terça-feira, janeiro 09, 2018

O doente e a doença


Um vídeo no youtube me despertou para a realidade de que um diagnóstico pode ser fatal.
Pense comigo, se em algum momento a doença se torna um instrumento para despertar a atenção de alguém, e isto provoca um sentimento de amparo, segurança, de ser visto, a pessoa pode, ainda que inconscientemente passar a viver em torno da sua doença, para manter o que está recebendo. Chamamos isto de ganho secundário.



Quando uma pessoa posta vídeo para contar como venceu a doença é certo que ajuda outras pessoas, mas se apenas quer fazer conhecido seu estado de sofrimento, para assim receber atenção, temo por sua saúde mental.
Quando Jesus se encontra com aquele paralítico a 38 anos, Ele pergunta: Você quer ser curado? Sua pergunta me intrigou por muitos anos, contudo, compreendi que ela traz a revelação de uma das possibilidades sombrias do coração humano. Podemos nos conformar com as nossas situações ao ponto de não querer ajuda, de construir nossa história em torno do que nos faz tão mal e nos rouba a saúde, porquê assim, ganhamos a companhia e atenção de alguém por algum tempo. Como aquele doente que encontramos no semáforo que nos mostra a perna machucada e propomos ajudá-lo na busca de tratamento, mas ele se recusa e ainda fica bravo, porquê fez da sua doença o seu ganha pão.
No vídeo que assisti, uma moça bela diagnosticada com a tag-transtorno de ansiedade generalizada, me pareceu estar tão confortável em postar vídeos sobre sua doença, os quais são visualizados por milhares pessoas, que tive a sensação de que a atenção recebida a mantém vivendo em torno do seu diagnóstico. O que desejo, sinceramente, ser apenas uma impressão.

Mas, é sempre perigoso os rótulos. Por isto, cuidado ao receber diagnósticos, ou a se diagnosticar. Remédios, venenos, produtos de limpeza e outros precisam de identificação em seus frascos. O humano necessita, dentre outras coisas, de informações para vencer suas dificuldades.

sexta-feira, janeiro 05, 2018

Pérolas do consultório: A vida é maior que os sonhos

Ela chegou de cabeça erguida. Seus olhos estavam fixos em algum lugar do presente, e foram suas palavras que me fizeram saber o estado da sua alma.
"Doutora, não cheguei onde queria, mas preciso chegar em algum lugar. Tenho medo do abandono dos sonhos, mas estou fazendo o que entendo ser importante para manter a vida..." E assim nossa sessão prosseguiu.
 Seu rosto mostrava a serenidade da alma que aceitou as limitações, ao mesmo tempo em que viu suas possibilidades. E depois de tantos anos na corda bamba entre o querer e o possível, encontrou o lugar da realidade.
Estar no presente não é apenas prestar atenção no momento de agora, é também, viver como que se têm. É descobrir no possível a construção sólida pra vida que precisa ser mantida, sem perder o rumo porque o sonho não se realizou. 
A  vida é mais do que qualquer sonho.
E ainda que o querer não se construa, nesta vida onde não se controla o rumo dos ventos, é preciso perceber que o possível, é a regra para manter o bem mais precioso que temos, a vida.

Eu sai daquela sessão compreendendo o que eu já achava saber.


Ubatuba, junho de 2015

quarta-feira, janeiro 03, 2018

Ansiedade, quem não sente?

Nestas próximas quartas feiras estarei falando sobre o tema Ansiedade. Foi o mais votado em minha enquete realizada com meus amigos do blog. Espero que estes estudos possam trazer algum alívio para suas vidas, e seus queridos. 

