sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Ser Crente, Ser humano


A data do lançamento será marcada assim que o local estiver confirmado. Até lá, estarei compartilhando nos blogs trechos do livro. Para os amigos que me acompanham, vão lá no novo endereço do blog, é um espaço muito mais interativo e logo estarei postando apenas lá :http://asdiversascarasdamente.tumblr.com/ 


Introdução do livro Ser Crente, Ser Humano.

Às vezes, vivemos noites tão escuras que nem a perspectiva do amanhecer parece trazer algum conforto para a alma. O sofrimento é tanto que em vão tentamos descrevê-lo! O corpo dói, o coração fica apertado no peito, como se estivesse seguro por mãos que o esmagassem com força, por vezes um suspiro é arrancado do íntimo e você se assusta com a intensidade dele. Lágrimas surgem espontaneamente; ainda que tentemos não chorar, elas, teimosas, molham o rosto; outras vezes, elas secam e em vão buscamos chorar a angústia que nos oprime, e descobrimos que estamos como nascentes cujas matas ciliares foram destruídas. Percebemos que muita coisa morreu dentro da gente, apesar de estarmos vivos, e a dor que experimentamos nos transforma em outra pessoa, ficando a sensação de desconforto. Agora convivemos com um estranho dentro de nós.

E, mesmo nesse estado dolorido e sem força, percebemos que as pessoas ao lado não suportam o nosso pranto. Temos então o desprazer de descobrir que o choro, tão necessário, pode desequilibrar os que estão por perto, e que estar em uma sociedade que aprendeu a não lidar com o sofrimento pode ser uma experiência muito solitária!
Em casa, queremos poupar a família. Na igreja, quando ousamos compartilhar, tantas vezes escutamos exortações que nos são feitas sem que sequer sejamos ouvidos. Os irmãos nos dizem para termos mais fé, nos lembrando que “tudo coopera para o bem dos que estão em Cristo Jesus1. E mesmo esses preciosos e verdadeiros versículos bíblicos, nesses momentos, podem não fazer nenhum sentido, porque a dor que nos fere pode nos desequilibrar, tornando-nos fragilizados e expostos a uma tentação até ali inimaginável, gerada pelo sofrimento. No que vai contribuir a morte de um filho que tinha toda uma vida pela frente, um filho que se declara homossexual, um divórcio, um marido que escolheu outro homem, a violência de um estupro, uma doença que imobiliza para sempre quem até então andava, a amputação de um membro, o roubo que nos tira o que por anos foi construído com a força do trabalho? Diante dos absurdos que podemos viver neste mundo – que jaz no maligno2 –, a alma grita: como tudo isso vai “cooperar”? É loucura! E nos sentimos ainda mais esmagados, até culpados, porque sabemos: o que nos é dito é a Palavra de Deus.
Porém, nessas noites escuras, a fria citação de versículos como se eles fossem poções mágicas, sem o envolvimento daquele que nos “ouve”, pode produzir em nós uma raiz de amargura que, se alimentada, vai nos “privar da graça de Deus e ainda contaminar muitos”3.
Em relação a Deus, podemos pensar: ‘bem que Ele poderia ter nos livrado daquela situação, não é Ele poderoso e soberano?’... Porém, não ousamos falar! O temor que nos resta diante de um Ser Poderoso sem misericórdia não nos permite verbalizar, e em sociedade seríamos certamente repreendidos.
Passamos então a conviver com uma raiva mantida sob um véu de tule, que na verdade não a oculta – embora seja essa a sensação psicológica – e, na medida em que assim vamos seguindo, desenvolvemos uma indiferença que nos torna tão frios como os túmulos de mármore nos tempos de inverno.  E vamos ficando secos da vida abundante prometida4, porque os rios de águas vivas que correm dentro daqueles que creem em Jesus, como dizem as Escrituras5, estancaram-se em nós “de repente”.
Sonhar? Parece-nos filme de ficção científica. E, cansados, vamos desistindo de muitas coisas ao longo da vida, e quando alguém nos aponta alguma esperança, é com desdém que a olhamos.
 A morte, essa indesejável, torna-se um anseio não confessado. Contudo, o que se revela nas entrelinhas das nossas palavras é que morrer é muito melhor do que viver, e se o Todo-Poderoso nos permitisse, ah... se Ele nos consentisse... que alívio seria!
A igreja, antes tão importante, agora perde o valor, deixamos de ir ou, se continuamos a frequentar os cultos, é por causa do hábito religioso adquirido e por ser o único meio social a que estamos acostumados, porém não queremos comunhão: na verdade, a tememos. É claro que isso também não expressamos, porque certamente escandalizaria muitos.
E adoecidos seguimos, sufocando o choro, a angústia seca de lágrimas e a raiva disfarçada de ironia. Mas, se assim nos encontramos, precisamos de forma urgente – “pra ontem” – buscar ajuda.

