quarta-feira, junho 13, 2018

Mais eu me mordo de ciúmes ou me deixo morder? II


É quarta. Hoje vamos tentar compreender como nasce o ciúme que adoece.


Viver é se relacionar. Dentre as muitas relações que experimentamos na vida, a relação amorosa pode ser uma das mais fascinante. Nenhuma outra pode produzir uma intimidade tão profunda como a do casal que decidiu partilhar a vida.
              Mas, viver a dois é uma arte que não se aprende do dia para a noite. É preciso gastar tempo, pois o tempo é adubo, o qual sem ele, nenhuma relação floresce. Tal tempo deve ser recheado de risos, beijos, toques, olhares, abraços, passeios na intimidade, cuidados especiais que são dados apenas aquela pessoa amada. E para que as relações amorosas se fortaleçam elas necessitam de serem regadas com amor que se revela no zelo, na atenção dedicada, no cuidado, que é o melhor dos ciúmes.
Entretanto, o amor humano traz em si mesmo outros sentidos e possibilidades. Ora quer o bem do outro, ora busca o seu próprio bem, ora quer proteger o outro, ora quer proteger-se da dor que o outro pode lhe causar. E por ser de natureza ambígua o amor humano, tem risco de se tornar uma guerra ao invés de arte pintada com as mais belas cores.
Quando amar deixa de ser arte e se transforma em guerra, passamos a viver o ciúme que adoece. Portanto, o tempo agora não é dedicado apenas para cuidar da pessoa amada, mas para controlar os seus passos, a roupa que deve vestir, com quem deve conversar, onde deve olhar, o que deve fazer e onde deve ir.
E este ciúme, que deixa de cuidar para controlar, pode nascer da possibilidade real ou imaginária que uma terceira pessoa – a rival – tem para destruir sua relação com a pessoa amada, fazendo do amor antes tão pleno, vazio do olhar que se dá valor. Agora a (o) rival lhe parece mais bela (o), inteligente e agradável. E por não se ver no seu espelho com admiração, por não compreender o valor que possui, não se sente amada (o), então se esconde atrás do escudo do controle. Muitas vezes sem perceber que o escudo se transforma em arma que pode matar o relacionamento que tanto deseja preservar. É que agora tudo o que quer é se proteger-se para não perder o objeto amado.
Digo objeto, porque a pessoa amada, agora não é vista e nem respeitada como o outro que tem vontade própria, que escolhe o que quer, e é responsável por suas escolhas.  Ela é tratada como uma marionete, e tem que encenar a vontade do ciumento adoecido para que ele sinta-se protegido.
Esta necessidade de proteção nasce em um passado distante onde a estima foi construída, mas este é assunto para a próxima quarta-feira.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62 982385297



segunda-feira, junho 11, 2018

Na tela



O passarinho cansado pousou na janela. Por alguns segundos ficou estático a observar o humano sentado em frente ao computador, percebendo que ele não representava nenhum perigo, aconchegou-se no parapeito e descansou.
O tempo passou, o passarinho dormiu por horas e acordou refeito. Da janela, olhou para fora e viu o céu azul com tons alaranjados, anunciando o entardecer. Extasiado ficou ali a contemplar a beleza daquele momento e voou para desfrutar o que avistava.
E o humano lá continuava, na frente da tela do seu computador...



sexta-feira, junho 08, 2018

Senzala moderna



‘‘Eu escondi de mim mesma o que eu não queria’’, disse-me certa vez uma boa mulher.
Ela precisando ir, ficou; precisando comprar, não comprou; precisando ver novos temperos, olhou os que tinham; precisando de coisas essenciais e imperecíveis, contentou-se com as supérfluas e perecíveis.
E os condimentos não podiam mais compor sua cozinha, e os armários dos seus dias passou a ter nenhum sabor.
Ela não estava contente, e mesmo sabendo o que precisava ser feito para temperar a sua vida, seguia escondendo dela mesma o que não queria fazer, e acabou escrava na senzala da sua vontade.




quarta-feira, junho 06, 2018

Mais eu me mordo de ciúmes ou eu me deixo morder?



O ciúme, seja em maior ou menor grau, é uma realidade presente nas relações humanas. Há quem crer que nas relações amorosas é ingrediente essencial. Para estes, quem não tem ciúme não ama.
Seja como for, uma coisa é certa, os sentimentos humanos são ambíguos. E o ciúme que pode ser uma expressão de zelo, também pode ser um sentimento de posse exacerbada.
É fácil diferenciar o ciúme que cuida do ciúme que adoece. Quando há cuidado a relação é fortalecida, cresce a confiança entre o casal. Mas se o sentimento é de ser dono do outro, a pessoa alvo do ciúme se sentirá sufocada, ao invés de amada. Portanto, a relação de amor tão desejada deixará de ser uma experiência de alegria e cumplicidade, tornando-se recheada de angústias e guerras.
O ciúme que adoece não vive só na ficção ou literatura, infelizmente é mais comum do que deveria, e suas histórias provocam assombros.
Mulheres são trancadas dentro de casas, outros (as) fazem “barracos”, batem, beliscam, gritam na frente de qualquer pessoa se imaginam que seus parceiros olham para o lado... Tem parceiros que vasculham os celulares, e não ter a senha é inadmissível. Outros, controlam o guarda roupa, e se a pessoa não vestir o que eles querem, rasgam a roupa ainda que esteja no corpo da pessoa amada. Há homens e mulheres que ao ver o companheiro (a) conversando com colegas de trabalho, da faculdade, da igreja, já desconfiam que algo está acontecendo e passam a vigiar qualquer passo. Outros tem ciúme dos pais, dos irmãos e outros parentes, e proíbe a pessoa de ir vê-los. Tem aqueles controlam seu ciúme quando estão em público, mas seus companheiros ficam amedrontados pelo ringue expresso no brilho diferente do olhar, e sabem que voltar para casa é voltar para mais round. E há aqueles que matam... No Brasil 12 mulheres são assassinadas todos os dias e mais de 50%, a causa foi o ciúme dos seus parceiros.
A vida se torna para as pessoas vítimas do ciúme adoecido um contínuo campo de batalha, e tudo em nome do “amor”... Estranha afirmação, porém, ‘o ciúme é tão inflexível quanto a sepultura’1, diz a bíblia, e uma pessoa dominada por tal intolerância pode se tornar hábil em atitudes extremas, cujas consequências, não tem volta.
Nesta série sobre o ciúme eu convido você a refletir comigo sobre este tema tão presente, tão humano. Meu desejo é que nas minhas muitas palavras, você encontre alguma direção para sua vida e a de alguém que está pertinho de você, caso seja o ciumento adoecido ou a pessoa alvo do ciúme que sufoca.


Até quarta nesta nova viagem.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62-982385297

segunda-feira, junho 04, 2018

Desemprego, desemprego, porque me persegue?


Segundo o IBGE 13,7 milhões de pessoas no Brasil estão desempregadas. O desemprego pode ser um grande desencadeador de estresse, ao trazer o medo e a incerteza  quanto ao futuro. É interessante perceber que mesmo que saibamos ser uma questão social, normalmente nos sentimos fracassado.
Esta sensação de fracasso, caso o tempo desempregado se prolongue, pode gerar uma baixa estima. Sem estima, tendemos a ficar envergonhados e buscamos o isolamento, o que pode gerar um quadro depressivo, tornando ainda mais complicada a procura pelo tão necessário emprego.
Então, como podemos nos prevenir dos males do desemprego?
1.      Agradeça a vida recebida, ela é o seu maior tesouro;
2.   Evite as reclamações, elas trazem o pessimismo e minam as forças emocionais e físicas;
3.  Entregue a maior quantidade possível de currículo, tanto pessoalmente como via online;
4.      Faça seu cadastro no Sine;
5.  Assista vídeos sobre sua área de interesse, isso pode agregar valores para sua profissão;
6.     Faça cursos gratuitos na internet ou presencial, isso ajudará a entrar em contato com novos conhecimentos e novas pessoas, ampliando sua capacidade de trabalho e sua rede social;
7.    Faça exercícios físicos regularmente (caminhada, corrida, andar de bicicleta etc.), eles ajudarão a manter a ansiedade controlada;
8.    Faça seu orçamento financeiro, isso vai ajudar você a controlar gastos, reduzir o que for desnecessário, ajudando a poupar o dinheiro nesta fase em que não está ganhando;
9.    Saia de casa, visite bons amigos e parentes, vá a igreja, vá a programações culturais oferecidas gratuitamente, isto ajudará você a preencher sua mente com outros assuntos;
10.  Cuidado com o uso de substâncias químicas - álcool e outras drogas - elas poderão pesar no bolso e tirar de você o discernimento necessário para viver o hoje.

                 Abraham Lincoln dizia que “ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas deixar de ser vítima dos problemas e se tornar o autor da própria história”. E ainda que o desemprego seja hoje uma realidade brasileira, e você neste momento a viva, decida ser o autor da sua própria história, é bem melhor do que ser a vítima.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
982385297

sexta-feira, junho 01, 2018

Agenda do amanhã



Amanhã eu vou...
Amanhã eu vou escrever.
Amanhã eu vou visitar meus pais, parentes e amigos.
Amanhã eu vou ao médico.
Amanhã eu vou dizer o que eu preciso.
Amanhã eu vou escutar o que o outro tem a dizer.
Amanhã eu vou a psicoterapia.
Amanhã eu vou buscar mais a Deus.
Amanhã eu vou perdoar.
Amanhã eu vou pedir perdão.
Amanhã eu vou comprar flores para o jardim.
Amanhã eu vou organizar o computador.
Amanhã eu vou pagar a conta.
Amanhã eu vou ler mais livros.
Amanhã eu vou estudar para o concurso.
Amanhã eu vou iniciar a dieta.
Amanhã eu vou para academia.
Amanhã eu vou lavar o carro.
Amanhã eu vou buscar o que esqueci.
Amanhã eu...
Quem vive anotando o que fazer na agenda do amanhã, caiu no conto vigarista da procrastinação ou acreditou que a morte tem data e hora para chegar?

Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62982385297
Por Equipe Empiricus

quarta-feira, maio 30, 2018

Perdoar é preciso?(x)


Hoje é quarta. Fim de viagem. Últimas considerações sobre o tema perdão.


Perdoar é uma viagem cujo item principal da bagagem é a sabedoria, talvez por isto, as pesquisas apontam que os idosos perdoam mais que os adultos, e estes mais que os adolescentes1, mostrando que a sabedoria adquirida ao longo do tempo vivido pode ajudar na arte de perdoar2. E seja homem ou mulher, não há diferença, todos enfrentam as mesmas dificuldades na estrada da vida quando é preciso viajar com o destino ao perdão3.
Esta viagem é uma escolha que na maioria das vezes não brotará de forma natural no coração. Entretanto, os viajantes que decidiram fazê-la nos garantem que da mesma maneira como aprendemos um caminho para chegar a um destino, o perdoar também se aprende. Eles também nos apontam certos itens que não podem faltar na bagagem daqueles que decidem empreender tal viagem. Eis aí quais são eles:
Primeiro, a calma. Vá para um lugar aberto, um parque, um jardim, o quintal da casa, a área social do condomínio e sente-se sob uma árvore. Deixe a sombra refrescar você, até que a raiva se abrande no coração. Se for preciso e houver grama, ande descalço por pelo menos 20 minutos. Mais calmo, tente pensar se a pessoa lhe machucou intencionalmente, se estava submetida a uma pressão interna ou externa que a tirou do controle, se tentou reparar a atitude que produziu mágoa. Pense sobre a história que viveram juntos, quantas vezes já teve que perdoar e também ser perdoado. No calor da ira, jamais converse com quem te machucou.
Segundo, aceitar a raiva. É importante a compreensão de que negar a raiva provocada por uma afronta só faz com que ela cresça. Experimentar sentimentos ruins é algo do universo humano, o qual tem que ser reconhecido por aquele que sente. Tão ruim quanto negar, é engolir. O estomago emocional não aguenta por muito tempo o mal-estar, e vomitará no corpo muitos sintomas, dentre eles, a ansiedade e a depressão.
Terceiro, a humildade. Se perceber que não consegue sozinho, dê a si mesmo a permissão para falar sobre o assunto com alguém imparcial e que confie, seja um amigo, um parente, o seu líder na igreja ou um psicoterapeuta. Ninguém é forte demais ou espiritualmente raquítico porque em um determinado momento da vida precisou de ajuda. Por vezes, árvores frondosas caem no meio da estrada, e só com ajuda podemos removê-las. Da mesma forma, todos os seres humanos passam por trechos complicados ao longo da vida, na qual buscar ajuda será o único jeito de seguir a viagem. É triste ver gente parada por não ter tal item na bagagem, a humildade.
Quarto, instrumentos de liberação da tensão. Certas atitudes podem trazer  alívio ao corpo e a alma, como por exemplo: ouvir uma história de perdão; ouvir uma música que gosta; ter uma caneta, um papel ou uma tela a punho para escrever ou pintar o que sente; os passos de uma dança a movimentar o corpo; bordar, fazer móveis, cantar, fazer exercícios físicos e tantas outras coisas...
Na verdade, qualquer hobby vai ajudar. E para quem não tem é urgente encontrar um passatempo que lhe produza relaxamento, pois é necessário diminuir o peso da tensão sentida para prosseguir nesta viagem rumo ao perdão.
Os viajantes que chegaram ao destino do perdão ensinam que a vingança é um item que não deve ser levado na bagagem. Dizem que “vingança é um prato que se come frio”, entretanto, ela é muito mais que isto, porque comida fria pode ser apetitosa ao paladar de alguém. Porém, a vingança é o fermento do ódio, a fazer crescer o aumento da pressão arterial, da ansiedade, da depressão, a todos, indistintamente que decidirem mantê-la. Gastar tempo em vingar uma pessoa que lhe produziu uma mágoa, é o pior investimento que pode ser dado ao tempo, uma vez que tempo é recurso que não se sabe o quanto se têm.  Cuidado, descarte este item enquanto é tempo, pois a vingança é sempre câncer a roubar da vida a alegria que se quer viver.
É possível perceber que a mágoa compromete a vida ao roubar sua alegria. A lógica é simples, uma pessoa magoada busca se isolar, e isolada pode deprimir-se, deprimida não desfruta das cores trazidas pelo arco íris, e o cinza, apenas o cinza, fica a viver. Enquanto, quem perdoa é livre dos pensamentos negativos, tem a ansiedade e a angústia atenuada evitando de partir o coração, tem auto estima na medida que dá a si mesmo o olhar com bondade e treina a tolerância - capacidade de suportar o que não gosta no outro, se tornando capaz de manter as relações. Afinal, quem é que não precisa ser tolerado?
Quem chegar ao destino do perdão saberá que as dores vividas ‘produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações...5
E o amor, tão forte quanto a morte6 é a força necessária para suprir aqueles que decidem  viajar rumo ao destino do perdão, nesta fascinante saga que é a vida.

 Roseli de Araújo
Psicóloga clínica

Bibliografia
 1Girard e Mullet, 1998a; Mullet et al. 1998a
 2 Baltes e Smith, 1990
3 Mullet et al. 1998a,
4. e.g. Hebl e Enright, 1993
5. Romanos 5.3-5

         

segunda-feira, maio 28, 2018

O muro não terminado



Tomara que esse muro pintado pela metade, e não terminado, com a tinta e o pincel de cerdas grossas nele encostado, não seja parábola da vida.

Conta-se na mitologia grega, que Sísifo, rei de Corinto, após enganar duas vezes a morte, foi condenado pelo deus Zeus, a rolar uma pedra até o cume da montanha, porém, sempre que a pedra estava chegando lá, ela rolava montanha abaixo, e Sísifo tinha que voltar e levar a pedra novamente, e assim por toda a eternidade1. Triste sina!
Porém, diferente de Sísifo a rolar por toda vida a mesma pedra, parece que muitas vezes vivemos a maldição de rolar pedras novas, de projetos que nunca serão terminados, tornando-nos colecionadores de planos inacabados.
Entretanto, não é preciso muita alquimia para compreender a bruxaria... Os “coaches” do nosso tempo insistem que para quebrar esta maldição basta uma atitude, ter foco.
Mas, ter foco não é fácil hoje em dia. O mundo está povoado de distrações... E podemos nos tornar pessoas que tem na casa, no computador e na alma, uma despensa com as estantes abarrotadas, das paredes ao teto, por projetos incompletos.
Corremos o risco de não termos títulos em nossa biografia, nem diplomas na parede ou guardados em pastas. É que os cursos começados e não terminados, geram apenas os “mas” da lamentação. Na meia idade é difícil vencer o desânimo ao ver o dinheiro gasto, o tempo perdido, a energia gasta em algo que não se fez, a denunciar o desperdício.
Tantas vezes é possível ficarmos paralisados a olhar os projetos em vez de executá-los, gastando tempo, que não sabemos o quanto temos.
Cuidado ao esquecer a tinta encostada no muro ao lado do pincel de cerdas grossas.... Podemos estar vivendo uma maldição pior do que a vivida por Sísifo, a de não ter foco.
É mesmo lamentável tantos sonhos pela metade engavetados... A fazer correr pelos olhos da alma a tristeza do aborto de tantas colchas de retalhos, bordados, livros, desenhos, cursos, jardins, quadros, roupas, viagens, hortas, blogs...
Sísifo não tinha escolha, mas nós que pretextos temos?

 Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
62 982385297


sexta-feira, maio 25, 2018

Nasce Neros



Os pais, sendo eles mocinhos ou vilões, são instrumentos para nos trazer a vida.  A vida é a nossa riqueza mais valiosa, o maior dom que recebemos, embora, anda meio desprezada hoje em dia.
Diante desta verdade, é fato que os pais nada devem aos seus filhos. Contudo, a crença de que os pais devam para os filhos a possibilidade de serem felizes é algo bizarro em nossos dias, porém tratado como o natural.
O trágico desta crença é que normalmente os pais não conseguem conceituar para si mesmo o que seja essa tal felicidade. E empurrados pelo visível mundo do consumo, ensinam seus filhos que são eles devedores de tudo o que o mercado lhes impõem. A consequência mais nefasta desta crença, são filhos cheios de direitos e vazios de responsabilidades. Coisa terrivelmente triste!
E pessoas com direitos demais pensa que tudo gira em torno delas. Se algo vai anti-horário do que deseja, debate-se em birra, até, em corredor de supermercado. Indivíduos com muitos direitos são melindrosos, se ressentem com o pouco... Nos pais avançam com tapas. Então, assistimos embasbacados a morte da noção de autoridade.
Os pais apatetados ficam, afinal, eles tornaram-se escravos dos filhos senhores, por concordar e ensinar aos filhos que eles merecem até o que não conquistaram.
Sofremos a olho nu a crise de autoridade, e tudo começou quando os pais deixaram de acreditar que são autoridade sobre a vida de seus filhos, tornando-se deles escravos, a trabalhar para sua felicidade, perdendo a função principal na vida deles, que é de ensiná-los o domínio das suas vontades.
E atônitos vemos nascer uma geração de Neros!!!  Gente capaz de matar os da própria casa para ter o que se quer.
É mesmo coisa terrivelmente triste!!!


quarta-feira, maio 23, 2018

Perdoar é preciso? IX



Perdoar os pais é necessário em algum momento?
Certa vez uma pessoa me confessou que odiava tanto sua mãe que nem o seu nome conseguia pronunciar, e se referia a ela como ‘aquela mulher’. Era triste e dolorido ouvir ele falar com tal raiva daquela que o gerou..., contudo, aquela era a sua realidade e infelizmente de muitas pessoas.
Entretanto, é fato que uma pessoa magoada com os pais pode perder a noção de quem ela é, e de como quer se construir. E na ignorância dela mesma, torna-se escrava, por tantas vezes, do que não quer.
É preciso crer que a relação não resolvida com os pais, refletirá em todas relações pela vida a fora. É comum mulheres que tiveram pais alcoólatras, buscarem homens que são abusivos no uso do álcool. É corriqueiro a procura por parceiros que tenham exatamente o que nos pais o desagradava.
Muito se fala sobre o assunto - é consenso entre Fé e Ciência – que a forma como vemos e tratamos nossos pais é o caminho que pode tornar possível a busca pela felicidade.
Diz a bíblia, (há mais de dois mil anos), “se alguém amaldiçoar seu pai ou sua mãe, a luz de sua vida se extinguirá na mais profunda escuridão”1. Na escuridão não é possível ver o caminho, logo, corre-se o risco sério de bater com o rosto na parede, de tropeçar, de quebrar coisas no caminho, de ser atacado por bichos.
E se os olhos não se acostumam com a escuridão para alguma coisa ao menos poder visualizar – a sensação é a perda total da direção - a luz da vida se acaba na escuridão. Instala-se na alma a angustia de viver a consequência de escolhas que nunca desejou. E a culpa, companheira amarga o torna escravo da sua dor.
Honrar pai e mãe, é na torá o primeiro mandamento com a promessa de vida longa e vida bem vivida. Honrar é um princípio de vida adotado por pessoas que reconhecem quem são os pais em sua vida, e a eles dão o lugar devido. Para estes, os pais são vistos como as pessoas mais especiais do mundo, não porque sempre acertaram, mas porque para eles, são pessoas as quais lhe deram a vida, e só esta razão é suficiente para que elas merecessem toda a sua consideração. É algo incomum atualmente, infelizmente..., mas, este é o caminho para se formar uma pessoa bem-sucedida na vida.
A psicologia (ciência com pouco mais de 100 anos), concorda, ao explicar por meio dos seus teóricos, que seja por qual for o motivo, a mágoa guardada dos pais, pode constituir em desajuste. Freud, um os mais conhecidos, fala sobre a importância do resgate simbólico dos pais em nós introjetado - guardado. Para ele, é preciso que haja conciliação simbolicamente com pai e mãe. E esta conciliação será possível quando o adulto buscar, não só justificá-los pela sua razão, mas num nível mais profundo, adentrar no inconsciente, resgatar a sua criança que está ferida, e que é manifestada, tantas vezes na baixa autoestima e arrogância, na falta de confiança na relação com o outro, na dificuldade em obedecer autoridades, na sensibilidade exacerbada, na falta de fronteira revelada no “sim” dito o tempo todo enquanto se quis e precisava dizer “não”.
Portanto, cuidado com qualquer mágoa trazida pelos pais, ainda que seja justo o seu motivo. Eles podem ter falhado em coisas as quais são indesculpáveis, tais como: Violência física, psicológica e pedofilia, ou com a indiferença, ou com a atitude de entregar você para que outros cuidassem, ou demonstraram amar mais seu irmão, ou tenham sido adoecidos emocionalmente, não conseguindo ver o que você tanto precisava, ou talvez eles tenham tido, por alguma razão mentes transtornadas pela herança genética, e como loucos foram conhecidos, envergonhando você.
Eles podem ter fracassado. Contudo, eles são humanos e errar é sempre uma possibilidade. Além disto, nesta vida nem tudo é escolhido, e existem coisas que são incontroláveis, como por exemplo, a genética herdada.
Seja como for... Seja o que for... Busque tratar a mágoa. Não importa que tamanho ela tenha, esta dor alimentada, será capaz de fazer com que a luz da sua vida se apague.
Talvez a dor já tenha se tornado indiferença em seu peito, talvez não veja nenhuma solução à vista, porém, não se conforme com esta tragédia. Se ela persistir, não se aceda, se por acaso tenha alguma fé no criador, clame com todo o seu ser, o poder para perdoar. Busque alguém em que possa confiar e confessar sua mágoa. E se isto não for suficiente procure ajuda especializada.
Seja como for... Seja o que for... Saiba que perdoar aos pais é sempre preciso. Ciência e fé já acordaram. Não se permita viver sem a luz que está, hoje, disponibilizada a você.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
Contato 62-982385297

Referência:
1Provérbios 20:20

segunda-feira, maio 21, 2018

Então o futuro é isso aí?



E o presente,
A vida segue com suas pontuações ... ( ) ! : ;ou “ ”,  _?. E a vida insiste ... ;  , e _  “ ” ( ) ! : ? e.
E o olhar se perde nas mãos adormecidas, a sussurrar ao coração sem palavra alguma, que não há movimento que bombeia a vida. Vive-se só a angústia que paralisa. E do hoje, os passos... Sem ! .
E o futuro é isso ai?
No passado, uma expectativa de que o futuro seria bem melhor. No presente a certeza de que o passado foi melhor.
Então o futuro é isso?
O lugar que não se chega nunca?
Que pena que o coração não desconfia que de pique esconde, ele fica a brincar, no presente de todo dia.


Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
Contato 62-982385297

sexta-feira, maio 18, 2018

Nem super bonder cola



A confiança quebrada é louça que nem super bonder cola.  Os pedaços se espalham pela sala, cozinha e quarto, a lembrar que o amor não está mais guardado.
 O abraço antes oferecido agora ficou para dentro. É que o coração ferido com o dito não cumprido, levanta muralhas sem brechas como as de um castelo antigo.
Melhor seria abandonar a justificativa do que já está desfeito, conchegando um gesto humilde de desculpa. Quem sabe assim a ira se despeça, e o amor seja mais uma vez recolhido, em sua forma de mais fina louça. 


Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
Contato 62 982385297

quarta-feira, maio 16, 2018

Perdoar é preciso VIII?


É quarta. Eu sigo nesta estrada do perdão, e espero que até junho em consiga concluir.

Perdoar é preciso VIII

Perdoar está para as relações humanas como o respirar está para o corpo.  Sem perdão, o cenário das relações não se sustenta.
Porém, como um órgão do corpo que adoece, comprometendo todo seu funcionamento, pessoas que sofreram traição na relação conjugal, e que decidiram permanecer casadas, contudo, com uma mágoa camuflada, passam a viver um verdadeiro câncer emocional.
 Ainda que haja a confissão antes de ser descoberta a traição, ainda que a rival tenha sido abandonada, por mais que agora, o outro, oferte todo tempo disponível para refazer a relação, e daí? O estrago feito no coração não encontra consolo no arrependimento do que traiu. E sua mágoa não confessada é vista ao fiscalizar quase que diariamente o celular, o facebook e e-mail do cônjuge. Num gesto de quem não consegue se conter, ao final do dia, revista as roupas em busca de algum cheiro, de alguma cor de batom, de algum cupom fiscal... Sempre que supõe algo diferente, revira as coisas pessoais do cônjuge para ver se encontra alguma coisa incomum. Em sua cabeça, faz a conta do tempo, repassa a rota que o outro diz ter feito, e verifica o estepe do carro ao ser informada (o) que o atraso ocorreu porque o pneu furou.
Ao negar para si e para o outro que esteja magoada, mantém a cama como se nada tivesse acontecido, contudo, ao menor toque, seu coração grita, seria assim com a (o) outra (o)?
Na tentativa de controlar o insopitável, fica presa na guarita de proteção à vigiar o outro. Seu coração, outrora em paz, agora vive a guerra “invisível” da desconfiança.
E a angústia não se despede, ela vai comparecendo na lábil emoção que insiste em cristalizar outra forma na relação. ‘Será que estava com a (o) outra (o)?' No perdão, a afronta é relembrada sem roubar a calma alegre da alma, mas, na mágoa camuflada, o lembrar é obsessão que não dá folga, a dizer que está viva a raiva.
Jesus Cristo disse que a existência do divórcio foi permitida por causa da dureza do coração. Ao fazer tal afirmação, fica claro que ele conhecia bem a natureza humana, e dela não esperava nem mais e nem menos do que tinha para oferecer.
Jesus sabia que assim como o menor movimento do magma altera o cenário da terra, o coração humano ao sofrer o movimento do magma da traição, ainda que uma única vez, este deslocaria as placas tectônicas da confiança, mudando para sempre a relação. Ele disse, o coração do homem é duro. Sim! É pedra, é rocha que se modifica na amargura ao perder sua capacidade de seguir em paz.
Quem dera o coração humano fosse da dureza de um diamante, e, mesmo sendo arranhado pelas lapidações da vida, não se quebrasse as pressões vividas. Mas, ele pode ser rocha a se desfazer na dor gerada por uma traição, fazendo com que a possibilidade do deserto se instale.
E ainda que a pessoa tente se manter como se tudo estivesse como antes, a mudança que se fez no íntimo murmura, ‘não dou conta’. É que ao sentir o calor extremo da raiva provocada e o frio extremo da confiança desfeita, prova do destempero do deserto que se fez. Perde-se o equilíbrio.
Agora, o chão é areia a tornar pesada os passos da relação, e a pessoa não é capaz de oferecer ao traidor arrependido o perdão ao provar da sua mágoa velada.
Se há filhos, eles são os primeiros a perceber que a casa antes construída em rocha firme, parece agora, castelo de areia construído na praia enquanto a maré está baixa. É que as crianças sentem, ainda que nada saibam, que algo mudou a estrutura da casa.
É preciso coragem para não negar a mágoa. É na confissão feita a si mesmo que o primeiro passo é dado para encontrar o caminho para tratar o coração que se fez com a traição. Sem este passo, nada mais se fará.
Contudo, este é só o primeiro passo. A viagem poderá ser longa... Mas não desista! Vale a pena caminhar para ver o cenário novo que poderá nascer de um coração que se deixou tratar.
Quem sabe haja lugar para regeneração?
Quem sabe o coração tratado encontre no novo cenário que se formou, belezas antes não vistas?
Seja como for, para a paz, nós fomos chamados.
Roseli de Araújo
Psicóloga clínica
Contato 62 982385297