segunda-feira, abril 24, 2023

o Senhor luta por nós

 Este texto é do missionário Ronaldo Lidório. Compartilho com você porque ele fala ao coração


O Senhor luta por nós. Ele conhece os nossos corações, o tempo de nossa vida, os sentimentos não explicados e o ambiente incerto ao redor. E Ele luta por nós.

Ele que luta por nós, não é um mero valente do seu povo, um guerreiro de grandes vitórias ou um rei amado pela nação. É o Senhor todo poderoso, Criador do Céu e da terra, Governante absoluto de tudo o que existe, feitor da luz e da vida, Rei dos reis.

Controlador do universo, Salvador da humanidade, Resgatador dos perdidos e Pai de seus filhos. E Ele luta por nós.

A convicção de que o Senhor dos Senhores luta por nós produz dois efeitos sobre nossos corações.

O primeiro é de descanso, pois aquele que controla todas as coisas controla também a nossa vida. Aquele que rege o universo tem poder sobre nossos corações, relacionamentos, corpos, provisões e futuro. Descansemos no Senhor que luta por nós. Coloquemos perante Ele nossas aflições e peçamos o retorno das noites bem dormidas e do riso aliviado. Ele cuida de nós.

O segundo efeito é de expectativa no Senhor. Se Ele luta por nós qualquer coisa nova pode acontecer. Qualquer coisa pode mudar, qualquer situação pode ser consertada, qualquer pessoa pode ser quebrantada, qualquer pecado por ser perdoado. Se Ele luta por nós podemos, a qualquer  momento, ser curados da enfermidade mais profunda que amedronta o corpo e a alma.

Descansar em Deus e esperar em Deus, porque Ele luta por nós.

Encontramos esta palavra de encorajamento à nossa fé em Deuteronômio: O Senhor luta por nós. Moisés a proferiu ao povo de Israel em um momento emblemático de sua jornada. Após 40 anos peregrinando no deserto o povo se vê próximo ao rio Jordão, prestes a entrar na terra prometida. Vivia, assim, o momento de pesado cansaço pela peregrinação longa e árida e, por outro lado, profunda esperança para entrar na terra tão esperada. Moisés, usado por Deus, encoraja o povo lembrando como o Senhor foi fiel no passado. Amanhã não seria diferente. Moisés declara que o povo ainda passará por muitas provações e que aquele não é, enfim, o momento final de descanso. Porém, falando sobre reis e reinos que ainda os confrontarão ele lhes diz: “ não os temais, pois o Senhor luta por vós ”(Dt.3:22).

A caminhada é longa e ainda não cruzamos o Jordão, mas esta verdade nos levará até o final, na paz de Deus. O Senhor luta por nós.

Ronaldo Lidório

segunda-feira, abril 17, 2023

Na praia para curar

 



Naquela manhã na praia, após sentar à mesa e se alimentar com os discípulos, Jesus demonstra ter um propósito para além daquela refeição.

Voltando sua atenção a Pedro, pergunta por 3 vezes, sobre o seu amor por ele. Sua pergunta repetida vai fundo na alma de Pedro, porque esta era a quantidade de vezes que ele o havia negado.

Mas, Jesus não pergunta para ferir mais, o que almeja é ensinar a Pedro que sem ele, Pedro, não podia ser fiel como pensava ser.

E convida a Pedro a retornar ao lugar que um dia lhe fora dado, de ser pescador de homens. Agora não mais confiando em si, mas, tão somente no que Jesus por ele pode fazer.

E Jesus, ao chamá-lo de volta, nos ensina o que seu amor pode suprir em nós o que não temos para oferecer.

Roseli de Araújo

Escritora e Psicóloga

(texto baseado em João 21)

terça-feira, abril 11, 2023

Na praia 2

 

Naquela manhã, Jesus estava na praia. Mesmo sem ser reconhecido pelos discípulos, estava atento ao que acontecia dentro e fora deles.

 E os discípulos, naquela manhã, estavam dominados pela fome do corpo e a fome da esperança que sustenta em dias difíceis.  Jesus pergunta: Vocês têm algo para comer? Mesmo sabendo a resposta negativa deles. Creio que ele queria que os discípulos nomeasse o que ocorria com eles.

 Diante da resposta negativa, manda lançar a rede do lado direito do barco e diz que encontrarão os peixes. Embora, eles ainda não o tivessem reconhecido, obedecem automaticamente, pois, quando não sabemos para onde ir, qualquer direção dada pode apontar um caminho.

