creia, o adulto faz só o que quer.

Mães, os vínculos que nos unem aos filhos são profundos... nove meses, talvez nem nove vidas vividas poderão diluir esses vínculos, mas é preciso compreender e aceitar que os filhos cresceram. E o adulto que hoje contemplamos sem compreender, não é aquele bebê que a gente um dia carregou no colo, ele já anda com suas próprias pernas. É preciso deixar ir quem não quer se submeter a nenhuma regra ou conselho, é preciso desmamar o marmanjo que não quer trabalhar, é preciso permitir que as consequências das escolhas feitas sejam assumidas pelas pessoas que escolheram. É preciso viver a vida que recebeu e, se não está conseguindo sozinha, busque ajuda, não tenha vergonha, não foi você que escolheu o caminho das drogas. Levante a cabeça e cuide da sua vida. Você é preciosa e merece ser feliz. 

















sexta-feira, maio 13, 2016

O passáro

O pássaro sobrevoou a imensidão da terra. Trazia em seu peito um desejo intenso de encontrar um pouso que lhe fosse seguro. Ao longe avistou uma gruta entre as rochas e decidiu que lá seria o seu ninho. No seu coração uma alegria surgiu, era mesmo um lugar seguro. Por lá viveu por alguns anos e, foi feliz. Mas, a vida reserva surpresas, e um terremoto abalou as estruturas da rocha onde fizera o seu lar. O pássaro, atordoado ficou a bater suas asas e a ver a sua casa em ruínas. Por algum tempo sobrevoou aquele rocha que não mais existia na tentativa de segurar o que não tinha mais jeito. Seu coração ficou despedaçado... contudo não havia tempo para chorar sua dor, era preciso encontrar um novo lugar. E ainda que suas lágrimas por muito tempo insistiram em cair, ele voou, era preciso voar, voar e voar. 
E assim, o pássaro retornou a imensidão do céu na busca de um novo ninho. 
Ao voar avistou uma praia e falou consigo mesmo, 'vou pousar nos coqueiros que a rodeiam'. E embora não estava feliz como da primeira vez, ainda abrigava esperança no seu coração de ter um novo lar. E ali ficou a construir aquele ninho, mas os ventos não o deixavam concluir. Alguns meses se passaram, e uma onda atingiu a praia com tanta força que derrubou o coqueiro onde o pássaro, em vão tentava construir sua nova morada. E o pássaro novamente levantou voou, não porque quisesse voar. Já estava acostumando com os ventos que não o deixavam dar a forma que desejava naquela nova morada. 
Seu coração que ainda não havia curado da saudade do primeiro ninho e, nem do susto que levou ao perder seu segundo, ficou pequenininho dentro do peito, como se estivesse sendo espremido por mãos pesadas e fortes. 
Mas, quem pode desistir quando se tem asas para voar? E bravamente o pássaro ferido, voltou para o imenso céu na busca de um novo ninho. 
Novamente avistou o telhado de uma casa que parecia simples, e entre as madeiras que o sustentavam decidiu que ali faria o seu ninho com as poucas forças que lhe restaram, mas cansado demais adormeceu.
Já era fim de tarde quando acordou e viu que naquela casa havia um morador. Seu coração estremeceu, afinal, aprendera que os humanos não eram bons e nem hospitaleiros e, quando pensou em levantar voo, percebeu que suas asas estavam sem forças para voltar ao imenso céu. E ficou ali com o coração angustiado, contudo, impossibilitado, rendeu ao seu destino. 
O homem daquela casa ficou encantado ao ver seu novo visitante,  e ao contrário do que o pássaro pensava, ele desejou tê-lo por mais tempo. Não querendo espantar o pequeno hospede,  foi se aproximando devagarzinho. Embora temesse, o pássaro foi percebendo que o dono da casa não era um inimigo e, seu coração apreensivo foi encontrando sossego. 
Quando suas asas estavam fortes para voar, o pássaro percebeu que já não podia... acostumou com aquele homem de sorriso franco, gesto calmos e olhar cheio de ternura.
 É que dia após dia aquele homem colocava água e comida para alimentar o pássaro cansado,  e ficava ali a contemplar embevecido, o seu novo inquilino deitado sobre a madeira. Preocupado, o homem providenciou uma pequena e aconchegante almofada, e o pássaro sorriu ao ser colocado em um lugar diferente do seu ninho, contudo confortável. E, aquela casa antes tão ocupada por corações solitários, agora encontrou o único lugar que todos querem estar, o lugar de amar e ser amado.
















