quarta-feira, maio 15, 2019

A Importância do Pai na Saúde Emocional – O Pai é quem nos prepara para o mundo



No ventre da mãe somos tecidos. E a trama de nossa existência segue demandando infinitos cuidados até alcançarmos a nossa independência, seja ela física ou emocional.
Sendo a mãe quem gesta, dar à luz e amamenta o bebê, o vínculo entre eles parece ocorrer naturalmente. Porém, o que faz o vínculo entre mãe e filho se estruturar é o tempo que a mãe se desdobra para atender as necessidades do bebê. Normalmente, é ela quem gasta e se desgasta neste cuidado integral do recém-nascido.
Sabemos que houve mudanças, e hoje, o pai se envolve mais com o nascimento dos filhos. Entretanto, ainda prevalece a ideia do pai como figura secundária no cuidado direto com o recém-nascido, sendo muitas vezes desmotivado pela mulher, família, e pasmem, até por profissionais da área da saúde.
Esta ideia de que o homem nada tem a acrescentar ao bebê em seus primeiros meses de vida, pode fazer com que o vínculo pai – filho ocorra de forma de mais lenta, gradual. Entretanto, quando o pai se envolve com os cuidados do bebê, tais como: trocas de fraldas, banhos e mimos, o bebê aprende a reconhecê-lo. Em contrapartida, o pai, ao ser reconhecido pelo filho, poderá ter mais motivação para desenvolver com ele uma relação mais próxima, mais íntima e mais afetiva.
No sistema familiar, a mãe é sempre a figura da casa, do confortável, do acolhimento, e ao nascer o bebê se vê um com ela. Todavia quando o pai se faz presente, proporciona a criança a oportunidade de conhecer um mundo maior do que o estabelecido entre ela e sua mãe. Quanto mais contato entre pai e filho, mais a criança se organiza do ponto de vista psíquico para interagir com a realidade de que o mundo é muito maior do que o percebido. Assim, a mãe nos mantém em casa, em família, enquanto o pai nos leva para fora, para o social.
Na relação próxima e afetiva com o pai, o recém-nascido tem mais possibilidade de adquirir confiança em si mesmo, permitindo que a transição da casa para o mundo ocorra com menos conflitos internos. Pois, ao sentir-se seguro, terá mais capacidade de explorar o mundo a sua volta e de lidar com outras pessoas. Assim começa o seu preparo para a vida em sociedade.
Também, é na relação com o pai que seremos capacitados a lidar com a realidade, o que nos ajudará fazer as escolhas que nos serão exigidas ao longo da vida.
Mas, falaremos sobre isso na próxima quarta.
Aguardo você.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica e escritora
Referência:

1.   1. Benezik, Eduleine Belline Peroni. Revista Psiopedagogia. Artigo A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Paginas 67 a 75. 2011;
2      2. Siva, Air Vieira da. Artigo O papel do pai na sociedade contemporânea.pg.57-66;
3      3.  Matos, Mariana Gouvêa de Matos; Magalhães, Andrea Seixas; Carneiro, Terezinha Féres; Machado, Rebeca Nonat. Artigo Construindo o vínculo pai-bebê: A experiência dos pais.pg.261-271.
4      4. Gomes, Aguinaldo José da Silva; Resende, Vera da Rocha. Artigo O pai presente: O desvelar da paternidade em uma família contemporânea.pg.119-125.
5      5. Corneau, Guy. Pai ausente filho carente. editora brasiliense
9. Corneau, Guy. Pai ausente filho carente. Editora brasiliense.
10. Artigo: O pai presente: o desvelar da paternidade em uma família contemporânea.




