quarta-feira, abril 05, 2023
segunda-feira, abril 03, 2023
Na praia
Todos estão confusos. Sentem-se
vazios... A vida sem a presença do mestre Jesus os deixava com a sensação de
não saber ao certo o que fazer.
Dentre eles, Pedro tinha o
coração ainda mais dolorido. É difícil enfrentar a realidade de ser menos,
quando se pensou, ser mais. Pelo mestre, acreditou que conseguiria dar a
própria vida. Mas, como todos os outros, o negou.
Naquela noite, sentindo um peso
no peito frente ao futuro que nada o acenava. Ele disse, ‘vou pescar’. Os
outros discípulos que estavam na praia juntaram-se a ele. Afinal,
eram homens do mar, antes de andar com o mestre. E como também não sabiam como
recomeçar, fazer o que se sabe podia ajudar a encontrar de volta o caminho.
Eles pescaram a noite toda. Nenhum peixe apanha.
Exaustos e com fome, retornam à praia ao amanhecer, ainda mais confusos...
vazios...
Mas, o mestre Jesus estava na praia. Contudo, os
sentimentos confusos, ansiedade quanto ao futuro, a fome presente, o cansaço de
lutar e nada ter, roubaram deles ver o que tanto precisavam. Eles não o
reconheceram.
Mas, Jesus estava na praia naquele amanhã, em que a
esperança, parecia uma fumaça a se perder no tempo.
Não se esqueça.
Naquela manhã, Jesus estava na
praia.
Psiu... vou repetir:
Naquela manhã, Jesus estava na praia.
Roseli de Araújo
Escritora e Psicologa
(texto baseado em João 21)
sexta-feira, março 31, 2023
Da cozinha da minha casa, avisto o canteiro ainda sem semente a germinar, e ele, me parece cova, a lembrar o fim da jornada.
A terra que o compõe, por um instante me parece impassível e
orgulhosa, a me contar que é chão para os que caminham e fundamento para casas
que se levantam, que é vaso para todas as plantas, abrigo para os animais,
fronteiras para as águas dos rios e mares, sustento para o trabalho que alimenta
a vida.
Fico maravilhada e desnorteada ao mesmo tempo, diante da potente
terra.
Sei que ela, suga o suor do meu rosto e me anuncia seu
triunfo, quando se desfizer do meu corpo.
Confesso que por alguns instantes, o silêncio da esperança
assombra, até que a Vida a mim sussurra, ‘o meu corpo se tornará sustento,
fundamento, beleza e limite, servindo a gerações futuras’.
E naquele dia quando meu redentor me fizer ressuscitar, verei que a esmagadora morte, apenas e tão somente, foi instrumento, a servir a todos os seus propósitos, nesta vida que, hoje, me pareceu tão frágil.
Roseli de Araújo
Escritora e Psicóloga
terça-feira, março 28, 2023
Sobre a mesa uma roseira amarela. Seu aspecto muxo e
escuro, revela uma flor sem vigor.
Aproximo. Descubro que o caule rente ao botão está em
processo moribundo a anunciar a morte na bela flor que despontou.
Do outro lado da mesma roseira um botão pendido, toco na
tentativa de salvá-lo, mas o caule rente ao botão se vergou impedindo que a
seiva corra.
Fiquei a contemplar duas flores interrompidas em seu curso.
Até que meu olhar se deteve sobre um botão viçoso com
folhas novas e vi que lá a morte não apagou a beleza da vida que estava
presente.
E percebi que assim eu sou.
Trago um corpo que adoece e se dobra ao tempo. Mas, também um
Espírito a me soprar a vida, não me deixando murchar e nem perder a cor.
segunda-feira, março 20, 2023
Ela queria...
Ela queria apenas uns poucos
minutos sem o celular na mesa. Desejava papear, olhar nos olhos e rir do
simples, juntos.
Ela queria apenas uns poucos
minutos... Não entendia quando e porquê sua presença deixou de ocupar um lugar
em sua vida. E passou a sentir saudade de um tempo encantado, onde um dia
estiveram juntos.
Ah.... Como ela queria...
