sábado, dezembro 16, 2017

Tem hora certa para seguir o fluxo do rio

"Se a gente não aceitar a gente desaba", disse seu Leonel, um querido senhor que conheci,  ao perder sua esposa. 
Acredito que se a morte é a pauta discutida, não me parece ter outro caminho, se queremos dela recuperar. 
O que me inquieta não é a morte. Ela se impõe soberana. Mas, aquelas situações trazidas pela vida, a exigir todas as forças que temos para solucionar. Aquelas que seguir lutando é preciso, porque tememos que desistir nos traga uma dor que não saberemos lidar. 
Como saber o momento de parar, sentar, contemplar e aceitar simplesmente o fluxo do rio?
Aceitar a vida como ela é me parece tarefa contra cultura. Somos ensinados que viver exige luta, conquista e empreendedorismo.
Contudo, saber a resposta para esta pergunta é encontrar a sabedoria tão necessária, pois dela depende o descanso da nossa alma, o qual, torna a vida sustentável.
Aprendi que desistir é diferente de aceitar
Desistir é não tentar mais, depois de um tempo de luta, em que ainda temos armas e possibilidades para vencer. 
Aceitar é compreender que as armas em punho não foram suficientes, e as forças se esvaíram. É perceber o limite do cansaço que nos arrasta para o precipício do desespero, nos levando ao  abismo do desequilíbrio. É render-se as portas revestidas de muros que se ergueram, impedindo toda e qualquer possibilidade de serem abertas. 
Desistir pode ser fácil, mas aceitar é tarefa árdua quando se lutou com tanto afinco. 
Roberto Carlos e Eramos já disse que "é preciso saber viver". E como lição que não se pode pular, aceitar faz parte deste saber.
Lembro-me da amputação que minha mãe teve sofrer na perna esquerda. Por cinco anos lutamos, fizemos tudo o que era possível. E a cada tentativa uma derrota, até que o médico decidiu amputar. 
Eu estava extremamente cansada de lidar com o convênio, das idas e vindas aos hospitais, do esforço para manter o remédio, de ver seu sofrimento sem trégua. Contudo, teria lutado mais se fosse considerar o desejo da minha alma. Mas, era hora de parar. A tristeza me tomou por dias, mas provei do descanso para o coração ferido, ao aceitar as soluções que a vida trouxe. 
O tempo passou. 
Hoje, vendo minha mãe sem dores, embora sem parte da perna, sou grata por ter aceitado o fluxo do rio.
Aprendi que é hora de parar quando já se fez tudo que podia. Quando anos de lutas já sinalizaram o cansaço dos nãos.
É preciso deixar o fluxo do rio a correr, quando, toda tentativa possível, frustrada foi em seu intento.
Gosto de pensar que Deus só nos cobrará aquilo que está em nossas mãos para fazer. A Moisés era erguer o cajado, abrir o mar vermelho só Ele podia. 
Porém, tantas vezes queremos abrir os mares da nossa vida com a força dos nossos "cajados". Não tem jeito. Se Ele não quiser abrir, e a "gente não aceitar, é certo, a gente desaba". 
Seu Leonel tinha toda razão.



quinta-feira, dezembro 14, 2017

O Deus que entende o cansaço dos homens





A 38 anos aquele homem era massacrado pela realidade de não andar. Quando sofremos por tanto tempo, um coro de pessimismo pode nascer dentro da gente. 


Eu penso que ele ouvia que era um fracassado, que a vida é uma realidade sem graça e sem justiça, que a felicidade é para o outro que consegue chegar ao tanque de Betesda sem precisar da bondade humana. 



Certamente, fora quase convencido de que estava fadado a miséria, digo quase, porque acredito que sua permanência ali por tanto tempo, revela sua esperança, ainda que estivesse por um fio, que um dia, quem sabe, fosse curado.

Jesus quando viu o paralítico deitado e soube que vivia naquele estado durante tanto tempo, pergunta se deseja ser curado. Sua indagação, traz a tona o coração deste homem, e sua resposta nos diz que o tempo pode minar as esperanças, roubar projetos e o não crer, pode ser acolhido. 
Mas, eu penso, que a maior revelação do seu coração, é a sua crença de que só havia um caminho para ser curado. E mesmo diante de Jesus, ficou a lamentar o que não conseguia obter. Não considerava que estava diante daquele que poderia lhe dar novas possibilidades.

É mesmo difícil para nós humanos. Somos limitados. E podemos ficar impotentes diante de situações que ferem o corpo e a alma. E feridos, é possível não raciocinar com clareza, e assim deixar de considerar que pode ter soluções em outros caminhos. Por tantas vezes a realidade pode ser uma madrasta má, a nos dizer que não tem outro jeito. 
E ficamos como este homem na presença de Jesus a lamentar o que precisamos e não conseguimos ter. Afinal, é mesmo sofrido conviver com a dor por tanto tempo. 



Porém, o Senhor sabe do cansaço que o tempo impõe a nossa alma. Da tristeza instalada. Do sonho se esvaindo...