quarta-feira, maio 08, 2019

A importância do Pai na saúde emocional




Brincalhona, ela chegou sorridente. Nem mesmo um olhar atento poderia supor a dor que estava preste a compartilhar em meu consultório.
Confesso. Em muitos momentos no decorrer da sessão tive que lembrar o meu lugar de psicoterapeuta, tão sórdidos eram os detalhes da sua história. Seu relato me parecia pior do que um filme de terror, deixando-me com um terrível mal-estar com a espécie humana.
Em uma cultura onde a mãe é responsável pela educação dos filhos, logo, culpada por seus descaminhos, somos tantas vezes propensos a imaginar que a relação com o pai não produz muitas consequências na vida de uma pessoa, tanto quanto a relação com a mãe. Entretanto, isso não é verdade.
Este bebê é o meu filho Arlen com o seu querido papai Eliack.
Do ponto de vista psicológico, a criança necessita da figura paterna e materna. Eles são nossas primeiras referências. A partir deles nossa personalidade é estruturada e nossa visão de mundo moldada.  E, na jornada chamada vida as importantes escolhas que iremos fazer está intrinsecamente ligada as nossas relações com eles.
Por muitos anos, o pai foi uma figura central da história familiar. Na cultura patriarcal, a mulher e a criança estavam sob sua autoridade e domínio. Em suas mãos estava o poder financeiro e a responsabilidade pela manutenção da família. A função paterna era de educar e disciplinar. As regras eram rígidas. Porém, a interação pai e filho guardava uma distância, principalmente nos primeiros anos de vida, pois à mãe cabia o cuidado.
Na sociedade ocidental, após a segunda guerra, com as mulheres indo para o mundo do trabalho, o pai teve que se envolver mais com o cuidado da criança e a mãe passou a ter a responsabilidade de ajudar na manutenção. O que mudou a configuração familiar.
Contudo, tais mudanças não foram capazes de diminuir o “vazio instalado na rede de relações afetivas”1, o que é fácil de perceber na clínica psicológica. O Pai, figura tão importante quanto a mãe, parece ter perdido o seu lugar no sistema familiar. O que tem gerado muitos prejuízos na criança que repercutirão na sua vida adulta.
Por essa razão, escrevo sobre este tema. Meu objetivo é ajudar na compreensão da importância do Pai em nossa formação.
Sei que para muitos não será fácil revisitar a própria história. É preciso coragem! Todavia, o conhecimento desta verdade poderá trazer compreensão de quem somos e das escolhas que fazemos, o que poderá nos levar a novos caminhos. Acredite!
Aguardo você.
Roseli de Araújo
Psicóloga

Referência:
1.    Benezik, E. B. P.A importância da figura paterna para o desenvolvimento infantil. Revista Psicopedagogia.2011


quarta-feira, maio 01, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus



“Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam”....Mateus 7:7-12
Na arte do fazer para o outro, a sociedade não se desenvolveu com a mesma velocidade da tecnologia. Pois o humano sempre desejou ser visto, reconhecido, elogiado, servido, compreendido, perdoado, amado, mais do que esteve disponível a fazer pelo próximo.
Quando somos crianças, necessitamos de um adulto que nos dê atenção para nos alimentar, aconchegar e dar segurança. Porém, na medida em que crescemos, a expectativa é de sermos cada vez mais independentes e prontos para fazer e não receber.
Porém, de forma surpreendente é possível ver adultos a reclamar um olhar, um abraço, segurança. Muitos vivem a cobrar seus pais, filhos, amigos como se eles ainda fossem tão pequenos, fragilizados e desprovidos. Desenvolveram-se do ponto de vista físico, mas agem como bebês. Tantas vezes diante da frustração dão birra como crianças a reclamar o bico.
Na clinica, vemos o adulto crescer saudável emocionalmente, quando não tem ninguém para culpar. Quando abandona a ideia de que alguém lhe deve algo, passando assumir a responsabilidade pela sua própria história.
Ao fazer tal malabarismo emocional, o adulto começa a compreender o quanto é difícil ser humano. Aprende que os pais não são os heróis do cinema, que as pessoas decepcionam e a injustiça está presente. Compreende as dores paralisantes vividas por essas realidades e percebem o quanto elas foram capazes de roubar a sua capacidade (até aquele momento) de fazer da vida uma poesia bonita. Sem poesia a embelezar, a alma se esvazia de ternura, gerando ainda mais dor, angustia e tragédia. Então nasce a vítima que fará nascer o culpado, e o culpado que irá perpetuar a vítima.
Eu creio que neste ensino, Jesus, com sua lógica objetiva e profunda resume numa frase o que é capaz de quebrar esse ciclo de vítima-culpado, dando ao humano um caminho possível para crescer emocionalmente de forma saudável.
Imagine. No trânsito, se todos nós fizermos aos outros o que esperamos que eles nos façam, teríamos o mais educado trânsito do mundo. Em casa, as brigas cessariam, viveríamos a paz tão almejada. No trabalho e na academia não haveria competição, mas cooperação. Na igreja, ninguém se sentiria discriminado, mas amado. Na cidade, iríamos poder sair a pé com os celulares nas mãos, a qualquer hora. Não haveria fome e sede, os ricos dividiriam seus bens. Certamente, em um mundo onde os adultos emocionais reinassem as necessidades de todos (a sua e a minha) seriam supridas.
Que as nossas mãos sejam para o serviço
Agora, voltando para a realidade, o que torna o ensino de Jesus um grande desafio é o fato de vivermos o imperfeito. O egoísmo domina o humano. A criança prevalece na alma dos adultos.
Não tenho dúvida que Jesus era um adulto - adulto emocionalmente, pois só estes podem enxergar as pessoas para servi-las. Do ponto de vista psicológico só iremos fazer para os outros o que desejamos que eles nos façam, na medida em que formos capazes de abandonar as necessidades infantis que muitos de nós carregamos.
Todavia, na fase adulta, eu e você, temos a responsabilidade de fazer o melhor com o que recebemos no decorrer da vida. Isto é, se desejamos ser adultos saudáveis emocionalmente.
Jesus propõe um caminho nada fácil. Estreito. O qual acredito que vale a pena trilhar, e você?
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, abril 24, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus





Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são, pois, o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-los”.
                                                                                                             Lucas 9:55





Todos nascemos com um propósito e devemos persegui-lo porquê a saúde emocional passa pela possibilidade de viver em sua direção.
Enquanto estamos nessa jornada chamada vida, é essencial sabermos quais são as nossas capacidades e sonhos. Sem este autoconhecimento, a sensação psicológica será de não ter direção, sentido, norte. Ficaremos como barcos a deriva. O que poderá nos mergulhar num vazio existencial ou a viver em um tédio constante.
Nos últimos três anos da sua vida, Jesus percorreu cidades usando seus dons de ensinar, curar e fazer milagres para ajudar os homens. Mesmo não sendo compreendido pelos seus discípulos e sabendo que seria entregue a morte pelos religiosos de Jerusalém, não desistiu do seu propósito de salvá-los.
Isaías, um profeta que viveu 700 anos antes da sua vinda, ao fazer uma profecia sobre sua vida, diz que Jesus tudo suportou por causa da alegria prometida1.
Para Jesus houve um preço para cumprir seu alvo. Para nós, não será diferente. Todavia, a alegria aguarda aquele que descobrir e viver para o que foi chamado.
Eu penso que os dons recebidos e os sonhos realizados nos permitem compor a grande orquestra que produz a bela música da Vida. Cada um em seu tom e com seu instrumento, pode provar da tão falada qualidade de vida ao viver para o que foi chamado.
Para isso, é fundamental reconhecer nossas capacidades e desenvolvê-las. Perseguir nossos sonhos para realizá-los. Nunca desistir se houver um caminho, uma possibilidade, uma esperança. Sempre nos perguntando se que o temos promove a alegria dos próximos. Pois nesta vida, todo bom propósito tem a ver com as relações humanas.

Roseli de Araújo

Referência:
1. Livro de Isaías 53:11


quarta-feira, abril 17, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus – Como perdoar os Judas?




Descubro pelas minhas experiências e ao ouvir pessoas todos os dias, que perdoar os Judas de casa é mais difícil do que perdoar os inimigos de fora.
Por isso, fico impressionada com Jesus.
Ele provou das duas situações. Foi entregue para ser crucificado por inimigos externos e foi traído por Judas, aquele a quem havia chamado para compor seu grupo de apóstolo e com ele andou por três anos. No entanto, ambos, foram por ele perdoados.
Pergunto-me: como Jesus aguentou Judas sorrindo para ele como todos os outros ao redor da sua mesa, sabendo que enquanto comiam, ele tramava o melhor momento para entregá-lo? Como não reagiu com raiva quando foi entregue com um beijo por Judas?
Há que se ter muita saúde emocional para conviver com aqueles que irão nos trair sem nenhum motivo que justifique suas ações; ou, suportar pessoas que são capazes de nos usar para chegar em algum lugar, e depois conspirar para de lá nos tirar; ou, manter os falsos amigos na mesa de nossa casa sem querer desmascará-los.
Olhando para Jesus e tentando compreender seu movimento psicológico, vejo que tinha plena convicção de quem era e do propósito de sua vida.  Ele não dependeu do pensamento das pessoas ou de suas ações para manter seu objetivo. Era misteriosamente livre da necessidade de ser reconhecido pelos homens.
Para a psicologia esse comportamento exige uma grande inteligência emocional. E, essa inteligência está presente somente nas pessoas que tem uma estima bem construída a respeito de si mesmo, que sabe quem é e qual o lugar que ocupa na vida. Aquele que aprendeu a respeitar o outro, que pensa diferente de si mesmo, por estar firme em seus próprios princípios. Que necessita do olhar do outro, mas não carece ser por ele o tempo todo confirmado. Que é capaz de reconhecer no humano seu valor e servi-lo independente das suas atitudes.
Nele, podemos ver o caminho para o perdão.
É preciso perguntar o que nos leva a ter tanta dificuldade para perdoar os Judas de casa que sempre existirão. Quem somos? Qual é o propósito da nossa vida? Porque dependemos tanto do que as pessoas pensam e fazem conosco? Porque perdemos tempo remoendo mágoas? Porque precisamos o tempo todo da aprovação dos seres humanos?
Sei que não há resposta fácil para nenhuma das perguntas acima. Mas, precisamos decidir o que vamos fazer da vida que recebemos nesta terra, afinal, ela tem prazo de validade.
O que tenho certeza é que não vale a pena gastá-la regando a mágoa, e, deve ser muito bom experimentar um pouco da saúde emocional de Jesus. Mas, para isso é preciso obedecer a sua ordem de perdoar 70x7, ou seja, sempre.