Ah... Como ela queria aqueles
poucos minutos sentados à mesa! Na tentativa de tê-los, reclamou. Mas, ele
continuava a mirrar e a conversar com as pessoas de outros lugares...
E os dias foram passando. Ela
foi ficando tão só na mesa que deixou de acreditar que os dias passados, com
ele, voltaria.
Então... mais dias se passaram, ela se esqueceu que ele, estava assentado ao redor da mesa.
Afinal, quem resiste a força de muitos dias?
Roseli de Araújo
Escritora e psicóloga
A felicidade é um estado de
reflexo de um rio calmo que o coração deseja encontrar.
Por este rio, os nossos braços se
desgastam. Ah... Como queremos alcançá-la!
Porém, descubro que a felicidade
é estrada para aqueles que aprenderam a não partir sozinhos. A estes, que
buscaram companheiros de viagem e cujos corações se encontraram num mesmo
propósito, o mapa desta geografia tão desejada, foi entregue.
Pois a alegria é fonte certa, onde
estiver dois ou três reunidos, no reino do Pai que em Cristo nos amou primeiro.
quarta-feira, outubro 12, 2022
O silêncio que assombra
Eu me
sento, mas não tranquilamente. Percebo nos sons que me rondam uma opressão. Sobre
ou dentro do peito? Não sei bem.
Carros
lá fora, geladeira a tinir um ruído constante, pássaros cantando do outro lado
da casa, uma mosca zumbindo a perturbar, a moto passando, um caminhão a frear...
Dentro
de mim a urgência, ainda que eu não tenha compromisso com hora marcada.
Pensamentos
vem... há tanta coisa a fazer e o relógio parece correr sem preocupar-se em deixar-me
para trás.
Ao
lado, o telefone, portão amado e cúmplice das minhas fugas, a me convidar ao
vasto mundo que entro através dele. Digo não!
Quero
ouvir o barulho que só se escuta no silêncio, e abraçar a calma que posso
encontrar no Espírito que habita em mim.
Volto
para dentro. Encontro agora o coração mais livre da pressa que o instiga a
fazer, fazer e fazer, a se confortar, no momento do agora.
E me
lembro das palavras de Jesus, ‘observai os pássaros, observai os lírios’, e me
dou conta que a vida não é hoje, a vida é agora.
Li pela
manhã um post que diz que o professor se cala durante a prova, e está é minha
sensação diante das ansiedades que me sobrecarregam. Como o silêncio de Deus
parece assombroso, penso.
Mas, sei que Deus vai abaixando seu tom até o
silêncio diante de mim, como alguém com calma, vai falando cada vez mais baixo
diante de quem grita.
Neste
instante, sei que preciso mais uma vez ponderar a partir do silêncio que fala
mais do que 10 mil palavras. Deixar a consciência se tornar mais consciente. E provar
do jugo suave e do fardo leve daquele que habita em mim.
segunda-feira, novembro 30, 2020
Série Vendo Jesus em Marcos – O que te move hoje?
Marcos
2: 1-12
Após uma viagem de mais de 10 horas de carro, ainda que confortável, quando chego em casa tudo o que desejo é ter privacidade para descansar. Jesus, porém, mais famoso que Denzel Washington (meu ator preferido), após uma viagem longa a pé, sob o sol escaldante da sua terra, vê sua casa cheia como uma oportunidade para cumprir o propósito da sua vida. Sem privacidade e tampouco descanso, eu iria reclamar. Jesus os recebe na sala de sua casa e prega a Palavra.
Casa lotada, como a maioria dos ônibus nas capitais do Brasil no horário de pico, pessoas ocupam todos os lugares quando alguns homens chegam com um paralítico. Vendo que não tinham a menor chance de entrar, sobem ao telhado buscando encontrar o ponto onde Jesus estava e removem a cobertura e baixam o paralítico.
Jesus ouvindo o barulho no telhado ergue os olhos e vê, junto com a luz, não apenas a entrada de um homem baixado em uma maca pelo esforço daqueles homens. Ele viu o que estava dentro do coração - a motivação.
