quarta-feira, abril 10, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus – A importância da presença no presente



“Observem as aves do céu... Vejam como crescem os lírios do campo”.
Mateus 6:26, 28.
O sermão do monte foi proferido por Jesus ao ar livre, onde certamente pássaros e lírios podiam ser vistos. Então ele orienta olhar os passarinhos e os lírios do campo. Aqui, a expectativa de Jesus é que eles olhem para ver, em outras palavras, que eles observem o que está ao redor.
Observar é a capacidade de manter o olhar por um determinado tempo sobre uma situação. É considerar com atenção. Veja que da observação nasce as grandes descobertas cientificas, mas da observação também se constrói pessoas.
O bebê humano se não for considerado com atenção, irá morrer em seus primeiro dias de vida. Assim, segue por toda sua vida precisando ser visto e também ver. E nenhuma relação se faz sem a observação. São nos olhares que se encontram que o amor pode nascer, crescer e amadurecer.
 Por isso, é preciso olhar para quem se ama, não com o olhar de quem olha com pressa os catálogos de uma loja. É necessário deter o olhar para ver o que tem que ser visto para que se construa a relação.
Mas, se não estamos presente, como observar?
Será que estamos a viver nossas relações como aqueles expectadores que gravam acidentes, antes de prestar o socorro? Quantos vínculos corremos o risco de perder por não determos o nosso olhar com atenção naqueles que estão ao redor?
Cuidado!!! Somos tentados a viver cada dia mais onde não estamos. Logo, é possível desprezar quem está tão perto.
Por esta razão, não subestime o seu estar sem estar. Quem estar ao lado precisa que gaste tempo a observá-lo, e sua ausência pode ser como areia movediça a engolir suas relações.
Não deixe que esta tecnologia que o fez ganhar outros mundos sem sair de casa, roube o mundo que o cerca. Acredite. Há beleza e leveza nas relações presentes. Basta um olhar que se cruza, um amor que se derrete no abraço, um cheiro que provoca a vontade do aconchego, uma palavra que se diz na mesma altura em que está o outro, um beijo que atiça o desejo sonolento, para perceber que é mais rico encenar a vida que lhe é oferecida do que assistir da platéia online, outras vidas.
Escute Jesus, “olhai...”
Roseli de Araújo
Psicologia



quarta-feira, abril 03, 2019

A saúde emocional e os ensinos de Jesus – Como viver no tempo presente


"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir..."
Estar no presente é tarefa complicada. Temos o hábito de estar no passado ao reviver nossas lembranças, dores, perguntas não respondidas, projetos perdidos, decisões erradas; Ou no futuro, a pensar no ‘se’, “se eu for, se eu fizer, se eu mudar, se eu perder o emprego, se eu estudar, se eu não estudar, se eu casar, se eu ficar só, se eu tenho que ir, se eu devo ficar, se eu morrer...
E o presente, o que se tem hoje, muitas vezes nem é visto. Quando visto, este é comparado ou desvalorizado.
Por esta razão, faz tanto sentido o ensino de Jesus no sermão do monte. Ao falar sobre a ansiedade, Ele ensina que certas atitudes podem nos ajudar a ficar em nosso tão desprezado presente.
Perguntamos: Como? Ele responde:
Refletindo que a vida e o corpo são os nossos bens maiores. Agora Ele complicou! Uma vez que a vida como um valor em si mesma, é reflexão que exige de nós um olhar o qual não estamos acostumados. Somos insatisfeitos por natureza e estimulados por uma cultura que nos diz que precisamos de muito mais do que temos, vamos ficando cada vez mais distantes da realidade. Mas, Jesus leva os seus discípulos a considerarem que sem a vida e o corpo nada seria possível, logo, temos o mais importante.  Segundo, observando a natureza, que sem nenhuma ação do ser humano é mantida. Como exemplo, cita os pássaros que não semeiam e nem colhem, contudo, Deus os alimenta. Cita também Salomão, o rei mais rico e sábio da sua época, que apesar de toda riqueza, não se vestiu com a beleza e graça dos lírios dos campos. Na visão de Jesus existe o Sustentador – O Pai celestial - de todas as coisas. Ele é quem banca a vida humana. Ele diz: “Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja a sua vida? Em outras palavras, Jesus aponta para a realidade que a vida é um bem que o humano recebeu e não a sustenta por si só. Crendo ou não nesse Pai celestial, uma coisa é certa, a realidade humana é frágil. Não escolhemos a família que nascemos, o país, a língua, os eventos que marcaram nossas vidas, o período histórico em que nascemos. O humano, por mais que se iluda, sabe que a realidade se impõe. E da vida temos pouco controle.
Por último, Jesus insiste que os discípulos considerem o presente ao dizer: “Basta ao seu dia o seu próprio mal. Ele não nega que há coisas para resolver. Todavia, ensina que ‘ o amanhã cuidará de si mesmo’. Aqui, ele deixa claro que devemos trabalhar, construir e viver com tudo o que temos hoje. Afinal, quem pode garantir que estará vivo amanhã?
Todavia, sei que a saúde emocional perpassa por esta receita de Jesus. Precisamos refletir sobre nossos valores, e reconhecer o importante que já temos - A vida. Aprender que o desejo de controle se perde ao observar o mundo que nos cerca com suas leis e mistérios, e nos render a realidade de que tudo se fez sem nossas mãos. E olhar para o que se tem no tempo que se chama hoje -, e buscar fazer com o recebido, o melhor, mas, também, o possível. Certos de que o futuro é terra que não sabemos se um dia a visitaremos.
 Logo, é urgente aprender com Jesus a viver o mal de cada dia.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, março 27, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus – A importância da gratidão