E Jesus chega com uma pergunta que me soa num primeiro momento, como frase de livro de auto ajuda, mas, na verdade é um garimpar da alma, para que a cura dele não fosse só no corpo. 
'Você deseja ser curado', é uma oportunidade para perceber o Caminho está diante dele. Era preciso pensar em novos trajetos, e Jesus sabe que a multidão das vozes internas pode fazer calar a visão de novas oportunidades. 
A guerra travada do lado dentro, nos leva a crença de que somos destinados a tragédia, que a vida é um palhaço a divertir outros, que talvez sejamos loucos, e os sonhos são bobagens das crianças.
Pense. É mesmo triste estar tão perto da cura e não poder desfrutar dela, e aquele homem estava ali a 38 anos.
Acho que entendo este homem, principalmente quando penso no acesso a saúde no Brasil, portador de uma medicina tão avançada, mas só disponível aos ricos. Quantas vezes, nós e pessoas que amamos, perdem a oportunidade de experimentar o milagre da cura, por não ter os recursos necessários.
Mas, aquele homem estava diante daquele que é o Caminho. Jesus não o repreende por sua resposta, não parece impaciente, não critica, apenas lhe diz para levantar e andar. E assim, o homem ficou curado. 
Que coisa extraordinária. O Deus que não quebra a cana já quebrada. O Deus que entende o cansaço dos homens. O Deus que pergunta para apontar Ele como o caminho. 
E diante dele uma coisa é certa. Ele tem o poder de restaurar corpo e alma, silenciando o coro interno do pessimismo, fazendo nascer um cântico de alegria no coração ferido.
Sim. Ele pode fazer qualquer coisa. E seja qual for sua situação, saiba que estar diante dele é estar diante de possibilidades, nunca  antes pensada. 
Creia.




segunda-feira, dezembro 11, 2017

O Deus que se entrega?

                        Quem pode entender o Deus que se entrega?

Ele havia curado pessoas, ressuscitado a filha de Jairo, o filho único da viúva de Naim e a Lázaro depois de quatro dias da sua morte.
Porém, não usou o seu poder nem para livrar seu corpo das chibatadas. Ele em silêncio levando sua cruz, foi sem ter culpa nenhuma.
E os discípulos estavam confusos. Eles ouviram falar da crucificação, leram sobre ela, mas, não puderam compreender, e pensaram que Jesus jamais se entregaria a morte. A expectativa é que usaria todo o seu poder para libertar Israel do domínio romano. Mas, Ele se entrega.
Como alguém que ressuscita mortos se submete a morte? Afinal, com o seu poder poderia secar os mares, inundar desertos, pintar o universo de cores nunca antes vista. Ele poderia fazer bonecos de barro e dar vida a eles. Poderia fazer o que quisesse, mas, se entrega.
É mesmo confuso compreender o Deus que não se poupa. Ainda mais quando nós o conhecemos. Quando provamos o seu poder em nossa própria vida, ou quando o vimos usar o seu poder com outros.
Sabemos que Ele curou aquele irmão que testemunhou na igreja. Que salvou aquele que ninguém podia imaginar que tinha alguma possibilidade. Que fez o milagre da solidariedade, e dispôs o coração de alguém para suprir as necessidades de outro. Mas, Ele por alguma razão que não compreendemos, se entregou.
Num momento não esperado Ele nos cura de um doença que não sabíamos ter, em outro, oramos fervorosamente, mas Ele insiste em nos deixar doentes. Num momento, nos dá o que não esperamos, em outro, nos mantém carentes do que lhe pedimos a anos. Em nossas lutas, nos dá amigos que nos ajudam, mas, permite tantas vezes que os de casa nos tratem como inimigos.
É mesmo confuso o Deus que se entrega. Ele é misterioso em seus caminhos. Não presta continência a ninguém. Não recebe ordens humanas, e tem a sua própria agenda.
Sim, Ele ouve e responde as nossas orações, mas, conforme a sua vontade (IJoão 5:14).
E a nós que não o entendemos, vale a pena considerar sua resposta a João Batista (Mateus 11:1-6). Diante da angústia de estar preso, nosso irmão que anunciou o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, parece duvidar da identidade do messias, ao enviar seus discípulos a perguntar ao próprio Cristo, se Ele era aquele que havia de vir ou se devia esperar outro.
É estranho que o escolhido de Deus para preparar o caminho da chegada de Cristo, aquele que viu o Espírito Santo descer sobre Ele e ouviu a voz do Pai, dizendo: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’ (Mateus 3:13-17), tenha tido dúvida quanto à sua identidade.
 Mas, sendo João humano, não é tão bizarro assim, não é mesmo? Quem pode entender o Deus que não se curva as agendas pessoais?
A verdade é que os seus discípulos, em qualquer tempo, nem sempre o compreende. 
Porém, atraídos por seu amor, sabem que experimentaram do seu maior poder, e aprendem que Ele não negocia sua glória com ninguém.
Boa semana a todos.

Lucas 24:13-27

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Eu sou um fariseu e você?