segunda-feira, abril 15, 2019

As crônicas da academia – Desconfie quando o Alex diz “Hoje foi fácil”





Após uma semana freqüentando a academia, o Alex chegou. Nos encontrávamos normalmente no horário das nove horas. Muitas vezes treinamos com o coache Hugo, ao som de música sertaneja kkk...
 Sendo uma pessoa reservada, porém, de expressão simpática, é sempre bom tê-lo como colega de treino. Determinado e focado, logo na primeira semana fez o HSPU. Vibrei. Para eu, que não conseguia nem equilibrar uma das pernas sem cair, ficar de cabeça para baixo parecia impossível rsrsrs.Tão impressionada fiquei que o lembrei de gravar para mostrar aos seus filhos.
Sua dificuldade no início foi o bear crawl, o qual sempre foi fácil para eu executar. E o único exercício que eu o vi falar até hoje que não gosta é o que eu particularmente detesto, o wall ball.
Na convivência com o Alex e outros colegas de treino, é fácil perceber que existem exercícios que fazemos sem nenhuma dificuldade, enquanto outros parecem que levaremos toda uma vida para executá-los. Essa verdade, uma vez compreendida nos tira a ideia falsa da perfeição, colocando-nos diante da realidade de que todos têm desafios dentro do Box os quais serão mais fáceis de lidar, enquanto outros levaremos mais tempo.
Contudo, é preciso ser focado como o Alex para vencer as dificuldades. Brigar com a nossa zona de conforto. Prestar atenção nas orientações dos coachees. Aumentar a carga na medida em que for ficando leve. Esforçar para completar os rounds na ativação ou no WOD. Buscar fazer os exercícios que não gosta. Evitar roubar na contagem dos exercícios. Manter a disciplina de ir ao Box. Competir sempre com você mesmo. Cooperar com os outros.
A respeito do Alex, apenas mais uma observação importante. Devemos tomar cuidado quando ele falar esta frase “hoje foi fácil”. Normalmente, assim se expressa sempre que ao final do treino termina deitado de tão cansado... Fiquem alerta, quando no grupo postar esta frase. Saiba. O treino do dia esta daquele jeito que só os crossfiteiros de corpo e alma gostam kkk.
Todavia, seja como for, “o hoje foi fácil”, aponta para outra característica do Alex que devemos ter diante dos desafios. Otimismo.  A expectativa do bem e não do mal. Afinal, já que viver é enfrentar desafios todos os dias, que seja sempre com o coração mais leve.
A você Alex, toda alegria por este ano que se passou. É bom demais ter você como colega de treino. Espero que Deus nos permita treinar por muitos e muitos anos. Quem sabe até o fim de nossas vidas com foco e otimismo.

Roseli de Araújo
Psicóloga clinica



quarta-feira, abril 10, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus – A importância da presença no presente