Hoje, sabemos pela neurociência que o cérebro não ocupa dois sentimentos ao mesmo tempo. Por exemplo, não podemos nos sentir calmos e ansiosos ao mesmo tempo, alegres e ao mesmo tempo tristes. Isso ocorre porque as áreas cerebrais que produzem sentimentos negativos e positivos são diferentes e não podem ser ativadas ao mesmo tempo.   
Por esta razão, se ocuparmos nossa mente com pensamentos de gratidão, iremos experimentar uma vida com mais alegria, energia, vitalidade, criatividade e afetividade. Seremos felizes! E, não importa a situação vivida, a gratidão uma vez praticada nos manterá bem.
Estudando sobre Jesus podemos perceber que ele praticava a gratidão. Diz a história no evangelho de Mateus que Jesus ensinava as multidões há três dias, então se preocupou com o fato de que ela nada tinham para comer. Sabendo que estavam com fome, não queria despedi-la sem alimentá-la, pois, sabia que poderiam desfalecer no caminho. Acredita-se que eram mais ou menos 12 mil pessoas. Os discípulos reagiram mostrando a Jesus a realidade de que eles não tinham como alimentar tanta gente. Então, Jesus pergunta: Quantos pães você tem? Os discípulos então dizem ter 7 pães e alguns peixinhos. Ele, então pega os pães e peixes e agradece, depois devolve aos discípulos para distribuir para o povo, e toda multidão foi alimentada1.
Olhando na perspectiva da neurociência, Jesus foi grato. Observe sua atitude. Ele pega os pães e peixes e agradece. Veja, ele, está preocupado com multidões multidão com fome, e não faz conta de somar ou diminuir, multiplicar ou dividir, embora soubesse do grande número de pessoas, simplesmente reconhece o que tem e agradece. Então, manda seus discípulos distribuir e alimentar as pessoas com o que tem.
Os seus discípulos fazem conta, olha para o pouco que tem e para multidão e reclamam, como alimentar tanta gente com tão pouco? Ao reclamar não conseguem propor nada, apenas apontam a falta de recurso.
Crendo ou não no milagre da multiplicação, uma coisa é certa, a gratidão é capaz de multiplicar os recursos da nossa vida, é o que nos afirma a neurociência. De acordo com suas descobertas, ao sermos gratos somos capazes de ver novos caminhos a nossa frente, pois a ansiedade e o medo não vão nos paralisar. Conseguiremos pensar com clareza. Logo, teremos mais criatividade para resolver os problemas. Tudo porque ativamos a área cerebral que produz as emoções positivas.
Contudo, sabemos que cada vez mais é difícil reconhecer o que temos de bom. Somos ensinados, bombardeados, doutrinados, massacrados, com a ideia de que o que temos não é suficiente. Seja qual for a área da nossa vida - financeira, familiar, escolar, laboral, corporal -, acreditamos sempre que precisamos de muito mais do que possuímos.
Contudo, a ciência aponta o que Jesus nos ensinou com sua vida, que a gratidão faz milagres.
Jesus é mesmo formidável.