Creio em absoluto. Não sou pluralista em minha fé. Creio que Jesus Cristo é  o caminho, a verdade e a vida, e só vamos ao Pai, se conduzidos por Ele. 
Contudo, em minha caminhada cristã, vou descobrindo que afirmação do apóstolo Paulo, de que só conhecemos em parte, é uma realidade difícil de ser compreendida.
Sempre li está parábola do fariseu e publicano, pensando que ela nada tinha a ver comigo. Afinal, nós religiosos nem sempre pensamos que somos tão religiosos assim. 
Entretanto, Jesus, sempre desmonta o que pensamos sobre qualquer coisa. Ele é especialista em jogar luz nas trevas dos nossos corações. E  ao contar está parábola "a alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros", descubro que sou assim. (Lucas 18:9-14) 
Sei que é tendência humana tomar posse da verdade. E por defender a verdade, por estar com a razão, vejo que nem sempre sou capaz de ouvir quem pensa diferente de mim. 
Minha tendência é colocar Jesus dentro das minhas perspectivas, ainda que professo ser Ele Deus. E creio assim fazer, porque minha necessidade de segurança e controle, tantas vezes me domina.. 
Dói conviver com mistérios. Exige  humildade o reconhecimento que não sou capaz de compreender ou absorver tudo.
Mas, Ele é mais, muito mais do que podemos ver ou entender sobre Ele. 
E, o problema do Fariseu, de confiar em sua própria justiça, de interpretar que a vida com Deus se reduz ao que ele entende, é uma realidade a qual nos persegue. E nos alcançando, pode nos levar a confiar de tal forma em nossas concepções, que corremos o risco de desprezarmos todos aqueles que não creem e não vivem como nós, da mesma maneira que este fariseu.
Para mim, a questão,  não é ter as ideias, mas como as tratamos. 
O fariseu as consideravam mais importante do que as pessoas, e ter razão, estar com a sua verdade, o levava a desprezá-las.
E, quantas pessoas não ouvimos, não consideramos suas palavras,  não cogitamos sentar com elas por nem um minuto, por julgamos crer e viver de forma mais coerentes do que elas? 
Somos tomados quase sempre, pelo sutil orgulho, que nos dá a sensação de somos melhores dos que os outros que não concordamos. 
Acreditando estar com a  razão,  detentores da verdade, desejamos que os outros se apropriem da verdade como nós o fizemos, do nosso jeito, com as nossas fôrmas.
E, vamos desprezando tanta gente pelo caminho, ficando ilhados no mundo das nossas ideias, como se o mundo fosse só o que os nossos olhos conseguem ver.
 Mas, mesmo sendo um trabalho de parto, aprender a desconfiar da minha própria justiça, eu vou descobrindo que Jesus é mais, muito mais do que posso apreender.



segunda-feira, dezembro 04, 2017

O Fariseu no altar - Lucas 18: 9-14


O Fariseu foi ao templo para orar, e subiu ao altar. Era hora de fazer suas orações. Seu coração estava feliz. Acreditava ter conseguido cumprir com todos os mandamentos da sua religião. 
Mas, no altar, pensando tudo compreender sobre o seu Deus, de olhos abertos ficou a observar quem entrava no templo. E ao ver o Publicano, foi tomado por indignação. Afinal, aquele era ladrão e traia o seu povo. Pensando ser um pecador incorrigível, o desprezou em seu coração.
O Fariseu, era mesmo gente boa. Conseguia ser o que acreditava. Tinha foco. Cumpria seus deveres diante da sociedade de tal forma que despertava admiração por sua disciplina. E o seu zelo para com as coisa religiosas, era reconhecido por todos da sua sinagoga. 


Ele não rouba, não adultera, não é corrupto, e ainda jejua duas vezes por semana, e dá o dízimo de tudo quanto ganha. Ele é mesmo uma pessoa que busca fazer tudo o que acredita estar certo. E ainda parecia agradecer a Deus por conseguir. 
Mas, diz o texto que embora estava no altar, crendo falar com Deus,  tudo o que conseguiu foi falar consigo mesmo. 
E nós sabemos que na verdade, este Fariseu, era agradecido a ele mesmo. Acreditava ser o que era, e conseguir cumprir o que cumpria, por suas próprias forças. Sua religião era mantida pela falsa ideia de que era capaz de agradar a Deus. 
A verdade é que os humanos se impressionam com atitudes corretas, com disciplina, com gente que confia em si mesmo. Mas, o Deus da bíblia se impressiona com gente que bate em seu peito pedido misericórdia, que não ousa subir ao altar e nem seus olhos se ergue em sua presença, por causa da consciência de que é um pecador. 
O Fariseu não compreendia que ser diante de Deus, é diferente de ser diante dos homens. Diante de Deus ninguém é, sem ser lavado pelo sangue vertido na cruz do calvário por Jesus Cristo. Não importa o que fazemos, nada é capaz de satisfazer a justiça de Deus. 
A verdade é que todos nós somos publicanos. Em algum momento ferimos seus mandamentos. Negociamos valores importantes. Quebramos a ética coletiva a nosso favor.

E que bom é saber que para os publicanos arrependidos que clamam por misericórdia, Deus ouve suas orações, e os tornam justos.
Uma bom semana  a todos.

quarta-feira, novembro 29, 2017

O que eu posso fazer para ajudar uma pessoa com depressão?

Oi gente, hoje eu concluo minha séria sobre depressão. 