Muita coisa poderia ter movido aqueles homens para levar aquele paralítico ao telhado. A necessidade de aprovação dos colegas, o desejo de serem conhecido como “cabra macho”, o medo do paralítico ficar chateado com eles, a necessidade de aventura-adrenalina. E tantas outras...
Mas, aqueles homens foram movidos por uma fé.
A fé que nasce do desejo de levar ao outro a oportunidade de encontrar a cura. A fé que crer
que na presença de Jesus há esperança para os feridos. A fé que busca benefício para o outro apesar das
dificuldades impostas pela multidão. Fé que transforma um telhado em um caminho
de possibilidades.
A fé daqueles homens era diferente da fé que somos
ensinados hoje. A fé deles não buscava em Deus resposta para seus problemas
pessoais. A fé deles não era insistente em benção para se acumular e ser exibida
para que outros vejam como somos “honrados por Deus”. A fé deles só desejava a
cura para o amigo. Não era a fé que
decreta a realização de milagres para benefício próprio. Era a fé que se alegra
que o outro tenha a oportunidade da sua maca ser transformada em troféu.
Jesus viu a fé deles.
E qual é a fé que te move hoje?
Não é mesmo assombroso?
Roseli de Araújo
Escritora e Psicóloga
segunda-feira, novembro 16, 2020
Série vendo Jesus em Marcos – A compaixão que rouba agendas
Ele era apenas mais um leproso. Como ele, existia muitos
vivendo as margens das cidades, proibidos do contato com outras pessoas. Abandonados sem nenhum direito à cuidados,
viviam isolados do conforto do toque, do cafuné, dos abraços apertados e da
doçura do beijo.
A religião propagava que a benção de Deus não estava com
quem tem lepra. Eles eram pecadores sem perdão. Humanos de segunda categoria.
Gente como os pedófilos nas cadeias, que só sobrevivem isolados.
Vistos como seres
amaldiçoados por Deus, eram temidos como a pior peste. Ter lepra era mais
isolador do que ter covid-19.
Mas, o leproso de Marcos 1:40 ao ouvir falar de Jesus, tem
acesa em seu coração a fé e a esperança de dias melhores. Tal sentimento quando
surge dá força. Levando o leproso a ficar à espreita, à margem da estrada na
expectativa de ver Jesus. Ao avistá-lo, eu o imagino lutando por alguns
instantes com os monstros do isolamento e da rejeição cravados em sua alma, porém,
a fé que nasceu o movimenta.
Jesus o vê se achegando. Ele não se move do lugar. O
leproso chega tão perto que ao estender a mão, Jesus o toca. Os discípulos que
estão ao seu lado levam a mão na cabeça, “como o leproso ousa a se aproximar e
como Jesus se atreve a tocá-lo?” A lei não permite tocar leprosos. O silêncio
do assombro os toma.
Mas, Jesus está comovido pela compaixão. Algo no jeito deste
leproso mexe com seu coração. Ele diz a este leproso, ‘Eu quero curá-lo’, e o
cura.
Agora, vendo Jesus em Marcos eu fico desconfortável... A
compaixão de Jesus é diferente... Não é um discurso distante do doente, não é
apenas o desejo de ajudar, não é a fala bonita daquele que diz, “se um dia eu
ganhar na mega sena, vou construir um orfanato ou asilo”. A compaixão de Jesus
é ação - mão estendida.
A compaixão de Jesus explode as muralhas culturais e
religiosas construídas ao longo de milhares de anos, permitindo ao leproso a
entrada na cidade, no templo, em casa.
A compaixão de Jesus não busca os holofotes da fama. Ele
entende bem o perigo da publicidade. Sabe que a mesma propaganda que o torna
conhecido, pode se tornar impedimento para cumprir sua agenda. Diante disso, avisa
o leproso para não o anunciar. O leproso curado não consegue obedecê-lo. Sai a
dizer, “Jesus me curou”.
Como Jesus previu, sua desobediência prejudica sua agenda. Mesmo sabendo disso, Jesus não deixa de
curá-lo. Não fica a reclamar por não entrar nas cidades.