sexta-feira, março 22, 2019

Meu primeiro aniversário no Cross


Este texto eu escrevo em homenagem aos coachees Márcia (a minha maior incentivadora das crônicas da academia), ao Rafael e ao Rodrigo. Também ao Hugo e ao Pedro que não está mais na Skill Box. Todos me viram tão debilitada, mas acreditaram que eu tinha jeito.

Meu primeiro aniversário no Cross

No dia 16 de janeiro fez um ano que estou na Skill Box treinando cross.
Gosto de relembrar que ao chegar na academia queria me livrar de uma depressão que não me abandonava há quatro meses. Eu estava lutando com todos os meus recursos da psicologia, e a psicoterapia não me deixou avançar para quadros mais graves, contudo, os sintomas não cediam. Exausta, resolvi acatar a sugestão da minha psicoterapeuta, Maria Beatriz, para tentar fazer uma atividade física de impacto, antes de me submeter aos tratamentos da psiquiatria. E foi o que fiz.
Estava na época com 69 quilos, sem nenhum equilíbrio, confundindo direita com esquerda e tão cansada que não tinha forças para sequer arrumar a casa.
Para minha surpresa, em uma semana fazendo cross, estava sem nenhum sintoma da depressão. Não precisei gastar dinheiro com remédios e as consultas caras da psiquiatria.
Como foi bom provar a alegria que sempre tive pela vida, a paixão pelas cores e borboletas. Além disso, adquiri a capacidade de carregar peso que me permite ajudar minha mãe quando ela por alguma razão cai da sua cadeira de rodas.
Sendo a depressão uma doença crônica, não tenho ilusão dela estar curada. Contra esta gigante eu lutei por 17 anos. Porém, em 2018 passei a maior parte do tempo sem sintomas. Nos poucos dias acordei assombrada por eles fui com alegria para a Skill Box, sabendo que ao término do treino, estaria bem, e assim foi e tem sido.
Quando olho para trás, vejo que a depressão foi ladra a me roubar a vida que eu queria viver. E só pude calcular o quanto perdi ao viver sem ela neste ano que passou. Minhas manhãs deixaram de ser uma tortura, meus projetos se tornaram mais fáceis de executar, não precisei lutar para me sentir segura e tenho vivido com o otimismo natural que herdei.
Embora o cross não seja “fácil”, todavia seus benefícios me fazem ir a academia mesmo nos dias em que estou com a gigante da preguiça.
Brinco que vou morrer uma “velha crossfiteira”, e tenho fé que Deus irá me permitir. A Ele sou grata por ter esta oportunidade e por viver com mais qualidade a vida que Ele me deu.
Tenho muito para celebrar neste meu primeiro ano de cross. Apenas lamento ter perdido tanto tempo sendo sedentária.  Não ter levado a sério a importância dos exercícios para o corpo. De atender a minha vontade de não fazer o que era tão necessário, pois ao procrastinar, negligenciei onde estava a cura para o que eu tanto ansiava.
Aprendi de forma dura que o corpo precisa exercitar-se. Ele clama por ajuda para cumprir seu propósito, todavia, quando nos rendemos a disciplina de cuidar do corpo, somos nós que ganhamos.
Por isto, eu digo a você que está lendo este texto: Mexa-se! Não adie o que precisa fazer. Coopere com sua vida. Ela é o maior presente que recebeu. É mistério que exige movimento constante. É projeto onde a felicidade pode ser possível.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, março 20, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus - O problema do nunca dizer não