Esse livro foi escrito por quem assim já viveu, mas que voltou a beber na fonte das águas vivas. E eu o convido a essa leitura, que não precisa ser sequencial, pois cada capítulo trata de um tema, com o único desejo de que A Vida prometida por Jesus volte à sua vida.
Referências:
1 Romanos 8:28
2 I João 5:19
3 Hebreus 12:15
4 João 10:10
5 João 7:38

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Ser feliz


Estar feliz é complicado! As pessoas aguentam mais nossas lágrimas do que as nossas alegrias. É estranho esse mundo, não?
Quando fiquei viúva, me assustei com essa realidade, enquanto eu chorei, as pessoas se compadeceram, mas quando decidi que devia ir a luta, e, seguir a vida, percebi que estava só.
É engraçado o quanto as pessoas são capazes de lhe dizer, ' nossa como você engordou ', mas se você diz que está fazendo dieta, logo te oferecem algo pra comer, afinal, qual o problema quebrar o regime só hoje?
Se você decide fazer uma faculdade, as pessoas dizem, ' isso não dá dinheiro sua boba ', é difícil demais o mercado, mas se desisti, você é um preguiçoso, é um fraco. Meu Deus, que mundo louco.
Se você tenta fazer tudo certo nos relacionamentos pessoais, e se casa para não pecar contra Deus, se negando a viver fora dos padrões bíblicos, mas depois descobre que entrou em um barco furado, então saiba que você não pode desistir, tem que aguentar o compromisso, ainda que seja só para manter as aparências. As pessoas acreditam que é melhor morrer casado e infeliz, do que romper com uma relação que adoece você, seus filhos, seu sistema familiar. Não importa o quanto amargurado você esteja, ninguém quer saber o que vai em sua alma, o que acontece na intimidade da sua casa. O que as pessoas querem mesmo é ter a vida de alguém pra comentar. Eu desconfio que as pessoas fazem isso para não lidar com sua própria vida, para não tocar o que de fato precisa ser mudado nelas e não nos outros.
Não se assuste se ganhar um promoção e perder amigos no trabalho, não se assuste se a família o acha louco só porque está feliz, não se assuste com aqueles que não podem se divertir com suas palhaçadas, não se assuste com irmãos na fé que se afastaram de você porque não concordaram com seus novos cargos na igreja. Definitivamente as pessoas acham mais fácil chorar com os que choram. A alegria incomoda. Alegria, parece mesmo loucura nesse mundo marcado pelo sofrimento. Estar feliz é o que todo mundo quer, mas a felicidade do outro pode me lembrar das minhas faltas… dos meus vazios… da minha alma pobre…
Por isso, não se intimide quando a alegria vier, celebre.
 A vida não nos poupará de sofrimento. Viver é sofrer de alguma maneira, diz o Ariovaldo Ramos. A vida trás noites longas… Mas quando a manhã despontar, celebre. Ainda que esteja sozinho, celebre. Ainda que não seja compreendido, celebre. O Deus da Bíblia é o Deus da alegria. Ele nos criou para sermos felizes, o seu plano era perfeito, e ainda que tenhamos rompido com Ele, Ele nos providenciou Salvação antes da fundação do mundo. 
Ele nos levará para uma terra onde não haverá lágrimas, uma terra de sorrisos de alegria. Até lá, celebre as estações das flores, da alma leve, do sorriso fácil, da vida que corre sem nenhum peso.

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Escrever...


Escrever é um sonho que abriguei por toda uma vida, mas com o correr do tempo, com a vida que se fez à minha revelia e com a que eu construí por minhas escolhas, passei a acreditar que eu nada tinha para contribuir. 

Porém, em minhas conversas informais, em especial com uma irmã na fé, Danilla Sabino, em um final de semana, o desejo de escrever minhas impressões, sobre alguns temas retornou com toda força em meu ser.

Escrever...? Sinceramente, um desafio. E tive que vencer a minha ideia “realista” de que eu nada tenho de ‘novo’ para contribuir, mas venceu em mim o desejo de fazer público o ‘velho’ que julgo não ser compreendido. 

Então, no dia 13 de julho de 2015, decidi retornar ao sonho antigo e sentei para escrever. Fiz um projeto de trabalhar de julho a novembro, e, com a ajuda de Jesus cumpri minha meta. E como nada está solto neste universo, 13 de julho é a data em que meu primeiro marido morreu. Sua morte certamente foi um marco, o início de um novo tempo cheio de lágrimas e desafios, de novas perguntas, da descoberta de que o sofrimento pode ser uma tentação. Escrever este livro, é também o início de um novo tempo, onde sei que Deus me curou do luto, e, agora, posso viver com plenitude o que Deus tem para mim.

O que eu espero com este livro? É que, de alguma maneira, O Senhor Jesus possa revelar-se a cada leitor, a despeito de todo sentimento humano. E que cada dia mais todos possamos amar o Senhor e a Sua Palavra.




terça-feira, fevereiro 09, 2016

Quem dera...


Quem dera que as flores fossem apenas para enfeitar jardins, e jamais velórios de pessoas que amamos.
Quem dera que os rios corressem só para mar, mesmo com obstáculos, e jamais fossem contaminados com lama que os homens poderiam controlar;
Quem dera os amigos fossem sempre bem vindos, sem nenhuma expressão de dor ou espinho;
Quem dera a verdade imperasse, mansa e suave,  poderosa e majestosa, controlando assim nosso mundo que carrega caixas fechadas, por lembranças que já esquecemos, pesando assim nossa alma.