“Observem as aves do céu... Vejam como crescem os lírios do campo”.
Mateus 6:26, 28.
O sermão do monte foi proferido por Jesus ao ar livre, onde certamente pássaros e lírios podiam ser vistos. Então ele orienta olhar os passarinhos e os lírios do campo. Aqui, a expectativa de Jesus é que eles olhem para ver, em outras palavras, que eles observem o que está ao redor.
Observar é a capacidade de manter o olhar por um determinado tempo sobre uma situação. É considerar com atenção. Veja que da observação nasce as grandes descobertas cientificas, mas da observação também se constrói pessoas.
O bebê humano se não for considerado com atenção, irá morrer em seus primeiro dias de vida. Assim, segue por toda sua vida precisando ser visto e também ver. E nenhuma relação se faz sem a observação. São nos olhares que se encontram que o amor pode nascer, crescer e amadurecer.
 Por isso, é preciso olhar para quem se ama, não com o olhar de quem olha com pressa os catálogos de uma loja. É necessário deter o olhar para ver o que tem que ser visto para que se construa a relação.
Mas, se não estamos presente, como observar?
Será que estamos a viver nossas relações como aqueles expectadores que gravam acidentes, antes de prestar o socorro? Quantos vínculos corremos o risco de perder por não determos o nosso olhar com atenção naqueles que estão ao redor?
Cuidado!!! Somos tentados a viver cada dia mais onde não estamos. Logo, é possível desprezar quem está tão perto.
Por esta razão, não subestime o seu estar sem estar. Quem estar ao lado precisa que gaste tempo a observá-lo, e sua ausência pode ser como areia movediça a engolir suas relações.
Não deixe que esta tecnologia que o fez ganhar outros mundos sem sair de casa, roube o mundo que o cerca. Acredite. Há beleza e leveza nas relações presentes. Basta um olhar que se cruza, um amor que se derrete no abraço, um cheiro que provoca a vontade do aconchego, uma palavra que se diz na mesma altura em que está o outro, um beijo que atiça o desejo sonolento, para perceber que é mais rico encenar a vida que lhe é oferecida do que assistir da platéia online, outras vidas.
Escute Jesus, “olhai...”
Roseli de Araújo
Psicologia



quarta-feira, abril 03, 2019

A saúde emocional e os ensinos de Jesus – Como viver no tempo presente


"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir..."
Estar no presente é tarefa complicada. Temos o hábito de estar no passado ao reviver nossas lembranças, dores, perguntas não respondidas, projetos perdidos, decisões erradas; Ou no futuro, a pensar no ‘se’, “se eu for, se eu fizer, se eu mudar, se eu perder o emprego, se eu estudar, se eu não estudar, se eu casar, se eu ficar só, se eu tenho que ir, se eu devo ficar, se eu morrer...
E o presente, o que se tem hoje, muitas vezes nem é visto. Quando visto, este é comparado ou desvalorizado.
Por esta razão, faz tanto sentido o ensino de Jesus no sermão do monte. Ao falar sobre a ansiedade, Ele ensina que certas atitudes podem nos ajudar a ficar em nosso tão desprezado presente.
Perguntamos: Como? Ele responde:
Refletindo que a vida e o corpo são os nossos bens maiores. Agora Ele complicou! Uma vez que a vida como um valor em si mesma, é reflexão que exige de nós um olhar o qual não estamos acostumados. Somos insatisfeitos por natureza e estimulados por uma cultura que nos diz que precisamos de muito mais do que temos, vamos ficando cada vez mais distantes da realidade. Mas, Jesus leva os seus discípulos a considerarem que sem a vida e o corpo nada seria possível, logo, temos o mais importante.  Segundo, observando a natureza, que sem nenhuma ação do ser humano é mantida. Como exemplo, cita os pássaros que não semeiam e nem colhem, contudo, Deus os alimenta. Cita também Salomão, o rei mais rico e sábio da sua época, que apesar de toda riqueza, não se vestiu com a beleza e graça dos lírios dos campos. Na visão de Jesus existe o Sustentador – O Pai celestial - de todas as coisas. Ele é quem banca a vida humana. Ele diz: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja a sua vida? Em outras palavras, Jesus aponta para a realidade que a vida é um bem que o humano recebeu e não a sustenta por si só. Crendo ou não nesse Pai celestial, uma coisa é certa, a realidade humana é frágil. Não escolhemos a família que nascemos, o país, a língua, os eventos que marcaram nossas vidas, o período histórico em que nascemos. O humano, por mais que se iluda, sabe que a realidade se impõe. E da vida temos pouco controle.
Por último, Jesus insiste que os discípulos considerem o presente ao dizer: “Basta ao seu dia o seu próprio mal. Ele não nega que há coisas para resolver. Todavia, ensina que ‘ o amanhã cuidará de si mesmo’. Aqui, ele deixa claro que devemos trabalhar, construir e viver com tudo o que temos hoje. Afinal, quem pode garantir que estará vivo amanhã?
Todavia, sei que a saúde emocional perpassa por esta receita de Jesus. Precisamos refletir sobre nossos valores, e reconhecer o importante que já temos - A vida. Aprender que o desejo de controle se perde ao observar o mundo que nos cerca com suas leis e mistérios, e nos render a realidade de que tudo se fez sem nossas mãos. E olhar para o que se tem no tempo que se chama hoje -, e buscar fazer com o recebido, o melhor, mas, também, o possível. Certos de que o futuro é terra que não sabemos se um dia a visitaremos.
 Logo, é urgente aprender com Jesus a viver o mal de cada dia.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, março 27, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus – A importância da gratidão