   Disse Jesus: Seja, porém o teu sim, sim. E o teu não, não! O que passar disso vem do Maligno. (Mateus 5:37)
De acordo com a psicologia as pessoas mentem por três razões. Quando elas querem evitar a angustia de um confronto, para se adaptar a uma situação a qual considera complicada e para alcançar um objetivo. E ao avaliar pessoas que dizem sim o tempo todo, podemos identificar estas razões.
Elas contarão estórias, tais como: ‘hoje estou doente’, quando está saudável; ou, ‘estou do outro lado da cidade’ quando está a três quadras; ou, ‘não recebi’, quando o pagamento está na carteira; ou, ‘o carro quebrou’ quando ele está intacto na garagem. Afinal, quem consegue atender a tudo o que as pessoas pedem o tempo todo?
Também, costumam ser conhecidas como pessoas enroladas, complicadas, desorganizadas, pois atropelam a sua agenda e a dos outros. Do ponto de vista profissional isto é devastador, e nas relações mais próximas as pessoas sentirão que não podem confiar, ainda que a intenção delas tenha sido de atender ao pedido. A verdade é que ao dizer sim sem ter nenhuma vontade, tempo ou possibilidade de cumprir com sua palavra dada, poderá com o tempo destruir sua credibilidade.
Também, existem duas características fáceis de perceber em quem tem dificuldade de dizer não, são elas:
A primeira é a falta de tempo. Por sentir um senso de urgência ao receber um pedido de alguém, principalmente daqueles que são mais próximos, a pessoa diz sim quando já está com muitas outras atividades agendadas, e com isto se sobrecarrega. Ou, desiste de fazer o que era prioridade, comprometendo assim sua vida social e profissional. Pessoas assim não realizam seus sonhos, projetos pessoais, muitas vezes não se casam porque não conseguem encontrar tempo. Mas, do ponto de vista psicológico, a pessoa que vive sem administrar bem o tempo, constrói uma vida onde se sentirá fracassada.
A segunda é a culpa. Por sentir-se responsável o tempo todo pelo bem-estar de todos, compreende que deve atender as expectativas de quem lhe pede algo, e quando tem que dizer não sente-se culpada. Para se livrar da terrível sensação que a culpa provoca, diz sim, ainda que tenha que fazer sacrifícios para atender ao pedido feito. Logo, se comportam como “salvadoras” do mundo.
O que carrega a culpa por não atender a todas as demandas dos que estão em volta, deixou de compreender que os seres humanos são limitados e vive a fantasia! de tentar agradar o tempo todo, deixando de reconhecer suas próprias limitações. Quem assim se comporta não sabe lidar com a verdade que o humano não é o herói do cinema com super poderes e que agradar as pessoas o tempo todo é missão impossível. É certo que ao manter esta atitude, com o tempo sofrerá um esgotamento físico e emocional.
Para termos saúde emocional, o sim dos lábios tem que estar em consonância com o sim da vontade, dos sentimentos e da realidade.
 Dizer sim, quando gostaria de dizer não, seja porque não deseja fazer ou porque sua agenda está abarrotada é mentir para si mesmo. É estar em discordância com sua realidade interna ou externa.
  Por esta razão, o ensino de Jesus para que "o sim, seja sim, e o não, seja não", se faz tão atual em nossos dias.
Roseli de Araújo
   


quarta-feira, março 13, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus - O problema do julgamento