quarta-feira, maio 11, 2016

Jesus está

Ele está, ainda que seu coração não perceba.
Ele está, ainda que o diagnóstico não seja favorável.
Ele está, quando decepcionado você grita: estou sozinho.
Ele está, nas madrugadas em que as lágrimas não o abandonam.
Ele está, quando perplexo você diz: não entendo.
Ele está, quando a despensa está vazia.
Ele está, quando sua alma sangra.
Ele está, quando o absurdo o visita.
Ele está, quando você se encontra decepcionado com você mesmo.
Ele está, ainda que as pessoas digam que você não dará certo.
Ele está, ainda que seus pais o abandonaram.
Ele está, quando descobre que o amigo, era na verdade inimigo.
Ele está, quando a esperança parece dormir em seu coração.
Ele esta, quando a chuva não molha mais a terra.
Ele está, quando sentir vontade de ir embora.
Ele está, quando sentir vontade de ficar.
Ele está, quando os que amamos vão embora.
Ele está, segurando suas mãos marcadas pelo árduo trabalho.
Ele está.
E só essa certeza descansará seu coração.

segunda-feira, maio 09, 2016

O que quero fazer da minha vida?



Assim que me formei, esta pergunta angustiou muito meu coração. O tempo todo, pessoas bem intencionadas me davam conselhos e, muitos foram bons e úteis, mas, a resposta do que se quer é preciso buscar dentro da gente, afinal, a vida é título intransferível. 

Tentei estudar para concurso público, mas o que eu queria mesmo era escrever sobre minhas percepções sobre minha profissão aos meus irmãos de fé. Eu nunca vou esquecer quando peguei meu livro em minhas mãos, a alegria que me dominou e ainda domina toda vez que o abro, e toda vez que as pessoas me dão feedback de sua leitura. 
Montei consultório em Anicuns e, eu sabia que se insistisse o consultório iria prosperar, mas quando a Missão Vida me chamou para trabalhar decidi morar em Goiânia para ficar mais perto. Do ponto de vista financeiro não compensava, mas era lá que o meu coração estava.
Sempre escrevo para o blog, e por vezes me pergunto porque faço isto, porém esta minha casa online é um lugar que gosto de estar. Sentar frente ao computador e digitar minhas impressões, o que sinto, o que penso, é tão prazeroso que preciso marcar tempo para não me perder das outras atividades. Ao escrever minha alma se conforta, encontro uma alegria que me prende mais do que qualquer outro prazer.
Hoje, atendo consultório particular, trabalho na Missão Vida, escrevo para o blog, e, estou em fase de ler para escrever meu segundo livro. E nada se compara a alegria de viver o que se quer. O que eu faço, é o que eu desejei um dia, e estar feliz é certamente a maior recompensa que desfruto. 
Medo e insegurança quanto ao futuro são sentimentos que sempre se apresentam, é que a vida não é um conto de fadas e, a saga que nos é proposta é por vezes dura e contraditória, contudo, a alegria é uma possibilidade quando embarcamos nesta viagem de descobrir o que queremos fazer da nossa vida.
E o maior desafio que enfrento dentro de mim, é o de não delegar para outros as escolhas que vão mover minha história, revestindo-me a cada dia da coragem para assumir o que eu quero, não como quem joga dados ao vento, mas, como quem calcula o preço e assume as contas, porque estas são inevitáveis, tanto quanto é intransferível a vida que queremos viver.





quarta-feira, maio 04, 2016

Surjo





Surjo das cinzas.
Do fogo das decisões erradas, dos caminhos que não deviam ter sido trilhados. Do olhar que não era para ser visto. Das promessas que não deveriam ter sido feitas. Dos beijos que não me pertenciam. Dos abraços fora do tempo.



Eu surjo da descrença de mim mesma, da culpa que esmaga, do eco de vozes dizendo, 'de novo'?




Eu surjo da vergonha frente a acusação que grita... Mas, ainda que envergonhada eu esteja, levanto meus olhos e, encontro Jesus, a me dizer, 'mulher quem te acusa'?


Busco em vão ver quem me acusa, contudo, me deparo com meu próprio coração que se agita com as lembranças que trago do vivido... E percebo que o meu pior carcereiro é o meu próprio julgamento.
Mas, ouço a voz do Mestre, a ecoar com amor, 'Vai filha, recomece e, não peques mais'


.

segunda-feira, maio 02, 2016

Qual é o seu tempo?