Quem dera que todas as insônias fossem porque a alma está feliz, e, desperta pelos sonhos que sonhara outrora, contemplando com o olhar infantil o brinquedo novo que desejara.



segunda-feira, fevereiro 08, 2016

É preciso traduzir a música do coração

Eu não concordo com esta frase, acho que
a psicologia não me permite.
Penso que necessitamos urgente traduzir a linguagem do nosso coração em palavra falada.
O fundador da psicanálise, Freud, em seus estudos de casos, nos mostra que há cura na fala. Vi gente morrer porque não pôde falar do que lhe vai na alma. 
No consultório, recebo gente que não consegue falar a anos o que sente. E definitivamente, não falar da música que o nosso coração toca... pode nos torna tão debilitados emocionalmente e fisicamente.
Por isso ao ver essa mensagem no facebook não pude concordar.
Entendo que não devemos falar com todo mundo, isso seria a maior loucura. Tem gente de todo jeito, e se assim fizermos, é possível ficarmos malucos.
O que defendo é que devemos escolher com quem falar com muito cuidado. Nem sempre líderes estão prontos para ouvir o que você vai falar, nem sempre os familiares, nem os amigos, e até mesmo tem psicólogos que você não deve confiar. 
Escolher com quem falar do nosso coração dá trabalho!
É preciso observar a capacidade de uma pessoa de ouvir sem julgar. 
É necessário que a pessoa não fale mal de ninguém pra você, se ela fala de outros para você, falará, com certeza de você, para outros.
É de suma importância que ela seja misericordiosa em suas palavras, ao ouvir falar dos erros dos outros. Fuja de quem é santarrão, de quem escandaliza demais com o pecado, isso significa que ele não se ver como um pecador, logo, será seu juiz severo, e não seu ouvinte amigo.
E muito cuidado, tem gente que não se alegra com você, tem gente que tem inveja da vida que você leva, cuidado. Tem gente que não aguenta a sua tristeza, tem gente que não dá conta de escutar sua dor, respeite.
Mas sempre haverá alguém pra ouvir, procure, não desista!
A solidão da partilha dos sentimentos, é dor que não se estanca.

Por isso, cuidado, já vi pastores, conselheiros, líderes e irmãos “espirituais” arrebentando com ovelhas que já estavam feridas. É preciso discernimento, é preciso orar e pedir a Deus que lhe dê gente que possa lhe ouvir com o desejo profundo de compreender você.

Esse negócio de sorrir sempre, é esquizofrenia do humor, como sorrir se o que eu quero é chorar, como sorrir em meio a um angústia no peito, como sorrir da vida com suas noites tenebrosas, como sorrir diante do que nos sufoca, como sorrir para os que nos aprisionam, com sorrir de sermos o tempo todo roubado, como sorrir quando sabemos que o outro quer é tirar o nosso tapete, como sorrir na despedida de um amor que gostaríamos de preservar, como sorrir na partida de alguém que amamos para a eternidade?

Sorrir sempre, é viver fora da realidade – repito esquizofrenia. A vida trás as lágrimas, e elas necessitam escorrer para não afogar seu coração de tristeza. 
Por isso viva o que tem que viver. Não tenha medo de traduzir sua dor a você mesmo e a quem você escolher para compartilhá-la.





sábado, fevereiro 06, 2016

Café da tarde

Cessou o café da tarde...como é tênue as relações.
Cessou a conversa sem trégua, parada só quando o tempo estava raro.
Estranho esse caminho de quem está tão perto, não podendo andar nem a primeira milha, quando assim de nós discorda, a segunda, ordem bíblica, dever ser utopia do Criador Poeta.
Dói sabermos que não somos vistos com as nossas roupas, outrora, tão conhecidas. É que agora somos loucos porque queremos viver a vida que se coloca na janela. E se isso é ser louco, ah... como quero continuar a ser.
Talvez o modelo de normalidade seja rotular os outros... mas confesso que essa é uma lógica que eu não consigo digerir.
Mas, afinal, o que há de tão errado em viver ao mesmo tempo a paixão nova que chega, e o luto de um amigo que a gente não queria que partisse? Não é a vida interna por si mesma ambivalente?
Talvez, haja Super-heróis das emoções, gente equilibrada... que errou pouco na vida... que não tem história pra contar... e que descansam nos seus padrões. Será que eles, os padrões, são redes para os que creem neles, repousar?

Estranho são as relações, elas são frágeis demais para segurar com as mãos, contudo, hoje é preciso que o peito, as acolham, sem nenhuma indenização...

A vontade é de ir em frente, esquecer o café da tarde... ir tomar com outros amigos que chegam sem nenhum padrão, nos aceitando como somos ou como estamos, apaixonados e triste, alegres com vitórias conquistadas, felizes com o trabalho que dá certo, a tal ponto que nem o sono ousa chegar... é que alma quer viver esse momento acordada... E o que falar de amor que chega, não esse não pode ser falado, é covarde quem tem coragem pra se arriscar.
Acho que nem a psicologia ajuda a explicar o que faz pessoas tão perto, ficar tão longe, só porque não concorda com o caminho que decidimos trilhar.
Sentiremos saudade dos cafés? 
Sim!
        Sempre sentiremos saudade!


sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Último texto da série- parte VI