Hoje, sabemos pela neurociência que o cérebro não ocupa dois sentimentos ao mesmo tempo. Por exemplo, não podemos nos sentir calmos e ansiosos ao mesmo tempo, alegres e ao mesmo tempo tristes. Isso ocorre porque as áreas cerebrais que produzem sentimentos negativos e positivos são diferentes e não podem ser ativadas ao mesmo tempo.   
Por esta razão, se ocuparmos nossa mente com pensamentos de gratidão, iremos experimentar uma vida com mais alegria, energia, vitalidade, criatividade e afetividade. Seremos felizes! E, não importa a situação vivida, a gratidão uma vez praticada nos manterá bem.
Estudando sobre Jesus podemos perceber que ele praticava a gratidão. Diz a história no evangelho de Mateus que Jesus ensinava as multidões há três dias, então se preocupou com o fato de que ela nada tinham para comer. Sabendo que estavam com fome, não queria despedi-la sem alimentá-la, pois, sabia que poderiam desfalecer no caminho. Acredita-se que eram mais ou menos 12 mil pessoas. Os discípulos reagiram mostrando a Jesus a realidade de que eles não tinham como alimentar tanta gente. Então, Jesus pergunta: Quantos pães você tem? Os discípulos então dizem ter 7 pães e alguns peixinhos. Ele, então pega os pães e peixes e agradece, depois devolve aos discípulos para distribuir para o povo, e toda multidão foi alimentada1.
Olhando na perspectiva da neurociência, Jesus foi grato. Observe sua atitude. Ele pega os pães e peixes e agradece. Veja, ele, está preocupado com multidões multidão com fome, e não faz conta de somar ou diminuir, multiplicar ou dividir, embora soubesse do grande número de pessoas, simplesmente reconhece o que tem e agradece. Então, manda seus discípulos distribuir e alimentar as pessoas com o que tem.
Os seus discípulos fazem conta, olha para o pouco que tem e para multidão e reclamam, como alimentar tanta gente com tão pouco? Ao reclamar não conseguem propor nada, apenas apontam a falta de recurso.
Crendo ou não no milagre da multiplicação, uma coisa é certa, a gratidão é capaz de multiplicar os recursos da nossa vida, é o que nos afirma a neurociência. De acordo com suas descobertas, ao sermos gratos somos capazes de ver novos caminhos a nossa frente, pois a ansiedade e o medo não vão nos paralisar. Conseguiremos pensar com clareza. Logo, teremos mais criatividade para resolver os problemas. Tudo porque ativamos a área cerebral que produz as emoções positivas.
Contudo, sabemos que cada vez mais é difícil reconhecer o que temos de bom. Somos ensinados, bombardeados, doutrinados, massacrados, com a ideia de que o que temos não é suficiente. Seja qual for a área da nossa vida - financeira, familiar, escolar, laboral, corporal -, acreditamos sempre que precisamos de muito mais do que possuímos.
Contudo, a ciência aponta o que Jesus nos ensinou com sua vida, que a gratidão faz milagres.
Jesus é mesmo formidável.

sexta-feira, março 22, 2019

Meu primeiro aniversário no Cross


Este texto eu escrevo em homenagem aos coachees Márcia (a minha maior incentivadora das crônicas da academia), ao Rafael e ao Rodrigo. Também ao Hugo e ao Pedro que não está mais na Skill Box. Todos me viram tão debilitada, mas acreditaram que eu tinha jeito.