O julgamento precipitado sobre qualquer pessoa e situação é algo que traz prejuízos em pequenas e grandes escalas. Quando Hitler julgou que os alemães eram a melhor raça e conseguiu influenciar tantos ao seu redor, o mundo presenciou uma das maiores barbáries da história. Mas, todos os dias podemos cometer pequenas barbáries ao emitirmos sobre as pessoas e situações nossas opiniões.  Portanto, considere que os nossos julgamentos, embora tantas vezes nos pareçam tão sem maldade ou malícia, eles estão sendo formados, não só pela realidade a qual nos apresenta no aqui e agora e que não temos todo acesso, mas também pela soma de tudo o que trazemos.
Por esta razão, os ensinos de Jesus Cristo sobre o julgamento fazem tanto sentido. Ele diz:
"Não julguem, para que vocês não sejam julgados.
Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.
"Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão”
(Mateus 7:1-5).
Neste texto, Jesus descreve com maestria a realidade humana que julga ver o cisco no olho do irmão quando na verdade está com uma trave em seus olhos. Contudo, quem com uma trave - um bastão de madeira nos olhos poderia vê cisco no olho de outra pessoa?
O que Jesus afirma é que não somos capazes de ver a realidade de forma plena. Sempre nos faltarão informações para que os nossos julgamentos sejam imparciais, justos. Para a psicologia isso também é uma verdade, uma vez que nossos olhos nos permiti ver o mundo através das grossas lentes da nossa subjetividade,  a qual Jesus neste texto, chama de trave.
Para a psicologia, nós precisamos compreender que a visão de mundo que carregamos passa pelo viés da nossa bagagem interna, do nosso jeito de ver a vida que foi forjado em nós pelos nossos pais ou cuidadores, pelo momento histórico vivido e os eventos que marcaram nossa vida.
E neste texto Jesus com poucas palavras aponta uma realidade psicológica de que o humano não é capaz de ver o óbvio de si mesmo, por está razão deve não fazer julgamentos.
Do ponto de vista psicológico uma pessoa só fará um julgamento justo quando for capaz de abandonar seu juízo de valor – sua subjetividade, seus preconceitos adquiridos e a influência da sua cultura sobre o seu olhar para o mundo. Tarefa complexa.
Jesus também alertou para a realidade das conseqüências do julgamento ao dizer que quem julga será julgado. Psicologicamente falando, quando uma pessoa é alvo da falta da compreensão do outro, ele sofrerá dores que poderão levá-lo a reproduzir a atitude daquele que o machucou. Morre então o diálogo. Nasce o abismo entre os corações que não se compreendem, iniciando um ciclo doentio nas relações. Na clínica é possível perceber que normalmente as pessoas se relacionam com o que pensa que vê sobre o outro e não com sua realidade de fato.
O julgar devasta as nossas relações. Contudo, Jesus deixa subentendido que precisamos um do outro para enxergamos sem nenhum incômodo, ao dizer para tirarmos a trave dos nossos olhos primeiro para então vermos claramente e assim tirar o cisco do olho do irmão. Ele está dizendo que só quem viu sua trave tem misericórdia para estender as mãos e ajudar seu próximo em seu problema.
Mas, não é fácil reconhecer a trave que está em nossos olhos. É preciso humildade e sinceridade, contudo, este é um caminho que deve ser percorrido para que as relações humanas sejam saudáveis.
Jesus em poucas palavras fala com seus discípulos de uma questão grave, capaz de destruir as pessoas, e aponta uma solução a qual todos nos podemos trilhar.