Sexta feira... e tanto ainda para falar sobre o luto...
Enquanto escrevia tive a ideia de publicar em 2017 um livro sobre o assunto, e, esse ano vou colher material, ler, conversar muito sobre o tema com meus amigos e pacientes.
Eu previa que muitas pessoas teriam dificuldade em lidar com tema. Outros me falaram que nem conseguiram ler os textos... é difícil mesmo. Não tem problema! Tudo tem o momento certo, e cada um tem o seu próprio tempo para lidar com a realidade da vida.
Porém, eu gostaria de terminar essa série de textos, dizendo que o luto, essa dor dilacerante, pode ser vencida.
Creia!
Familiares, amigos, pastores, irmãos, todos podem fazer muito, para que esse processo venha e coopere, para que a gente se torne melhor como pessoa, quando visitados por um luto. E quando nos tornamos melhores, fazemos um mundo melhor.
De verdade eu penso que é isso que o mundo precisa, de gente que queira ser o melhor que pode ser. De gente que deseja dar de si mesmo, abraçar, acreditar, amar, sorrir, ter as mãos estendidas. De gente que sabe que tem muito ao ter a Vida. De gente que não se entrega ao seu sofrimento para socorrer outros, de gente que não briga com Deus como filhos minados, mas que diz, ‘Pai, está doendo, mas eu sei que é soberano, eu sei que tem um bom caráter, eu sei que os homens romperam com o seu projeto e mesmo assim o Senhor teceu veste para eles, e ainda, antes dessa escolha nada inteligente que foi feita no Éden, o Senhor providenciou a salvação dos homens’. Gente assim pode transformar o mundo. Eu conheço um monte de homens e mulheres de Deus que disseram: Eu creio. E são eles que me inspiram na minha jornada diária.
Depois que meu marido morreu, eu entrei nesse universo da morte, passei a ler, a ir em velórios, a não ter medo de abraçar ninguém em seu sofrimento. Aprendi também a manter distância, daqueles que não querem no momento nenhum abraço dos desconhecidos, porque afinal o luto é uma dor para ser compartilhada, primeiro e sempre, por aqueles que mais confiamos e amamos. Compreendi coisas que me levaram a crer que a Vida é maior do que os nossos olhares para ela. Aprendi também que a morte não é a pior coisa que pode nos acontecer. Há dores insuportáveis e muitas vezes maiores que a morte, e é claro, falo, a partir de quem não sonda os mistérios.
Porém, o que mais transformou meu coração, foi a certeza de que Jesus Cristo voltará. Sua promessa do Céu é uma realidade que me consola frente a qualquer dor, até aqui, e, que me lembra que a Vida triunfará sobre a morte. Sou fraca, sou pó, mas creio que um dia receberei um novo corpo, e esse glorificado. Eu creio. Esse milagre de crer foi feito aos pouquinhos pelo Criador em minha vida... somos duros, somos incrédulos por natureza, mas Ele teve e tem paciência. Graças a Ele por isso.

Semana que vem vou voltar com textos mais leves. Fique comigo.

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

(Parte V)


O que falar quando visitamos um pessoa que passa pelo luto?

Você já percebeu que a coisa mais fácil é dar conselhos? Talvez por isso, as pessoas dizem que se fossem bom, seria vendido. Porém, pior que conselhos são os versículos citados sem nenhuma misericórdia.

Imagina... eu havia acabado de ficar viúva, meu marido fora assassinado ao sair de casa, eu estava perplexa, afinal um homem pacífico e crente como ele, porque deveria morrer assim?

 Não parecia fazer nenhum sentido a forma da sua morte. E nos primeiros meses lutei em minha alma com a violência que ele sofrera, com a falta de justiça desse país. Eu não podia nem assistir linha direta, um programa que era apresentado por Domingos Mereilles, que contava sobre crimes que aconteceram pelo Brasil e cujos assassinos eram foragidos da justiça. Esse programa despertava em mim um ódio contra quem matava, e eu me deliciava quando eles eram presos. 

É claro, justiça tem que ser feita, creio que a sociedade precisa dos seus limites, regras, punições. Porém, o ódio adoece. E fui adoecendo. Ainda bem que logo percebi que aquele caminho era o pior para seguir. Ódio nos escraviza na alma, cansa emocionalmente, torna a vida despedaçada, pesada. Eu já tinha dor demais. Então deixei isso para trás com ajuda de Deus.

Naquela época eu recebi muitas visitas. Era uma pessoa muito dinâmica e conhecida em meu meio. E foi muito bom receber esses irmãos que me visitavam em solidariedade a minha dor. Porém, ouve um grupo que quando saia de minha casa após a visita, me deixava em profunda crise.

Esse grupo, eram aqueles que abriam a Bíblia e citavam versículos como Romanos 8:28 que diz ‘Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus’. Esse versículo quase me deixou maluca, como a morte de um amor tão querido poderia cooperar? Meu marido morreu com 35 anos de idade, eu o achava lindo, ele foi a pessoa mais bem humorada que eu conheci, nos nossos 4 anos e um mês de casados nunca acordou com cara feia ou com uma palavra desagradável, me achava me bonita, adorava meu cabelo pintado de loiro, tinha me dado um filho lindo, era um pai excelente, meu amigo, meu amante, a pessoa que eu mais gostava de estar no mundo. Os finais de semana eram maravilhosos porque ele estava em casa, íamos a igreja, e eu então pergunto, como a morte dele poderia cooperar para o meu bem?