No texto, deixo aqui dicas práticas (retiradas do blog Sair da Depressão) do que você pode fazer para ajudar as pessoas, as quais, identificou que estão sofrendo ao seu lado com está doença. Gostaria de deixar como sugestão a leitura do blog Sair da Depressão, que trata do tema de uma forma abrangente e prática, tornando a leitura fácil e interessante. Se você está deprimido, ou se convive com pessoa com depressão, vale a pena conferir seus textos.


Segue as orientações para você que está disposto (a) ajudar uma pessoa com depressão:

  1. Aproxime-se da pessoa de forma a apoiar e manifestar a sua preocupação com o seu bem-estar;
  2. Tente transmitir uma sensação de compreensão. Em vez de dizer “Por que você não pode simplesmente sair da cama?” diga por exemplo “Você parece ter dificuldade para sair da cama de manhã. O que posso fazer para ajudá-lo neste aspecto? “;
  3. Mostre preocupação.
    • Estas palavras podem significar muito para uma pessoa que esteja a sentir em baixo: “Você é importante para mim. “ “Diga-me o que posso fazer para ajudá-lo.” “Nós vamos encontrar uma maneira de se sentir melhor. “Um abraço também ajuda;
  4. Esteja lá.
    • A melhor coisa que você pode fazer para ajudar alguém com depressão é estar com a pessoa, dar apoio ou fazer algo em conjunto como passear, fazer compras, ir ao cinema;
  5. Não julgue ou critique. Evite dizer :
    • Está tudo na sua cabeça.
    • Todos nós passamos por momentos como este.
    • Eu não posso fazer nada sobre a sua situação;
  6. Ofereça o seu apoio e ouça as preocupações da pessoa;
  7. Aceite que a depressão é uma questão complexa, que geralmente não é resolvida num par de semanas. Recuperar da depressão leva o seu tempo;
  8. Faça entender que a depressão é comum e tratável. Não é um sinal de fraqueza pessoal;
  9. Encoraje a pessoa com depressão a procurar profissional. A pessoa deprimida pode pensar que o tratamento é inútil e a sua situação não tem solução;
  10. Ofereça-se para procurar um médico ou terapeuta e vá com a pessoa à primeira consulta, é uma grande ajuda para uma pessoa deprimida;
  11. Incentive a pessoa a fazer uma lista completa de sintomas para discutir com o médico;
  12. Dê o seu apoio durante todo o processo de tratamento;
  13. Ajude a pessoa a manter compromissos (como ir a terapia), e a fazer o tratamento prescrito;
  14. Ajude quando e quanto, possível. Quando alguém está com depressão, as pequenas tarefas podem ser complicadas de fazer. Ajude, mas apenas o necessário para você não ficar saturado. 
  15. Caso a pessoa não admita ter a doença ou não crer que algo pode ajudá-la, e você percebe que seu quadro se agrava, marque a consulta com o profissional e insista para que a pessoa vá com você.

Para finalizar, algumas considerações:

Ajudar uma pessoa deprimida, é uma tarefa que exige disposição em compreender, que a depressão é uma doença. Sem este conceito claro em sua mente, pode ser que suas boas intenções, torne pior a situação da pessoa.
Percebo uma grande dificuldade na aceitação deste diagnóstico, porque somos uma sociedade preconceituosa, quando o assunto é transtorno mental. Podemos sofrer ou ver alguém com dor de estômago, câncer, problemas nos olhos, e tantos outros, mas, se alguma doença altera o comportamento, temos dificuldade em lidar. 

É impressionante que a depressão, no contexto de muitas comunidades religiosas, é sinônimo da falta de fé, de fraqueza espiritual, de problemas espirituais. Sou de fé evangélica, e é com tristeza que vejo irmãos, não aceitando o diagnóstico da depressão. 

É triste que em um tempo com tanta informação, o preconceito resista bravamente, e o irmão adoecido, ilhado fica em sua dor, se tornando um forte candidato ao suicídio.
Jesus Cristo disse: "Não julgueis, para não ser julgado"(Mateus 7:1). Sua ordem é atual. É sábia. E uma vez obedecida, nos tornaremos capazes de fazer muito pelas pessoas com depressão. Seremos mãos que acolhem, e não mãos que atirem pedras.
Que Ele nos ajude.


Referências:

Leia mais: http://www.sairdadepressao.com/como-ajudar-uma-pessoa-com-depressao/#ixzz4zjdTsrFa
https://www.vittude.com/blog/12-maneiras-de-ajudar-um-amigo-com-depressao/

segunda-feira, novembro 27, 2017

Tecnologia vilã, mas amada.

Estou escrevendo meu segundo livro. Um pequeno trecho do primeiro capítulo.