E a compaixão que o fez perder sua agenda, dá a Ele uma
nova. E mesmo em lugares desabitados, Jesus, atraiu para si pessoas de todas as
partes. Elas vão ao seu encontro desejando serem tocadas por aquelas mãos que
não temeu tocar um leproso.
O mundo segue cheio de leprosos. Mas, carece da compaixão de Jesus que vê mais o doente do que a doença, que toca quem está na solidão a margem da estrada e se dispõe a perder agenda para abençoar.
Vendo Jesus em Marcos, eu me vejo com muito pouca compaixão-ação. Sinto vergonha deste Jesus de mão estendida. Então, clamo, “Jesus me dá desta sua compaixão”.
E você?
Roseli de Araújo
Escritora e Psicóloga clínica.
sábado, outubro 31, 2020
Vendo Jesus em Marcos -Jesus foi expert na administração do tempo
Marcos
1:21-38
Eu
sempre tive dois sonhos na vida, ser psicóloga e escritora de romance.
Pisei na estrada para realizar o sonho da psicologia em
1993, quando prestei meu primeiro vestibular. Entrei para Universidade
Católica, e no primeiro semestre, comecei empolgada, depois de três meses,
desisti.
Por muitos anos acreditei que minha curta permanência na
psicologia foi por questões financeiras. Hoje, olhando com as lentes dos anos
vividos, sei que a razão foi bem outra... É claro que tento desculpar-me,
porém, não encontro mais conforto nesta atitude. Sei com clareza o que foi que
me faltou.
E o que me foi escasso, vejo em Jesus ao ler Marcos que
foi maravilhosamente abundante.
Ele, sabendo do seu propósito na vida, começa escolhendo seus
discípulos, e vai para Cafarnaum. Nesta cidade, sua agenda é apertada.
Lá,entra em uma sinagoga e ensina. No meio do culto, uma
pessoa possessa de espíritos malignos aparece, Jesus a liberta. Depois vai para
casa de Pedro, cura sua sogra que estava com febre.
A notícia dos seus milagres correu mais rápido do que uma
mensagem que enviamos via WiFi. No final do dia, a casa de Pedro estava cheia
de pessoas a sua procura.
No outro dia,Jesus levanta de madrugada e sai para orar em
um lugar deserto. Quando Pedro acorda, e não o encontra, vê que sua casa já tem
gente na porta. Os discípulos saem afobados à procura de Jesus.
Pedro, o proativo do grupo dos escolhidos, ao vê-lo vai
logo dizendo que todos o buscam.
Agora. Preste atenção no que Jesus responde. Ouça o que Ele
diz:
‘Vamos a outros
lugares, às povoações vizinhas, a fim de que eu pregue também ali, pois para
isso é que eu vim”.1
Em Cafarnaum sua agenda não tinha espaço para nenhum
encaixe. Ele cura e liberta pessoas. Fica famoso em questões de horas.
Mas, Ele não se deixa distrair. Ele sabia qual era o seu
propósito, e como deveria cumpri-lo, e não se deixa distrair.
Jesus sabia que um dia naquela cidade era pouco para
atender todas as pessoas necessitadas de serem libertas e curadas, mas Ele não
se deixa distrair.
Jesus manteve o seu foco. Preste atenção. Mesmo diante das
necessidades reais daquela cidade e da fama que ganhou tão rápido, Jesus não
titubeia.
Confesso, me impressiono.
A necessidade, sempre é algo que nos pressiona e
normalmente ocupa o topo das prioridades humanas.
A fama é sedutora. Alimenta nossa vaidade. Queremos ter como
os moradores de Babel2, um nome célebre.
Mas, Jesus, não se deixa distrair.
Saber o propósito para o qual fomos criados e como
cumpri-lo é dever que não podemos deixar de cumprir, como diz o Pastor Labieno,
nesta eternidade.
Mas, ao ver Jesus em Marcos eu tenho clareza, eu me
deixei distrair.
Em meu coração sempre soube que a psicologia e a escrita
eram vocações para serem seguidas. Eu me deixei distrair.