Sei que é a verdade bíblica, mas essa verdade me impedia de falar do absurdo que eu estava vivendo. Nas madrugadas eu gritava a Deus: Como? Qual é a lógica? E muitas vezes sentia muita raiva de tudo que estava acontecido.

O problema de texto como esse, não é o texto em si, hoje, 17 anos e 6 meses depois, eu compreendi muita coisa, não tudo sobre a sua morte, mas o que a Bíblia diz que é, é mesmo. Então posso olhar para todo o processo, e dizer fiquei melhor como pessoa, isso Deus fez comigo, e creio que isso cooperou para meu bem.

Mas, naqueles primeiros dias, isso me soavam uma loucura... um convite a abafar minha dor. Talvez por isso passei 8 anos sem dormir.

Deixando minha história a parte, o que quero deixar como sugestão prática ao visitar uma pessoa enlutadas, são os seguintes passos:

Primeiro: Chegue para ouvir. Obedeça a orientação de Tiago 1:19 ‘Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.

Segundo: Jamais diga para uma pessoa não chorar. A ordem bíblica é chorar com os que choram e não silenciar o choro do outro que está sofrendo. Chorar é um recurso que Deus colocou em nós, para darmos conta da angústia. Quando choramos liberamos hormônios que aliviam a ansiedade, e o coração fica mais leve, por isso depois de uma crise forte de choro, além dos olhos quentinhos e inchados, a gente sente até sono, relaxa. Chorar é bom. Por isso que Deus nos mandou chorar com quem chora. Luto é dor que tem que ser chorada. Não tem problema chorar, não é sinal de fraqueza, apenas de sofrimento, e sofrimento é uma realidade humana, e eu sei que você sabe disso.

Terceiro: Confirme a dor da pessoa. Como assim? A pessoa diz ‘ tá doendo, não sei se vou aguentar, você responde, ‘deve doer mesmo’, mas eu estou com você, Deus vai nos ajudar’. Não fique discutindo questões teológicas, Deus sabe que a gente se desestrutura, fala bobagens, pensa que não irá sobreviver. Por essa razão, diante de qualquer absurdo que a pessoa falar, fique ao lado dela. Como já vimos, faz parte da fase do luto. Deus, trabalhando através do tempo se encarregará de ajudar a pessoa encontrar o caminho do equilíbrio. Não seja “espiritual” demais, não se assuste, Deus não tem problema de auto estima, nós que escandalizamos com sentimentos, pensamentos e atitudes humanas.

Quarto: Depois de ouvir, de deixar a pessoa chorar (e chora com ela), confirmar sua dor, só então, sinta-se no direito de compartilhar algo que surgiu em seu coração. Se nada veio à mente, não tem problema, ser ouvido é uma das maiores benção que podemos receber quando estamos em luto. Creia nisso! Palavras nestes momentos podem ser desnecessárias, mas sua presença jamais será esquecida, eu nunca me esqueci de ninguém que me visitou naqueles primeiros dias de luto, a presença de uma pessoa afetuosa é algo maravilhoso e por si só consolador. Creia!

Obs: Estava me esquecendo de colocar as bibliografias lidas, mas consertarei esse erro agora:
Livros:
-  Encontro uma abordagem humanista - Autora: Clara Feldman
-  A arte de ajudar VI – Robert R, Carhuff
- Luto, uma dor perdida no tempo- Rubem Olinto
- Anatomia de uma dor, um luto em observação - C. S. Lewis
Artigo: Luto e perdas repentinas: contribuições da terapia cognitiva-comportamental.
Http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S180856872011000