.... Para nós criados em cidade grande, é complicado entender que Deus fala na natureza. Estamos cada vez mais cercados por concreto e asfalto. Entretanto, “os céus proclamam a sua glória ”xSl.19:1.
E rodeados pelo cinza, e sem folga por causa do nosso ritmo de vida, a pouca natureza que nos circunda é roubada. É que a práxis urbana - o correr de um lado para outro - sufoca com a falta de tempo.
Na cidade em que moro, ocupada, nem sempre consigo contemplar o céu azul, a noite caindo e trazendo as estrelas. E ainda que tento diariamente molhar as plantas, nem sempre desfruto das flores que nascem nos vasos que insisto em ter no meu quintal cimentado.
A tecnologia, vilã disfarçada da mais bela mocinha, também seduz. Sua maldade é refinada, sutil. Prometendo facilitar a vida, se alia a cidade. O que ela faz? Todos nós sabemos. Suga o tempo cada vez mais escasso.
Abrimos o Facebook, só queremos gastar 10 minutos, coisa rápida, ver os amigos não vistos. Nos assustamos quando, 30 minutos se foram. WhatsApp, só ver uma mensagem, estamos na mesa com a família, com os amigos – era só ver, não resistimos, respondemos. Gasta-se o tempo, o pouco tempo, que se tem com quem está do lado.

E a tecnologia vai nos deixando cada vez mais órfãos... Mesmo assim, nós a amamos, como amamos os atores que representam os mais cativantes vilões.

sexta-feira, novembro 24, 2017

Certa vez, ouvi uma estória de um homem, que estava viajando de carro. De repente o pneu furou. Ele, pensativo sentou no meio fio. Se lembrou que não tinha comprado o macaco do seu carro, que havia sido roubado, dias atrás. Estava a confabular as suas possíveis soluções.
Ficou ali parado, não conseguindo pensar em nenhum caminho fácil para resolver aquela situação. Os carros, passavam em alta velocidade, e pensava ser sempre perigoso precisar de pessoas desconhecidas.
De repente, um veículo parou a sua frente. O motorista do carro, ofereceu ajuda, mas, ele recusou. Achou o homem disposto demais, e com medo, disse que não precisava. O motorista que parou, seguiu adiante. Lá ficou o homem sentado no meio fio.
Uma hora depois, já desconsolado com o sol da manhã queimando sua cabeça, e com as horas de trabalho perdidas, o outro motorista parou, e ofereceu ajuda. Ele aceitou, mas ao saber o motivo de não ter trocado o pneu, sorriu. O homem, ficou indignado. Do que você está rindo? Perguntou. Mas, antes que ele respondesse, negou que precisasse de sua ajuda. E, assim, o motorista que parou, seguiu adiante. Lá ficou sentado o homem no meio fio.
Três horas da tarde. Com fome, suado, cansado, precisando de um banheiro, rogou com toda as suas forças por ajuda. Meia hora depois, outro motorista parou e ofereceu ajuda. Mas, ele recusou. Era um afro descendente. E, embora acreditava não ser racista, pensava, 'é preciso ter muito mais cuidado'. Assim, o motorista que parou, seguiu adiante. E o homem continuou sentado  no meio fio...
Penso, que eu e você, também trazemos nossos medos, o pavor de críticas e, tantas vezes, nossos sutis preconceitos. É possível, que  dominados por estas realidades ( medo, crítica e preconceito), paralisados ficamos diante de um desafio em nossa vida.
Tantas vezes, não aceitamos as respostas que precisamos, por causa das nossas expectativas de como é que as coisas deveriam ser, e perdemos o que é. 
Quem sabe hoje, eu e você, sentados no meio fio da estrada da nossa vida, estamos dizendo não, a todas as respostas para voltarmos a viagem que nos cumpre fazer. "Como o homem que planeja em seu coração o seu caminho", mas esquecidos de que "é o Senhor quem determina os seus passos"(Provérvio 16:9), fica a determinar quais são as soluções possíveis. 
Se assim estamos, é certo que ficaremos cada vez mais adoecidos, e  desconsolados, ao reclamar a ajuda que recebemos, mas, não conseguimos ver.







quarta-feira, novembro 22, 2017

Tratamento para depressão: Terapia medicamentosa

Oi gente, nesta quarta estarei falando sobre a terapia medicamentosa para depressão.

Vale salientar que é um tema controverso. Somos uma geração acostumada com o microonda, controle remoto, celulares e caixas eletrônicos. Geração que vê o mundo, sem sair de casa pelas teclas de um computador conectado na internet. Não é a toa que queremos tudo para ontem. Mas, nem sempre o rápido é o caminho necessário. E tomar remédio, sem prescrição de um bom especialista, pode ser algo perigoso para a saúde.  

O humano passa por seus processos e crises. Alegrias e tristezas. Perdas. Tudo faz parte da vida. Temos que aprender a lidar com elas. Nenhum medicamento vai curar a saudade de um ente querido, ou aliviar a raiva da traição sofrida. É preciso tempo, novos olhares para a vida, nova forma de pensar, novas posturas internas para digerir eventos que marcam nossa história.

Porém, vivemos em uma sociedade que evita a todo o custo, o sofrimento. E o uso de medicamentos, como solução mágica é uma realidade cada vez mais presente em nossas casas. Os antidepressivos, vendidos no mercado, parecem prometer um alívio rápido e total, para uma doença que precisa ser tratada em muitas dimensões. 

Sou psicóloga e nada tenho contra o tratamento medicamentoso, caso este, de fato, ajude quem dele faz uso. A advertência é contra o uso de medicamentos para aliviar as questões, cujas causas são sociais, culturais, emocionais e psicológicas.
A terapia com antidepressivo é indicada como um dos tratamentos mais eficazes para combater a depressão. Estudos mostram eficácia, principalmente aliada a psicoterapia. Contudo, é preciso cuidado. Na depressão leve normalmente não necessita do uso de medicamentos. Na depressão moderada e grave, será necessária a avaliação de um bom psiquiatra para saber qual o melhor tratamento.
Já atendi pacientes que o médico insistiu em manter um medicamento que não estava trazendo nenhum benefício para a pessoa. Meses se passaram. E me pergunto: Se os sintomas de uma doença não foi contido, amenizado, e a doença só evolui, qual a finalidade de manter um medicamento no caso da depressão, se existe tantas outras alternativas?

Saber qual o melhor tratamento é sempre o desafio. Psicoterapia e medicamento, são os mais indicados pelas pesquisas, e o ideal era ter acesso aos dois, para ver a melhor resposta. 

Entretanto, muitas outras terapias podem ajudar, tais como: Meditação, acunputura, fitoterápicos, EMT, e tantas outras

Cabe salientar que a EMT- Estimulação Magnética Transcraniana - técnica não invasiva, com poucos efeitos adversos, é pouco conhecida. Porém, é regulamentada no Brasil, e tem eficácia comprovada. É um tratamento caro, e os planos de saúde não o cobrem, mas, é uma opção. Para quem interessar pelo assunto, deixei nas referências abaixo, links e artigos para pesquisa.


Vivemos dias difíceis. São muitas informações e não sabemos em qual fonte confiar. Existe também inúmeras criticas aos laboratórios. Estudiosos e jornalistas reconhecidos, afirmam que a indústria farmacêutica  manipula o mercado. Médicos são comprados com benefícios para receitaram medicamentos produzidos. E acho prudente o conselho que devemos ter cuidado com estudos publicados por laboratórios. 
Mas, a depressão é uma doença. Precisamos buscar tratamento. Certamente que existem remédios que podem funcionar para alguns.



Semana que vem irei terminar minha série sobre depressão. Com  dicas práticas de como podemos ajudar a pessoa deprimida. Espero por você. Até lá.

Referências:
http://www.sairdadepressao.com/tratamento-da-depressao/
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/Caderno_AF.pdf
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/11/1832841-industria-farmaceutica-age-como-o-crime-organizado-diz-pesquisador.shtml
http://www.psicologiasdobrasil.com.br/estudo-mostra-que-industria-e-psiquiatria-criaram-doencas-e-remedios-que-nao-curam/
http://www.psicologiahailtonyagiu.psc.br/materias/esclarecendo/395-a-psiquiatria-esta-em-crise
Links e artigos para quem quer conhecer sobre a técnica EMT:
https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2015/04/conheca-um-novo-tratamento-para-depressao-quase-sem-efeitos-colaterais-4732432.html
https://jornalggn.com.br/noticia/o-tratamento-da-depressao-por-meio-de-estimulos-eletricos

Artigos científicos:
COELHO, C.L.S. et al. Higher prevalence of major depressive symptoms in Brazilians aged 14 and older. Revista Brasileira de Psiquiatria. v. 35, n. 2, p. 142-43. abr.-jun. 2013.
KRISHNADAS R, CAVANAGH J. Depression: an inflammatory illness? Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry. vol. v. 84, n. 5, p. 495-502. 2012.

segunda-feira, novembro 20, 2017

Sucesso dos fracassos

O sucesso dos fracassos. Fui desafiada a escrever. Mas, como é difícil ver na dor não buscada, algo que faça algum sentido de triunfo. 
Afinal, o que teria para ser visto de bom na dor da descoberta do "amigo", que só se teve, por causa do olhar da inocência que não nos fez prudente? Seria o sucesso deste fracasso, ver os amigos, que são amigos de fato?
O que teria para ser visto de bom no desemprego, a nos tirar a dignidade de uma vida com possibilidades? Seria o sucesso deste fracasso, a nova estrada do nada, que diz os gênios ser o lugar do nascer da criatividade?

O que teria para ser visto de bom em uma batida de carro, que o deixou na oficina por longo tempo, nos fazendo perder o dinheiro investido, nos impondo o não ir? Seria o sucesso deste fracasso o novo, nos velhos caminhos a se destacar? Lojas vistas, pessoas perto, flores, plantas, jardins, calçadas desenhadas. Beleza presente nos caminhos de todo dia?
O que teria de bom no amor que não vingou? Seria o sucesso dos fracassos a chegada de corações antes não conhecidos, trazendo um amor nunca sonhado?

O que teria de bom na saúde que se tornou turista? Seria o sucesso dos fracassos, a pausa ao corpo cansado das férias nunca tiradas? Ou seria, a alma a celebrar o repouso que lhe traz novas janelas abertas,  no sentar sem pressa ao redor da mesa, e no falar e ouvir de sentimentos não nomeados?