A vida, assim como a terra, guarda as suas estações: Verão, outono, inverno, primavera. A vida tem mais estações, mas hoje, gostaria de pensar com vocês que há duas estações que vivemos que marcam muito nossas vidas: as estações da alegria e as estações das tristezas. As estações da terra ocorrem cada uma em um determinado período de tempo, mas as estações da vida, muitas vezes se mesclam, chegam juntas, nos levando a sorrir e chorar ao mesmo tempo.
Viver, talvez, seja também, saber conviver com estas duas realidades juntas, sem perder a capacidade de entristecer pelo que é preciso estar triste, assim como, sem perder o sorriso pelo que traz alegria.

O meu tempo hoje é de um amor novo chegando, e como esse amor me alegra! Mas, também é tempo de despedidas.
É tempo de novo começo, mas também é tempo de deixar para trás o caminho que estava sendo trilhando até ontem.
É tempo de aceitar desafios nunca imaginados, mas também é tempo de deixar o confortável que outrora fora instalado.
O desafio, penso, é alargar o coração... é não se perder em nenhuma possibilidade de anulação do que brota. Afinal, a vida é travessia no deserto cercado pelo oásis de Deus.
Por vezes sou lembrada que o riso passa, é verdade, certamente que nessa vida onde as dores residem até no riso, as lágrimas é uma realidade sem trégua.
Contudo, decido viver com alegria a dor que recebo e, com mais alegria, a alegria que abraço.



sábado, abril 30, 2016

Trecho do Capítulo 4 " A culpa sob a mira da Palavra"

 ...A grande questão enfrentada para vencer a culpa foi meu orgulho pessoal. É claro que naquela época não admitiria isso nem sendo ameaçada de morte. Afinal, o que leva uma pessoa a pensar : Porque eu errei? Não seria uma falsa imagem que abriga de si mesma? Para as pessoas que não creem que a natureza do homem é corrompida faz sentido essa pergunta, mas para os que creem na Palavra, e sabem que são pecadores, qual a razão? Esse talvez seja o grande problema: acreditamos muito em nós mesmos, achamos que podemos, que temos em nós a capacidade de sermos santos, que temos a palavra que pode ser ouvida porque temos uma vida que a garante. Falamos da graça, mas compreendemos muito pouco o que isso significa no cotidiano das nossas                                                                               vidas...

sexta-feira, abril 29, 2016

A solidão das palavras

Hoje é um daqueles dias em que nenhum tema para escrever visita a minha alma.. Sinto-me abandonada pelas palavras...  E, a solidão do prazer que mais me encanta, se mostra com toda sua exuberância.
Estou em casa só... De braços que me abraçam, de conversas soltas na mesa, de troca de olhares, de divisão dos afazeres, e aqui,  reina o silêncio de fora... enquanto em mim, há barulhos, e, quem sabe até entulhos que impedem o prazer de chegar aos meus dedos. Contudo, digito!
Com este silêncio autoritário, brigo, não gosto de ser por ele manipulada, mas sua força hoje se coloca esmagando qualquer possibilidade de em mim, eu, hoje, mandar.
E rendida no silêncio das palavras, ouço a voz do que nem sempre consigo encarar, percebendo minha pequenez, minha incapacidade de qualquer coisa controlar... Seria isso provar um pouco da morte? A morte,  definitivamente, agora, não me parece rondar, mas a morte, se coloca diante do que eu quero viver e não consigo. E, visitando-me sem estar, agora, presente, provoca em mim o pensar sobre o significado da vida que eu quero viver, estreitando em mim os laços com quem amo, afinal, por quanto tempo os terei?
Na verdade, por quanto tempo vou viver a vida que de graça recebi? Por quanto tempo poderei ouvir aquele música que invade minhas entranhas e me sacode? Por quanto tempo vou ouvir o som das águas que correm entre as pedras no rio de Pirinópolis? Por quanto tempo vou provar aquele chocolate que minha boca molhar só de pensar? Por quanto tempo terei os amigos construídos, no decorrer da minha jornada?
Por um instante desejo a morte sondar, mas só por um instante, não me perderei nessa loucura de tentar desvendar os mistérios do cosmo, antes, hoje, no silêncio que se faz entre as minhas paredes, decido pela Vida.
 Não esta vida, corpo, alma, que recebi para aqui compartilhar, mas A Vida, que em Cristo, recebi.
 NEle, minha esperança se alarga. NEle tudo faz sentido. NEle, o efêmero se reveste das cores mais brilhantes, que desconfio, que a eternidade deve abrigar. Por Ele, quero viver e não deixar com que nenhum entulho mate dentro de mim, a vida que Ele sempre quer me dá.



quinta-feira, abril 28, 2016

Agora entendo os marinheiros...