Ansiedade é sem dúvida nenhuma um dos grandes males do nosso tempo. Afinal, viver deixou de ser uma aventura gostosa do ser, e se tornou um frenesi do ter. Temos que ter mais conhecimento, mais dinheiro, mais títulos, mais beleza, mais viagens, mais carros, mais telefones, mais e mais...
Ter é o que move nossa sociedade capitalista. E o ser nem é considerado se não têm o que está sociedade declarou preciso.
Para atender a todas estas demandas ficamos em um estado de tensão e alerta o tempo todo. Dormir até deixou de ser uma coisa natural, afinal, a mente não consegue descansar diante de tanta coisa a fazer para se ter.
 E o ansioso é aquele que vive no futuro. Sua mente está pré - ocupada. Ele traz para si o que é do manhã, e como o manhã não chegou, ele sofre tantas vezes com situações que talvez nunca venham a ocorrer. O ansioso vive com medo do não vivido. 
É comum as pessoas darem a si mesmas o diagnóstico de ansiosas. São tantas as coisas, as tarefas, as exigências... Que a ansiedade pode ser mesmo um grande mal a nos habitar. Mas, antes de mais nada, é uma reação natural do organismo, nos colocando em movimento diante da vida.  
Porém, já ouviu falar que tudo demais faz mal? Esta regra vale para ansiedade. E uma vez submetidos a um estado de alerta e tensão constante, em vez de nos levar a algum lugar, ela nos paralisa diante da vida, produzindo grande sofrimento psíquico.
E a pergunta que temos que responder é: A ansiedade esta me adoecendo ou a ansiedade que sinto é uma ansiedade normal?
Não é um pergunta fácil de responder, contudo ao falar sobre os transtornos de ansiedade, espero que você consiga compreender o que acontece com você. E se precisar de ajuda não deixe de buscar um profissional.
Semana que vem eu irei falar sobre o transtorno de ansiedade generalizada e, espero você.

domingo, dezembro 31, 2017

Dica 3 para a passagem do anos

Último dia de 2017.
A Jesus, o Caminho, toda gratidão, ainda que descubra caminho fácil, difícil como nunca. 
E deixo ai minha dica:

Não se perca. 
Ouve o que diz o autor de Hebreus: 
"Olhai firmemente para Jesus". 
(Hebreus 12:2)

Feliz 2018.








sábado, dezembro 30, 2017

Dica 2 para a passagem do ano

Uma paciente, me disse: "O que acontece comigo? As pessoas dizem que eu sou inteligente, mas, eu não me sinto. Passei em um concurso público, contudo, não me livro da sensação interna  de ser um fracasso".
Não é estranho que alguém que tenha alcançado algo tão difícil e almejado em nosso país, uma vaga em um emprego federal, bem remunerado, acredite que não é inteligente?
Sim. É possível. São as cadeias internas trazidas. Mais difícil de vencer do que passar em um concurso cuja vagas são poucas, e a concorrência é desleal.
Contudo, embora a sensação sempre a dominou, ela não desistiu de tentar. Estudou por anos, e chegou onde queria. 
Na medida em que seguiu seu tratamento, ela se deu conta que era maior do que a sensação que trazia. E a sensação de fracasso, perdeu sua força de opressão sobre a sua alegria. E esta é a dica número 2:
Não desista de lutar. A luta pelos objetivos vai confrontar as cadeias internas que trazemos. E ainda que elas insistam, a realidade da força que trazemos, vai se impor. Creia. 

sexta-feira, dezembro 29, 2017

Dica 1 para a passagem do ano


Final de 2017.
Minha mãe, saindo de uma sala de exame, vira para a enfermeira e diz: " Como eu não tenho jeito de entrar o 2018 com pé esquerdo, feliz 2018 pra você, e se Deus quiser, como a mim, que você entre com o seu pé direito".
A enfermeira, não resistiu, e sorrindo disse: "Que bom que a senhora não perdeu o bom humor".
Coisas de minha mãe.
Fiquei pensando, eis ai uma dica para se ter um ano novo mais feliz:
Ria das amputações que a vida traz. Se deixe viver a alegria do que ficou, ainda que seja só o pé esquerdo. Não deixe a falta lhe tirar o bom humor. Afinal, Deus pode fazer, o entrar de pé direito sempre, uma possibilidade.
Minha mãe assim que saiu do hospital, após a amputação da perna esquerda, em 2013. Cara de sono, mas bem humorada. Nunca me esquecerei da forma como lidou bem com a sua nova imagem. A Jesus, toda glória.





quinta-feira, dezembro 28, 2017

A estrada do não querer guarda sucessos?