Enquanto aceito o desafio de escrever sobre o que eu não compreendo, eu sigo me questionando:
Se o sucesso dos fracassos, é descobrir que o controle é ilusão sem tato? É segurança falsa prometida a seres impotentes e finitos? 
É se vê, sem ver o todo? É se assustar sempre com o novo? É se perceber nada sem o outro?
Duas coisas tenho por certo: 
A primeira: É que a vida é a dona das possibilidades. Do sol ou chuva na manhã seguinte, quem é que sabe?
A segunda: É preciso o olhar da criança, e  não do adulto que acredita não ter mais tempo. É preciso ver além da realidade insossa, e vislumbrar a oportunidade, que o fracasso seja, apenas o recomeço. 
Não sei se conheço o sucesso dos fracassos... Desconfio não ter a criança com este olhar que traz a simplicidade da fé teimosa, que nada precisa ver para crer.
Contudo, vendo o que os olhos só veem, após ser provado pelo fogo, eu abraço o fracasso, certa de que Deus pode o tornar, o meu  maior sucesso.

quarta-feira, novembro 15, 2017

Tratamento para depressão: Psicoterapia


Oi gente, nesta quarta, continuo falando sobre depressão. O tema de hoje: o que é Psicoterapia e como pode ajudar a pessoa deprimida.

Os estudos apontam que a psicoterapia é um dos tratamentos mais eficazes para o combate da depressão. É um método de tratamento de problemas psicológicos e emocionais baseado no conhecimento científico do funcionamento psicológico. 
A partir da abordagem adotada (teoria científica a qual o profissional se baseia para fazer seus atendimentos), o profissional da psicologia vai fazer a leitura de como o paciente se encontra, e elaborar a intervenção.  
Estudos mostram, que independente da abordagem, quando há domínio do psicoterapeuta da sua teoria e um bom relacionamento entre o profissional e o paciente, a psicoterapia pode ser eficaz. E, somente psicólogos credenciados ao conselho de psicologia de sua região podem realizá-la.
A psicoterapia pode promover um novo olhar sobre os problemas. Levando a pessoa a se conhecer melhor e a descobrir outras formas de reagir diante do que está vivendo. Com uma nova forma de ver o mundo, a maneira de se portar diante da vida pode mudar, podendo levar a pessoa ao encontro de caminhos, de volta ao equilíbrio emocional.
As psicoterapias podem variar relativamente à frequência das sessões e duração do tratamento. A frequência é acordada entre paciente e psicoterapeuta, de acordo com as necessidades e condições do paciente. De um modo geral, as sessões são bissemanais, semanais ou quinzenais.

A relação entre paciente e psicoterapeuta não é uma relação de amizade, caso contrário, deixa de ser uma técnica científica implementada por um profissional qualificado, o que compromete a eficácia do tratamento. E só pode ser feita por psicólogos que não fazem parte do seu círculo familiar e de amizade.


Em nenhuma hipótese, a psicoterapia pode ser usada para dar conselhos aos pacientes. As decisões da vida de uma pessoa, só podem ser tomadas por ela. E a psicoterapia pode ser uma forma de ajuda para que o individuo chegue as suas próprias decisões. Psicoterapia eficaz é aquela que desenvolve a autonomia e liberdade. Por isto, o paciente  tem que estar motivado a colaborar com o terapeuta, porque as mudanças da sua vida, só podem ser realizadas por ele.

A psicoterapia pode ser aplicada a uma diversidade de situações clínicas em que se verifique sofrimento emocional e dificuldades de adaptação à vida, tais como: Crises no desenvolvimento, transtornos mentais, luto e divórcio, e outras.
No tratamento da depressão, a psicoterapia pode ajudar a compreender a doença com seus sintomas, e como ela se manifesta na vida do paciente. Também, a identificar os problemas que a causam, ou que a mantém. E o psicoterapeuta ao dar feedback (explicação do que está vendo) ao paciente, pode ajudá-lo a buscar novas formas de lidar com a doença. 
Vale lembrar que a depressão é uma doença que precisa ser tratada levando em consideração a vida do paciente como um todo. O que certamente levará o profissional a indicar a busca de outras abordagens de tratamento.
Na semana que vem vamos falar sobre a terapia farmacológica - remédios usados no combate da depressão.

Compartilhe com seus contatos. Vamos espalhar estas informações.

Aguardo você. 

sábado, novembro 11, 2017

O Fracasso dos sucessos.