Meu primeiro aniversário no Cross

No dia 16 de janeiro fez um ano que estou na Skill Box treinando cross.
Gosto de relembrar que ao chegar na academia queria me livrar de uma depressão que não me abandonava há quatro meses. Eu estava lutando com todos os meus recursos da psicologia, e a psicoterapia não me deixou avançar para quadros mais graves, contudo, os sintomas não cediam. Exausta, resolvi acatar a sugestão da minha psicoterapeuta, Maria Beatriz, para tentar fazer uma atividade física de impacto, antes de me submeter aos tratamentos da psiquiatria. E foi o que fiz.
Estava na época com 69 quilos, sem nenhum equilíbrio, confundindo direita com esquerda e tão cansada que não tinha forças para sequer arrumar a casa.
Para minha surpresa, em uma semana fazendo cross, estava sem nenhum sintoma da depressão. Não precisei gastar dinheiro com remédios e as consultas caras da psiquiatria.
Como foi bom provar a alegria que sempre tive pela vida, a paixão pelas cores e borboletas. Além disso, adquiri a capacidade de carregar peso que me permite ajudar minha mãe quando ela por alguma razão cai da sua cadeira de rodas.
Sendo a depressão uma doença crônica, não tenho ilusão dela estar curada. Contra esta gigante eu lutei por 17 anos. Porém, em 2018 passei a maior parte do tempo sem sintomas. Nos poucos dias acordei assombrada por eles fui com alegria para a Skill Box, sabendo que ao término do treino, estaria bem, e assim foi e tem sido.
Quando olho para trás, vejo que a depressão foi ladra a me roubar a vida que eu queria viver. E só pude calcular o quanto perdi ao viver sem ela neste ano que passou. Minhas manhãs deixaram de ser uma tortura, meus projetos se tornaram mais fáceis de executar, não precisei lutar para me sentir segura e tenho vivido com o otimismo natural que herdei.
Embora o cross não seja “fácil”, todavia seus benefícios me fazem ir a academia mesmo nos dias em que estou com a gigante da preguiça.
Brinco que vou morrer uma “velha crossfiteira”, e tenho fé que Deus irá me permitir. A Ele sou grata por ter esta oportunidade e por viver com mais qualidade a vida que Ele me deu.
Tenho muito para celebrar neste meu primeiro ano de cross. Apenas lamento ter perdido tanto tempo sendo sedentária.  Não ter levado a sério a importância dos exercícios para o corpo. De atender a minha vontade de não fazer o que era tão necessário, pois ao procrastinar, negligenciei onde estava a cura para o que eu tanto ansiava.
Aprendi de forma dura que o corpo precisa exercitar-se. Ele clama por ajuda para cumprir seu propósito, todavia, quando nos rendemos a disciplina de cuidar do corpo, somos nós que ganhamos.
Por isto, eu digo a você que está lendo este texto: Mexa-se! Não adie o que precisa fazer. Coopere com sua vida. Ela é o maior presente que recebeu. É mistério que exige movimento constante. É projeto onde a felicidade pode ser possível.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, março 20, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus - O problema do nunca dizer não

   Disse Jesus: Seja, porém o teu sim, sim. E o teu não, não! O que passar disso vem do Maligno. (Mateus 5:37)
De acordo com a psicologia as pessoas mentem por três razões. Quando elas querem evitar a angustia de um confronto, para se adaptar a uma situação a qual considera complicada e para alcançar um objetivo. E ao avaliar pessoas que dizem sim o tempo todo, podemos identificar estas razões.
Elas contarão estórias, tais como: ‘hoje estou doente’, quando está saudável; ou, ‘estou do outro lado da cidade’ quando está a três quadras; ou, ‘não recebi’, quando o pagamento está na carteira; ou, ‘o carro quebrou’ quando ele está intacto na garagem. Afinal, quem consegue atender a tudo o que as pessoas pedem o tempo todo?
Também, costumam ser conhecidas como pessoas enroladas, complicadas, desorganizadas, pois atropelam a sua agenda e a dos outros. Do ponto de vista profissional isto é devastador, e nas relações mais próximas as pessoas sentirão que não podem confiar, ainda que a intenção delas tenha sido de atender ao pedido. A verdade é que ao dizer sim sem ter nenhuma vontade, tempo ou possibilidade de cumprir com sua palavra dada, poderá com o tempo destruir sua credibilidade.
Também, existem duas características fáceis de perceber em quem tem dificuldade de dizer não, são elas:
A primeira é a falta de tempo. Por sentir um senso de urgência ao receber um pedido de alguém, principalmente daqueles que são mais próximos, a pessoa diz sim quando já está com muitas outras atividades agendadas, e com isto se sobrecarrega. Ou, desiste de fazer o que era prioridade, comprometendo assim sua vida social e profissional. Pessoas assim não realizam seus sonhos, projetos pessoais, muitas vezes não se casam porque não conseguem encontrar tempo. Mas, do ponto de vista psicológico, a pessoa que vive sem administrar bem o tempo, constrói uma vida onde se sentirá fracassada.
A segunda é a culpa. Por sentir-se responsável o tempo todo pelo bem-estar de todos, compreende que deve atender as expectativas de quem lhe pede algo, e quando tem que dizer não sente-se culpada. Para se livrar da terrível sensação que a culpa provoca, diz sim, ainda que tenha que fazer sacrifícios para atender ao pedido feito. Logo, se comportam como “salvadoras” do mundo.
O que carrega a culpa por não atender a todas as demandas dos que estão em volta, deixou de compreender que os seres humanos são limitados e vive a fantasia! de tentar agradar o tempo todo, deixando de reconhecer suas próprias limitações. Quem assim se comporta não sabe lidar com a verdade que o humano não é o herói do cinema com super poderes e que agradar as pessoas o tempo todo é missão impossível. É certo que ao manter esta atitude, com o tempo sofrerá um esgotamento físico e emocional.
Para termos saúde emocional, o sim dos lábios tem que estar em consonância com o sim da vontade, dos sentimentos e da realidade.
 Dizer sim, quando gostaria de dizer não, seja porque não deseja fazer ou porque sua agenda está abarrotada é mentir para si mesmo. É estar em discordância com sua realidade interna ou externa.
  Por esta razão, o ensino de Jesus para que "o sim, seja sim, e o não, seja não", se faz tão atual em nossos dias.
Roseli de Araújo
   


