quarta-feira, agosto 28, 2019

As consequências do orgulho na vida da igreja - Frio? Quente? Mornos? Apocalipse 3:14-22




Quando Jesus diz para os membros da igreja de Laodicéia que conheciam suas obras mornas e lamentou eles não serem nem frio e nem quente, compreenderam bem suas palavras.
Fundada no ano de 250 A. C., a próspera cidade de Laodicéia situada na Ásia Menor não possuía abastecimento próprio de água. Eles captavam as águas frias das montanhas de Colossos e as termais de Hierápolis, portanto, quando as águas chegavam em Laodicéia estavam mornas.1
                Fria e quente era apontamento para algo positivo. Águas frias de Colossos eram refrescantes e as quentes de Hierápolis, curativas. No contexto, parece que a sugestão era que a igreja não produzia nenhum dos benefícios dessas águas.
O que fazia os laodicenses não produzirem nada que fosse positivo era a crença de suas riquezas serem suficientes para toda manutenção de suas vidas. Apoiando-se no que possuíam ao invés do no quem (Jesus), eles haviam esquecido das suas palavras. Isto produziu um mal-estar em Jesus ao ponto de afirmar no início da carta que estava prestes à de vomitá-los. Cabe salientar, ter sido a autossuficiência e não suas riquezas o cerne do problema dos laodicenses. E sem dúvida, este é o maior perigo que corre os seguidores de Cristo.
A autossuficiência os encastelaram – enclausuraram dentro das quatros paredes do sofisma que suas riquezas eram suficientes. Tão fechados estavam nessa crença, que não ouviam o bater insistente de Jesus.  Voltados para eles mesmos, passaram a enxergar apenas a condição que tinham.
Se alimentada, a autossuficiência, por qual motivo for - talentos, recursos, números financeiros ou de membros – a igreja de Cristo passa a viver de forma morna a vida fervorosa que em Cristo3 foram chamados a viver.
Porém, Jesus havia dito aos discípulos que sem Ele nada poderiam fazer2, e uma vez enxertados nele, a videira verdadeira, eles, seus ramos, produziriam os seus frutos – afinal, estariam alimentados por sua seiva – natureza - DNA.
Contudo, cegos pela autossuficiência os laodicenses acreditaram que davam conta da vida sem Jesus. Todavia, a história nos relata que a única coisa que os laodicenses fizeram com sua autossuficiência foi acumular suas riquezas para si.
Eles ficaram tão pobres de Jesus que perderam a maior capacidade Dele: A de servir os seres humanos. Deixando de enxergar os outros, tornaram-se incapazes de abençoar como Ele abençoou.
Entretanto, ao final da carta, Jesus disse que estava a bater na porta da igreja de Laodicéia. Seu mal-estar não o levou a desistir deles, antes, a insistir que prestassem atenção no que estavam crendo.
Que o mesmo aconteça com as nossas vidas, se a autossuficiência quiser dominar nosso coração. Que Ele insista. Que você e eu, possamos ouvir o seu bater na porta.
Roseli de Araújo
Escritora e psicóloga clínica
 Referência:
2. Evangelho de João 15:5;         
3. Romanos 12:11.

quarta-feira, agosto 21, 2019

As consequências do orgulho na vida da igreja - Reflexão em Apocalipse 3:14-22


E ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.
Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Eles acreditavam que podiam fazer qualquer coisa. O dinheiro era a sua proteção. Diziam: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”1. Tão seguros sentiam-se na riqueza acumulada que viviam na expectativa que o futuro - esse sujeito incerto - só traria o sucesso.
Moradores da rica cidade de Laodicéia estavam cercados de bancos, da indústria têxtil e de uma boa medicina oftalmológica. Também, recebiam povos de todos os lados por ser rota comercial, e novidades não lhes faltavam.
É seguro afirmar que enxergou novas culturas – jeitos diferentes de pensar, e, produtos lançados em primeira mão.
Todavia, não só vislumbraram cultura nova, como também a absolveram. Parece-me que eles se tornaram capitalista de alma, ao crer que a riqueza da vida consiste nos bens que possuíam.
O problema de ser capitalista de alma é que eles perdiam de vista o tesouro que haviam recebido. Eram seguidores declarados do evangelho, entretanto, negavam a realidade do único tesouro que pode ocupar o coração dos discípulos: as boas novas - O evangelho – o Cristo.
Jesus se mostra indignado. Tenta chamar atenção da igreja. Bate na porta, mas eles não o ouvem. Então, fala a João na ilha de Patmos para escrever ao líder da igreja de Laodicéia. Quem sabe com uma carta em mãos, os laodicenses atentassem ao som insistente das mãos de Jesus ao bater na porta.
Soa estranho pensar em Jesus do lado de fora da igreja. Mas, é assim que Ele se apresenta aos laodicenses.
Creio que o bater na porta é a insistência de Jesus em falar com seu povo por meio da palavra.
E sem ouvir o Jesus que fala através da sua palavra, a igreja perdeu a capacidade de enxergar a si mesma. Que tragédia. Criam possuir tudo, enquanto estavam diante do Senhor da Vida de forma miserável, pobre, cega e nua.
Diante da realidade dos laodicenses me pergunto: Como será que Jesus nos vê? Qual é o diagnóstico que Ele faz de mim e de você?
Semana que vem continuamos nossa reflexão. Até lá.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
1Apocalipse 3:17

quarta-feira, agosto 14, 2019

A importância do pai na saúde emocional - O desafio do encontro do pai que ficou em nós



Este é o último texto desta série. Confesso que foi desafiador escrever sobre um tema que parece simples, porém, é polêmico e suscita muitas dores.
Na clínica, todos os dias, vejo o quanto o pai afeta a vida emocional. Porém, é difícil levar os pacientes a reconhecerem a quanto do pai ficou neles e a profundidade das marcas trazidas por essa relação.
Contudo, quando nos dispomos a cavar onde está a raiz dos nossos medos e dificuldades de lidar com a vida, iremos vislumbrar o  pai que ficou em nós.
Isto exige coragem. Porém, a jornada para termos emoções sadias passa também pelo caminho do desejo profundo de viver, sendo preciso amar a vida recebida para tentar fazer dela a melhor.
Também, é importante considerar nossas questões biológicas, neurológicas e socioculturais que podem ser barreiras nesta busca. Somos seres complexos. Alguém tem dúvida disso?
Contudo, a arrogância e o medo impedem a busca por emoções sadias.
Arrogância reside no fato de crermos que devemos conseguir sozinhos. Onde isso nasceu em nós que fomos criados para viver em sociedade e de outros precisamos desde o nosso nascimento? Essa altivez que trazemos, impede a busca por ajuda, levando-nos a caminhos onde nossas dores se multiplicam.
O medo mora na ideia de que não podemos nos expor, afinal, o que outro vai pensar de nós? Agarrados a uma imagem mentirosa sobre quem somos nos convencemos que a mentira é verdade, passando a viver encapsulados em tantos conceitos sobre nós mesmos, que nem ousamos mais questioná-los.
De forma estranha, aprendemos a amar a falsa segurança que essa mentira nos traz. Contudo, a alma sente o peso do contraditório que carregamos, então adoece.  E cada vez mais é difícil encontrar pessoas saudáveis emocionalmente.
Revisitar nossa história e encontrar o nosso pai, não importando quem ele tenha sido ou a distância que manteve de nós, pode ser um caminho de cura.
 É na verdade que novos olhares para vida podem nascer. E novos olhares sobre qualquer assunto pode nos fazer encontrar novos caminhos.
Que possamos desejar que olhares nasçam.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, agosto 07, 2019

A importância do pai na saúde emocional - O Pai e a identidade sexual




A estruturação da sexualidade se inicia com o nascimento, tendo na adolescência o seu ápice. Portanto, para formação da nossa identidade sexual necessitamos da figura paterna e materna como em qualquer outro aspecto do nosso desenvolvimento1.
Nesta fase, a presença afetiva dos pais é indispensável, pois sua ausência poderá dificultar a resolução da sexualidade, podendo produzir ansiedade e angustia.
Dr. Jose Outeiral nos diz que “somos produto e criação de nossos pais – uma mulher e um homem2. Logo, fará parte da nossa constituição aspectos femininos e masculinos.
Para a psicanálise, entre os seis e três anos de idade, em sua fase fálica, a criança terá que enfrentar como parte do seu desenvolvimento o complexo de Édipo, onde desenvolverá interesse pelo progenitor do sexo oposto e uma rivalidade com o do mesmo.
E o pai, além de servir de modelo do masculino, ajudará a criança a elaborar a perda da relação inicial com a mãe, conduzindo – a para a realidade de outras relações3.
Portanto, a figura paterna é fundamental no desenvolvimento da sexualidade, sendo necessário combatermos qualquer desvalorização da sua presença na criação dos filhos.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
Referência:
1. Benczik,Edyleine Bellini Peroni. Artigo A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Rev. psicopedag. vol.28 no.85 São Paulo  2011;
2. Outeiral, José. Adolescer.Editora Revinter Ltda. 3ª edição.2008;
3. Santos, DhianeGouvea e Bueno, Georgia F. Tavares. A branca de neve, o processo psicoterápico como ferramenta de integração do ego.

quarta-feira, junho 12, 2019

Dia dos Namorados


Nos encantamos com a beleza que o amor nos fez, no Outro, enxergar.
E o olhar que se fez brilhou intensamente a iluminar um  novo caminho, onde nós dois pudessem andar. 
Agora, de mãos dadas seguimos, tendo a vida para compartilhar.
Que o Amor siga sempre a nos iluminar. 

Feliz dia dos namorados a todos os amigos do blog.

quarta-feira, maio 29, 2019

A importância do pai na saúde emocional – O Pai e a escolha profissional



Existem pessoas que vão para o mundo do trabalho, mas não dão continuidade por acreditar que são incompetentes. Normalmente, essas pessoas sentem que são uma farsa e temem serem descobertas. Outras pessoas são habilidosas e ao entrar no mercado de trabalho logo se dão bem, porém, ao imaginar que poderá ser demitida, pedem demissão antes que aconteça. Outras pessoas são reconhecidas competentes, elogiadas, porém, não crêem no valor do seu trabalho e passam a viver a angustia de não se sentirem adequadas, vivendo muito aquém do que poderiam realizar.
Viver com a sensação de ser incompetente, uma farsa, não ter inteligência o suficiente para realizar uma determinada tarefa, é uma experiência emocional dolorosa, capaz de levar a pessoa a viver uma história de frustração constante na vida profissional.
Normalmente quando investigamos suas vidas, descobrimos que o pai o qual conviveram não foi capaz de lhe ajudar a estruturar a confiança em si mesmo.  Faltou o olhar, a palavra de afirmação, o abraço do estou aqui, os aplausos de quem estava feliz ao ver o progresso. Esses pais podem ter ficado ausente por alguma condição que a vida impôs. Ou presentes, porém, indisponíveis para o relacionamento. Sendo frios, indiferentes, autoritários e sem afetividade.
Para a criança o pai não tem que ser perfeito, tem apenas que ser capaz de dar atenção e de se interessar pelo que ela faz. Mas, quando ele não está disponível, vai faltar-lhe suporte para enfrentar o mundo.
Eu sempre quis escrever, aos 11 anos, meu pai, soube que eu rabiscava meu primeiro romance. Lembro do seu olhar de indiferença e das suas palavras ao me dizer para não perder tempo escrevendo, pois só gente inteligente escrevia livros. Quando tentei meu primeiro concurso público, repetiu novamente que só gente inteligente conseguia passar, e quando lhe falei do meu desejo de ser psicóloga e minha tentativa de vestibular, novamente repetiu seu discurso.
Suas palavras por anos foi cova a sufocar os meus sonhos profissionais. Tentei escrever algumas vezes ao longo do caminho, mas os meus escritos eram por mim sempre abandonados. Por muitos anos carreguei uma ideia fixa de que não seria profissionalmente bem-sucedida e vivi a angustia de ser reconhecida capaz sem me sentir capaz.
Recuperei meus sonhos profissionais só depois de muitos anos fazendo psicoterapia, e fiz a tão sonhada psicologia. No final do curso, fui estimulada por uma professora (a qual eu admirava) a resgatar o sonho de escrever. E quando peguei meu diploma de psicóloga, tão feliz fiquei que prometi a mim mesma que me daria a alegria de ver um livro publicado.
Tive a alegria de escrever já dois livros, o ser crente e ser humano e o preço da perfeição. Atualmente preparo as crônicas da academia. Tenho na escrita e na psicologia as minhas grandes paixões. Porém, muitas vezes me pego olhando para trás e me pergunto: Quantos livros eu teria escrito se não fosse aquelas palavras? Não sei!!! Contudo, agradeço a Deus por ainda ter tempo de escrever livros.
De uma coisa não tenho dúvida, o propósito da existência, passa pelo desenvolvimento das nossas capacidades e a realização dos nossos sonhos. E viver sem acreditar que somos aptos é como entrar numa estrada vazia onde nos revestimos do deixar de ser.
O pai disponível, não o pai perfeito, é tudo que uma criança necessita para enfrentar o mundo.
Roseli de Araújo
Psicóloga clinica




quarta-feira, maio 22, 2019

A importância do pai na saúde emocional – O pai e a realidade



Este é o meu filho Arlen com o seu pai Eliack (in memoriam)

Aos seis meses de vida, enxergamos e ouvimos tão bem como os adultos, e é nesse momento que a presença de estranhos pode trazer angustia 1.
Se o pai já estiver inserido nos cuidados do bebê, tanto quanto a mãe, este terá mais condições de reconhecê-lo como uma pessoa distinta, logo, o contato com outros estranhos ocorrerá de forma mais tranquila.
Corneau 2 nos diz que a presença do pai por si só vai ajudar a criança internalizar a realidade que ela não é o único ser no mundo a receber atenção e amor de sua mãe. Dessa forma, o pai, proporciona a aprendizagem do princípio de realidade e de organização no sistema familiar.
Em minha experiência clínica, um dos grandes problemas que posso perceber em meus pacientes adultos é a falta de uma leitura clara da realidade que o cerca. Normalmente estão dominados pela fantasia, o que os tornam suscetíveis a escolhas erradas no decorrer da vida.
De acordo com a psicanálise, a fantasia é sempre uma construção feita a partir da realidade do sujeito, cujo objetivo é a satisfação do seu desejo 3.
A fantasia é um recurso importante na infância, quando a criança ainda não tem condição para compreender a realidade. Todavia, no decorrer do desenvolvimento humano torna-se necessário que a fantasia seja cada vez mais substituída pela realidade.
Enquanto somos crianças, são os adultos que nos ensinam os limites entre a fantasia e a realidade. Por exemplo, se quisermos colocar um dedo na tomada, nos proíbem, dando-nos o limite para que não venhamos nos machucar.
Na vida adulta é esperado que saibamos o que podemos ou não fazer com os nossos desejos e vontades, contudo, se a fantasia domina em algum aspecto, ela não nos permitirá ver a realidade, logo, não conseguiremos fazer escolhas sensatas, o que poderá trazer muito prejuízo ao longo da vida.
Se o pai esteve presente desde a mais tenra idade de forma afetiva, iremos desenvolver a tão importante afirmação de quem somos, a capacidade de descobrir o mundo e nos proteger. Com esses recursos internos teremos mais chances de tomar decisões acertadas em relação a qual profissão iremos exercer e a quem escolher para compartilhar a vida 4.
Sobre isso falaremos no próximo estudo. 
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

Referências:
2. Corneau, Guy. Pai ausente filho carente. Editora brasiliense.
4. Artigo: O pai presente: o desvelar da paternidade em uma família contemporânea.


quarta-feira, maio 15, 2019

A Importância do Pai na Saúde Emocional – O Pai é quem nos prepara para o mundo



No ventre da mãe somos tecidos. E a trama de nossa existência segue demandando infinitos cuidados até alcançarmos a nossa independência, seja ela física ou emocional.
Sendo a mãe quem gesta, dar à luz e amamenta o bebê, o vínculo entre eles parece ocorrer naturalmente. Porém, o que faz o vínculo entre mãe e filho se estruturar é o tempo que a mãe se desdobra para atender as necessidades do bebê. Normalmente, é ela quem gasta e se desgasta neste cuidado integral do recém-nascido.
Sabemos que houve mudanças, e hoje, o pai se envolve mais com o nascimento dos filhos. Entretanto, ainda prevalece a ideia do pai como figura secundária no cuidado direto com o recém-nascido, sendo muitas vezes desmotivado pela mulher, família, e pasmem, até por profissionais da área da saúde.
Esta ideia de que o homem nada tem a acrescentar ao bebê em seus primeiros meses de vida, pode fazer com que o vínculo pai – filho ocorra de forma de mais lenta, gradual. Entretanto, quando o pai se envolve com os cuidados do bebê, tais como: trocas de fraldas, banhos e mimos, o bebê aprende a reconhecê-lo. Em contrapartida, o pai, ao ser reconhecido pelo filho, poderá ter mais motivação para desenvolver com ele uma relação mais próxima, mais íntima e mais afetiva.
No sistema familiar, a mãe é sempre a figura da casa, do confortável, do acolhimento, e ao nascer o bebê se vê um com ela. Todavia quando o pai se faz presente, proporciona a criança a oportunidade de conhecer um mundo maior do que o estabelecido entre ela e sua mãe. Quanto mais contato entre pai e filho, mais a criança se organiza do ponto de vista psíquico para interagir com a realidade de que o mundo é muito maior do que o percebido. Assim, a mãe nos mantém em casa, em família, enquanto o pai nos leva para fora, para o social.
Na relação próxima e afetiva com o pai, o recém-nascido tem mais possibilidade de adquirir confiança em si mesmo, permitindo que a transição da casa para o mundo ocorra com menos conflitos internos. Pois, ao sentir-se seguro, terá mais capacidade de explorar o mundo a sua volta e de lidar com outras pessoas. Assim começa o seu preparo para a vida em sociedade.
Também, é na relação com o pai que seremos capacitados a lidar com a realidade, o que nos ajudará fazer as escolhas que nos serão exigidas ao longo da vida.
Mas, falaremos sobre isso na próxima quarta.
Aguardo você.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica e escritora
Referência:

1.   1. Benezik, Eduleine Belline Peroni. Revista Psiopedagogia. Artigo A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Paginas 67 a 75. 2011;
2      2. Siva, Air Vieira da. Artigo O papel do pai na sociedade contemporânea.pg.57-66;
3      3.  Matos, Mariana Gouvêa de Matos; Magalhães, Andrea Seixas; Carneiro, Terezinha Féres; Machado, Rebeca Nonat. Artigo Construindo o vínculo pai-bebê: A experiência dos pais.pg.261-271.
4      4. Gomes, Aguinaldo José da Silva; Resende, Vera da Rocha. Artigo O pai presente: O desvelar da paternidade em uma família contemporânea.pg.119-125.
5      5. Corneau, Guy. Pai ausente filho carente. editora brasiliense
9. Corneau, Guy. Pai ausente filho carente. Editora brasiliense.
10. Artigo: O pai presente: o desvelar da paternidade em uma família contemporânea.




quarta-feira, maio 08, 2019

A importância do Pai na saúde emocional




Brincalhona, ela chegou sorridente. Nem mesmo um olhar atento poderia supor a dor que estava preste a compartilhar em meu consultório.
Confesso. Em muitos momentos no decorrer da sessão tive que lembrar o meu lugar de psicoterapeuta, tão sórdidos eram os detalhes da sua história. Seu relato me parecia pior do que um filme de terror, deixando-me com um terrível mal-estar com a espécie humana.
Em uma cultura onde a mãe é responsável pela educação dos filhos, logo, culpada por seus descaminhos, somos tantas vezes propensos a imaginar que a relação com o pai não produz muitas consequências na vida de uma pessoa, tanto quanto a relação com a mãe. Entretanto, isso não é verdade.
Este bebê é o meu filho Arlen com o seu querido papai Eliack.
Do ponto de vista psicológico, a criança necessita da figura paterna e materna. Eles são nossas primeiras referências. A partir deles nossa personalidade é estruturada e nossa visão de mundo moldada.  E, na jornada chamada vida as importantes escolhas que iremos fazer está intrinsecamente ligada as nossas relações com eles.
Por muitos anos, o pai foi uma figura central da história familiar. Na cultura patriarcal, a mulher e a criança estavam sob sua autoridade e domínio. Em suas mãos estava o poder financeiro e a responsabilidade pela manutenção da família. A função paterna era de educar e disciplinar. As regras eram rígidas. Porém, a interação pai e filho guardava uma distância, principalmente nos primeiros anos de vida, pois à mãe cabia o cuidado.
Na sociedade ocidental, após a segunda guerra, com as mulheres indo para o mundo do trabalho, o pai teve que se envolver mais com o cuidado da criança e a mãe passou a ter a responsabilidade de ajudar na manutenção. O que mudou a configuração familiar.
Contudo, tais mudanças não foram capazes de diminuir o “vazio instalado na rede de relações afetivas”1, o que é fácil de perceber na clínica psicológica. O Pai, figura tão importante quanto a mãe, parece ter perdido o seu lugar no sistema familiar. O que tem gerado muitos prejuízos na criança que repercutirão na sua vida adulta.
Por essa razão, escrevo sobre este tema. Meu objetivo é ajudar na compreensão da importância do Pai em nossa formação.
Sei que para muitos não será fácil revisitar a própria história. É preciso coragem! Todavia, o conhecimento desta verdade poderá trazer compreensão de quem somos e das escolhas que fazemos, o que poderá nos levar a novos caminhos. Acredite!
Aguardo você.
Roseli de Araújo
Psicóloga

Referência:
1.    Benezik, E. B. P.A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Revista Psicopedagogia.2011


quarta-feira, maio 01, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus



“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam”....Mateus 7:7-12
Na arte do fazer para o outro, a sociedade não se desenvolveu com a mesma velocidade da tecnologia. Pois o humano sempre desejou ser visto, reconhecido, elogiado, servido, compreendido, perdoado, amado, mais do que esteve disponível a fazer pelo próximo.
Quando somos crianças, necessitamos de um adulto que nos dê atenção para nos alimentar, aconchegar e dar segurança. Porém, na medida em que crescemos, a expectativa é de sermos cada vez mais independentes e prontos para fazer e não receber.
Porém, de forma surpreendente é possível ver adultos a reclamar um olhar, um abraço, segurança. Muitos vivem a cobrar seus pais, filhos, amigos como se eles ainda fossem tão pequenos, fragilizados e desprovidos. Desenvolveram-se do ponto de vista físico, mas agem como bebês. Tantas vezes diante da frustração dão birra como crianças a reclamar o bico.
Na clinica, vemos o adulto crescer saudável emocionalmente, quando não tem ninguém para culpar. Quando abandona a ideia de que alguém lhe deve algo, passando assumir a responsabilidade pela sua própria história.
Ao fazer tal malabarismo emocional, o adulto começa a compreender o quanto é difícil ser humano. Aprende que os pais não são os heróis do cinema, que as pessoas decepcionam e a injustiça está presente. Compreende as dores paralisantes vividas por essas realidades e percebem o quanto elas foram capazes de roubar a sua capacidade (até aquele momento) de fazer da vida uma poesia bonita. Sem poesia a embelezar, a alma se esvazia de ternura, gerando ainda mais dor, angustia e tragédia. Então nasce a vítima que fará nascer o culpado, e o culpado que irá perpetuar a vítima.
Eu creio que neste ensino, Jesus, com sua lógica objetiva e profunda resume numa frase o que é capaz de quebrar esse ciclo de vítima-culpado, dando ao humano um caminho possível para crescer emocionalmente de forma saudável.
Imagine. No trânsito, se todos nós fizermos aos outros o que esperamos que eles nos façam, teríamos o mais educado trânsito do mundo. Em casa, as brigas cessariam, viveríamos a paz tão almejada. No trabalho e na academia não haveria competição, mas cooperação. Na igreja, ninguém se sentiria discriminado, mas amado. Na cidade, iríamos poder sair a pé com os celulares nas mãos, a qualquer hora. Não haveria fome e sede, os ricos dividiriam seus bens. Certamente, em um mundo onde os adultos emocionais reinassem as necessidades de todos (a sua e a minha) seriam supridas.
Que as nossas mãos sejam para o serviço
Agora, voltando para a realidade, o que torna o ensino de Jesus um grande desafio é o fato de vivermos o imperfeito. O egoísmo domina o humano. A criança prevalece na alma dos adultos.
Não tenho dúvida que Jesus era um adulto - adulto emocionalmente, pois só estes podem enxergar as pessoas para servi-las. Do ponto de vista psicológico só iremos fazer para os outros o que desejamos que eles nos façam, na medida em que formos capazes de abandonar as necessidades infantis que muitos de nós carregamos.
Todavia, na fase adulta, eu e você, temos a responsabilidade de fazer o melhor com o que recebemos no decorrer da vida. Isto é, se desejamos ser adultos saudáveis emocionalmente.
Jesus propõe um caminho nada fácil. Estreito. O qual acredito que vale a pena trilhar, e você?
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, abril 24, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus





Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são, pois, o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los”.
                                                                                                             Lucas 9:55