"Navegar é preciso. Viver não é preciso". A possível história desta frase, me fascina.
Conta-se que o general romano Pompeu, tinha a missão de levar suprimentos para a cidade de Roma, a qual, vivia uma crise de suprimentos, provocada por uma rebelião de escravos. Porém, encontrou tripulantes com medo, afinal, navegar nos mares era perigoso por falta de tecnologia e pelos aterrorizantes piratas. E, ficar na Silícia poderia ser confortável, assim, fugiria dos perigos da viagem. Com o intuito de motivá-los, o general proferiu esta frase. Muito tempo depois, Fernando Pessoa, ao desejar ter a consciência imprimida em si mesmo desta sentença, a tornou muito conhecida. 
Mas, navegar era para o general o que tinha que ser feito. E,  tendo como dever o suprir uma cidade, viu em sua tarefa o porto, inseguro, mas único.
Dizem que o general desta história teve tanto sucesso em sua empreitada que se tornou um cônsul, título importante para um cidadão romano. E, querido das camadas populares, fez parte do primeiro grupo que governou todo o território romano.
Ao fazer o que Roma precisava, em um mar cheio de perigos, navegou pela estrada do não querer. E ensinou que navegar é tantas vezes, cruzar mares de outras vontades.
Nem sempre é um caminho confortável fazer o que é preciso. Por vezes, nossas bússolas internas estão quebradas pelo egoísmo dos nossas vontades. Enntretanto, se diante do necessário, optamos pelo confortável, é possível que a gente mate de fome uma cidade, e morra, depois, pela culpa de não ter feito o que deveria.
Se viver é uma estrada de surpresas inexatas, e navegar pode ser o vislumbrar da escuridão que cobre a noite em uma tempestade em alto mar, não tenha dúvida, decida navegar.
Quem sabe fazendo o que é devido, você encontre a vida com presentes inimagináveis. E se descubra um verdadeiro herói, reconhecido pelo bem que fez, não só a si mesmo.
Navegar hoje é preciso.
A viagem do dever é incerta, porém, quem disse que o confortável é o que sustenta a vida?
E se desta realidade não tem certeza, de uma coisa não tenha dúvida, hoje, necessário se faz, consertar a sua bússola.


segunda-feira, dezembro 25, 2017

Uma pequena carta ao aniversariante

Cristo Jesus,

É seu aniversário, mas quem ganhou o presente que dá sentido a todos os outros, fui eu. Em seu amor tão concreto, satisfez a justiça de Deus, pagando na cruz todos os meus pecados. Obrigada.

Por tantas vezes, minha alma farta dos caminhos santos não trilhados, de viver o que não deveria, encontra em ti, não só o arrependimento, mas, a certeza do perdão, que traz a alma ao descanso tão necessário. Obrigada. 

Com o coração lavado e leve da culpa do pecado, meus pés se calçam com o evangelho da paz, e vou ao mundo, do jeito que a mim for possível, dizer que só em ti, meu Jesus, a salvação encontrei. E quando minha jornada terminar, sei que por sua graça, contigo, eu irei estar. Obrigada.

A ti Jesus, todos os louvores é devido. Parabéns é muito pouco para o Deus que se fez menino.







quinta-feira, dezembro 21, 2017

Máquina de lavar roupa conversa com a vida



A máquina tem um peso certo para poder funcionar bem.
Coloque um peso a mais que ela suporta, e você a verá batendo mais devagar. 
Se por outro lado, colocar o peso mais de um lado do que o outro, vai perceber que baterá descompensada. E não se assuste ao encontrar a máquina fora do lugar, antes colocado. E sabemos o fim da história, a máquina se quebrará.
Agora, deixa eu te avisar: Se você insistir em carregar peso maior do que suporta, vai acontecer com você o mesmo que acontece com a máquina.
Comece a tentar resolver todos os problemas da família e ficará tão sobrecarregado que vai sentir a alma pesada. Seus passos ficaram lentos. Por que alma pesada, corpo cansado. Corpo cansado, vida vivida, sem alegria que traz descanso.
Se o tempo todo carrega mais o peso de algo que tem que ser dividido meio a meio, é só uma questão de tempo, ficará como a máquina a bater descompensada. Sairá do lugar que deveria ficar.
Fora do lugar, resta a agitação da alma e do corpo, a sofrer com os pesos que não foram bem repartidos. E sua coluna poderá se curvar em afronta ao que a alma não pode concordar.
E saiba, sua alma se quebrará ao viver com aqueles cujo leme é: "Tô nem ai". 
Não se assuste se for acusado de ser intrometido, afinal, quem pega o peso do outro, sai do lugar que deveria ficar, como as máquinas.
Desista enquanto ainda tem tempo.
Se até as máquinas tem um peso, um jeito certo de colocar a roupa,  quanto mais nós humanos, temos que saber quanto peso carregar e quanto peso a repartir.
Nada de ser 10 ou 11, é preciso ser gente como se é. Respeite a força que tem, e assim guardará seu coração dos cansaços de viver o que não cabe em si. 

terça-feira, dezembro 19, 2017

Passou...