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica


quarta-feira, março 06, 2019

Saúde emocional e os ensinos de Jesus




Eu acredito que um dos grandes desafios que os seres humanos vivenciam é o de serem capazes de viver o que falam.
Como é fácil falar de gratidão e ao mesmo tempo ser ingrato, de amor e odiar muitas pessoas, de perdão e guardar magoas por anos, da importância da paciência e ser impaciente quase que o tempo todo. É impressionante como somos capazes de ofertar palavras de sabedoria aos que estão perto de nós e ao mesmo tempo estas palavras não servem para dar norte a nossa própria vida. 
A psicologia reconhece esta “loucura humana” ao afirmar que somos seres ambivalentes. E esta ambivalência tão bem descrita pelos psicólogos é “a existência simultânea, e com a mesma intensidade, de dois sentimentos ou duas ideias com relação a uma mesma coisa e que se opõem mutuamente”1. Em outras palavras, é a tendência que temos de amar e odiar ao mesmo tempo uma mesma pessoa, um mesmo lugar, uma mesma situação. É o querer e não querer, o desejo de ficar e ir, de fazer e não fazer andando de mãos dadas.
Contudo, para sermos saudáveis emocionalmente é preciso diminuir a distância entre o que falamos e vivemos. Falar aqui significa expressar o que cremos, o que trazemos como princípios para reger nossas vidas, nossos valores, nossa jornada.
Em minha jornada enquanto psicóloga, vou ficando intrigada com pessoas que parecem conseguir harmonizar o que fala com que vive. Considerando o contingente humano que já viveu e vive, foram poucas as pessoas que conseguiram serem fieis ao que falava. Dentre estas pessoas muito conhecida, sou fascinada por Jesus Cristo. Sei que ao mencioná-lo posso suscitar certo desconforto. Afinal, no Brasil, muitos que professam ser seus seguidores, tanto evangélicos como católicos, vivem tão distantes dos seus ensinos que muitas vezes podemos ficar impedidos de ver de fato quem ele é.
Porém, quando estudamos sua vida, fica clara a harmonia entre o que ele falava e vivia. E, seus conceitos uma vez aprendidos e praticados são capazes de nos tornar pessoas mais saudáveis emocionalmente. Digo isto, porque muitos dos conceitos propostos pela psicologia para desenvolvermos uma vida com mais qualidade nós encontramos no ensino e na vida de Jesus.
Portanto, não irei falar do Jesus da religião, vou me deter na ponte que vejo entre Jesus e a psicologia. E lhe convido a seguir comigo nesta série, e conhecer um lado de Jesus que os religiosos em todas as épocas impediram os homens de contemplar.
Sem nenhuma pretensão em dizer que tenha visto tudo, espero que o que vi desta pessoa tão importante na história da humanidade possa contribuir para refletirmos e encontrarmos mais vida em nossas vidas.
Aguardo você para esta nossa nova viagem. Estarei postando um texto todas as quartas feiras e espero ter a sua companhia.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
  1. Dicionário de Psicologia APA.


quarta-feira, janeiro 09, 2019

Solidão é possível vencê-la

Este é o último texto da série "Solidão". Termino deixando algumas orientações de como você pode vencê-la. 
1.     Aceite que a solidão é um sinal de que algo precisa mudar, e se perceber que não consegue sozinho procure ajuda;
2.   Compreenda os efeitos que a solidão tem na sua vida, tanto física como mentalmente;
3.   Considere fazer serviço comunitário ou outra atividade que goste. Estes contextos oferecem oportunidades para conhecer pessoas novas e cultivar novas amizades e interações sociais;
4.  Foque-se no desenvolvimento de relacionamentos com pessoas que partilham atitudes, interesses e valores semelhantes aos seus;

5.   Espere o melhor. Pessoas solitárias muitas vezes esperam rejeição, por isso, concentre-se em pensamentos e atitudes positivos nos seus relacionamentos sociais;
6.    Acredite que o uso exagerado do celular pode produzir o distanciamento dos vínculos sociais;
8.    Importante buscar recuperar os vínculos( com pais, irmãos, tios, avós, amigos) quando possível. Busque dar notícias, entrar em contato.
Não duvide, você pode encontrar colo, aconchego, comunhão. Todavia, lembre-se: Você pode ser a resposta para a solidão de alguém.

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quinta-feira, dezembro 27, 2018