Em muitos momentos na estrada, por não saber como cumprir
meu propósito e pressionada pelas necessidades minhas e de outros, eu mudei a
rota.
Longe da minha vocação fui infeliz. Era como se o tempo todo faltasse algo.. E a alegria só
retornava quando eu pegava de novo a estrada rumo ao propósito destinado a mim.
Em 5 de outubro de 2013 quando peguei meu diploma de
psicologia nas mãos, 20 anos após ter prestado o vestibular, tive a sensação
que meu coração iria explodir de tanta alegria. Naquela noite, prometi a mim
mesma que iria escrever, ao descobrir como era maravilhoso estar alinhada ao
propósito da minha existência.
Olho para trás e lamento o tempo perdido. Se eu tivesse
ficado firme em minha vocação já teria 22 anos de formada, hoje só tenho 7.
Teria escrito pelo menos 30 romances, hoje, tenho apenas 3.
Mas, Jesus não se deixou distrair e diferente de mim, não
teve do que se lamentar. Não desviou o seu curso, apesar das multidões dos
cuidados que dele era exigido. Ele cumpriu seu propósito.
Ele veio para anunciar o seu reino em Cafarnaum, mas,
sabia que tinha que ir outras regiões da Galiléia, Samaria e Judéia.
E você? Qual é o seu propósito? Sabe como cumpri-lo?
Se não tiver bem claro a resposta para estas duas
perguntas, então saiba, você como eu, terá do que se lamentar.
Mas, se quiser aprender com Jesus a não se deixar distrair, então faça o que Ele fez, no meio das necessidades e dos
sucessos que te cercam, levanta na alta madrugada, procura um lugar deserto. Fale
com Deus - o Pai. Tenha certeza. O Pai trará a você toda clareza.
Se como a mim, você perceber que já perdeu muito tempo.
Não se desespere. O Pai, ainda, te espera.
Escritora e Psicóloga
Roseli de Araújo
Referência:
1.
Marcos
1:138
2.
Gênesis
11:4
domingo, setembro 13, 2020
Série – Vendo Jesus em Marcos – Jesus e seu
estranho poder

Andando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e
seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores. E disse Jesus:
"Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". No mesmo instante
eles deixaram as suas redes e o seguiram.Indo um pouco mais adiante, viu num
barco Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, preparando as suas redes.
Logo os chamou, e eles o seguiram, deixando Zebedeu, seu pai, com os empregados
no barco. (Marcos 1:16-20)
Criada no evangelho desde a infância, Janine, contava que
pedia a Deus alegria, e a alegria chegou quando tinha 17 anos.
Resistente ao modelo de “crentes” que eu convivia,
percebi que ela me apresentava um Jesus completamente diferente. Janine foi a
primeira pessoa que me falou de Jesus de um jeito que eu quis ouvir. Creio que
foi por causa da sua doce e terna educação que meu coração cativo se abriu para
ouvi-la. A experiência da Janine me intrigou por algum tempo. Passei a
perguntar, quem era mesmo Jesus?
John MacArthur, falando da cronologia do chamado dos
apóstolos ao ministério, nos informa que os primeiros discípulos chamados eram
seguidores de João Batista, portanto, ao ouvir que Jesus era o cordeiro de
Deus, passaram a segui-lo1. Contudo, eles se tornaram discípulos de
tempo integral quando Jesus vendo-os trabalhar na pesca os convidou para serem
pescadores de homens.A história nos conta que eles quando chamados por Jesus, imediatamente,
sem demora, prontamente, depressa, deixaram suas vidas construídas para segui-lo.
Pergunto-me o que eles viram no Jesus que eles já criam
que os fizeram tomar uma atitude tão radical em suas vidas?
A teologia vai dizer que foi a graça irresistível, isto
é, que Deus quando nos chama não temos como negar, porque Ele o faz de tal
maneira que não podemos resisti-lo. Entendo. Contudo, confesso que para mim não
explica o que eles viram. Arrisco pensar que o que viram transcende ao olhar
humano. É uma daquelas experiências que só podemos compreender do lado de
dentro, no lugar do vivido, a qual palavra nenhuma abarca.