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Parte IV

Bem, a partir de agora, irei ser bem prática quanto ao que penso sobre nossa postura diante do luto. 
Como em toda cultura, temos os nossos rituais de passagem, e o velório faz parte desse pacote. Vamos lá. Primeiro deixa eu lhe contar um pedacinho da minha história.
Quando meu marido morreu eu estava em uma viagem missionária em Moçambique, África. Ele faleceu em uma segunda feira pela manhã, e conseguiram me encontrar às 23 horas do mesmo dia (fuso horário de 5 horas), não havia voo para o Brasil na terça feira e só consegui chegar a São Paulo, onde morava na época, na quarta-feira às 21hs.
O irmão do meu marido, o Elias, me ligou na terça feira para me avisar que eles não queriam estender o velório, e, eu de verdade, nessa época, concordei, porque afinal de contas, os pais do meu marido já estavam com mais de sessenta anos e poderia ser muito cruel estender por tanto tempo o velório. Na época, eu também não queria vê-lo, pensava que fosse melhor guardar a imagem última que eu tinha dele no aeroporto me abraçando, dizendo que me amava, dando tchau com aquele jeito divertido que só ele tinha. 
Porém, depois da sua morte, passei a ir a todos os velórios que havia na igreja. Até a data da sua morte, eu confesso que evitava. Sempre que ia a um velório, antes da morte do meu marido, jamais chegava próximo do corpo, tocar uma pessoa morta era algo inimaginável. A verdade, é que a morte era um assunto distante das minhas pautas de conversa, coisa dessa cultura burra, que nos torna despreparados para a única coisa certa que vamos viver na vida.
Com a morte dele isso mudou, passei a ir até onde o morto estava, a olhá-lo com curiosidade, a ficar ali, vendo sua expressão facial, como que tentando entender se através do seu rosto imóvel, o morto, transmitia como havia sido aquele momento em que partiu. Coisa de doido, né? Deve ser por essas e outras que fui para a psicologia rsrsrs.
Bem, além de observar o morto, fui detendo meu olhar também sobre as pessoas em volta do caixão, e das que iam chegando para o velório.
Percebi que a família reage de muitas formas, há aqueles que ficam ao redor do caixão, outros não querem ver, outros choram baixinho, outros não derramam nenhuma lágrima, outros, poucos, gritam sua dor, que logo também é abafada por alguém que tenta  conter-lhe  dizendo ‘não chore assim’. Na igreja Presbiteriana do Brasil , a qual participo,  os irmãos são contidos em suas emoções. A tristeza impera, mas não há desespero, pelo menos nos velórios que tive a oportunidade de ir, e se existe, ele será vivido no interior do quarto, da casa, não em público.
 As pessoas que não são da família como:  amigos, colegas de trabalho que vão para dar apoio a família, esses tem comportamentos os mais variados, mas, dentre esses comportamentos, eu confesso que venho me assustando com um...
Há um grupo de irmãos que me parecem ir aos velórios para rever os irmãos que há muito tempo não veem, até aí tudo bem, é bom rever as pessoas,  no entanto ao se encontrarem, conversam normalmente, falam das suas lembranças, perguntam sobre outras pessoas que lhe são próximas, e fazem isso muitas vezes ao redor do caixão, não conseguindo, na minha opinião, respeitar o momento da dor do outro, que não é a do encontro, mas da despedida. Veja bem, não sou contra nenhum encontro, nenhuma conversa com os irmãos em velório, mas não nos parece insensibilidade demais, pessoas contando coisas engraçadas, as vezes em um tom normal de conversa, evocando lembranças do que viveram sorrindo, bem ali, próximo do caixão, próximo da família que sofre uma dor que nenhuma palavra a descreve? O que será chorar com os que choram? Bem, isso é uma ordem bíblica, e sei que é complicada de obedecer quando estamos felizes num momento de reencontro.
Do ponto de vista psicológico a dor do luto é um dos maiores desafios que o ser humano vai sofrer, ela nos traz a concretude da realidade que nós não controlamos nada, nos fragilizando por isso. A morte nos faz ver o quanto a vida é breve, e pode até nos levar a pensar, ‘para que construir coisas aqui se vamos morrer mesmo’. A morte, como já disse, muda nosso lugar mundo. Não somos mais quem somos, e por muito tempo ficamos com a sensação que não mais encontraremos o caminho para viver a vida com graça e cor novamente. Por isso, diante de uma pessoa que está vivendo o luto, só nos cabe o silêncio e as lágrimas. Um abraço afetuoso, que comunica, eu não tenho nada para dizer, mas estou aqui.
Um abraço, ah... um abraço meus irmãos. Um abraço carinhoso fala mais do que qualquer palavra. Não tente consolar, quem faz isso é o Consolador, o Espírito Santo.
 Não chegue com versículos prontos, empa... isso é conversa para um outro texto, o de amanhã. Espero você.







terça-feira, fevereiro 02, 2016

Parte III


O luto é uma experiência que faz parte da vida humana. E não tem como viver o luto e não ficar desestabilizado do ponto de vista emocional, físico e social. O luto muda nosso lugar no mundo. O que a gente foi, do ponto de visto do concreto, já não somos mais. A mãe, a esposa, o pai, o filho, o irmão, o amigo, todos perdem o papel que desempenhava. Agora o vazio. E como preencher esse novo momento, é o desafio, para quem já está arrebentado em sua dor.

Até aqui falamos das 5 fases estudadas por Elizabeth kluber-Ross que é possível ser vista em qualquer pessoa que passa pelo luto, mas outros estudiosos também dividiram esse momento. Por exemplo, John Bowlby (1990) fez a seguinte observação dessas fases:

Fase de Entorpecimento: consiste num período em que a pessoa se poderá sentir como se estivesse desligada da realidade, atordoada, desamparada, imobilizada ou perdida. Nesta fase assiste-se a uma negação da perda que poderá surgir como uma forma de defesa contra um evento de tão difícil aceitação;
Fase de Anseio e Protesto: caracterizada por um período de emoções fortes, sofrimento psicológico e agitação física. Frequentemente assiste-se à manifestação de sentimentos de raiva dirigidos tanto a si próprio como a pessoas significativas;

Fase de Desespero: constitui uma fase igualmente complexa que surge frequentemente associada a momentos de apatia e depressão, sendo que o processo de supressão destas reações é muito lento. Por vezes verifica-se um afastamento das pessoas e atividades, falta de interesse, assim como dificuldades de concentração na execução de tarefas rotineiras. Os sintomas somáticos, tais como, insónias, perda de peso e de apetite, são recorrentes;

Fase da Recuperação e Restituição: nesta fase deverá emergir uma nova identidade que permite ao indivíduo abandonar a ideia de recuperar aquilo que perdeu e adaptar-se ao significado que essa perda tem na sua vida. Verifica-se, então, o retorno da independência e da iniciativa. Apesar de a instabilidade ainda se encontrar presente nos relacionamentos sociais, nesta fase poderá haver investimentos em novas amizades e o reatar de laços antigos.

Bom, estou insistindo em que você conheça as fases do luto, para que perceba que existem um processo normal que será vivenciado por todo ser humano frente a morte ou a alguma perda significativa, para que uma vez conhecido, possa identificar qual a fase o enlutado está passando, e a partir dessa percepção, saber melhor o que fazer para ajudar.

O luto é uma dor tão grande que ele pode paralisar qualquer pessoa. Não o subestime. De um processo normal para um que adoecerá o enlutado na vida e para a vida, a linha tênue.
É preciso reconhecer o tamanho dessa dor. Os seres humanos não foram criados para morrer, somos seres criados para a vida. Mas, como todo cristão sabe, os homens romperam com Deus no jardim do Éden, e passamos a experimentar algo que não estava no plano de Deus para nós. 

Por isso, a morte é devastadora em minha opinião.
Sei que a dor pode tomar sentido vista na perspectiva da Palavra. Deus permite a Morte, mas o seu projeto de Vida triunfará, e Ele nos levará para um lugar onde ‘enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.’ Apocalipse 21:4
Que promessa! Louvado seja Jesus Cristo!
Mas até lá, vamos fazer tudo para que essa dor seja mais amena para nós, e, para todos que estão perto.

Amanhã seguimos em nossa reflexão.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

(Parte II)


Tudo aquilo que vem para a nossa vida e que nos desestabiliza pode gerar em nós a dor do luto. E infelizmente não é só diante da morte de uma pessoa querida que o experimentamos. Ele também pode nos visitar quando passamos por um fim de namoro, um divórcio, a perda de animais de estimação, mudança para uma outra cidade ou país, desemprego, doenças graves, estupro e tantas outras coisas.
Bom, conforme informado aos meus leitores, estarei, como já disse, buscando dar um olhar prático sobre esse assunto tão difícil. Minhas ideias sobre como vencer o luto é fruto da minha experiência ao perder o meu marido, das muitas leituras na psicologia e das conversas com meus pacientes e amigos. Certamente que ao lidar com algo dessa complexidade sei que não vou esgotar o assunto, talvez falte muita coisa, e quero deixar livre para que meus leitores façam suas críticas e sugestões.
É importante considerar que a morte é misteriosa demais... o que desejo é levar meus leitores a pensar que sempre podemos fazer alguma coisa que poderá tornar mais fácil a difícil caminhada de quem está passando pelo luto.
Hoje deixo o texto sobre as cinco fases do luto que encontrei em um site, que achei bem didática. Na minha opinião, pensar sobre a vida é algo que não podemos ignorar se queremos encontrar sossego para nossa alma. Embora a distância entre o que pensamos, sentimos e o que fazemos muitas vezes é imensa, eu creio que, quando começamos refletir sobre um assunto, então talvez temos aí uma possibilidade de encontrar caminhos para lidar com nossas dores, não digo certeza, porque o humano é rico em suas possibilidades, até mesmo em refletir contra ele mesmo, fazendo com que o pensar seja um instrumento para potencializar a dor e não amenizá-la.
A psiquiatra Elizabeth Kubler-Ross, ao trabalhar com pacientes terminais, percebeu que todos eles viviam uma reação psíquica que lhes era comum, durante o processo da doença até a culminação da morte. Ela observou que seus pacientes passavam por reações psicológicas bem claras, as quais ela denominou de as cinco fases do luto. Essas fases não seguem uma ordem fixa, sendo possível que a pessoa as vivencie em sequências diferentes, ou repetindo ou se fixando em uma delas, tudo depende da história e das possibilidades que abriga a vida de cada um.
Tem pessoas que podem levar meses ou anos vivenciando apenas quatro das cinco fases do lutos, num vai e vem interminável sem nunca chegar a quinta fase que é a fase da aceitação. Essas pessoas sofrerão muito e sustentarão um ambiente de muita tristeza para os que estão perto, dificultando assim também, o processo de luto de familiares e amigos. Outras pessoas paralisam em alguma fase sem ter avanços por muito tempo. Tem pessoas que conseguem prosseguir com a vida, e vencem mais rápido essas fases. E infelizmente é possível que pessoas nunca o vençam.
Por essa razão, apresento a vocês as cinco fases do luto, dessa brilhante psiquiatra, na esperança de que ao compreender o processo você possa encontrar caminhos, dentro das suas possibilidades de vencer a dor, e não ser vencido por ela. Busque identificar os seus pensamentos e ver em qual fase você está, o quanto vai e vem nas fases e se está estacionado em alguma. Caso identifique em que fase você está, ótimo! Quando sabemos onde estamos fica mais fácil decidir para onde ir, e até mesmo se queremos ir.
Segue as cinco fases do luto de Elisabeth kubler- Ross:


Primeira fase: negação
Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou situação. Pode não acreditar na informação que está recebendo, tentar esquecê-la, não pensar nela ou ainda buscar provas ou argumentos de que ela não é a realidade.