Todos nascemos com um propósito e devemos persegui-lo porquê a saúde emocional passa pela possibilidade de viver em sua direção.
Enquanto estamos nessa jornada chamada vida, é essencial sabermos quais são as nossas capacidades e sonhos. Sem este autoconhecimento, a sensação psicológica será de não ter direção, sentido, norte. Ficaremos como barcos a deriva. O que poderá nos mergulhar num vazio existencial ou a viver em um tédio constante.
Nos últimos três anos da sua vida, Jesus percorreu cidades usando seus dons de ensinar, curar e fazer milagres para ajudar os homens. Mesmo não sendo compreendido pelos seus discípulos e sabendo que seria entregue a morte pelos religiosos de Jerusalém, não desistiu do seu propósito de salvá-los.
Isaías, um profeta que viveu 700 anos antes da sua vinda, ao fazer uma profecia sobre sua vida, diz que Jesus tudo suportou por causa da alegria prometida1.
Para Jesus houve um preço para cumprir seu alvo. Para nós, não será diferente. Todavia, a alegria aguarda aquele que descobrir e viver para o que foi chamado.
Eu penso que os dons recebidos e os sonhos realizados nos permitem compor a grande orquestra que produz a bela música da Vida. Cada um em seu tom e com seu instrumento, pode provar da tão falada qualidade de vida ao viver para o que foi chamado.
Para isso, é fundamental reconhecer nossas capacidades e desenvolvê-las. Perseguir nossos sonhos para realizá-los. Nunca desistir se houver um caminho, uma possibilidade, uma esperança. Sempre nos perguntando se que o temos promove a alegria dos próximos. Pois nesta vida, todo bom propósito tem a ver com as relações humanas.

Roseli de Araújo

Referência:
1. Livro de Isaías 53:11


quarta-feira, abril 17, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus – Como perdoar os Judas?




Descubro pelas minhas experiências e ao ouvir pessoas todos os dias, que perdoar os Judas de casa é mais difícil do que perdoar os inimigos de fora.
Por isso, fico impressionada com Jesus.
Ele provou das duas situações. Foi entregue para ser crucificado por inimigos externos e foi traído por Judas, aquele a quem havia chamado para compor seu grupo de apóstolo e com ele andou por três anos. No entanto, ambos, foram por ele perdoados.
Pergunto-me: como Jesus aguentou Judas sorrindo para ele como todos os outros ao redor da sua mesa, sabendo que enquanto comiam, ele tramava o melhor momento para entregá-lo? Como não reagiu com raiva quando foi entregue com um beijo por Judas?
Há que se ter muita saúde emocional para conviver com aqueles que irão nos trair sem nenhum motivo que justifique suas ações; ou, suportar pessoas que são capazes de nos usar para chegar em algum lugar, e depois conspirar para de lá nos tirar; ou, manter os falsos amigos na mesa de nossa casa sem querer desmascará-los.
Olhando para Jesus e tentando compreender seu movimento psicológico, vejo que tinha plena convicção de quem era e do propósito de sua vida.  Ele não dependeu do pensamento das pessoas ou de suas ações para manter seu objetivo. Era misteriosamente livre da necessidade de ser reconhecido pelos homens.
Para a psicologia esse comportamento exige uma grande inteligência emocional. E, essa inteligência está presente somente nas pessoas que tem uma estima bem construída a respeito de si mesmo, que sabe quem é e qual o lugar que ocupa na vida. Aquele que aprendeu a respeitar o outro, que pensa diferente de si mesmo, por estar firme em seus próprios princípios. Que necessita do olhar do outro, mas não carece ser por ele o tempo todo confirmado. Que é capaz de reconhecer no humano seu valor e servi-lo independente das suas atitudes.
Nele, podemos ver o caminho para o perdão.
É preciso perguntar o que nos leva a ter tanta dificuldade para perdoar os Judas de casa que sempre existirão. Quem somos? Qual é o propósito da nossa vida? Porque dependemos tanto do que as pessoas pensam e fazem conosco? Porque perdemos tempo remoendo mágoas? Porque precisamos o tempo todo da aprovação dos seres humanos?
Sei que não há resposta fácil para nenhuma das perguntas acima. Mas, precisamos decidir o que vamos fazer da vida que recebemos nesta terra, afinal, ela tem prazo de validade.
O que tenho certeza é que não vale a pena gastá-la regando a mágoa, e, deve ser muito bom experimentar um pouco da saúde emocional de Jesus. Mas, para isso é preciso obedecer a sua ordem de perdoar 70x7, ou seja, sempre.