Solidão – É possível combatê-la



Muitas são as causas da solidão. Cultura capitalista, individualista, competitiva, a desigualdade social, o divórcio, a mudança para um novo local, a morte de alguém que amamos o isolamento físico, dentre outras.
Mas, o maior segredo para vencer a solidão é a tal escassa empatia.
Empatia é aquela atitude deabrir-se para sair de seu mundo e entrar no mundo do outro. É buscar tirar os seus confortáveis óculos e colocar os dos outros para compreender como ele vê. É tentar pensar: E se fosse eu que estivesse vivendo isto?
A empatia não é apenas uma decisão sentimental, mas sobretudo fruto da razão que busca refletir diferente do que já ponderou até aquele instante, na tentativa de compreender o outro.
 A empatia é o que nos leva a sair de casa para ajudar o próximo, que nos faz ir ao hospital para uma visita, que nos faz chorar em silêncio diante do luto do outro, que cala todo julgamento diante do não compreendido.
A empatia é coração que pulsa em favor do outro sem nenhuma artéria obstruída. Tem em si o poder de curar a pessoa que a sente tanto quanto as pessoas que dela é alvo. É remédio sem contraindicação.
O mundo está cheio de solitários...
Há aqueles que nada podem fazer para sair da sua solidão, tal é o sofrimento a que foram submetidos.
Mas, você que ainda não foi esmagado. Você que tem pão, tem cama, tem telhado, tem amigos, tem família, tem trabalho, não espere que ninguém resolva a sua solidão. Vá ao encontro do outro, principalmente daquele que nada pode oferecer a você.
Então, ficará surpreso quando perceber que em seu coração não há mais nenhuma fresta de solidão.
Este é o penúltimo texto desta série. Semana que vem terminamos esta curta viagem.

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Solidão – No final somos sós ou somos egoístas?

A solidão não é apenas um sentimento subjetivo causado por dores psicológicas ou traumas vividos, mas é também uma experiência produzida por fatores sociais, econômicos e políticos.
Entretanto é na família que os conflitos comparecem e se fazem mais acirrados. Sejam estes de ordem particular, ou seja, questões vividas por cada membro, tais como suas doenças ou suas tragédias pessoais, como por exemplo: a perda de um membro amado. Ou os de ordem macrossocial, como o desemprego, a falta do pão sobre a mesa, o não acesso a saúde e a violência que nos mantém trancados em casa.
Em um país com tanta desigualdade social, nada é mais solitário do que uma criança no farol pedindo esmola para sustentar um adulto. Nada é mais angustiante do que uma criança que não tem acesso à escola, a uma casa digna, a pais que as eduque e ame. Nada é mais solitário do que uma mulher sem estrutura psicológica e financeira, que apanha do marido em silêncio. Nada é mais solitário que uma velhice onde não se tem com quem contar.
A exclusão social ao tornar as pessoas invisíveis as jogam na cova da solidão. E, se você já entrou em um lugar onde foi claramente ignorado, seja por sua cor ou suas roupas, experimentou, ainda que por pouco tempo, que nada é mais solitário do que o não ser visto.
A solidão é uma chaga, uma dor, uma vergonha. Na verdade, nós podemos ser dela vítima, mas também nós a produzimos quando nos calamos diante das realidades desiguais que nos rodeiam. Quando deixamos de fazer pelos nossos pais o que eles precisam, quando não temos tempo para uma visita, quando gastamos com o supérfluo sem ver a necessidade básica dos que estão ao lado.
Jesus conta certa vez, inquirido por um escriba – interprete da lei judaica -, que um homem foi atacado por salteadores e ficou gravemente ferido a beira do caminho. Passando um sacerdote e levita - líderes religiosos judaicos-, eles o viram, mas não pararam, mas um samaritano, que não era considerado religioso para os judeus, ao vê-lo, fez por aquele homem tudo que podia.  Jesus então pergunta: Qual destes três homens foi o “próximo” do homem que caiu nas mãos dos ladrões? O interprete da lei disse acertadamente: Aquele que teve misericórdia dele.
Nesta história Jesus nos ensina que o próximo não é apenas aquele que nos vê, mas é aquele que faz por nós o que precisamos. Assim, também somos próximos do outro, quando fazemos o que ele precisa.
Sem estar próximo do outro, a solidão se faz. Não existe mãe próxima que não alimente seu filho, não existem maridos e esposas próximos que não dão de si mesmo para que o outro seja suprido, não existe amigos sem a disposição de fazer pelo o amigo o que está em seu alcance.
A solidão é a consequência do nosso individualismo, onde só vemos a nós mesmos e o outro por nós é esquecido. Se queremos vencê-la precisamos dar um basta ao nosso egoísmo.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