Hoje foi para o Senhor a dona Isa Eli , mãe da minha querida Janine. Ela viveu 87 anos. Que alegria. Crendo e confiando nas boas novas.
E pensando nisto escrevi este texto, com o coração comovido, pela certeza de que para ela, tudo passou.



Passou...
O inverno da alma.
As dores não compreendidas.
O medo de sofrer em uma cama de hospital.

Passou...
A inquietação insistente.
A solidão dos dias que não já mais habitam.
Todas as incertezas do caminho.

Passou...
As lágrimas choradas em silêncio.
O medo do desconhecido.
O não conhecer, como sou conhecida.

Passou...
As guerras travadas com o reino do mal.
O bom combate.
O desejo de ver quem me comprou com o seu próprio sangue.

Passou...
A escravidão do tempo.
O corpo que perecia.
O já e o ainda não da vida recebida. 

Passou... Descansou!

Venceu o mar revolto de mãos dadas com Jesus, e agora, chega a terra que não abriga dores.













segunda-feira, dezembro 18, 2017

Seja como for vá

Mais um dia começa.
Sê valente.
Deixe a pressa do click da janela do computador. É preciso acolher as pequenas alegrias, são elas que nos dão forças para nossas maiores conquistas. 
Diga a sua alma que o mal que se apresenta todo dia, não pode roubar sua fé. Ela já se tornou chão, ainda que seus pés estejam feridos.
E se as lágrimas sufocam o peito. Não resista. Deixe que elas corram livremente. Quem sabe a alma lavada, não ache mais lugar para a tristeza.
Contudo, jamais pare. Segue valente. 
Vá lento. 
Vá com calma. 
Vá de olho no bem que está sobre você.

sábado, dezembro 16, 2017

Tem hora certa para seguir o fluxo do rio

"Se a gente não aceitar a gente desaba", disse seu Leonel, um querido senhor que conheci,  ao perder sua esposa. 
Acredito que se a morte é a pauta discutida, não me parece ter outro caminho, se queremos dela recuperar. 
O que me inquieta não é a morte. Ela se impõe soberana. Mas, aquelas situações trazidas pela vida, a exigir todas as forças que temos para solucionar. Aquelas que seguir lutando é preciso, porque tememos que desistir nos traga uma dor que não saberemos lidar. 
Como saber o momento de parar, sentar, contemplar e aceitar simplesmente o fluxo do rio?
Aceitar a vida como ela é me parece tarefa contra cultura. Somos ensinados que viver exige luta, conquista e empreendedorismo.
Contudo, saber a resposta para esta pergunta é encontrar a sabedoria tão necessária, pois dela depende o descanso da nossa alma, o qual, torna a vida sustentável.
Aprendi que desistir é diferente de aceitar. 
Desistir é não tentar mais, depois de um tempo de luta, em que ainda temos armas e possibilidades para vencer. 
Aceitar é compreender que as armas em punho não foram suficientes, e as forças se esvaíram. É perceber o limite do cansaço que nos arrasta para o precipício do desespero, nos levando ao  abismo do desequilíbrio. É render-se as portas revestidas de muros que se ergueram, impedindo toda e qualquer possibilidade de serem abertas. 
Desistir pode ser fácil, mas aceitar é tarefa árdua quando se lutou com tanto afinco. 
Roberto Carlos e Eramos já disse que "é preciso saber viver". E como lição que não se pode pular, aceitar faz parte deste saber.
Lembro-me da amputação que minha mãe teve sofrer na perna esquerda. Por cinco anos lutamos, fizemos tudo o que era possível. E a cada tentativa uma derrota, até que o médico decidiu amputar. 
Eu estava extremamente cansada de lidar com o convênio, das idas e vindas aos hospitais, do esforço para manter o remédio, de ver seu sofrimento sem trégua. Contudo, teria lutado mais se fosse considerar o desejo da minha alma. Mas, era hora de parar. A tristeza me tomou por dias, mas provei do descanso para o coração ferido, ao aceitar as soluções que a vida trouxe. 
O tempo passou. 
Hoje, vendo minha mãe sem dores, embora sem parte da perna, sou grata por ter aceitado o fluxo do rio.
Aprendi que é hora de parar quando já se fez tudo que podia. Quando anos de lutas já sinalizaram o cansaço dos nãos.
É preciso deixar o fluxo do rio a correr, quando, toda tentativa possível, frustrada foi em seu intento.
Gosto de pensar que Deus só nos cobrará aquilo que está em nossas mãos para fazer. A Moisés era erguer o cajado, abrir o mar vermelho só Ele podia. 
Porém, tantas vezes queremos abrir os mares da nossa vida com a força dos nossos "cajados". Não tem jeito. Se Ele não quiser abrir, e a "gente não aceitar, é certo, a gente desaba". 
Seu Leonel tinha toda razão.