O que sei é que o que viram em Jesus, deu-lhes coragem
para deixar tudo;o que viram em Jesus se tornou mais importante do que todas as
conquistas feitas até aquele momento; o que viram em Jesus era mais poderoso do
que todos os sentimentos e laços afetivos forjados pelo sangue e o tempo; o que
viram em Jesus os fez se arriscar numa aventura a qual não tinham nenhuma
perspectiva de segurança. É mesmo impressionante o que viram.
Sou psicóloga e sei que eles experimentaram algo que os
fez viver em um curto espaço de tempo, uma radicalidade vista raramente,
levando-os a ressignificar toda a vida. Assombro-me com o que eles viram, pois
me parece que ao ver foram tocados por um poder que não os permitiram continuar
vivendo como viviam.
De verdade, acredito que a Janine foi visitada um dia por
esse poder. Da tristeza insistente, num instante, ganhou uma alegria perene, a
qual quem conviveu e convive com ela, pode ver.
Ela me falou de Jesus por dois anos, eu cri e passei a
segui-lo, mas vendo os discípulos aprendo que há algo mais do que apenas
conhecer e crer em Jesus, talvez como diz John MacArthur, este seja só o
primeiro nível da vida cristã.
O segundo nível, só experimenta aqueles que viram em
Jesus o que os discípulos viram. E quando isso acontece tudo é deixado para trás.
Novas pessoas eles se tornaram, e o vivido por eles, até
aquele momento se tornou antigo, e tudo se fez novo2, diz o apóstolo
Paulo que também viveu a experiência dos discípulos.
Tocados pelo que viram em Jesus entregaram-se
completamente!
Fiquei perguntando-me, será que estou vendo o que os
discípulos viram?
Roseli de Araújo
Escritora e Psicóloga clínica
Referência
1.
Livro:
12 homens extraordinariamente comuns, pg.23. Autor John MacArthur.
2.
IICoríntios
5:17
sábado, agosto 29, 2020
Vendo Jesus em Marcos – Que estranha identidade
Depois que João foi preso, Jesus foi para
a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus.
“O tempo
é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e
creiam nas boas novas!” (Marcos 1:14,15)
Não misturando o velho com o novo. Jesus espera o fim do ministério de João,
e só dá inicio ao seu, após a prisão dele.
Para Jesus, João Batista era o último representante da lei e dos profetas1,
porém, agora, Jesus vem para inaugurar um novo ciclo, uma nova era.
Sem hesitar quanto a sua hora, começa dizendo que o “tempo é chegado”, em
outras traduções, “o tempo é cumprido”. Ressaltando, que as profecias a
respeito da sua vinda já estavam em andamento. Como já foi dito, Ele, sendo
Deus, tinha assumido a forma humana e estava vivendo com os seres humanos e
como eles. Agora, porém, era o momento de tornar publica a sua identidade e
propósito.
Eis o grande mistério que cerca a sua vinda: Cem por cento Deus e cem por
cento homem, Ele possui uma identidade a qual é única em todo o
universo.
Seu propósito é anunciar o Reino de Deus, o seu Reino. Ao dizer que o “Reino
de Deus está próximo” nos revela que não só tinha uma mensagem, objetivo e propósito.
Ele mesmo era a mensagem, o objetivo e o propósito. Por estar entre nós, o seu
Reino, agora, é uma realidade que pode ser conhecida por nós.
Para entrar no Reino que está próximo, Jesus diz que o passaporte é o “arrependimento
e o crer nas boas notícias”.
Mas, do que devemos nos arrepender?
Para responder a esta pergunta, precisamos ir a João quando este nos
relata o diálogo de Jesus com os judeus que não criam na sua identidade. Para
estes, Jesus diz: Vocês são aqui de baixo eu sou lá de cima. Vocês são deste
mundo; eu não sou deste mundo. Eu lhes disse que vocês morrerão em seus
pecados. Se vocês não crerem que Eu Sou, de fato morrerão em seus pecados.2
Aqui compreendemos que o arrependimento que devemos experimentar passa pela
consciência da sua identidade. Aqueles judeus não creram em quem Ele afirmava
ser, não podendo ver o Reino de Deus que estava próximo.