quarta-feira, dezembro 12, 2018

Solidão – Eu preciso de você



Muitas teorias afirmam que os seres humanos são sociais. Desde o seu nascimento carece de mãos e olhares, trazendo em sua genética a necessidade de companhia. E não é por acaso que até hoje o maior castigo imposto no sistema carcerário é o isolamento na solitária. Nada mais terrível do que viver o silêncio, não só das palavras, mas do toque, de não ser visto e não ver.
A solidão pode matar aos poucos, nos tornando suscetíveis, principalmente depois dos 50 anos a pressão alta, baixa imunidade, depressão e perda da qualidade do sono.1
Portanto, a solidão a qual vou tratar, não é aquela em que nós escolhemos estar só, seja porque precisamos descansar ou produzir algo. Neste caso, a solidão é apenas a pausa temporária da presença humana, a qual é necessária em muitos momentos. Mas, daquele sentimento de não fazer parte da vida de ninguém e de nenhum lugar, da falta de pertencimento, do falar ao vento, do vazio de não ser aceito e de não acolher o outro. Da dor produzida pela certeza de que não adianta falar porque o outro não vai compreender.
Martin Buber nos fala da importância do encontro. Daquela experiência indescritível que vivenciamos ao estarmos ao lado de alguém, seja conversando ou não, e ter a certeza de que estivemos juntos. Entre nós ocorreu o que não podemos explicar com palavras, mas sabemos que vivenciamos porque os nossos sentidos apreenderam o outro e outro nos capturou.
Quando vivemos e não passamos pela experiência do encontro, entramos e saímos dos lugares sem fazer contato. Porém, o contato é a chave que pode nos levar ou não ao vínculo que precisamos fazer para pertencer. Sem os vínculos perecemos, uma vez que precisamos de relações profundas em que as nossas almas se abracem num abraço que dure.
Sem estar com outro e ele conosco, perdemos nossa identidade e razão de ser. Mas, nem sempre nos damos conta desta realidade. A nós foi vendida a ideia de que ter é mais importante do que ser, portanto, aprendemos a valorizar as coisas mais do que as pessoas. O que é a maior tragédia vivida em nosso tempo.
Então, cuidado. Avalie seus valores. Precisamos das pessoas mais do que qualquer outra coisa. Acredite!
Roseli de Aráujo
Psicóloga clínica
Referência:
1. https://super.abril.com.br/ciencia/solidao-mata/

quarta-feira, dezembro 05, 2018

Solidão – O natal e o seu poder de nos adoecer



Nesta próxima série irei escrever sobre solidão. Este tema foi sugerido por uma querida leitora do blog.



O mês de dezembro, onde comemoramos o festivo e colorido natal, os consultórios médicos ficam lotados, principalmente os psiquiátricos. O que ocorre é que as dores causadas pelas tragédias familiares, a luta que se trava ao lidar com doenças crônicas, a saudade de queridos que partiram, mágoas, casamentos desfeitos, a distância dos amigos ou a falta deles, o cansaço de um ano com muito trabalho, tudo isso confronta com a realidade de que não será possível sentar a mesa com os nossos familiares e amigos em alegria e paz.
Nestes períodos festivos, a solidão pode então encontrar um terreno fértil. Como praga crescer rapidamente no coração, fazendo brotar aquela sensação interna de que não é possível se conectar com outra pessoa, de que ninguém pode compreender o que sinto, da mesma forma em que também não posso compreender o outro.
E nesta insuficiência do oxigênio da identificação, onde não somos vistos e não vemos o outro, corremos risco de morte.
Atualmente, a cada quarenta segundo uma pessoa se suicida em todo o mundo, portanto, em um ano perdemos um milhão de pessoas. Estudos atuais apontam que 50% dos suicídios têm como causa a solidão, o que faz com que este tema seja de importante reflexão1.
Penso que a solidão é o enfarte da empatia, que pode com certeza nos levar a morte se não tratado em tempo hábil. Por esta razão, acredito ser este um bom momento para escrever sobre este tema. Veremos suas possíveis causas e como podemos combatê-la.
Esta série vai ser uma viagem curta, mas espero por você.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
Referência:

1.   1. https://super.abril.com.br/ciencia/solidao-mata/