Tem coisas sonhadas por toda uma vida, mas que depois de conquistadas, nos trazem o vazio da sua não frutificação. É aquele diploma sonhado desde a infância, mas, que não abriu porta para nenhum trabalho realmente compensador; Aquele dom transformado em produto, mas que pouca gente compra, ainda que  admire; Aquela família sonhada que se desfez, no não encontro dos corações; O filho almejado, agora, adulto, se vai. E de costas, percebemos que ele esqueceu tudo o que recebeu. 
Dói o fracasso dos sucessos... o pensar que não se chegou a lugar algum por aquilo que tanto se esperou...
O desespero não conhecido enquanto se lutava por todas as conquistas, agora, ronda a alma a querer enforcar a expectativa dos sonhos, pra além do momento presente, diante do feito que não se fez.  
E o olhar que mantinha a esperança, ameaçado fica em se voltar para o passado, e pensar que o tempo não volta. Ou, afligido é com o futuro que parece trazer a sentença fatal de não ter mais tempo...
Assim, a alma esvaziada dos sonhos, se cobre da mais refinada angústia: O não viver no aqui e agora, onde o fazer pode se refazer.
Este olhar desesperado se perde nas histórias daqueles que nunca foram admirados, por não tocar a terra dos sonhos. 
Mas, detido, nos seus escritos em branco, assustada a alma dos sonhadores ficam pelo caos visto. Como é triste a vida daqueles que nunca tiverem ousadia para alcançar o que a sua alma implorou. Teme-se aquela vida, ainda que pense: Eles não sonharam, mas conquistaram muito além do que a gente com todos os nossos sonhos... 
E a alma não se conforma. É teimosa em sua busca infinita.
Seriam os sonhos vilões?
E, descobre que não saberia viver, nenhum um dia sequer, sem alegria de persegui-los. Os sonhos são a esperança mantida.
Então o coração volta ao sossego, descobre que a alma viveu apenas o que conseguiu ter vivido: Em busca dos seus sonhos.
O olhar volta-se ao presente. A jornada da construção recomeça, de onde nunca deveria ter parado, por nenhum instante.
E o fracasso dos sucessos, acolhido é, sem sombras, porque " a esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida (Provérbio 13:12), diz o Senhor dos Sonhos. 


quarta-feira, novembro 08, 2017

Depressão e tratamento - Considerações

Oi gente, continuo a falar sobre o importante tema da depressão nas quartas feiras. A partir de agora, falaremos sobre os tratamentos mais indicados.
No Brasil, 11,5 milhões de pessoas estão sofrendo com a depressão. E vale considerar que não existe fórmula mágica para curá-la. Seria maravilhoso se existisse. Eu seria a primeira a comprar e a indicar para meus pacientes e amigos. 

Mas, ao contrário, a depressão precisa ser combatida levando em consideração o humano como um todo. Se tem me acompanhado nas quartas feiras, sabe que a depressão é uma doença que precisa ser compreendida, em seu aspecto biológico, psicológico e social.
Os tratamentos devem buscar dar uma respostas a todas estas demandas. Logo, podemos verificar que não existe uma só indicação.

É preciso profissionais competentes e éticos, para ajudar no encontro de melhores caminhos para tratar a depressão. Encontrá-los, nem sempre é uma tarefa fácil. 

Tratamentos com qualidade no Brasil é algo muito caro. Em minha família, vivemos este drama quando um parente vivendo um transtorno mental, não se equilibrava com os medicamentos indicados por médicos do convênio o qual possuía. Percebemos que seria necessário levá-lo a um profissional mais competente. No convênio, não conseguimos, e a indicação que recebemos foi de um particular. A consulta na época foi de R$ 400, e precisou ser feita mensalmente, até a pessoa se estabilizar. Os medicamentos indicados ficavam por mês por volta de R$1000 a R$1.200. No mês, era preciso R$1.600, fora os outros tratamentos necessários, tais como, atividade física orientada por personal. Os tratamentos deram e continuam dando certo. Entretanto, quem no Brasil pode gastar por mês este valor? Por algum tempo, pode até ser que pessoas da classe média consiga, mas por longo tempo, é insustentável para a maioria dos brasileiros. 
A verdade é que tem medicina eficaz no Brasil, mas ela é cara e são poucos os que têm acesso. É lamentável.

Contudo, existem tratamentos disponibilizados na rede pública. Os Centros de Atenção psicossocial- CAPS, atendem usuários com transtornos psiquiátricos e dependentes químicos -  álcool e outras drogas. Estes, possui profissionais da área da psiquiatra e psicologia. Cada região tem sua forma de encaminhamento, sendo preciso ir buscar informação na secretaria de saúde da região em que mora. E a lei determina que  toda cidade acima de 20 mil habitantes deve ter estas unidades de atendimento. 
Sabemos que apesar das dificuldades do setor público, ainda há muito profissional competente nestas unidades. 
A depressão é uma doença que pode debilitar muita a pessoa caso ela não consiga tratamento, além, de aumentar a motivação para o suicídio. A busca pelo tratamento não pode ser adiada.
Um dado importante sobre a doença é o fato de que a pessoa deprimida acredita que não tem solução para ela. Seu pensamento está alterado, e a visão negativa da vida normalmente domina sua forma de vê o mundo. O que predispõe a pessoa a não procurar e nem se empenhar nesta busca de se tratar. 
Entretanto, se você está perto de uma pessoa com os sintomas da depressão, é preciso que insista com ela para que se trate.
Os estudos apontam que os tratamentos mais eficazes para o combate da depressão é a psicoterapia e a terapia farmacológica. 
Na próxima quarta, falarei especificamente sobre psicoterapia. 
Aguardo você. Até lá.
Referência:

- Psiquiatria básica organizado por Mario Rodrigues Louzã Neto, Thelma da Motta, Yuan-Pang Wang e Hélio Elkis Porto Alegre: Artes Médicas,1995
- Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Paulo Dalgalarrondo. Porto Aleg: Artes Médicas Sul, 2000.
- http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500005
- https://drauziovarella.com.br/drauzio/diagnostico-de-depressao/
- http://www.sairdadepressao.com/diagnostico-da-depressao/
- http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44461999000500007