Pensamentos
• “Isso não é verdade!”
• “Vai passar.”
• “Sempre dou um jeito em tudo, vou resolver isso também.”

Comportamentos
• Buscar uma segunda opinião ou outras explicações para a questão.
• Continuar se comportando como antes (ignorando a situação).
• Não aderir ao tratamento (no caso de doença) ou não falar sobre o assunto (no caso de morte, desemprego ou traição).

Segunda fase: raiva
Nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre. É comum o aparecimento de emoções como revolta, inveja e ressentimento. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc. como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê a situação como uma injustiça.

Pensamentos
• “Por que eu?”
• “Isso não é justo!”
• “Por que fizeram isso comigo?”

Comportamentos
• Perde a calma quando fala sobre o assunto.
• Recusa-se a ouvir conselhos.
• Evita falar sobre o assunto.

Terceira Fase: negociação
Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes voltada para a religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo.
Pensamentos
• “Vou acordar cedo todos os dias, tratar bem as pessoas, parar de beber, procurar um emprego e tudo ficará bem.”
• “Vou pensar mais positivamente e tudo se resolverá.”
• “Deus, deixe-me ficar bem de saúde, só até meu filho crescer.” (pessoa ao saber que está doente)

Comportamentos
• Rezar e fazer um acordo com Deus.
• Buscar agradar (no caso de uma traição).
• Se alimentar com produtos light e diets para compensar os outros alimentos.

Quarta fase: depressão
Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento e que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento.

Pensamentos
• “Não tenho capacidade para lidar com isso.”
• “Nunca mais as coisas ficarão bem.”
• “Eu me odeio.”

Comportamentos
• Chorar.
• Afastar-se das pessoas.
• Comportar-se de maneira autodestrutiva.

Quinta fase: aceitação
Nessa fase percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações.


Pensamentos
• “Não é o fim do mundo.”
• “Posso superar isto.”
• “Posso aprender com isto e melhorar.”

Comportamentos
• Buscar ajuda para resolver a situação.
• Conversar com outros sobre o assunto.
• Planejar estratégias para lidar com a questão.


Elisabeth Kübler-Ross

De modo lúdico esse vídeo mostra as cinco fases do luto; assistam, aprendam e divirtam-se com a girafa!


sábado, janeiro 30, 2016

Luto! Luta... dor que pode ser vencida? (Parte I)


Se há algo que dói de forma capaz de nos transformar para sempre, é a dor do luto. Quem já perdeu uma pessoa querida, sabe que o ‘nunca vou te ver novamente’ é capaz de nos transportar para o vazio e nos desestruturar por completo. Muitas vezes pensamos que jamais vamos ver o sol nascer; o sorriso, antes tão fácil, agora se perde em meio à angústia que aperta o coração de tal forma que pensamos ‘nunca mais’ saberemos o que é um coração leve.  O tempo, que antes era um aliado, agora parece não passar, mantendo em nós a sensação de que o desespero é o fim do caminho. As pessoas ao redor, mesmo aquelas que amamos, não perdem a sua beleza, mas não temos mais energia para desfrutar delas. O Luto é mesmo uma dor solitária, porque muitas pessoas, já fragilizadas por suas próprias dores, não suportam a realidade de mais um sofrimento contra o qual parece que nada se pode fazer.
E viver o luto, como todas as demais coisas na vida, exige de nós uma escolha, mas, diante dele, quem força tem? Ele é capaz de nos sugar a profundidade em que por nós mesmos não ousamos mergulhar, desencadeando outras dores, como por exemplo a dolorosa experiência dos sintomas depressão.

Trabalhando como psicóloga, tive que enfrentar esse tema. Eu, até aqui, perdi poucas pessoas. A maior e mais significativa perda foi do pai do meu filho, o Eliack, meu primeiro marido, a quem amei muito, e sei que também fui amada. Nós vivemos entre namoro, noivado e casamento, cinco anos e trinta dias. Então o Senhor da vida permitiu sua partida. Sua morte me levou ao fogo onde todos os meus princípios e valores foram passados. E enquanto escrevo esse texto, a impressão que tenho é que ela forjou em mim uma pessoa que eu não conhecia.
Mas o que tenho aprendido é que o luto é uma dor que pode ser vencida. E trabalhando com o Humano, descubro que a vida interna de uma pessoa, aquilo que carregamos dentro de nós, somado ao que foi implantado pelo Criador em nossas vidas, pode nos levar a transformar esse inimigo invencível, o luto, em um instrumento capaz de nos fazer, nas mãos do Autor da Vida, pessoas que tornarão esse mundo bem mais suportável, porque diante da morte aprendemos o valor da vida. E aprender esse valor é receber o melhor que a vida pode nos oferecer, porque a vida é o nosso bem mais precioso.
Por isso, não se entregue. A dor do luto não é maior do que você, e, ainda que ela aperte de forma arrochada o seu coração, ela já nos aponta uma realidade maravilhosa sobre as muitas possibilidades de vencer o luto, ‘é o grande que abriga o pequeno’. Não é a morte que abriga a vida, é a vida que abriga a morte, e um dia a Vida vencerá.
Por essa razão, lhe convido a caminhar comigo nesses próximos dias, em que falarei dessa dor que nos desafia.