As boas notícias que devemos crer é que Ele – o Deus que se fez homem – veio
a este mundo para nos dar a oportunidade de desfrutarmos do seu Reino. Logo, o
maior pecado que abrigamos é o de não crermos em quem Ele é.
Sua identidade e propósito é assunto complexo. A lógica humana não é
suficiente. Sem a fé, não é possível ver o Deus que se fez Homem.
Roseli de
Araújo
Escritora e
Psicóloga
Referência:
1.Mateus 11:
11-13
2. João
8:23,24.
sexta-feira, agosto 21, 2020
Série - Lendo Marcos para ver Jesus – Jesus aceita o bolo
Jesus, em um momento transcendental maravilhoso, onde
ouve Deus, o Pai, lhe falar do seu prazer em se relacionar com Ele, é levado
para um lugar de difícil habitação, o deserto. Lá, fica por 40 dias em jejum,
cercado de animais selvagens, e no término destes dias, ainda recebe a
inoportuna visita do inimigo, que lhe apronta ciladas para o ver cair1.
E Jesus transita entre a experiência do sagrado e a do
deserto sem se perturbar. Do momento maravilhoso para o desagradável, os evangelhos
não têm registros de nenhuma palavra, tais como: “eu sou cara” ou “ nossa o que
eu fiz para merecer isto”. Considerando que eram situações peculiares e capazes
de provocar muita euforia ou desespero, a impressão que fica é que Jesus passou
por elas com um equilíbrio emocional, não comum aos seres humanos.
Se eu estivesse em seu lugar seguramente ficaria confusa
em passar pela experiência maravilhosa de receber o Espírito Santo, ouvir Deus
Pai e logo após ser levada para uma experiência de sofrimento, em um lugar
difícil e com o inimigo aprontando situações para que eu viesse a cair.
Por isto, vendo Jesus, perguntas brotam, o que o fez não
se ensoberbecer? Quem falava com Ele era o Deus Pai, e suas palavras foram
sobre a alegria que sentia por Ele. Nós, se vivermos uma experiência bem menos relevante do que esta, com certeza vamos pensar, ‘eu sou o cara’! Se percebermos que agradamos,
passamos a crer que o mundo ganha em nos ter. Sabemos que a humildade
não é decoração natural nos seres humanos. Para adquiri-la é sempre muito anos
de jornada e muitas quebras da alma.
Por outro lado, o que o fez não reclamar do deserto, dos
animais, do inimigo? O que o fez não se apavorar com o sofrimento? Sendo este
sempre o lugar das perguntas complexas sobre a existência, para o ser humano.
Diante do não
compreendido, esbravejamos; Somos dominados pela ansiedade diante da falta de
controle do futuro; Não aceitamos colheitas de frutos ruins quando temos
certeza de não termos semeado.
Não sei você, mas eu não quero ser levada para o deserto
e nem para a presença de inimigos. Amo a vida e espero que ela seja um bolo
pronto onde eu possa desfrutar apenas o chantilly, o açúcar de confeiteiro, o
recheio de chocolate. Nada de bater a massa. Ser batido dói.
Porém,Jesus aceita o bolo da vida, completo. Vive o
momento do êxtase tanto quanto o momento do deserto. Aceita com alegria, sem
pretensão, ser reconhecido, e, também aceita ser batido e passado pelo calor do
fogo, sem murmuração.
Estas experiências acorrem com Ele antes de escolher seu
time de trabalho, os doze discípulos. Elas nos falam que Jesus está pronto para
começar sua jornada pública. Ele vai viver momentos de glória, onde vai curar,
libertar e ser aclamado pelo povo. Contudo, vai enfrentar a dureza dos
corações, a incredulidade. Não lhe faltará inimigos, será
perseguido e traído.
Olhando-o de perto, desejo muito aprender com Jesus aceitar
o bolo da vida completo, pois ele é massa feita de risos e lágrimas.
Roseli de Araújo
Escritora e Psicóloga