Foto de Parati- Passeio de barco
Na imensidão do mar, eu me encontro. Fui levado pelas ondas que invadiram a praia do meu coração. Nadei num primeiro instante enquanto ainda tinha areia para firmar os pés, na tentativa de não me entregar por inteiro. 


Mas, a onda foi mais forte e me levou para o alto mar. 
Cansado de temer a vida, descansei meu corpo sobre as águas, e, seduzido pelo canto da sereia, me entreguei.
Agora entendo os marinheiros que se deixam levar... eles compreenderam que não há nada a fazer.
Em alto mar não avisto terra firme, contudo, minha alma confortada está pelo âncora invisível que me segura, sem me roubar as ondas com seus braços a me acalentar, num movimento de vida e morte, de alegria e dor que meu coração não explica...
Sentindo o azul do céu encontro descanso para a razão que não se cala, tanto quanto me desencontro da emoção que intenta me convence a não ir em frente. 
É que agora, minha alma me assegura que não há mais terra para pisar. O medo, este visitante sem convite, sem força sussurra outros mares para me levar, entretanto, não existe outro lugar que eu queira estar.




E, surpreendido pela força do que me mantém tranquilo longe da terra firme, descubro, que o coração só descansa, quando sabe que encontrou outro coração pra amar.


terça-feira, abril 26, 2016

Vida alheia

Eu não entendo, porque a vida pessoal de alguém interessa tanto... já viram como as pessoas estão sempre perguntando sobre coisas as quais nenhuma diferença farão para suas vidas?
Mas, curiosos seguem tantos...
Eu me pergunto onde encontram tempo para cuidar do viver que é do outro, colocando seus olhos na busca de respostas que não respondem nada do que precisam, como se na vida do outro pudesse encontrar algum sentido para a sua própria, talvez acredite que a vida do outro é mais interessante que a sua. E, talvez seja mesmo.
E como encontram tempo? Dizem que o tempo é ouro, contudo me parece que para esses, o tempo é dinheiro gasto sem um bom planejamento.
A grande pergunta que surge é:'O que está por detrás de tanta curiosidade?'
A vontade de saber se a grama do lado de lá é mais verde do que a sua?
A sensação de não estar vivendo o que deveria, enquanto o outro naturalmente já desfruta?
Ou aquela inquietação diante do que não consegue ser?
O que tem por detrás das perguntas?
Eu não ouso imaginar, mas já imaginando, eu me acerco de que o coração humano é terra maligna.
Quem sabe é a vontade de ser sentir mais pleno na mediocridade da sua vida?
Quem sabe é o desejo secreto de não ter o que se vê, mas que anseia que o outro não desfrute, afinal, quem é que pode viver o que eu acredito que não posso?
Minhas respostas são sempre não sei, a todas as perguntas que faço.
Porém admirada fico com a maldade contida em perguntas que parecem a nenhum lugar chegar.
Serão amigos os curiosos? Ou serão apenas aqueles os quais não devemos nem nossa mesa partilhar? Se a curiosidade domina, o que incomoda?

A curiosidade pela vida do outro que é curioso, hoje, me visitou, nossa que horror!
Afinal, meu tempo é ouro refinado pelo mais ardente fogo, e não pode ser gasto por coisas tão sem valor.

segunda-feira, abril 25, 2016

Atrair e trair




Atraídos, vulneráveis somos.

É verdade, sem mentira, que quem nos atrai nessa vida,
pode ser também quem mais nos trai? 
Uma vez atraídos, sem reserva ao outro, nos entregamos por inteiro. 


Mas, traído, fecho-me diante da realidade que se fez maior do que aquilo que eu acreditava.

É que agora, o chão que era firme, se torna areia que se move...
E corro para não me afundar nesse abismo que me traga.
Diante do novo que se apresenta a mim, novo que eu não quis ver ou ouvir, me pergunto: Quem é você?
 Já não reconheço o que vejo, e sigo agora com o olhar cortado da beleza que um dia viu, e com esta visão desfeita, tento compreender a nova estrada que em o meu coração surgiu. 