Mas, ainda bem que era Jesus na praia naquela manhã. E a rede, antes vazia, agora precisava de muitos homens para carregá-la.

Diante do milagre os discípulos se lembraram do antes vivido e assim viram o Senhor, que já estava na praia.

 Eu não sei o que você vive nesta manhã... O que sei é que Jesus está na praia onde seus discípulos estão.

Apenas creia.

Roseli de Araújo

Escritora e psicóloga 

(texto baseado em João 21)

segunda-feira, abril 03, 2023

Na praia

   

Todos estão confusos. Sentem-se vazios... A vida sem a presença do mestre Jesus os deixava com a sensação de não saber ao certo o que fazer.

Dentre eles, Pedro tinha o coração ainda mais dolorido. É difícil enfrentar a realidade de ser menos, quando se pensou, ser mais. Pelo mestre, acreditou que conseguiria dar a própria vida. Mas, como todos os outros, o negou.

Naquela noite, sentindo um peso no peito frente ao futuro que nada o acenava. Ele disse, ‘vou pescar’. Os outros discípulos que estavam na praia juntaram-se a ele. Afinal, eram homens do mar, antes de andar com o mestre. E como também não sabiam como recomeçar, fazer o que se sabe podia ajudar a encontrar de volta o caminho.

Eles pescaram a noite toda. Nenhum peixe apanha. Exaustos e com fome, retornam à praia ao amanhecer, ainda mais confusos... vazios...

Mas, o mestre Jesus estava na praia. Contudo, os sentimentos confusos, ansiedade quanto ao futuro, a fome presente, o cansaço de lutar e nada ter, roubaram deles ver o que tanto precisavam. Eles não o reconheceram.

Mas, Jesus estava na praia naquele amanhã, em que a esperança, parecia uma fumaça a se perder no tempo.

Não se esqueça.

Naquela manhã, Jesus estava na praia.

Psiu... vou repetir:

Naquela manhã, Jesus estava na praia.

Roseli de Araújo

Escritora e Psicologa

(texto baseado em João 21)

sexta-feira, março 31, 2023

 Da cozinha da minha casa, avisto o canteiro ainda sem semente a germinar, e ele, me parece cova, a lembrar o fim da jornada.

A terra que o compõe, por um instante me parece impassível e orgulhosa, a me contar que é chão para os que caminham e fundamento para casas que se levantam, que é vaso para todas as plantas, abrigo para os animais, fronteiras para as águas dos rios e mares, sustento para o trabalho que alimenta a vida.

Fico maravilhada e desnorteada ao mesmo tempo, diante da potente terra.

Sei que ela, suga o suor do meu rosto e me anuncia seu triunfo, quando se desfizer do meu corpo.

Confesso que por alguns instantes, o silêncio da esperança assombra, até que a Vida a mim sussurra, ‘o meu corpo se tornará sustento, fundamento, beleza e limite, servindo a gerações futuras’.

E naquele dia quando meu redentor me fizer ressuscitar, verei que a esmagadora morte, apenas e tão somente, foi instrumento, a servir a todos os seus propósitos, nesta vida que, hoje, me pareceu tão frágil. 

Roseli de Araújo

Escritora e Psicóloga

terça-feira, março 28, 2023

 

Sobre a mesa uma roseira amarela. Seu aspecto muxo e escuro, revela uma flor sem vigor.

Aproximo. Descubro que o caule rente ao botão está em processo moribundo a anunciar a morte na bela flor que despontou.

Do outro lado da mesma roseira um botão pendido, toco na tentativa de salvá-lo, mas o caule rente ao botão se vergou impedindo que a seiva corra.

Fiquei a contemplar duas flores interrompidas em seu curso.

Até que meu olhar se deteve sobre um botão viçoso com folhas novas e vi que lá a morte não apagou a beleza da vida que estava presente.

E percebi que assim eu sou.

Trago um corpo que adoece e se dobra ao tempo. Mas, também um Espírito a me soprar a vida, não me deixando murchar e nem perder a cor.

segunda-feira, março 20, 2023

 


Ela queria...

Ela queria apenas uns poucos minutos sem o celular na mesa. Desejava papear, olhar nos olhos e rir do simples, juntos.

Ela queria apenas uns poucos minutos... Não entendia quando e porquê sua presença deixou de ocupar um lugar em sua vida. E passou a sentir saudade de um tempo encantado, onde um dia estiveram juntos.

 Ah.... Como ela queria...