quarta-feira, março 13, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus - O problema do julgamento


O julgamento precipitado sobre qualquer pessoa e situação é algo que traz prejuízos em pequenas e grandes escalas. Quando Hitler julgou que os alemães eram a melhor raça e conseguiu influenciar tantos ao seu redor, o mundo presenciou uma das maiores barbáries da história. Mas, todos os dias podemos cometer pequenas barbáries ao emitirmos sobre as pessoas e situações nossas opiniões.  Portanto, considere que os nossos julgamentos, embora tantas vezes nos pareçam tão sem maldade ou malícia, eles estão sendo formados, não só pela realidade a qual nos apresenta no aqui e agora e que não temos todo acesso, mas também pela soma de tudo o que trazemos.
Por esta razão, os ensinos de Jesus Cristo sobre o julgamento fazem tanto sentido. Ele diz:
"Não julguem, para que vocês não sejam julgados.
Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.
"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão”
(Mateus 7:1-5).
Neste texto, Jesus descreve com maestria a realidade humana que julga ver o cisco no olho do irmão quando na verdade está com uma trave em seus olhos. Contudo, quem com uma trave - um bastão de madeira nos olhos poderia vê cisco no olho de outra pessoa?
O que Jesus afirma é que não somos capazes de ver a realidade de forma plena. Sempre nos faltarão informações para que os nossos julgamentos sejam imparciais, justos. Para a psicologia isso também é uma verdade, uma vez que nossos olhos nos permiti ver o mundo através das grossas lentes da nossa subjetividade,  a qual Jesus neste texto, chama de trave.
Para a psicologia, nós precisamos compreender que a visão de mundo que carregamos passa pelo viés da nossa bagagem interna, do nosso jeito de ver a vida que foi forjado em nós pelos nossos pais ou cuidadores, pelo momento histórico vivido e os eventos que marcaram nossa vida.
E neste texto Jesus com poucas palavras aponta uma realidade psicológica de que o humano não é capaz de ver o óbvio de si mesmo, por está razão deve não fazer julgamentos.
Do ponto de vista psicológico uma pessoa só fará um julgamento justo quando for capaz de abandonar seu juízo de valor – sua subjetividade, seus preconceitos adquiridos e a influência da sua cultura sobre o seu olhar para o mundo. Tarefa complexa.
Jesus também alertou para a realidade das conseqüências do julgamento ao dizer que quem julga será julgado. Psicologicamente falando, quando uma pessoa é alvo da falta da compreensão do outro, ele sofrerá dores que poderão levá-lo a reproduzir a atitude daquele que o machucou. Morre então o diálogo. Nasce o abismo entre os corações que não se compreendem, iniciando um ciclo doentio nas relações. Na clínica é possível perceber que normalmente as pessoas se relacionam com o que pensa que vê sobre o outro e não com sua realidade de fato.
O julgar devasta as nossas relações. Contudo, Jesus deixa subentendido que precisamos um do outro para enxergamos sem nenhum incômodo, ao dizer para tirarmos a trave dos nossos olhos primeiro para então vermos claramente e assim tirar o cisco do olho do irmão. Ele está dizendo que só quem viu sua trave tem misericórdia para estender as mãos e ajudar seu próximo em seu problema.
Mas, não é fácil reconhecer a trave que está em nossos olhos. É preciso humildade e sinceridade, contudo, este é um caminho que deve ser percorrido para que as relações humanas sejam saudáveis.
Jesus em poucas palavras fala com seus discípulos de uma questão grave, capaz de destruir as pessoas, e aponta uma solução a qual todos nos podemos trilhar.

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica