sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Gente que toca

Tem gente que nos toca profundamente. Tem amigos que são capazes de nos fazer sorrir, mesmo quando somos invadidos por um dor inexplicável. Você tem gente assim? Lembro-me da minha querida Janine. Quando o Eliack, o meu primeiro marido partiu para morar com o Senhor, minha mãe disse a ela, ‘ Vem visitar mais a Roseli, porque toda vez que você vem, eu vejo ela sorri de novo’. Tem gente assim, graças a Deus. E esse texto eu escrevi pensando nela, e em todos os outros amigos que ganhei de Jesus, e que me fazem tão bem.


Eu sorrio à toa, frente a alegria que me toca a alma, ao ouvi-lo.
Algo em você me penetra fundo a minha alma, e, me leva aos quartos trancados dos meus belos momentos.
E, mesmo sem querer, uma lágrima contida pelo meu coração que não segredou nada a razão, brota.
Ridícula faz parecer a minha luta pra ser feliz todo dia, quando a alegria, este bem tão almejado me chega trazida pela brisa de uma voz.
Então oro ao Senhor, para que a alegria que sinto ao ouvir uma voz forte e amiga, sempre me visite, e, faça morada neste meu coração tão sofrido.
Senhor, que a alegria mais leve, possa nascer da minha intimidade contigo.

Vem Senhor, vem ser a minha alegria, o Senhor que é eterno e presente, venha.

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Sandro, meu irmão,



O tempo, esse trem que nos impõe o ritmo da nossa viagem, passou, 38 anos...
E do menino que sonhava em ter uma banda de rock na garagem, você se tornou o violonista clássico, o hábil Sandro Sousa.
Do menino que nada lia, passou a ser um leitor de arte e literatura.
Do menino chorão, se tornou o adolescente cheio de um vocabulário que ia do cara de plástico a bodá, e nos fazia chorar de rir.
Do menino rebelde com o coração de pedra, recebeu um coração de carne do Senhor dos corações. Certamente a maior riqueza que recebeu.
Do menino com ideias mirabolantes e fã de Raul, fez-se o adulto que traz no íntimo uma inquietude diante da vida, uma metamorfose, não ambulante, que encontrou porto em Cristo Jesus.
Mas seja como for, o menino ou adulto, é sempre o irmão.
O irmão que na infância em vez de assinar Sandro Batista Sousa Barbosa assinou Sandro Seixas.
O menino do leite com toddy, da batata frita com carne moída.
O caçula da família Batista, que reinava, e é claro, de uma forma que ninguém ousava admitir.
O irmão que sempre foi mais que sangue, coração.
Que me faz compreender dia a dia o quanto a vida com solidariedade é mais fácil.
O Sandrinho, a quem eu posso confiar meus segredos.
E nas ruas e esquinas que os nossos caminhos se encontram – sangue, casa, fé, olhar, fica a alegria, sempre, de ter você tão perto.

E o meu coração, que lhe deseja hoje por escrito, o que anseia por você todo dia, suplica ao Deus, que o fez amigo, que lhe conceda cada dia um coração leve, um riso fácil, e que esta sede que tem de vida, seja saciada a cada manhã com toda felicidade que se pode ter nesta terra.

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

O Humano que encontro no Outro

Eu sempre fui muito comunicativa. Pessoa estranha? Quando mais jovem, sempre me pareceu não existir. 
Porém o tempo passou... E vocês sabem que o passar do tempo é algo que pode trazer  mudanças... Afinal é o tempo que se encarrega de trazer o que a vida nos apresenta. E a vida é mesmo um baú de surpresas encantadoras e de sofrimentos inimagináveis que vão forjando em nós, ás vezes, uma pessoa que até mesmo jamais desconfiávamos ser.
Então percebi que comecei achar muitas pessoas estranhas. Passei a sentir  que certas pessoas provocam um mal estar, um desconforto, e, não sabemos bem o porquê, mas algo em seu olhar, gesto, tom de voz, nos faz ficar um pé atrás com elas. É uma sensação interna desagradável achar que o outro, tão humano quanto eu, é estranho a mim.
Infelizmente, isso foi se tornando um fenômeno cada vez mais presente em minha vida, e, quando ocorre tenho o desafio de voltar o meu olhar para mim. 
Você pode perguntar: Por que se o estranho é o outro?
É que o tempo, esse danado, me trouxe o aprendizado de que é possível eu estar incomodada com algo que é meu, que nem sempre eu sei que tenho, mas que eu estou de alguma forma reconhecendo no outro. 
Ai... Como é difícil saber que aquilo que me incomoda no outro, pode também habitar em mim. Tem hora que ser psicóloga é meio chato.
 O que descubro, a contragosto da minha alma, é que o humano sonha, gosta, desgosta, luta, chora, tem qualidade, tem defeito, tem amigo, tem inimigo, tem alegria, tem sofrimento, tem calma, tem raiva, e, este humano que eu estranho, é o humano que eu sou, e que está expresso em todos os outros que vou encontrando pelo caminho. 
E saber disso certamente incomoda, mas também me faz capaz de um olhar com misericórdia, porque sei o quanto é difícil ser o humano que sou.

Trecho do Livro Ser Crente, Ser Humano.

...


...No cotidiano lidamos com pessoas que sofrem de problemas sociais, econômicos, emocionais e físicos, e a oração ajuda em todas essas dimensões, mas é necessário a or-ação (orar + ação). E, por muitas vezes, me questiono se consegui ser a boa samaritana, porque, como diz uma amiga de trabalho, ‘ser samaritano é fácil, o difícil é ser o bom samaritano da passagem bíblica’, que não se contentou apenas em deixar hospedado o homem que foi roubado e espancado. Ele cuidou das feridas do outro, pagou a conta de um lugar para ele ficar e se dispôs para o mais que fosse necessário. O que significa que, para ser bom, é preciso gastar tempo, usar os recursos que se tem, dar de si mesmo, o que não é tarefa fácil para o ser humano, tão envolvido com sua própria vida. Porém, esse é o chamado de Jesus para sua igreja e não tem como ser ‘bom’ ser ter muito trabalho...

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Trecho do Livro Ser Crente, Ser Humano

Por causa de ensinos errados e visões preconceituosas sobre os transtornos mentais, sempre me deparo com irmãos crendo que são fracos por necessitar de tratamento;
 outros, angustiados porque não conseguem viver dentro dos padrões emocionais propostos, uma vez que não corresponder às visões do nosso grupo social é uma dor nem sempre nomeada ou suportada; 
outros ainda, abandonam seus tratamentos em nome da fé, o que pode ser trágico, pois as pesquisas apontam que, se a primeira crise depressiva não for bem tratada, a possibilidade de a pessoa desencadear a doença novamente aumenta em 50%1

há também aqueles que desistem de frequentar a igreja porque não se sentem compreendidos, o que é muito sério, considerando que a ordem de Deus para a igreja é dar suporte ao que sofre.

sábado, fevereiro 13, 2016

Trecho do Livro: Ser Crente, Ser Humano.


Para saber se o atendimento está sendo feito por um bom profissional da psicologia, é necessário considerar a regra básica de que bons psicólogos não dão conselhos
Vez por outra, escuto histórias de pessoas que estavam tendo problemas em seus casamentos e, ao buscar o psicólogo para ajudá-los, eles foram aconselhados que o melhor caminho a seguir era o da separação. É importante ressaltar que é sempre um problema avaliar a postura do profissional, porque ela passa pela percepção do cliente, e este muitas vezes deseja coragem para tomar alguma atitude e vai para a psicoterapia buscando esse apoio. Essa atitude também pode ocorrer de forma inconsciente, o que quer dizer que a pessoa não tem noção de sua real motivação.
 Sendo assim, qualquer pontuação do psicólogo será entendida como conselho, mesmo não tendo sido feita nenhuma sugestão nesse sentido. 
Porém, em qualquer abordagem adotada, o psicólogo é orientado a levar o paciente a pensar a própria vida, a compreender o que está acontecendo com ele (quando isso é possível), a ver onde está e como está e a ajudá-lo a descobrir aonde ele quer chegar. Ele, o paciente, e apenas ele pode buscar as respostas que necessita para viver a vida que almeja5

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Ser Crente, Ser humano


A data do lançamento será marcada assim que o local estiver confirmado. Até lá, estarei compartilhando nos blogs trechos do livro. Para os amigos que me acompanham, vão lá no novo endereço do blog, é um espaço muito mais interativo e logo estarei postando apenas lá :http://asdiversascarasdamente.tumblr.com/ 


Introdução do livro Ser Crente, Ser Humano.

Às vezes, vivemos noites tão escuras que nem a perspectiva do amanhecer parece trazer algum conforto para a alma. O sofrimento é tanto que em vão tentamos descrevê-lo! O corpo dói, o coração fica apertado no peito, como se estivesse seguro por mãos que o esmagassem com força, por vezes um suspiro é arrancado do íntimo e você se assusta com a intensidade dele. Lágrimas surgem espontaneamente; ainda que tentemos não chorar, elas, teimosas, molham o rosto; outras vezes, elas secam e em vão buscamos chorar a angústia que nos oprime, e descobrimos que estamos como nascentes cujas matas ciliares foram destruídas. Percebemos que muita coisa morreu dentro da gente, apesar de estarmos vivos, e a dor que experimentamos nos transforma em outra pessoa, ficando a sensação de desconforto. Agora convivemos com um estranho dentro de nós.

E, mesmo nesse estado dolorido e sem força, percebemos que as pessoas ao lado não suportam o nosso pranto. Temos então o desprazer de descobrir que o choro, tão necessário, pode desequilibrar os que estão por perto, e que estar em uma sociedade que aprendeu a não lidar com o sofrimento pode ser uma experiência muito solitária!
Em casa, queremos poupar a família. Na igreja, quando ousamos compartilhar, tantas vezes escutamos exortações que nos são feitas sem que sequer sejamos ouvidos. Os irmãos nos dizem para termos mais fé, nos lembrando que “tudo coopera para o bem dos que estão em Cristo Jesus1. E mesmo esses preciosos e verdadeiros versículos bíblicos, nesses momentos, podem não fazer nenhum sentido, porque a dor que nos fere pode nos desequilibrar, tornando-nos fragilizados e expostos a uma tentação até ali inimaginável, gerada pelo sofrimento. No que vai contribuir a morte de um filho que tinha toda uma vida pela frente, um filho que se declara homossexual, um divórcio, um marido que escolheu outro homem, a violência de um estupro, uma doença que imobiliza para sempre quem até então andava, a amputação de um membro, o roubo que nos tira o que por anos foi construído com a força do trabalho? Diante dos absurdos que podemos viver neste mundo – que jaz no maligno2 –, a alma grita: como tudo isso vai “cooperar”? É loucura! E nos sentimos ainda mais esmagados, até culpados, porque sabemos: o que nos é dito é a Palavra de Deus.
Porém, nessas noites escuras, a fria citação de versículos como se eles fossem poções mágicas, sem o envolvimento daquele que nos “ouve”, pode produzir em nós uma raiz de amargura que, se alimentada, vai nos “privar da graça de Deus e ainda contaminar muitos”3.
Em relação a Deus, podemos pensar: ‘bem que Ele poderia ter nos livrado daquela situação, não é Ele poderoso e soberano?’... Porém, não ousamos falar! O temor que nos resta diante de um Ser Poderoso sem misericórdia não nos permite verbalizar, e em sociedade seríamos certamente repreendidos.
Passamos então a conviver com uma raiva mantida sob um véu de tule, que na verdade não a oculta – embora seja essa a sensação psicológica – e, na medida em que assim vamos seguindo, desenvolvemos uma indiferença que nos torna tão frios como os túmulos de mármore nos tempos de inverno.  E vamos ficando secos da vida abundante prometida4, porque os rios de águas vivas que correm dentro daqueles que creem em Jesus, como dizem as Escrituras5, estancaram-se em nós “de repente”.
Sonhar? Parece-nos filme de ficção científica. E, cansados, vamos desistindo de muitas coisas ao longo da vida, e quando alguém nos aponta alguma esperança, é com desdém que a olhamos.
 A morte, essa indesejável, torna-se um anseio não confessado. Contudo, o que se revela nas entrelinhas das nossas palavras é que morrer é muito melhor do que viver, e se o Todo-Poderoso nos permitisse, ah... se Ele nos consentisse... que alívio seria!
A igreja, antes tão importante, agora perde o valor, deixamos de ir ou, se continuamos a frequentar os cultos, é por causa do hábito religioso adquirido e por ser o único meio social a que estamos acostumados, porém não queremos comunhão: na verdade, a tememos. É claro que isso também não expressamos, porque certamente escandalizaria muitos.
E adoecidos seguimos, sufocando o choro, a angústia seca de lágrimas e a raiva disfarçada de ironia. Mas, se assim nos encontramos, precisamos de forma urgente – “pra ontem” – buscar ajuda.

Esse livro foi escrito por quem assim já viveu, mas que voltou a beber na fonte das águas vivas. E eu o convido a essa leitura, que não precisa ser sequencial, pois cada capítulo trata de um tema, com o único desejo de que A Vida prometida por Jesus volte à sua vida.
Referências:
1 Romanos 8:28
2 I João 5:19
3 Hebreus 12:15
4 João 10:10
5 João 7:38

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Ser feliz


Estar feliz é complicado! As pessoas aguentam mais nossas lágrimas do que as nossas alegrias. É estranho esse mundo, não?
Quando fiquei viúva, me assustei com essa realidade, enquanto eu chorei, as pessoas se compadeceram, mas quando decidi que devia ir a luta, e, seguir a vida, percebi que estava só.
É engraçado o quanto as pessoas são capazes de lhe dizer, ' nossa como você engordou ', mas se você diz que está fazendo dieta, logo te oferecem algo pra comer, afinal, qual o problema quebrar o regime só hoje?
Se você decide fazer uma faculdade, as pessoas dizem, ' isso não dá dinheiro sua boba ', é difícil demais o mercado, mas se desisti, você é um preguiçoso, é um fraco. Meu Deus, que mundo louco.
Se você tenta fazer tudo certo nos relacionamentos pessoais, e se casa para não pecar contra Deus, se negando a viver fora dos padrões bíblicos, mas depois descobre que entrou em um barco furado, então saiba que você não pode desistir, tem que aguentar o compromisso, ainda que seja só para manter as aparências. As pessoas acreditam que é melhor morrer casado e infeliz, do que romper com uma relação que adoece você, seus filhos, seu sistema familiar. Não importa o quanto amargurado você esteja, ninguém quer saber o que vai em sua alma, o que acontece na intimidade da sua casa. O que as pessoas querem mesmo é ter a vida de alguém pra comentar. Eu desconfio que as pessoas fazem isso para não lidar com sua própria vida, para não tocar o que de fato precisa ser mudado nelas e não nos outros.
Não se assuste se ganhar um promoção e perder amigos no trabalho, não se assuste se a família o acha louco só porque está feliz, não se assuste com aqueles que não podem se divertir com suas palhaçadas, não se assuste com irmãos na fé que se afastaram de você porque não concordaram com seus novos cargos na igreja. Definitivamente as pessoas acham mais fácil chorar com os que choram. A alegria incomoda. Alegria, parece mesmo loucura nesse mundo marcado pelo sofrimento. Estar feliz é o que todo mundo quer, mas a felicidade do outro pode me lembrar das minhas faltas… dos meus vazios… da minha alma pobre…
Por isso, não se intimide quando a alegria vier, celebre.
 A vida não nos poupará de sofrimento. Viver é sofrer de alguma maneira, diz o Ariovaldo Ramos. A vida trás noites longas… Mas quando a manhã despontar, celebre. Ainda que esteja sozinho, celebre. Ainda que não seja compreendido, celebre. O Deus da Bíblia é o Deus da alegria. Ele nos criou para sermos felizes, o seu plano era perfeito, e ainda que tenhamos rompido com Ele, Ele nos providenciou Salvação antes da fundação do mundo. 
Ele nos levará para uma terra onde não haverá lágrimas, uma terra de sorrisos de alegria. Até lá, celebre as estações das flores, da alma leve, do sorriso fácil, da vida que corre sem nenhum peso.

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Escrever...


Escrever é um sonho que abriguei por toda uma vida, mas com o correr do tempo, com a vida que se fez à minha revelia e com a que eu construí por minhas escolhas, passei a acreditar que eu nada tinha para contribuir. 

Porém, em minhas conversas informais, em especial com uma irmã na fé, Danilla Sabino, em um final de semana, o desejo de escrever minhas impressões, sobre alguns temas retornou com toda força em meu ser.

Escrever...? Sinceramente, um desafio. E tive que vencer a minha ideia “realista” de que eu nada tenho de ‘novo’ para contribuir, mas venceu em mim o desejo de fazer público o ‘velho’ que julgo não ser compreendido. 

Então, no dia 13 de julho de 2015, decidi retornar ao sonho antigo e sentei para escrever. Fiz um projeto de trabalhar de julho a novembro, e, com a ajuda de Jesus cumpri minha meta. E como nada está solto neste universo, 13 de julho é a data em que meu primeiro marido morreu. Sua morte certamente foi um marco, o início de um novo tempo cheio de lágrimas e desafios, de novas perguntas, da descoberta de que o sofrimento pode ser uma tentação. Escrever este livro, é também o início de um novo tempo, onde sei que Deus me curou do luto, e, agora, posso viver com plenitude o que Deus tem para mim.

O que eu espero com este livro? É que, de alguma maneira, O Senhor Jesus possa revelar-se a cada leitor, a despeito de todo sentimento humano. E que cada dia mais todos possamos amar o Senhor e a Sua Palavra.




terça-feira, fevereiro 09, 2016

Quem dera...


Quem dera que as flores fossem apenas para enfeitar jardins, e jamais velórios de pessoas que amamos.
Quem dera que os rios corressem só para mar, mesmo com obstáculos, e jamais fossem contaminados com lama que os homens poderiam controlar;
Quem dera os amigos fossem sempre bem vindos, sem nenhuma expressão de dor ou espinho;
Quem dera a verdade imperasse, mansa e suave,  poderosa e majestosa, controlando assim nosso mundo que carrega caixas fechadas, por lembranças que já esquecemos, pesando assim nossa alma.

Quem dera que todas as insônias fossem porque a alma está feliz, e, desperta pelos sonhos que sonhara outrora, contemplando com o olhar infantil o brinquedo novo que desejara.



segunda-feira, fevereiro 08, 2016

É preciso traduzir a música do coração

Eu não concordo com esta frase, acho que
a psicologia não me permite.
Penso que necessitamos urgente traduzir a linguagem do nosso coração em palavra falada.
O fundador da psicanálise, Freud, em seus estudos de casos, nos mostra que há cura na fala. Vi gente morrer porque não pôde falar do que lhe vai na alma. 
No consultório, recebo gente que não consegue falar a anos o que sente. E definitivamente, não falar da música que o nosso coração toca... pode nos torna tão debilitados emocionalmente e fisicamente.
Por isso ao ver essa mensagem no facebook não pude concordar.
Entendo que não devemos falar com todo mundo, isso seria a maior loucura. Tem gente de todo jeito, e se assim fizermos, é possível ficarmos malucos.
O que defendo é que devemos escolher com quem falar com muito cuidado. Nem sempre líderes estão prontos para ouvir o que você vai falar, nem sempre os familiares, nem os amigos, e até mesmo tem psicólogos que você não deve confiar. 
Escolher com quem falar do nosso coração dá trabalho!
É preciso observar a capacidade de uma pessoa de ouvir sem julgar. 
É necessário que a pessoa não fale mal de ninguém pra você, se ela fala de outros para você, falará, com certeza de você, para outros.
É de suma importância que ela seja misericordiosa em suas palavras, ao ouvir falar dos erros dos outros. Fuja de quem é santarrão, de quem escandaliza demais com o pecado, isso significa que ele não se ver como um pecador, logo, será seu juiz severo, e não seu ouvinte amigo.
E muito cuidado, tem gente que não se alegra com você, tem gente que tem inveja da vida que você leva, cuidado. Tem gente que não aguenta a sua tristeza, tem gente que não dá conta de escutar sua dor, respeite.
Mas sempre haverá alguém pra ouvir, procure, não desista!
A solidão da partilha dos sentimentos, é dor que não se estanca.

Por isso, cuidado, já vi pastores, conselheiros, líderes e irmãos “espirituais” arrebentando com ovelhas que já estavam feridas. É preciso discernimento, é preciso orar e pedir a Deus que lhe dê gente que possa lhe ouvir com o desejo profundo de compreender você.

Esse negócio de sorrir sempre, é esquizofrenia do humor, como sorrir se o que eu quero é chorar, como sorrir em meio a um angústia no peito, como sorrir da vida com suas noites tenebrosas, como sorrir diante do que nos sufoca, como sorrir para os que nos aprisionam, com sorrir de sermos o tempo todo roubado, como sorrir quando sabemos que o outro quer é tirar o nosso tapete, como sorrir na despedida de um amor que gostaríamos de preservar, como sorrir na partida de alguém que amamos para a eternidade?

Sorrir sempre, é viver fora da realidade – repito esquizofrenia. A vida trás as lágrimas, e elas necessitam escorrer para não afogar seu coração de tristeza. 
Por isso viva o que tem que viver. Não tenha medo de traduzir sua dor a você mesmo e a quem você escolher para compartilhá-la.





sábado, fevereiro 06, 2016

Café da tarde

Cessou o café da tarde...como é tênue as relações.
Cessou a conversa sem trégua, parada só quando o tempo estava raro.
Estranho esse caminho de quem está tão perto, não podendo andar nem a primeira milha, quando assim de nós discorda, a segunda, ordem bíblica, dever ser utopia do Criador Poeta.
Dói sabermos que não somos vistos com as nossas roupas, outrora, tão conhecidas. É que agora somos loucos porque queremos viver a vida que se coloca na janela. E se isso é ser louco, ah... como quero continuar a ser.
Talvez o modelo de normalidade seja rotular os outros... mas confesso que essa é uma lógica que eu não consigo digerir.
Mas, afinal, o que há de tão errado em viver ao mesmo tempo a paixão nova que chega, e o luto de um amigo que a gente não queria que partisse? Não é a vida interna por si mesma ambivalente?
Talvez, haja Super-heróis das emoções, gente equilibrada... que errou pouco na vida... que não tem história pra contar... e que descansam nos seus padrões. Será que eles, os padrões, são redes para os que creem neles, repousar?

Estranho são as relações, elas são frágeis demais para segurar com as mãos, contudo, hoje é preciso que o peito, as acolham, sem nenhuma indenização...

A vontade é de ir em frente, esquecer o café da tarde... ir tomar com outros amigos que chegam sem nenhum padrão, nos aceitando como somos ou como estamos, apaixonados e triste, alegres com vitórias conquistadas, felizes com o trabalho que dá certo, a tal ponto que nem o sono ousa chegar... é que alma quer viver esse momento acordada... E o que falar de amor que chega, não esse não pode ser falado, é covarde quem tem coragem pra se arriscar.
Acho que nem a psicologia ajuda a explicar o que faz pessoas tão perto, ficar tão longe, só porque não concorda com o caminho que decidimos trilhar.
Sentiremos saudade dos cafés? 
Sim!
        Sempre sentiremos saudade!


sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Último texto da série- parte VI

Sexta feira... e tanto ainda para falar sobre o luto...
Enquanto escrevia tive a ideia de publicar em 2017 um livro sobre o assunto, e, esse ano vou colher material, ler, conversar muito sobre o tema com meus amigos e pacientes.
Eu previa que muitas pessoas teriam dificuldade em lidar com tema. Outros me falaram que nem conseguiram ler os textos... é difícil mesmo. Não tem problema! Tudo tem o momento certo, e cada um tem o seu próprio tempo para lidar com a realidade da vida.
Porém, eu gostaria de terminar essa série de textos, dizendo que o luto, essa dor dilacerante, pode ser vencida.
Creia!
Familiares, amigos, pastores, irmãos, todos podem fazer muito, para que esse processo venha e coopere, para que a gente se torne melhor como pessoa, quando visitados por um luto. E quando nos tornamos melhores, fazemos um mundo melhor.
De verdade eu penso que é isso que o mundo precisa, de gente que queira ser o melhor que pode ser. De gente que deseja dar de si mesmo, abraçar, acreditar, amar, sorrir, ter as mãos estendidas. De gente que sabe que tem muito ao ter a Vida. De gente que não se entrega ao seu sofrimento para socorrer outros, de gente que não briga com Deus como filhos minados, mas que diz, ‘Pai, está doendo, mas eu sei que é soberano, eu sei que tem um bom caráter, eu sei que os homens romperam com o seu projeto e mesmo assim o Senhor teceu veste para eles, e ainda, antes dessa escolha nada inteligente que foi feita no Éden, o Senhor providenciou a salvação dos homens’. Gente assim pode transformar o mundo. Eu conheço um monte de homens e mulheres de Deus que disseram: Eu creio. E são eles que me inspiram na minha jornada diária.
Depois que meu marido morreu, eu entrei nesse universo da morte, passei a ler, a ir em velórios, a não ter medo de abraçar ninguém em seu sofrimento. Aprendi também a manter distância, daqueles que não querem no momento nenhum abraço dos desconhecidos, porque afinal o luto é uma dor para ser compartilhada, primeiro e sempre, por aqueles que mais confiamos e amamos. Compreendi coisas que me levaram a crer que a Vida é maior do que os nossos olhares para ela. Aprendi também que a morte não é a pior coisa que pode nos acontecer. Há dores insuportáveis e muitas vezes maiores que a morte, e é claro, falo, a partir de quem não sonda os mistérios.
Porém, o que mais transformou meu coração, foi a certeza de que Jesus Cristo voltará. Sua promessa do Céu é uma realidade que me consola frente a qualquer dor, até aqui, e, que me lembra que a Vida triunfará sobre a morte. Sou fraca, sou pó, mas creio que um dia receberei um novo corpo, e esse glorificado. Eu creio. Esse milagre de crer foi feito aos pouquinhos pelo Criador em minha vida... somos duros, somos incrédulos por natureza, mas Ele teve e tem paciência. Graças a Ele por isso.

Semana que vem vou voltar com textos mais leves. Fique comigo.