quinta-feira, dezembro 14, 2017

O Deus que entende o cansaço dos homens





A 38 anos aquele homem era massacrado pela realidade de não andar. Quando sofremos por tanto tempo, um coro de pessimismo pode nascer dentro da gente. 


Eu penso que ele ouvia que era um fracassado, que a vida é uma realidade sem graça e sem justiça, que a felicidade é para o outro que consegue chegar ao tanque de Betesda sem precisar da bondade humana. 



Certamente, fora quase convencido de que estava fadado a miséria, digo quase, porque acredito que sua permanência ali por tanto tempo, revela sua esperança, ainda que estivesse por um fio, que um dia, quem sabe, fosse curado.

Jesus quando viu o paralítico deitado e soube que vivia naquele estado durante tanto tempo, pergunta se deseja ser curado. Sua indagação, traz a tona o coração deste homem, e sua resposta nos diz que o tempo pode minar as esperanças, roubar projetos e o não crer, pode ser acolhido. 
Mas, eu penso, que a maior revelação do seu coração, é a sua crença de que só havia um caminho para ser curado. E mesmo diante de Jesus, ficou a lamentar o que não conseguia obter. Não considerava que estava diante daquele que poderia lhe dar novas possibilidades.

É mesmo difícil para nós humanos. Somos limitados. E podemos ficar impotentes diante de situações que ferem o corpo e a alma. E feridos, é possível não raciocinar com clareza, e assim deixar de considerar que pode ter soluções em outros caminhos. Por tantas vezes a realidade pode ser uma madrasta má, a nos dizer que não tem outro jeito. 
E ficamos como este homem na presença de Jesus a lamentar o que precisamos e não conseguimos ter. Afinal, é mesmo sofrido conviver com a dor por tanto tempo. 



Porém, o Senhor sabe do cansaço que o tempo impõe a nossa alma. Da tristeza instalada. Do sonho se esvaindo...


E Jesus chega com uma pergunta que me soa num primeiro momento, como frase de livro de auto ajuda, mas, na verdade é um garimpar da alma, para que a cura dele não fosse só no corpo. 
'Você deseja ser curado', é uma oportunidade para perceber o Caminho está diante dele. Era preciso pensar em novos trajetos, e Jesus sabe que a multidão das vozes internas pode fazer calar a visão de novas oportunidades. 
A guerra travada do lado dentro, nos leva a crença de que somos destinados a tragédia, que a vida é um palhaço a divertir outros, que talvez sejamos loucos, e os sonhos são bobagens das crianças.
Pense. É mesmo triste estar tão perto da cura e não poder desfrutar dela, e aquele homem estava ali a 38 anos.
Acho que entendo este homem, principalmente quando penso no acesso a saúde no Brasil, portador de uma medicina tão avançada, mas só disponível aos ricos. Quantas vezes, nós e pessoas que amamos, perdem a oportunidade de experimentar o milagre da cura, por não ter os recursos necessários.
Mas, aquele homem estava diante daquele que é o Caminho. Jesus não o repreende por sua resposta, não parece impaciente, não critica, apenas lhe diz para levantar e andar. E assim, o homem ficou curado. 
Que coisa extraordinária. O Deus que não quebra a cana já quebrada. O Deus que entende o cansaço dos homens. O Deus que pergunta para apontar Ele como o caminho. 
E diante dele uma coisa é certa. Ele tem o poder de restaurar corpo e alma, silenciando o coro interno do pessimismo, fazendo nascer um cântico de alegria no coração ferido.
Sim. Ele pode fazer qualquer coisa. E seja qual for sua situação, saiba que estar diante dele é estar diante de possibilidades, nunca  antes pensada. 
Creia.