Ah... Como ela queria aqueles poucos minutos sentados à mesa! Na tentativa de tê-los, reclamou. Mas, ele continuava a mirrar e a conversar com as pessoas de outros lugares...

E os dias foram passando. Ela foi ficando tão só na mesa que deixou de acreditar que os dias passados, com ele, voltaria.

Então... mais dias se passaram, ela se esqueceu que ele, estava assentado ao redor da mesa.

Afinal, quem resiste a força de muitos dias?

Roseli de Araújo

Escritora e psicóloga

 


 

A felicidade é um estado de reflexo de um rio calmo que o coração deseja encontrar.

Por este rio, os nossos braços se desgastam. Ah... Como queremos alcançá-la!

Porém, descubro que a felicidade é estrada para aqueles que aprenderam a não partir sozinhos. A estes, que buscaram companheiros de viagem e cujos corações se encontraram num mesmo propósito, o mapa desta geografia tão desejada, foi entregue.

Pois a alegria é fonte certa, onde estiver dois ou três reunidos, no reino do Pai que em Cristo nos amou primeiro.

quarta-feira, outubro 12, 2022

O silêncio que assombra


Eu me sento, mas não tranquilamente. Percebo nos sons que me rondam uma opressão. Sobre ou dentro do peito? Não sei bem.

Carros lá fora, geladeira a tinir um ruído constante, pássaros cantando do outro lado da casa, uma mosca zumbindo a perturbar, a moto passando, um caminhão a frear...

Dentro de mim a urgência, ainda que eu não tenha compromisso com hora marcada.

Pensamentos vem... há tanta coisa a fazer e o relógio parece correr sem preocupar-se em deixar-me para trás.

Ao lado, o telefone, portão amado e cúmplice das minhas fugas, a me convidar ao vasto mundo que entro através dele. Digo não!

Quero ouvir o barulho que só se escuta no silêncio, e abraçar a calma que posso encontrar no Espírito que habita em mim.

Volto para dentro. Encontro agora o coração mais livre da pressa que o instiga a fazer, fazer e fazer, a se confortar, no momento do agora.

E me lembro das palavras de Jesus, ‘observai os pássaros, observai os lírios’, e me dou conta que a vida não é hoje, a vida é agora.

Li pela manhã um post que diz que o professor se cala durante a prova, e está é minha sensação diante das ansiedades que me sobrecarregam. Como o silêncio de Deus parece assombroso, penso.

 Mas, sei que Deus vai abaixando seu tom até o silêncio diante de mim, como alguém com calma, vai falando cada vez mais baixo diante de quem grita.

Neste instante, sei que preciso mais uma vez ponderar a partir do silêncio que fala mais do que 10 mil palavras. Deixar a consciência se tornar mais consciente. E provar do jugo suave e do fardo leve daquele que habita em mim.

segunda-feira, novembro 30, 2020

Série Vendo Jesus em Marcos – O que te move hoje?

 


Marcos 2: 1-12

Após uma viagem de mais de 10 horas de carro, ainda que confortável, quando chego em casa tudo o que desejo é ter privacidade para descansar. Jesus, porém, mais famoso que Denzel Washington (meu ator preferido), após uma viagem longa a pé, sob o sol escaldante da sua terra, vê sua casa cheia como uma oportunidade para cumprir o propósito da sua vida. Sem privacidade e  tampouco descanso, eu iria reclamar. Jesus os recebe na sala de sua casa e prega a Palavra.

Casa lotada, como a maioria dos ônibus nas capitais do Brasil no horário de pico, pessoas ocupam todos os lugares quando alguns homens chegam com um paralítico. Vendo que não tinham a menor chance de entrar, sobem ao telhado buscando encontrar o ponto onde Jesus estava e removem a cobertura e baixam o paralítico. 

Jesus ouvindo o barulho no telhado ergue os olhos e vê, junto com a luz, não apenas a entrada de um homem baixado em uma maca pelo esforço daqueles homens. Ele viu o que estava dentro do coração - a motivação.

Muita coisa poderia ter movido aqueles homens para levar aquele paralítico ao telhado. A necessidade de aprovação dos colegas, o desejo de serem conhecido como “cabra macho”, o medo do paralítico ficar chateado com eles, a necessidade de aventura-adrenalina. E tantas outras...

Mas, aqueles homens foram movidos por uma fé.

A fé que nasce do desejo de levar ao outro a oportunidade de encontrar a cura. A fé que crer que na presença de Jesus há esperança para os feridos. A fé que busca benefício para o outro apesar das dificuldades impostas pela multidão. Fé que transforma um telhado em um caminho de possibilidades.