E sem entender o porque o chão, antes, firme, se tornou agora, areia que se move, deixando-me no vazio do que não compreendo, saio mesmo sem força, e corro dentro de mim, para não me afundar nesse abismo que me abocanha.



E com as mãos vacilantes pela dor que emerge, quebro as chaves por dentro, na tentativa de não ser mais ferido, mas a ferida já sangra... quem me atraiu, partiu... 

E nesse momento quando a solidão é minha amiga mais presente... tenho medo do que vejo em mim. Talvez eu apenas não tenha desconfiado do que sempre esteve ali. Talvez a dor que mais dói, seja descobri, que fui atraído pelo que quis, e fui traído pelo que eu mesmo escolhi.


Diante desta realidade, que agora marca a minha própria imagem, vejo brotar em mim o fosco desencantado, de quem perdeu o brilho de um dia ter crido no que achou ter visto... E ao perceber que a visão que me enganara, não era a visão do outro, a minha razão se desespera diante do meu coração enganoso.



sábado, abril 23, 2016

Este livro foi escrito com objetivo de ajudar irmãos na fé a compreender que Deus não se assusta com a nossa condição humana. Nós é que lutamos contra o humano que está em nós. Infelizmente a igreja no Brasil hoje, tem ensinado um evangelho que não é o evangelho de Cristo.

O livro está a venda pelo whatsApp 62 82385297. Todo seu lucro será revertido para projetos sociais e missionários.

Trecho do Capítulo 5

"...Não raro os cristãos querem perdoar, mas desejam vingança; querem deixar de falar mal das pessoas, mas desejam expô-las; querem servir melhor, mas desejam ser servidos; querem ofertar mais, mas desejam gastar com coisas que não necessitam; querem ir mais à igreja, mas desejam estar trabalhando e comprometidos com a vida familiar e social; querem vencer os pecados da gula, mas desejam comer toda a caixa de chocolate em uma sentada; querem pensar coisas puras, mas desejam o proibido; querem aprender a esperar em Deus, mas desejam agir com pressa. E frente ao que sabemos que devemos viver, àquilo que está em oposição ao que de fato desejamos, muitas vezes cedemos à velha natureza, que nos chama a sustentar a mentira, ou desanimamos com os padrões da vida cristã. Muitas vezes, vivemos uma verdadeira esquizofrenia espiritual, acreditando que não podemos sentir, enquanto estamos sentindo. Negamos assim a realidade dos sentimentos que fazem morada em nós, ou que nos assaltam diante de tudo que vamos experimentando no decorrer da vida. É impressionante o quanto o ser humano pode ser tornar especialista em negar o que vive, o que sente..."

sexta-feira, abril 22, 2016

Sombras


Por vezes no coração se faz sombras. Sentimentos opacos brotam não permitindo passar luz como um corpo escuro e sombrio, fazendo a luz da alegria de um momento tão rico, não encharcar a alma da gente. Nos perguntamos, 'O que surge tão sorrateiramente'?
Então descobrimos que há sombras que assombram o momento ainda que o sol se desponte no horizonte. Elas estão dentro e não fora desta terra estranha e desconhecida, que abriga todos nossos mais profundos desejos e dores.


Quando as sombras surgem, tememos. Até que nos damos conta que sem elas não aguentaríamos o sol do meio dia, porque são elas que dão aos olhos o conforto para que eles vejam para além do tempo.
E, vamos aprendendo que as sombras fazem parte do caminho, do humano, ainda que sejam sombras que escondem o olhar que se faz dentro, ainda que sejam dúvidas que nos roubam a certeza do novo caminho. O sol forte não podem cegar os olhos se as sombras se apresentam.

E, a certeza de que a vida vai dar certo invade, na verdade, a vida já deu certo. E as sombras que surgiram para assombrar se tornam sombras que descansam o coração da gente.

E, nesses dias aquecidos pela alegria presente, a luz que irradia não pode ser contida, por nenhum sentimento opaco, apenas pode ser sombra que torna possível o coração aguentar a certeza de que agora chegou o tempo de ser feliz, ainda que o medo se faça presente.

E nos assentamos na cadeira de balanço que a sombra constrói no alpendre da alma da gente. É que a sombra artesã, só existe porque está no caminho onde a luz incide sobre corações opacos, que se encontram.
Ao Criador, toda reverência pelas sombras.