A fé daqueles homens era diferente da fé que somos ensinados hoje. A fé deles não buscava em Deus resposta para seus problemas pessoais. A fé deles não era insistente em benção para se acumular e ser exibida para que outros vejam como somos “honrados por Deus”. A fé deles só desejava a cura para o amigo.  Não era a fé que decreta a realização de milagres para benefício próprio. Era a fé que se alegra que o outro tenha a oportunidade da sua maca ser transformada em troféu.

Jesus viu a fé deles.

E qual é a fé que te move hoje?

Jesus ver.

Não é mesmo assombroso?



Roseli de Araújo

Escritora e Psicóloga

 

 

segunda-feira, novembro 16, 2020

Série vendo Jesus em Marcos – A compaixão que rouba agendas

 



Ele era apenas mais um leproso. Como ele, existia muitos vivendo as margens das cidades, proibidos do contato com outras pessoas.  Abandonados sem nenhum direito à cuidados, viviam isolados do conforto do toque, do cafuné, dos abraços apertados e da doçura do beijo.

A religião propagava que a benção de Deus não estava com quem tem lepra. Eles eram pecadores sem perdão. Humanos de segunda categoria. Gente como os pedófilos nas cadeias, que só sobrevivem isolados.

 Vistos como seres amaldiçoados por Deus, eram temidos como a pior peste. Ter lepra era mais isolador do que ter covid-19.

Mas, o leproso de Marcos 1:40 ao ouvir falar de Jesus, tem acesa em seu coração a fé e a esperança de dias melhores. Tal sentimento quando surge dá força. Levando o leproso a ficar à espreita, à margem da estrada na expectativa de ver Jesus. Ao avistá-lo, eu o imagino lutando por alguns instantes com os monstros do isolamento e da rejeição cravados em sua alma, porém, a fé que nasceu o movimenta.

Jesus o vê se achegando. Ele não se move do lugar. O leproso chega tão perto que ao estender a mão, Jesus o toca. Os discípulos que estão ao seu lado levam a mão na cabeça, “como o leproso ousa a se aproximar e como Jesus se atreve a tocá-lo?” A lei não permite tocar leprosos. O silêncio do assombro os toma.

Mas, Jesus está comovido pela compaixão. Algo no jeito deste leproso mexe com seu coração. Ele diz a este leproso, ‘Eu quero curá-lo’, e o cura.

Agora, vendo Jesus em Marcos eu fico desconfortável... A compaixão de Jesus é diferente... Não é um discurso distante do doente, não é apenas o desejo de ajudar, não é a fala bonita daquele que diz, “se um dia eu ganhar na mega sena, vou construir um orfanato ou asilo”. A compaixão de Jesus é ação - mão estendida.  

 A compaixão de Jesus também não o permite deixar a necessidade do leproso para o outro dia. Não diz: “quando eu puder” ou “quando eu me aposentar”, ou, “quando eu me formar” ou...

A compaixão de Jesus explode as muralhas culturais e religiosas construídas ao longo de milhares de anos, permitindo ao leproso a entrada na cidade, no templo, em casa.

A compaixão de Jesus não busca os holofotes da fama. Ele entende bem o perigo da publicidade. Sabe que a mesma propaganda que o torna conhecido, pode se tornar impedimento para cumprir sua agenda. Diante disso, avisa o leproso para não o anunciar. O leproso curado não consegue obedecê-lo. Sai a dizer, “Jesus me curou”.

Como Jesus previu, sua desobediência prejudica sua agenda.  Mesmo sabendo disso, Jesus não deixa de curá-lo. Não fica a reclamar por não entrar nas cidades.

E a compaixão que o fez perder sua agenda, dá a Ele uma nova. E mesmo em lugares desabitados, Jesus, atraiu para si pessoas de todas as partes. Elas vão ao seu encontro desejando serem tocadas por aquelas mãos que não temeu tocar um leproso.

O mundo segue cheio de leprosos. Mas, carece da compaixão de Jesus que vê mais o doente do que a doença, que toca quem está na solidão a margem da estrada e se dispõe a perder agenda para abençoar.

Vendo Jesus em Marcos, eu me vejo com muito pouca compaixão-ação. Sinto vergonha deste Jesus de mão estendida. Então, clamo, “Jesus me dá desta sua compaixão”. 

E você?

Roseli de Araújo

Escritora e Psicóloga clínica.